Monday, 14 December 2009

Zimbabwe não é para brancos


Robert Mugabe, falando no congresso do seu Zanu-PF, referindo-se a Roy Bennett, um membro branco do MDC, afirmou o seguinte:

"Ao MDC eu digo:abram os vossos olhos.Este é o vosso País, não é para brancos.Eles são colonialistas, mesmo que tenham nascido aqui, eles são descendentes de colonialistas".

Este tipo de discurso racista é aceitável?
Estas palavras ofensivas promovem a harmonia racial e a tolerancia política?
Quem tem coragem para denunciar e criticar Mugabe pela sua conduta racista?

“LM Radio” reiniciou transmissões esta manhã

Em Parceria com a Rádio Moçambique


Maputo (Canalmoz) - Depois de ter sido mandada encerrar pelo Departamento do Trabalho Ideológico do Bureau Político do Comité Central da FRELIMO, em Outubro de 1975, por ser “elitista”, a estação comercial “LM Radio” reiniciou as suas emissões às 06h00 de hoje. “LM Radio”, abreviatura de “Lourenço Marques Radio” transmite agora sob a designação de “Live Music Radio”, mantendo, no entanto, a mesma designação comercial de “LM Radio”.
A nova versão da “LM Radio” é uma parceira envolvendo capitais sul-africanos e a emissora estatal, Rádio Moçambique. Conforme o Canalmoz havia noticiado em primeira mão na sua edição de 2 de Julho do corrente, os planos para a reabertura da rádio comercial vinham a decorrer desde há vários meses, tendo os primeiros sinais surgido quando o serviço radiofónico passou a constar da grelha de estações emissoras da Multichoice (DSTV), embora aguardando o reinício das transmissões.
Tal como no período que antecedeu o encerramento da “LM Radio”, a programação da nova estação emissora será produzida na África do Sul. As transmissões serão por satélite, utilizando o sistema da DSTV, e através dos estúdios e emissores da “Maputo Corridor Radio” (serviço de língua inglesa da emissora estatal moçambicana) na Matola. A “LM Radio” transmite igualmente por satélite para a Europa através do Intelsat 10 com recurso à rede “View Africa Network” com ligação (uplink) proveniente da África do Sul. Por 990 randes, os ouvintes residentes na África do Sul poderão adquirir equipamento para escutar as transmissões da “LM Radio” via satélite. O equipamento inclui um receptor FTA 102 (transmissão gratuita por satélite), um LNB, parabólica de 60 cm e acessórios diversos.
As transmissões da “LM Radio” continuarão a ser em língua inglesa e o formato da programação idêntico ao da popular estação emissora criada em 1936, cujas receitas constituíam uma importante fatia do orçamento do antigo Rádio Clube de Moçambique. Com o encerramento da “LM Radio” em Outubro de 1975, cessaram as receitas do lucrativo esquema de publicidade montado pelos gestores sul-africanos e portugueses da rádio comercial que volta agora a estar no ar, tendo a emissora estatal moçambicana passado a depender de um “fundo de maneio” atribuído mensalmente pelo Ministério da Informação. A exiguidade do fundo contribuiu para a degradação das instalações e a não reposição de equipamento, pese embora o facto de o regime da Frelimo ter sempre considerado a RM como “instrumento imprescindível de condicionamento da opinião pública”. O ex-ministro da informação do regime, Teodato Hunguana, em declarações proferidas em congresso da formação política no poder, realçou esse aspecto, ao afirmar que a Frelimo jamais “largaria mão” não só da RM como também da TVM.

(Redacção/www.lmradio.net, CANALMOZ,14/12/09)


Luta contra a corrupção: Há voluntários?

A passagem do 9 de Dezembro, dia internacional de combate à corrupção, deveria ter sido aproveitada pelo governo para renovar a sua declaração de intenções quanto à intensificação da luta contra este flagelo que carrega dentro de si o potencial para destruir todos os esforços de luta pelo bem estar na sociedade moçambicana.
A luta contra a corrupção foi enunciada como parte do programa do governo de Armando Guebuza desde o início do seu primeiro mandato em 2005. Então, a esperança de muitos moçambicanos ficou renovada quanto à possibilidade de conquista do prometido “futuro melhor”, e parecia que se abria no horizonte uma nova forma de se estar entre a classe governativa do país.
Mas foi pura ilusão. O que parece ter acontecido foi que uma parte da elite do poder poderá ter se sentido marginalizada da partilha dos espólios da corrupção durante o anterior regime de Joaquim Chissano, e ficou à espera do seu dia para se vingar.
É que apesar dos renovados pronunciamentos do governo sobre o seu empenho na luta contra a corrupção, apesar de algumas acções espectaculares de detenção e julgamento de presumíveis dirigentes corruptos, continua predominante a percepção de que a corrupção não só continua entre nós, como também se intensificou e ganhou contornos ainda muito mais sofisticados. Os que ontem juraram combater a corrupção com toda a tenacidade tornaram-se hoje parte integrante do problema.
Pode-se condenar os que se opõem à corrupção como pessoas mentalmente colonizadas, e que se sentem incomodadas com o progresso económico dos negros. De facto, não se pode impedir que os moçambicanos sejam ricos. Mas a riqueza tem que ser lícita, resultado de trabalho árduo. Porém, este não é o protótipo de muita gente rica entre nós, onde grande parte da riqueza individual é resultado de relações de promiscuidade envolvendo interesses empresariais estrangeiros e dirigentes políticos que se fazem valer das suas posições públicas para negociar contratos fraudulentos e ganhar comissões.
Na realidade, o sector privado em Moçambique não sobrevive sem esta relação promíscua com o poder político que controla o Estado.
Uma área onde a corrupção prolifera sem limites é no sistema de aquisição de bens e serviços para o Estado, onde muitas vezes os concursos públicos servem apenas da fachada que encobre negociatas e outros esquemas obscuros. Podemos ver a evidência disso no julgamento ora em curso, o qual para muitos é apenas uma pequena ponta de um gigantesco iceberg.
Não podemos emitir juízo antes que o caso conheça o seu desfecho e os acusados sejam julgados culpados dos crimes que lhes são imputados, mas para que tenham agido da forma como está a ser descrita revela a tranquilidade com que praticavam os seus actos, certos de que a impunidade continuaria a ser a sua sorte.
Agiram dentro de um sistema que lhes permitia fazer as coisas que faziam. Acreditamos que não são os únicos. E que os seus actos reflectem um comportamento isento de integridade pública que permeia toda a cadeia de comando no sistema de administração pública em Moçambique, a todos os níveis.
Há esquemas de corrupção envolvidos no aluguer de meios de transporte para deslocações oficiais, há expropriação indevida de casas pertencentes ao Estado, há corrupção na contratação de empreitadas públicas, na aquisição de mobiliários para instituições do Estado, na aquisição de viaturas, na organização de eventos oficiais, e por aí em diante.
O sistema está putrefacto, e essa situação só continuará a intensificar-se com a ausência de sistemas testados de controlo, um código de boas práticas que impõe limites sobre o que servidores públicos podem e não podem fazer.
Por exemplo, deveria ser proibido por lei a figuras em serviço público acederem a posições de accionistas em empresas durante a vigência dos seus mandatos. Mais desaconselhável ainda quando tal acto se concretize em relação a empresas que sejam concorrentes de empresas controladas pelo Estado. Imagine-se a objectividade de alguém do governo que tenha que tomar uma decisão estratégica de negócio em relação a uma empresa do Estado que ao mesmo tempo é concorrente da sua própria empresa.
Infelizmente, estas coisas acontecem entre nós, e todos ficamos a olhar, como se não tivéssemos a capacidade de discernir entre o bem e o mal, entre o bom e o mau.
A corrupção é um factor importante para a desestabilização de uma sociedade. Ela distorce as boas práticas na conduta de negócios, tem efeitos nocivos nas finanças públicas, e como tal retarda o desenvolvimento colectivo da nação. Devemos combate-la com todos os meios à nossa disposição. Mas há voluntários?

(Editorial do Savana, citado por Carlos Serra em www.oficinadesociologia.blogspot.com)

Urge adopção da lei sobre declaração de bens - afirma estudo sobre revisão da Lei Anti-Corrupção

A LEGISLAÇÃO nacional de combate à corrupção deve conter uma lei que trate da declaração de bens dos titulares de cargos públicos com poderes de decisão e sem excepção, uma vez que os diplomas actualmente em vigor são limitativos e não abrangentes.
Esta posição foi defendida, em Maputo, pelo Director da Unidade da Reforma Legal, Abdul Carimo Issá, na apresentação do estudo sobre Revisão da Lei 06/2004 (Lei Anti-Corrupção), para quem a referida lei, de carácter geral, deve dizer ainda quem deve declarar, quais os mecanismos de monitoria e quem deve administrar o sistema.
Falando semana passada num encontro sobre corrupção, que assinalou a passagem do Dia Internacional Contra a Corrupção, Abdul Carimo Issá referiu que a nível dos órgãos de soberania a nova legislação deve abranger não só os membros do Governo, mas também os juízes, procuradores, deputados e ainda funcionários públicos com poder de decisão, dirigentes de empresas públicas e privadas detidas maioritariamente pelo Estado.
“Os bens declarados devem ser regularmente monitorados, pois só assim a declaração tem efeito útil”, acrescentou Carimo Issá para depois frisar que o referido dispositivo deve ser geral, sem prejuízo dos estatutos de cada sector conterem detalhes.
Numa dissertação que teve como pano de fundo considerações sobre o processo de revisão da Lei 6/2004, Lei Anti-Corrupção, o orador apontou como razões de fundo para a alteração desta lei o facto de esta apresentar inúmeras lacunas para um combate eficaz e eficiente contra este mal.
Segundo referiu, esta lei, sob o ponto de vista substantivo, não abrange alguns tipos legais de crimes, por exemplo, enriquecimento ilícito, tráfico de influência; a lei não está totalmente harmonizada com algumas previsões legais, sobre matéria de corrupção, quer do Código Penal, quer de demais legislação avulsa.
Para este jurista a actual lei anti-corrupção não pune actos que podem consubstanciar crimes de corrupção; aquele que tenta, em vão, corromper, ou seja, não pune o agente que tentou corromper sem, no entanto, o conseguir por o pretenso agente passivo se recusar a fazê-lo e não abrange a corrupção no sector privado.
Sob ponto de vista do direito adjectivo, a Lei em análise não está totalmente harmonizada com normas processuais do Código de Processo Penal e de demais legislação avulsa; não permite que o Gabinete Central de Combate à Corrupção deduza acusação.
Face a estas lacunas todas, a Unidade da Reforma Legal (URL) propõe a adopção de uma lei que trate estrita e exclusivamente dos crimes de corrupção. Ela deve concentrar o direito substantivo (previsão do crime); abranger quer o sector público, quer o privado; os crimes típicos e clássicos de corrupção como crimes de conexos aos de corrupção.
“A nova lei deve acrescentar ao rol dos crimes existentes o tráfico de influência, abuso de cargo ou de função, enriquecimento ilícito, conflito de interesses, peculato, abuso de confiança, concussão e outros”, sublinhou o Director da URL.
A URL quer ainda que o novo dispositivo legal esteja em harmonia com as disposições do Código Penal e demais legislação avulsa; puna severamente a corrupção e consagre que aqueles que confessam o crime façam ressarcir dos danos, e denunciem a rede dos corruptos, pessoas estas que depois poderiam beneficiar de isenção e/ou suspensão da pena; entre outros aspectos.
Para uma melhor actuação do Gabinete Central de Combate à Corrupção, a nova lei trate da organização, composição, funcionamento e competência deste organismo actualmente adstrito à Procuradoria-Geral da República.

(Notícias, 14/12/09)

Sunday, 13 December 2009

Saturday, 12 December 2009

Run-down but upbeat



Maputo is, essentially, “Hillbrow by the sea”.
Many of the old buildings, while impressive, have been neglected, with some seemingly untouched since Mozambique’s civil war over two decades ago.
But, as in any city or destination – and that includes Hillbrow – there is plenty of historical, cultural or aesthetic interest, and a visit to Maputo should always be about more than stopping over on the way to some exotic beach or island.
Arguably the best – and certainly the most novel – way to explore the city is on the little train provided by Mozambique City Tours.
It’s one of those miniature affairs that you pop your kids onto at the zoo, and it probably wouldn’t be allowed on the road in most major cities, but in Maputo it’s ideal.
First off, you don’t need to drive, so you can wander back and forth along roads and avenues invariably named after communist dictators (play the “who ruled where?” game with your friends) without having to worry about the locals’ fairly lax attitude to stopping, indicating or parking.
Secondly, the train stops at ten major tourist spots four times a day each, so if you want to spend time in one spot and then continue your tour later, all you need to do is ensure you’re back where you were tossed out at the agreed time on the following circuit.
This is preferable to the model used in many such programmes, where you’re stuck with your guide and his or her route regardless of how much overlap there is in your fields of interest.
Major attractions include the railway station, a beautiful building featuring a bronze dome designed by no less than Gustave Eiffel.
It has a Victorian feel, but is also the home of a fantastic bar and restaurant – once you’re finished doing the tourist thing, make that your default haunt in the city.
Eiffel also designed an architectural oddity on the other side of town – the Iron House, adjacent to the modest botanical gardens.
It’s a building constructed entirely of steel and was supposed to be the residence of the Governor General of Mozambique. Do some calculations, though: subtropical heat and humidity plus metal walls that warm up in the sun.
The governor made other plans.
The political landscape (in literal terms, ie the buildings occupied by politicians based in the city) is also interesting.
Wander through the area where most of the government officials have their houses and you’ll see street signs forbidding photography.
But, on having the leader of the opposition’s house pointed out to us by our tour guide, it’s impossible not to notice that one-legged octogenarians could ransack the place without worrying about the “security system”. It’s a far cry from our leaders in their gated communities.
Also, as in any African city, prioritise a visit to the markets.
The Central Market has all the expected arts and crafts, but also a wide range of local foodstuffs, from seafood (take your chances) to cheap, salted and roasted cashew nuts by the kilogram (delicious).
The Saturday Market at Praca 25 de Junho caters more specifically for the souvenir seeker.
Don’t forget to haggle.


BRUCE DENNILL, The Citizen, 11/12/09

Violação dos Direitos Humanos atingiu níveis extremos em Moçambique

Presidente da LDH, no Dia Internacional dos Direitos Humanos

“ Os cidadãos queixam-se de detenções arbitrárias, torturas e, em alguns casos, abatidos ou desaparecidos nas mãos da polícia” – Alice Mabota A LDH questiona, ainda, a forma fraudulenta como decorreram as eleições, de 28 de Outubro. Diz que a abstenção ocorrida poderá significar o afastamento entre a classe política moçambicana e a sociedade civil, por um lado, e, por outro, a abstenção poderá também espelhar o desenquadramento social e real da sociedade nas políticas de governação”.


Maputo (Canalmoz) – Falando em entrevista exclusiva à nossa reportagem, por ocasião da passagem do dia 10 de Dezembro, dia Internacional dos Direitos Humanos, Fernão Penda Penda, Coordenador do Gabinete de Educação Cívica e Informação da Liga dos Direitos Humanos (LDH), disse que a organização está preocupada com a contínua degradação das condições de segurança dos cidadãos, pois a acção policial está, cada vez mais, marcada por práticas de anarquia, indisciplina, corrupção e ausência total de ética profissional. A mesma fonte disse-nos ainda que mais do que nunca, é visível, agora, a exibição do clima de força por parte das autoridades, o que em nada favorece a segurança e a liberdade de circulação dos cidadãos
Fernão Penda Penda disse que se reportam em todo o país “episódios de detenções arbitrárias, interrogatórios nocturnos, ameaças dos agentes de Estado como o que aconteceu em Manica”. “É inquietante a apatia e indiferença dos órgãos de direito sobre estes desacatos”, afirmou Fernão Penda Penda.
“A criminalidade atingiu níveis de recrudescimento assustadores e os agentes da Lei e Ordem não se mostram capazes de controlar a situação. Os cidadãos queixam-se de detenções arbitrárias, torturas e em alguns casos abatidos ou desaparecidos nas mãos da polícia. Em suma, o ambiente é de desespero em termos de segurança e a polícia continua no descrédito perante a sociedade”. A fonte acrescentou que só uma simples manifestação de exigência de direitos cívicos pode significar acções brutais da Polícia de Intervenção Rápida (PIR).
“O recurso à greve, que é um direito constitucional do trabalhador, perdeu efectividade. Em muitos casos, recorrer à greve significa a perca imediata de postos de trabalho ou mesmo da vida”.

Dos tribunais às procuradorias

Fernando Penda Penda na sua decretação, sobre a situação dos direitos humanos em Moçambique, não deixou de apontar o seu descontentamento em relação à forma como funcionam os tribunais, a procuradoria e outros sectores de administração da justiça caracterizados por deficiências ainda maiores que não permitem que o cidadão tenha acesso à justiça.
“As cadeias continuam superlotadas, albergando os reclusos em condições desumanas. Os detidos permanecem para além do tempo definido pela lei, para a prisão preventiva”, disse.
Penda Penda afirmou, entretanto, que o sistema está viciado e que a procuradoria não se preocupa com a ocorrência de ilegalidades e injustiças.
Para esta fonte da LDH, o mau funcionamento das autoridades oficiais afecta a moral da sociedade.
“Hoje há cada vez maior número de violações de menores e a autoridade do Estado não revela qualquer organização e vontade de estancar a situação. A degradação moral da sociedade tornou-se ainda mais devastadora com o espectro do HIV-SIDA. Em nenhum momento Moçambique cedeu ao agravamento acentuado das condições de vida dos seus cidadãos. O Governo não é capaz de prever situações agravantes de forma a atenuar as suas consequências sobre a maioria dos moçambicanos vivendo abaixo do risco da pobreza. O combate à pobreza absoluta não é, aos olhos de muitos, mais do que uma mera propaganda de desejo”, disse, agastado Penda Penda adiantando que tudo o que apoquenta o nosso país encontra na corrupção um factor impulsionador.

Sobre a efeméride

O dia 10 de Dezembro foi adoptado pelas Nações Unidas como dia internacional dos direitos humanos há sensivelmente 61 anos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi estabelecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1948, para inspirar várias as constituições dos diferentes estados do mundo no respeito pela dignidade humana.
Para a LDH, este ano, a data é assinalada num momento após a realização das quartas eleições gerais multipartidárias da história do país. Se é verdade que o facto, em si, é significativo, ao dar continuidade a um processo democrático iniciado há 15 anos, causam indignação os níveis de abstenção que caracterizaram o pleito”, disse Fernão Penda Penda. Para ele a atitude dos cidadãos de não irem votar, poderá significar “o afastamento entre a classe política e a sociedade civil”. “ A abstenção poderá ainda espelhar o desenquadramento social e real da sociedade das políticas de governação. Ambas situações tiram crédito ao processo e conferem ilegitimidade ao Governo que sairá destas eleições em que muitos cidadãos não foram às urnas”, concluiu.

(Alexandre Luís, CANALMOZ)

Thursday, 10 December 2009

A Opiniao do Canal de Mocambique

Oh rama, oh que linda rama!...

Estão a chegar-nos informações interessantes, sobre os “roubos” nas instituições do Estado ou por ele participadas, e já começam a abundar nomes de supostos trafulhas, que andaram anos a passear a sua “classe” e arrogância, ofendendo, simultaneamente, a miséria que abunda neste país, mas, sobretudo, a humilhar os que trabalham e pagam impostos. São nomes e mais nomes que, por aí, começam a soar. Nomes e mais nomes, de pessoas e instituições. E, curiosa e sintomaticamente, os sinais exteriores de riqueza estão a desaparecer de certos sítios onde, habitualmente, se exercitavam as ofensas ao mais tolerante dos cidadãos e se despertavam da inconsciência os mais distraídos.
Em breve, não nos admiraremos que os mesmos que há tempos diziam “vamos discutir ideias, deixemo-nos de ofender pessoas” vão começar a defender que é legítimo que se comece a “denunciar”, com todas as letras, os seus próprios amigos. As “vitórias estrondosas”, as “vitórias esmagadoras” da Frelimo trouxeram-lhe sempre um custo difícil de gerir. Não será agora que as coisas se irão passar de maneira diferente. Desta vez, vai voltar a ser assim. Com uma economia de escassos recursos, para tantos na mesma casa, vai ser difícil encontrar recursos que saciem todos os que estão, agora, de boca aberta, à espera do que entendem por “merecido” lugar à sombra. E é nesta luta que vai, com certeza, haver quem se exceda para oferecer um lugar, ao “sol”, de preferência aos “quadradinhos”, a quem for necessário abater, para deixar de lhe estorvar o caminho.
Por isso, não nos admiramos que estarão de regresso, muito em breve, os tempos da “bufaria”, em que os verdadeiros trafulhas e candongueiros, com as suas habilidades politiqueiras e de grupo habituais, vão ser os sobreviventes. Os eternos sobreviventes, não fosse a sua idade avançada e a impiedade divina…
Quando ainda era possível repreenderem-se os prevaricadores, seguir-se uma política de apelo à decência, vimos muitos arvorarem-se em libertadores da Pátria, para defenderem o seu direito às “batidas”, em nome da construção de uma burguesia nacional que, em abono da verdade, foi um projecto que redundou neste regabofe todo, de que Diodino Cambaza, o ex-PCA da empresa Aeroportos de Moçambique, é, apenas, um menino de coro.
Agora, quando a “Era da Bufaria” regressar ao melhor palco de espectáculos que ainda aí vem, que dirão os que enriqueceram a reboque de favores ao “partidão”, quando o feitiço se virar contra o feiticeiro?
O caso “Aeroportos de Moçambique”, já aqui dissemos, é apenas a ponta do iceberg. Agora fala-se de muitas outras instituições e de nomes de indivíduos que até já ocuparam cargos ministeriais, mas não só. E a procissão ainda vai no adro…
Apesar do que se pode, desde já, tomar por esforços sensíveis e “positivos” (este para usarmos um termo de recorrência, sempre na ponta da língua dos yes men) no sentido das boas práticas e de moralização de costumes no Aparelho de Estado e instituições públicas ou participadas pelo Estado, temos, ainda, muitas dúvidas se este espectáculo vai passar da “rama”.
O “Caso Carlos Cardoso” ficou-se pela “rama”. Quando se estava a ir ao cerne da questão, não foi Vasconcelos Porto a ir a Marracuene, mas foi alguém silenciar Cândida Cossa…
O “Caso Siba-Siba” nem à rama chegou. Viu-se que até se tentou encontrar bodes expiatórios…
O “Caso Manhenje” se passar da “rama” vai, com certeza, dar “ramada”que nunca mais acaba…
Já dissemos quanto basta: “Oh rama, que linda rama”…

(Canal de Moçambique)

Tuesday, 8 December 2009

Lei de Trabalho repele investimento em Moçambique

– afirma o economista Jim Le Fleur

Enquanto o ambiente de negócios em Moçambique não é melhorado, continuamos a assistir empresários a preterirem o nosso País em prol de outros países, logicamente, com ambiente mais saudável. Com isso, somos obrigados a conviver com estatísticas cada vez mais gordas de desempregados. “Se urgentemente nada for feito para melhorar o ambiente de negócios em Moçambique, seguramente que num futuro breve seremos o pior País da África Austral, em matéria de ambiente de negócios e Investimentos” – Jim Le Fleur

Maputo (Canalmoz) – O conceituado economista sénior e docente, Jim Le Fleur, considera que a lei moçambicana de trabalho não é favorável para atracção de investimentos, porque, segundo explicou, a mesma apresenta vários aspectos desenquadrados com a realidade económica actual.
Le Fleur falava em exclusivo ao Canalmoz, à margem de um debate subordinado ao tema “Desafios da Promoção e Desenvolvimento de
Pequenas e Médias Empresas em Moçambique”, organizado pelo Centro de Estudos Moçambicanos (CEMO).
De acordo com aquele economista que já trabalhou para a Confederação das Associações Económicas (CTA) e presentemente está a residir no Zimbabwe onde passou a trabalhar, enquanto o Governo moçambicano não criar condições ou mecanismos que possam trazer melhorias ao ambiente de negócios e atrair investimentos, por certo as perdas e os prejuízos que o País pode vir a acumular serão enormes.
Segundo explicou o nosso entrevistado, não será só o facto de não haver investimentos, mas também o número de pessoas que em consequência estarão votados ao desemprego, e as repercussões desastrosas para o Governo que isso trará. “É mau não procurar criar mecanismos que melhorem o ambiente de negócios. As repercussões disso são ainda maiores, porque, enquanto não houver investimentos serão muitas pessoas que estarão desempregadas. Isso pode não se notar de imediato, mas a qualquer altura isso pode custar caro ao Governo” disse aquele conceituado economista, para quem o Governo, enquanto não resolver esta situação, está seguramente sentado sobre uma bomba, que pode explodir a qualquer altura e causar estragos incalculáveis sob ponto de vista económico.
“Sei que este pronunciamento é incorrecto sob ponto de vista político, mas o que vai acontecer é isso. O número de desempregados será assustador”, disse.
Ainda sobre a Lei do Trabalho como um dos aspectos que devem ser melhorados, disse que a mesma não ajuda aos investidores, daí que se chame à atenção do Governo para o seu real papel de harmonizar alguns dispositivos nela preceituados. “Agora o Governo moçambicano é chamado a definir políticas mais abertas e amigas do investimento, isso para que os relatórios que forem divulgados posteriormente não empurrem Moçambique lá mais para o fundo da tabela”.
Le Fleur recordou na ocasião que o último relatório do Doing Business colocou o País na antepenúltima posição ao nível da região Austral de África.
“Acho que a lei tem contribuído bastante para as posições que são ocupadas por Moçambique. Agora, estando identificado um dos problemas que é a lei, pode-se fazer alguma coisa. Se as coisas não andam bem devido à lei, que se altere a lei ! ”
Prosseguindo, acrescentou: “Estamos a piorar em matéria de ambiente de negócios. Daqui a pouco, vamos ser deixados por Angola e Congo, porque pelos vistos esses países estão a trabalhar de modo a melhorar os seus ambientes de negócios. Os factores conjugados, as inúmeras inspecções e os custos de importação impostos estão a concorrer para piorar o ambiente de negócios”.

Doing Business “não poupa” Moçambique

Os relatórios sobre ambiente de negócios que frequentemente vêm sendo divulgados estão cada vez mais a empurrar Moçambique para posições não muito boas. De acordo com um dos últimos relatórios, Moçambique figura da lista dos 50 países do mundo onde o ambiente de negócios é praticamente considerado “turvo”.
Neste momento o País encontra-se na posição 135 de um conjunto universo de 185 posições possíveis. Aliás, dado este constrangimento o Governo através do Ministério da Indústria e Comércio (MIC) contratou uma equipa de consultores do Doing Business para fazer um estudo de campo no País, de modo a aferir as razões que fazem com que o País se torne um do piores países para investir.
Como que a repetir as constatações dos anteriores estudos, as razões continuam as mesmas, ou seja, corrupção, burocracia, e oportunismo como sendo as principais causas da nebulosidade do ambiente de negócios. Consta ainda da lista, o facto de Moçambique continuar a cobrar as mais elevadas taxas aduaneiras dos últimos anos, existência desnecessária de inspecções e deficiente rede de transportes e comunicações.

(Matias Guente, CANALMOZ, 08/12/09)

Em Quelimane

Depois de um mes fora do pais regressei a 'casa'! E o contraste, o sentimento e o mesmo! Depois de abracar e conviver com os aranha-ceus mais altos do mundo em Cidades como Londres e Nova York; depois de embrenhar-me nos eficientes subterraneos de Washington, Nova York, Londres, e Berlin regresso a dura realidade dos taxis de bicicleta, das 'piscinas municipais' da terra que me viu nascer! Depois de cruzar os ceus do mundo nos mais modernos avioes, regresso a dura realidade dos cortes de energia, das chuvas que alagam e transformam a cidade dos meus sonhos numa autentica lagoa movedica; depois de jantar no 46 andar do second street em Nova York regresso ao restaurante do meu querido amigo Gany onde tenho que inventar conversa por 45 minutos para receber a minha garoupinha grelhada!
Enfim depois de um mes de sonhos na terra dos outros, regresso ao meu proprio covil e o silencio que tento amordacar torna-se insuportavel! e sem querer, as redeas que impus ao meu pensamento recusam a aceitar a logica mundana imposta por uma eleicao para 'ingles ver', e como dizia o poeta mor ... a voz amordacada transforma-se num trovao; e o carvao recusa-se a apenas arder, porque a voz do dono se impos!
Porque adiam o grito da liberdade do meu povo? Porque insistem em amrdacar a voz do meu povo? Porque o matam malariamente sidando-o?
Um dia, a minha voz se juntarao outras vozes e nesse longiquo dia, nem eleicoes, nem comunidades internacionalizadas, nem doadores convenientemente manietados poderao parar a forca que embrutece as mentes da minha terra!
Sim, como dizia o velho poeta, quero ser carvao para arder com toda a minha forca! Para repousar em paz, pescando no mundo da globalizacao, de Hudon ao Potomac, Dos Bons Sinais/Cuacua ao Tamisa! Sem fronteiras climaticas globalizadas!
Quelimane, Zambezia, Mocambique, Africa, ergue-te et ambula! Nao dexes que te embrutecam eternamente!

E mais nao disse!

MA

(Manuel de Araujo, em www.manueldearaujo.blogspot.com)

... " aquele dinheiro, que está a ser roubado, é nosso. É meu, é teu, é de todos os moçambicanos."

Olá meu caro Macuácua
Como vai a vida, meu amigo? Do meu lado vai tudo bem, felizmente.
Resolvi hoje escrever-te por causa do que se vai passando neste nosso pobre país.
Pobre país sim, mas não país pobre, porque são duas coisas bem diferentes.
Mas eu explico-te o que quero dizer.
Sempre que se diz que é necessário fazer isto ou aquilo, que precisamos de mais isto e mais aquilo, a resposta imediata é que o país é pobre e não nos podemos dar a esses luxos.
Ainda recentemente, durante a campanha eleitoral, quando os candidatos da oposição prometiam realizar alguma coisa, logo apareciam umas tantas vozes a perguntar onde iria o tal candidato buscar dinheiro para cumprir a sua promessa. Estranhamente essa pergunta nunca era feita em relação às promessas dos candidatos da FRELIMO, mas isso é já outro assunto...
Mas o certo é que existe a ideia de que Moçambique é um país pobre, que não pode fazer muito pelos seus cidadãos porque não tem meios para isso.
Só que agora estamos a ouvir, diariamente, histórias de milhões de dólares a serem desencaminhados de uma empresa pública para bolsos privados.
Milhões de dólares desses verdinhos que os americanos imprimem.
E, aparentemente, essa sangria não afectou a saúde financeira da empresa. As novas instalações, grandiosas, que está a construir em Maputo, não parecem nada estar a ser afectadas por falta de dinheiro.
Portanto, a Aeroportos de Moçambique parece ter dinheiro para um funcionamento com grande prosperidade e, ainda por cima, para permitir uma roubalheira desenfreada feita pelos seus dirigentes.
E, se não fosse um deles ter dado com a língua nos dentes, provavelmente nunca ninguém teria dado pela falta daquele dinheiro todo.
Ora, se acreditarmos que coisas do mesmo género estão a acontecer em muitas outras empresas públicas e ministérios de tutela, e eu acredito, podemos calcular quantos mais milhões de dólares estão a ser abarbatados por trás das nossas costas.
E digo por trás das nossas costas porque aquele dinheiro, que está a ser roubado, é nosso. É meu, é teu, é de todos os moçambicanos.
As empresas públicas não são umas ilhas independentes. Têm dono. São propriedade do Estado, de todos nós.
Os seus rendimentos servem para garantir o seu próprio funcionamento, com a devida eficiência. Mas, se gerarem lucros, esses lucros devem ser entregues aos seus donos, como em qualquer outra empresa privada. E, neste caso, os donos somos nós, representados pelo Orçamento do Estado.
Era para lá que deviam estar a entrar os milhões de dólares desviados. Para ajudar a melhorar os salários dos funcionários públicos, dos professores, dos enfermeiros. Para construir novas escolas e novas barragens, melhores estradas e hospitais.
Só que, em vez disso, o dinheiro foi para comprar casas e terrenos ao senhor Cambaza, pagar os estudos dos filhos do senhor Munguambe, para pagar salários indevidos e o casamento do senhor Bulande, para reabilitar instalações do partido FRELIMO, de que muito provavelmente todos eles são membros, e por aí adiante.
Isto é, para o senhor Cambaza ter várias moradias de luxo, quantos outros moçambicanos vão ter que continuar a viver em casas sem as mínimas condições? Para os filhos do senhor Munguambe terem estudos de qualidade, feitos fora do país, quantos jovens moçambicanos vão continuar a receber um ensino de má qualidade ou mesmo ficar sem ensino nenhum? Para que o senhor Bulande poder ter um salário mensal de quase 2 mil dólares, sem fazer nada, quantos outros funcionários moçambicanos vão continuar a ter salários de fome? Para que o mesmo senhor Bulande tenha tido um casamento de luxo, quantos jovens moçambicanos tiveram que casar quase às escondidas por não terem meios para organizar uma festa condigna? Para o Partido FRELIMO ter instalações bem equipadas para se organizar e concorrer, com força, às eleições, quantos de outros partidos vão ter que continuar a vegetar, sem meios para poderem desenvolver o seu trabalho político?
São todas estas perguntas, meu caro Macuácua, que devem estar na nossa cabeça, sempre que lermos ou ouvirmos notícias deste julgamento.
E, já agora, há que perguntar o que está a fazer naquele banco dos réus uma pessoa que, aparentemente, não roubou nada e cuja honestidade e competência foram fartamente elogiadas nas declarações de quem a conhece bem, o Eng. Viegas, da LAM?
Um abraço para ti do
Machado da Graça

CORREIO DA MANHÃ – 04.12.2009

Monday, 7 December 2009

Lideres africanos insaciáveis de poder e enriquecimento

Segundo Bispos Católicos de África

Maputo (Canalmoz) - Os Bispos Católicos de África, reunidos recentemente em Roma, capital italiana, no Segundo Sínodo dos Bispos para África, chegaram a conclusões segundo as quais no continente “na maior parte das vezes vivemos situações de uma avidez insaciável de poder e enriquecimento próprio à custa do Povo e dos próprios países por parte dos dirigentes”.
As constatações dos líderes da Igreja Católica estão contidas num documento intitulado “Mensagem dos Bispos Católicos para África”, onde referem que “há sempre um vergonhoso e trágico conluio entre chefes de muitos países na desgraça do povo e dos próprios Estados”.
Falam também da existência de “políticos que traem e vendem as suas nações”, “homens de negócios sujos, coniventes com situações vorazes” e de outros “africanos que vendem e traficam armamento”. Acrescentam que existem agentes locais de algumas organizações que são pagos para difundir ideologias nocivas em que eles mesmo não acreditam.
Na sua mensagem, os Bispos Africanos referem que a consequência negativa de tudo isto “está ai patente a todo o mundo”, nomeadamente a pobreza, miséria e doenças, refugiados, fuga de cérebros, migrações clandestinas, tráfico de seres humanos, derramamento de sangue não raro sob comissão, busca de pastagem fresca, barbaridades contra crianças e indizíveis violências contra mulheres.

Como alguém se pode orgulhar de governar com estas situações?

Mais adiante, os bispos da Igreja Católica questionam nos seguintes termos: “como é que alguém (dirigente) se pode orgulhar de governar em situações acima mencionadas?
“Onde pára o nosso sentimento tradicional africano de vergonha” questionam mais uma vez, afirmando que o Sínodo proclama claramente, alto e bom som que “é tempo de mudar de atitudes para o bem da geração presente e futura”.
Na forte convicção dos dirigentes católicos africanos, África não está abandonada ao fracasso, dado que “o nosso destino continua a estar nas nossas mãos”.
“África apenas pede espaço para respirar e desenvolver”, defendem na mensagem.

O Povo africano não deve desesperar

Apesar das estatísticas internacionais apontarem que os índices de materiais e de desenvolvimento dos países do continente africano estão no fundo da tabela, os bispos dizem que “ainda não existem razões para o desespero total”.
De acordo com os representantes católicos, em África houve actos brutais de injustiças históricas, tais como o tráfico de escravos e o colonialismo cujas consequências negativas ainda se fazem sentir, mas advertem que tal “não deve servir de desculpa para não se fazer nada”.

NEPAD é letra morta

“África deve encarar o desafio de dar às suas crianças um nível mais digno de condições de vida humana”, lê-se no documento em nosso poder, que ao mesmo tempo acrescenta: “infelizmente, na maioria dos países africanos, os programas e documentos mais belos como os da Nova Parceria Para o Desenvolvimento de África (NEPAD) ainda são letra morta”.
Os Bispos dizem estar a notar com tristeza que a situação em muitos países africanos continua vergonhosa.
“Pensámos, em particular, na triste situação da Somália que já começa a afectar os países vizinhos. Também não esquecemos a trágica condição de milhões de pessoas nos Grandes Lagos e, as crises persistentes no norte do Uganda, no sul do Sudão, em Darfur, na Guiné Conacry e noutros lugares”, escrevem os bispos.

Apelos aos governantes

Para os prelados, “os governantes que controlam o poder em África devem assumir a plena responsabilidade das suas acções deploráveis”.

(Eliseu Carlos, CANALMOZ, 7/12/09)

Uma mão suja a outra

É arrepiante lembrar esta frase de Samora Machel ao mesmo tempo que acompanhamos, através dos órgãos de informação, o julgamento do chamado Caso Aeroportos de Moçambique.
Com o seu profundo conhecimento da natureza humana ele previu, e tentou evitar, que iriam acontecer coisas como estas que estão agora a ser reveladas no tribunal da cidade.
E como inúmeras outras, iguais ou piores, que devem estar a acontecer em muitos dos outros ministérios e empresas públicas.
Também por isso o mataram.
Porque a sociedade que ele defendia era o oposto desta em que hoje vivemos, embora o partido no Poder tenha o mesmo nome e a maioria dos seus dirigentes também tenham os mesmos nomes dos do tempo de Samora.
Mas quem vai reconhecer nos obesos líderes que nos aparecem pela frente aquela equipa magra e dinâmica que parecia só viver para a Revolução, para o bem do povo?
Nos dias que correm, a maioria deles já não trabalha para o bem do povo. Trabalha, com enorme energia, para se apropriar dos bens desse mesmo povo. Trabalha para tornar seu, pessoal, aquilo que é colectivo, de todos.
Por isso se constroem tantas mansões de luxo e nenhum bairro económico para pessoas de rendimentos limitados.
Seria assim se as ideias de Samora tivessem triunfado?
Mas as ideias, por si sós, não mudam nada. É preciso que haja gente que as faça suas e lute por elas. E, lamentavelmente, aqueles que pareciam dispostos a travar essa luta, traíram completamente as ideias de Samora. Em vez do socialismo que ele pretendia construir, arrastaram-nos para este capitalismo selvagem e corrupto. Para esta luta pela riqueza e pelo luxo em que vale tudo e não há o mínimo pudor.
Entre os réus do actual julgamento, a regra era acumular bens e distribuir favores. Quanto mais bens, melhor.
Quanto mais alargada a rede dos favores mais se esperava vir a ganhar com isso.
E, tudo leva a acreditar, este caso veio ao de cima porque houve um dos envolvidos que foi despedido e substituído por outro, rompendo-se, assim, a rede do lucro em silêncio. Acabado o lucro acabou-se também o silêncio e soaram as trombetas da denúncia.
Foi a velha frase virada ao contrário: Uma mão suja a outra.
Pagando sempre o seu tributo a quem manda: ao Ministro, isto é ao Governo, e à Frelimo, que foi quem nomeou o Governo.
E, por falar em Frelimo, estou com curiosidade de saber se vão ser chamados ao tribunal os seus dirigentes envolvidos nestas traficâncias. O que recebeu o cheque e o que pediu que a empresa dos Aeroportos pagasse as obras de reabilitação da Escola do Partido.
E o que irá acontecer se o tribunal der como provadas estas traficâncias? O que é provável que aconteça pois os réus estão a confessar que as fizeram.
Será que vamos assistir a Frelimo a ser condenada a devolver o dinheiro ilicitamente recebido?
Seria um momento histórico neste nosso país.
A ver vamos.
Pelo sim, pelo não, creio que seria bom reforçar a segurança do juiz do caso, não vá o Diabo tecê-las. E com gente de confiança, que já se assistiu, por esse mundo fora, a guarda-costas que acabaram por enfiar facas nessas mesmas costas que eram supostos guardar...
E fiquemos à espera que novos erros tácticos façam soar novas trombetas, por enquanto silenciosas.


Machado da Graça, SAVANA – 27.11.2009

Ambiente de negócios em Moçambique


Os comportamentos que mais minam o ambiente de negócios em Moçambique - Corrupção, burocracia e oportunismo continuam.
- taxas mais elevadas da região no desalfandegamento aduaneiro, 45 dias para licença de construção, constam igualmente na lista.
- governo nega comentar o relatório do Banco Mundial.

(Maputo) Moçambique encontrase no grupo dos 50 países do mundo, onde o ambiente de negócios é o mais caótico. Últimos dados indicam que o país está quase na cauda no Ranking do Doing Business, que reflecte a idoneidade e facilidade para fazer negócios em determinado país. Neste momento, Moçambique encontra-se na posição 135 de um conjunto global de 185 posições.
Dado este constrangimento ao desenvolvimento nacional, o governo através do Ministério da Industria e Comercio, decidiu contratar uma equipa de consultores do Doing Busines, (integrantes do Banco Mundial, BIRD) de modo a fazerem um pesquisa no c a m p o e c o n ó m i c o empresarial, com vista a se saber o que estará a atrasar o país em termos da criação de condições para o melhoramento do ambiente de negócios e a consequente atracção de investimentos para o país.
Resultados apresentados na manhã de ontem, na capital do país, pela equipa do Banco Mundial, apontam a corrupção, burocracia e oportunismo como, os comportamentos que mais dificultam o ambiente de negócios em Moçambique.
Estes são tidos como verdadeiros atentados ao ambiente de negócios, disseram os consultores. Constam ainda na lista dos constrangimentos detectados por aquela equipa, o facto de Moçambique continuar a cobrar as maiores taxas aduaneiras dos últimos tempos (cerca de 120 dólares por scaning de cada contentor, contra os 16 dólares cobrados em alguns países), o que na óptica dos investigadores afugenta os investidores e importadores.
Também apontam a existência desnecessária das inspecções pré-embarques e com elevado custo, deficiente rede de transportes e comunicações, maior tempo de espera de licenças de construção ( cerca de 45 dias contra os 6 dias em alguns países) bem como a demora de processos judiciários em vários níveis.
Estes comportamentos estão sempre associados a comportamentos corruptos a vários níveis.

Recomendações.

Assim, aquela equipa de consultores recomendou, ao país, para que acelere o processo de criação de infra-estruturas melhoradas, que inicie de imediato a formação contínua de pessoal destinado ao mundo empresarial. Há também a necessidade urgente de juízes especializados para lidarem com processos de natureza económica, bem como, uma monitorização contínua dos projectos em curso.

CTA reconhece esforços.

Embora reconhecendo o esforço que vem sendo desenvolvido pelo governo na procura e criação de um melhor do ambiente de negócios, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), considera que as acções ainda são poucas comparadas com os avanços que se registam noutros países. Exemplo, citado foi o Ruanda que na última análise do Doing Business, subiu 75 pontos contra 5 pontos conseguidos por Moçambique.
“O governo está a implementar reformas, mas as implementa muito pouco. Ter uma licença para a construção é uma dor de cabeça” disse Orlando da Conceição, Director Executivo da CTA, para quem o país deve em primeiro lugar, procurar reduzir actos de corrupção burocracia e oportunismo, bem como, procurar concretizar as recomendações deixadas pelos consultores.
Aliás, caso Moçambique adopte estas medidas poderá subir 10 a 15 lugares até finais de Abril próximo, de acordo com a equipa do Doing Business.

Governo não se pronuncia.

Facto estranho é que, no fim da sessão e como é habitual nestes encontros, tentamos abordar o governo para se pronunciar em relação ao relatório dos consultores, mas o seu representante simplesmente mostrou-se indisponível a abordar o assunto.
A preocupação colocada foi no sentido sabermos quais os esforços adicionais que seriam desenvolvidos pelo governo no sentido de concretizar as recomendações da equipa do Banco Mundial. Infelizmente, a responsável do Ministério da Indústria e Comércio escusou-se a responder, alegadamente porque a sua instituição (MIC) não tinha convidado a imprensa para o encontro.


(Hélio Lucasse e Redacção, MediaFax, Maputo, Quinta-feira, 03.12.09 *Nº4427, citado em
www.foreverpemba.blogspot.com)

Sunday, 6 December 2009

“UM DIA DE NOSTALGIA”

UM DIA DE NOSTALGIAé o título do livro recentemente publicado pelo distinto bloguista moçambicano Shirangano Xavier.

UM DIA DE NOSTALGIA é uma novela literaria juvenil (genero intermediário entre o conto e o romance) que retrata as peripécias de um adolescente dos seus dezasseis anos, de classe média, que acorda mal-humorado numa manhã de sexta-feira igual a qualquer outra. Durante sensivelmente 24 horas, ele vive grandes descobertas, frustrações e decepções em todas dimensões da sua vida humana.


Mais pormenores aqui.

Construtores devastam mangal da Costa do Sol

A floresta de mangais que protege a cidade de Maputo está a ser destruída para dar lugar a construções de residências de luxo ao longo da orla marítima da capital moçambicana. O facto que deixa por completo a cidade de Maputo, vulnerável a calamidades e outros efeitos negativos da natureza está a alastrar-se perante um olhar impávido das autoridades municipais, onde consta que muitos deles têm interesses no negócio de terrenos.
O triste cenário que poderá levar a cidade capital ao abismo é mais crítico na zona que vai da Escola Portuguesa (bairro Triunfo) até ao bairro dos pecadores.
A floresta de mangais está a ser destruída para dar lugar ao parcelamento de terrenos para a construção de imóveis de luxo, num negócio considerado bastante chorudo e apetitoso, onde estão tam-bém envolvidos membros da edilidade e suas famílias. Há dias, o SAVANA visitou os bairros de Triunfo, Costa do Sol e Pescadores e verificou que a zona que anteriormente estava coberta de floresta de mangais está totalmente deserta e no seu lugar estão a surgir condomínios de luxo.
Do que antes era mangal hoje vê-se apenas camiões transportando areias, gruas e máquinas pesadas envolvidas na edificação de obras.
Soube o SAVANA de algumas fontes, que o município de Maputo, bem como o Ministério da Coordenação da Acção ambiental (MICOA) estão a par destes desmandos, mas nada fazem para contornar o cenário.
No contacto que mantivemos com o MICOA através da Direcção Nacional de Impacto Ambiental, fomos informados que a instituição nada podia falar sobre o assunto em virtude da zona estar sob jurisdição do governo municipal.
O parcelamento e atribuição de terrenos na zona que virou um negócio chorudo envolve graúdos da arena política e económica do país. Além destes influentes, os responsáveis pela gestão do município de Maputo e seus familiares estão envolvidos do negócio.
Como consequência do abate do mangal para dar lugar à edificação de residenciais e outros empre-endimentos de luxo, a zona da orla marítima da cidade de Maputo está, nos últimos dias, a ser assolada por vários problemas ambientais, sobretudo, relacionados com a erosão dos solos, visto que o mangal servia de defesa.
Além da erosão dos solos, a destruição do mangal está também a prejudicar os corais que constituem a maternidade de várias espécies marinhas para sua reprodução.
Este facto tem contribuído na escassez do pescado que se verifica neste momento, situação que traz implicações negativas na renda e alimentação das populações locais.
De alguns ambientalistas, soube o SAVANA que o mangal que está a ser destruído pelo homem de-sempenha um importante papel como exportador de matéria orgânica para os “http://pt.wikipedia.org/wiki/Estu%C3%A1rio” estuários, contribuindo para a produtividade primária na zona costeira. Por essa razão, constituem-se em ecossistemas complexos e dos mais férteis e diver-sificados do planeta.
Dizem os ambientalistas que a sua biodiversidade faz com que essas áreas se constituam em grandes “berçários” naturais, tanto para as espécies típicas desses ambientes, como para animais, aves, peixes, moluscos e crustáceos, que aqui encontram as condições ideais para reprodução, eclosão, criadouro e abrigo, quer tenham valor ecológico ou económico.
Com relação à pesca, os mangais produzem mais de 95% do alimento que o homem captura no mar. Por essa razão, a sua manutenção é vital para a subsistência das comunidades pesqueiras que vivem em seu retorno.
Com relação à dinâmica dos solos, a vegetação dos mangais serve para fixar os solos, impedindo a erosão e, ao mesmo tempo, estabilizando a linha de costa.
As raízes do mangue funcionam como filtros na retenção dos sedimentos. Constituem ainda importante banco genético para a recuperação de áreas degradadas, por exemplo, como aquelas por metais pesados.
Avançam os ambientalistas referindo que a destruição dos mangais gera grandes prejuízos, inclusive para a economia, directa ou indirectamente, uma vez que são perdidas importantes fracções ecológicas desempenhadas por esses ecossistemas.
Os mangais são uma componente biológica primária para o ambiente. Eles extraem fósforo e nitrogénio dos sedimentos e sintetizam o carbono. São importantes também na retenção de toxinas, substâncias nocivas para algumas espécies marinhas.
Duma forma geral, o mangal protege o solo contra a erosão marinha e retém parte dos sedimentos descarregados pelos rios e correntes locais que seriam transportados para o mar.
Devido a estes actos malignos, o pulmão verde da capital do país poderá ter perdido mais de 50 por cento da floresta do mangal.


Município no silêncio

Sobre a situação, o SAVANA contactou o Conselho Municipal da cidade de Maputo na pessoa de Benjamim Faduco, chefe do gabinete de Comunicação e Imagem do Presidente do Conselho Municipal, na qualidade de pessoa que serve de elo de ligação entre o município e a imprensa.
Há sensivelmente 15 dias que Faduco não nos consegue pôr à fala com o presidente de município David Simango e muito menos com o vereador de Planeamento Urbano e Ambiente.
Entre terça e quarta-feira, contactámos Faduco mais de cinco vezes, mas este se limitava a dizer que falaria com as pessoas indicadas e que depois nos contactaria, mas até ao momento ainda não se verificou.

(Escrito por Raul Senda, no SAVANA de 4/12/09)

Saturday, 5 December 2009

Sugestão para o Domingo

Passeio em família...

Cintos de seguranca? Para que servemaqui se demonstra o que é seguranca ( seguram-se uns aos outros )

Isto sim…é um passeio em família!!!!!! A caminho da Matola… ou Xipamanine
Digam lá se isto não é qualidade de vida? E espírito motard….

Diagrama de resolução de problemas

Diagrama de resolução de problemas, para aspirantes a gente bem sucedida na vida.


( Paulo Granjo, em www.antropocoiso.blogspot.com )

Sorteio para o Campeonato Mundial de Futebol


Realizou-se hoje o sorteio dos grupos para o Campeonato Mundial de Futebol do próximo ano na África do Sul.
A cerimónia, que teve lugar na Cidade do Cabo, contou com um discurso de boas-vindas de Nelson Mandela e a presença destacada do português Eusébio, entre os convidados ilustres.
A apresentação do sorteio ficou a cargo da actriz Charlize Theron.

Interessante o Grupo G, com Brasil, Portugal e Costa do Marfim.

As 32 equipas ficam alinhadas do seguinte modo:


Grupo A = África do Sul, México, Uruguai, França

GRUPO B = Argentina, Nigéria, Coreia Sul, Grécia,

GRUPO C = Inglaterra, EUA, Argélia, Eslovénia

GRUPO D = Alemanha, Austrália, Sérvia, Gana

GRUPO E = Holanda, Dinamarca, Japão, Camarões

GRUPO F = Itália, Paraguai, Nova Zelândia, Eslováquia

GRUPO G = Brasil, Coreia Norte, Costa do Marfim, Portugal

Grupo H = Espanha, Suiça, Honduras, Chile

Friday, 4 December 2009

Mexer confirma viagem para Portugal


Por Rui Baioneta e Alexandre Zandamela, em Moçambique

Reforço do Sporting, estrela em Moçambique, chega quarta-feira a Lisboa.

Mexer, defesa-central do Desportivo de Maputo, 24 anos, vai ser reforço do Sporting e é a estrela do momento em Moçambique.
A transferência para o emblema leonino tornou-o numa das principais figuras do país, ele que, assumiu ontem à comunicação social local, está ansioso por viajar para Portugal na próxima semana, como A BOLA avançou na sua edição de ontem. «Viajo quarta-feira para Lisboa. Quero muito representar o Sporting», confirmou o jogador.
A transferência, de resto, está a motivar imensa curiosidade em torno do jogador, a ponto de uma televisão privada moçambicana, a STV, ter entrevistado os pais. A reter o facto da mãe não esconder a angústia de ver o filho partir para o estrangeiro, ainda que tenha manifestado alegria e orgulho pelo passo que Mexer está a dar na carreira. Igualmente orgulhoso, o pai revelou porque Edson Sitoe é conhecido por Mexer. «Foi uma das avós que começou a chamá-lo assim. Porquê? Porque mexia em tudo», revelou.
Refira-se que, além do Sporting, Mexer está em alta na selecção do seu país, sendo, para já, um dos futebolistas pré-convocados para participar na CAN, que se realiza no próximo mês de Janeiro em Angola. Tudo aponta para que o seu nome conste na lista de eleitos e, mais do que isso, para que tenha um lugar assegurado no eixo da defesa da equipa titular.


FONTE: A Bola