Thursday, 9 July 2009

Pobreza de estradas

Todos os anos, percorro, de viatura, quase todas as principais estradas nacionais. Apercebo-me que há problemas graves de manutenção das vias. Troços, há pouco, construídos de raíz, apresentam-se com covas, aberturas e declives, que permitem concluir ter ocorrido erros ou compromissos, na sua fiscalização. São um verdadeiro cemitério dos fundos públicos. É possível minimizar os custos gastos com as estradas? – É possível. Os tapetes não duram devido ao defeito de fabrico e ausência de manutenção periódica.
O governo não tem política para as estradas. Tal como acontece noutros sectores, continua a improvisar.

Proposta 1. Reabilitar as vias e a seguir colocar portagens nas vias que ligam as capitais provinciais. A medida vai encarecer os custos de bilhete de passagem e de transporte de mercadorias, mas, teremos viagem confortável, pouco tempo na estrada, a mercadoria terá maior fluidez, reduzido gasto de materiais e menos acidentes.
Andar em boas estradas e receber a mercadoria em tempo recorde tem custos. É tempo de dotar o País de estradas transitáveis e terminar com trilhos pouco duradouros.


Proposta 2. Caso a primeira pro- posta se mostre inviável, apresento uma outra que consiste em dividir as estradas nacionais em troços que podem variar entre 500 a 700 quilómetros e concessioná-las a empresas privadas para a sua manutenção permanente.
Tanto na Proposta 1 quanto nesta, a Autoridade Nacional de Estaradas funciona como órgão fiscalizador.
Criar uma lei que interdite a participação de empresas de membros do Governo tanto na gestão de portagens como na manutenção de estradas, para não inibir a ANE de agir. Proibir que empresas de directores, ministros, presidentes dos tribunais Supremo, Administrativo, Conselho Constitucional entrem no negócio. Não permitir que empresas do Presidente da República participem em negócios do Estado, como tem sido prática.
Conhecem-se os constrangimentos que isso traz porque, em Moçambique, existem imensas dificuldades em separar negócios dos chefes da gestao da coisa pública. Para muitos, a separaçao é inexistente. Aproveitam-se dos cargos governamentais para promover seus negócios. Agindo de tal modo, fica minimizado o crónico problema da falta de fundos para manter as estradas transitáveis. As estradas são importantes, na geração de riqueza e, nas actuais condições, são saco furado.
Enquanto o Presidente Armando Guebuza não largar as aeronaves - existem suspeitas de que gente grande do Executivo faz parte da empresa Capital, proprietária dos helicópteros com que Guebuza se faz transportar nas suas incessantes presidências abertas - e começar a percorrer o País de viatura, continuaremos a ter estradas intransitáveis.
Lá em cima está tudo bem, mas, cá em baixo, nada corre bem. Os colaboradores do Presidente, que o encorajam a proceder de tal forma, sabem que o estão a enganar porque, em privado, têm opinião contrária. Não se vence a pobreza com trilhos.

( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax de 08/07/09 )

Oposição que se preza trabalha e não dispersa oportunidades


Beira (Canal de Moçambique) - Quando elementos que claramente não reúnem possibilidades de se fazer eleger pelas mais diversas razões mas que insistem em concorrer nos pleitos eleitorais, estamos perante um fenómeno político de auto-destruição ou de cumprimento de agendas específicas e alienantes. A dispersão dos votos evidentemente aproveitada pelos partidos mais bem inseridos no terreno, fortalecidos pelo acesso facilitado aos recursos do estado e aos do empresariado privado bem como das empresas públicas, torna a vitória dos mesmos em algo previsível. Afinal quando alguns porta-vozes de partidos conhecidos e com expressão nacional proclamam que vão vencer com uma margem folgada, confiam em alguma coisa concreta. Querem à custa dos recursos disponíveis, utilizados ilicitamente sob protecção de um sistema judicial que lhes é favorável, mostrar ao mundo uma repetição da vitória do MPLA em Angola. Contra factos não argumentos.
Com o aparato organizativo eleitoral a seu favor, com toda a máquina governamental servindo os seus propósitos e com uma população pouco instruída, as cartas na mesa dão vantagem folgada a quem está no poder. E alguns políticos moçambicanos estilo “Ripua”, mas desta vez “Sibindys”, ainda conseguiram ver que deveriam proceder de outro modo se possuem dignidade.
Mesmo o líder do PDD parece satisfeito com a sua posição actual de chefe de um partido e sócio em alguns empreendimentos que vão dando para comer e ostentar uma áurea de liderança que em concreto pouco significa quando é a vez de equacionar as possibilidades de alcançar o poder real no país.
Poucos são os políticos que compreenderam a importância de deixar suas desinteligências de parte e optar por construir consensos que levem a formação de coligações de partidos viáveis e funcionais. Quando hipotéticos verdes ou ecologistas, que ninguém conhece na maioria dos círculos eleitorais, se colocam na oposição, a pergunta que fica a aguardar resposta é: efectivamente a quem servem?
Quando Jacob Sibindy se diz candidato à Ponta Vermelha, que significa isso em termos estratégicos?
Se dissermos que todo esse tipo de procedimento serve perfeitamente a agenda de “dividir para reinar”, atrapalhar os votantes moçambicanos, e movidos pelas mais diversas razões que se prendem com o seu umbigo, e algumas delas étnicas e outras puramente religiosas, não estaremos mentindo. A procura de “Trust Funds” para alimentar e garantir a subsistência básica tem levado muita gente a enveredar pela prática da política com objectivos estomacais.
Fazer política pressupõe preparação, estudo e uma estratégia consentânea com preceitos e objectivos.
Com um quadro tão complicado como este é possível compreender como é que aparecem políticos criando partidos políticos e pretendendo concorrer às eleições de maneira dividida e individual. São quase todos, é quase tudo, uma fantochada de pessoas que não possuem qualificações para fazer outra coisa e querem fazer como aqueles “pastores de igrejas” que abundam um pouco por todo o país. Estão unicamente preocupados com o “dízimo”!...
Está claro que democracia política faz-se com a existência de partidos políticos. Mas a proliferação de partidos políticos fragiliza a oposição e diminui as suas possibilidades de vencer. O surgimento de candidatos presidenciais sem bagagem nem recursos, sem apoiantes, nem eleitorado, só pode ser entendido como algo que é feito a coberto de agendas obscuras que só servem a perpetuação de alguém no poder. Fica cada vez mais claro que a estratégia definida visa fazer desaparecer a oposição ou impedir que surja uma oposição credível e com potencial de chegar ao poder por via das eleições.
Conjugar a proliferação de partidos políticos e candidatos à Ponta Vermelha com o surgimento de órgãos de comunicação social rotulados de independentes mas claramente alinhados e defendendo posições de quem detém o poder, deixa à mostra as teias ou linhas estratégicas dos que se querem perpetuar no poder.
Não deve ser por acaso que agora surgiu uma nova classe de bajuladores baseados em jornais que não se cansam de semana a semana em elogiar o chefe de Estado e sua esposa. Não é por acaso que se ataca sempre que possível, mesmo com títulos enganosos, os que se atrevem a criticar ou questionar a conduta seguida por quem governa.
Temos oportunidade de fazer a diferença tornando-nos adultos e responsáveis. Com o nosso voto ou direito de escolha podemos fazer a diferença e apontar quem queremos que governe Moçambique.
O facto de alguém ter desempenhado determinado papel aquando da luta de libertação nacional não é credencial suficiente para ocupar hoje posições no governo do país. Só quem se quer fazer de cego é que por exemplo não consegue ver as contradições existentes entre as escolhas de candidatos a deputados por alguns partidos e a causa ou agenda nacional. Conhecidos depredadores das florestas nacionais, caçadores de terrenos e vendedores de terrenos conseguem eleger-se em eleições internas obscuras só porque tem o seu nome associado a algum activismo político ou participação na luta de libertação nacional. Gente que claramente não tem um passado limpo e que não resistiria a qualquer análise onde existem critérios de escolha que se cumprem, está preenchendo listas de candidatos em partidos.
Há uma grande confusão entre o que se quer e a maneira como se age.
Existe um grande perigo de se elegerem para as assembleias provinciais, Parlamento nacional, pessoas de calibre notoriamente duvidoso que continuarão a cavalgar o povo da mesma maneira como hoje se queixam que os outros fazem.
A inexistência de uma cultura de transparência, diálogo, proximidade entre os detentores de cargos partidários e os potenciais votantes, o culto de personalidade e a facilidade com que as pessoas “escovam” os chefes para obterem alguma posição de relevo na hierarquia, são preocupantes. Estamos perante uma tentativa de empoderamento seguindo as vias do nepotismo, compadrio e toda uma gama de métodos que não democratizam os partidos nem o país. Está tudo a correr para aproveitar enquanto a vaca ou a porca, que é povo, dormem, confiantes por ignorância que a sua escolha lhe vai servir.
É preciso acordar para a realidade pois esta difere muito do que muitos dos políticos nos dizem ou proclamam.

( Noé Nhantumbo, Canal de Moçambique, 08/07/09 )

Wednesday, 8 July 2009

E o Estádio de Futebol levará o nome de quem?

Tornou-se hábito, em Moçambique, os governantes atribuírem às benfeitorias públicas e empreendimentos sociais — escolas, ruas, avenidas, praças, jardins, pontes, etc., — seus nomes, para se eternizarem. Tal acto visa incutir, ao povo, a ideia de que eles são importantes e imprescindíveis na vida da Nação e na existência do Estado como uma entidade.
Esta prática acontece, com maior frequência, nos estados com o sistema monopartidário ou a caminho deste, em monarquias medievais ou ultra-retrógradas. Recentemente, era o sonho dos dirigentes comunistas que se julgavam o sol dos povos que espezinhavam.
A seguir à Independência Nacional, começaram a surgir instituições públicas, aldeias, povoações, associações de produtores e artesãos, ruas, avenidas, praças e pracetas estampadas com o nome de Samora Machel. Os nomes tradicionais que adormecem na memória do povo foram abafados e substituídos pelos dos novos dirigentes do País.
Até pontes do tempo colonial foram rebaptizadas com nomes de novos heróis da proa do Partido/Estado, numa febre pelas mudanças. Quando chegou a vez de Joaquim Chissano subir ao trono, esta maneira de pensar não foi ultrapassada. Chissano mandou construir um importante centro de conferências, destoando a contenção que o caracteriza, atribuindo, com o apoio de uma legião de escovas, ao edifício o seu nome.
A história volta a repetir-se. Armando Guebuza está a espalhar o seu nome em tudo quanto seja benfeitoria pública. Em Chamanculo, na cidade de Maputo, uma escola comunitária leva seu nome. Agora, o maior empreendimento de uma obra de grande engenharia – a ponte sobre o Rio Zambeze – vai ser baptizado com o nome Armando Guebuza.
António de Oliveira Salazar – pai do regime fascista em Portugal – não perdia oportunidade de mandar graver seu nome num empreendimento de grande envergadura – pontes e bairros, ainda imponentes, em Moçambique. Isso era produto de endeusamento para se perpetuar, o desmedido gosto pelo poder e a molekada não falta para bater palmas.
Este apetite é perigoso quando acompanhado por engraxadores que chegam a dizer ou a escrever que Sua Excelência é anjo enviado por Deus para salvar o povo moçambicano. Outros puxa-sacos, para caírem nas graças do grande chefe, dizem que o povo gosta muito de Vossa Excelência. O seu gesto e a sua bondade enlouquecem o povo. Continue assim para o bem da Nação e da luta contra pobreza.
O País corre o risco de perder a sua memória porque tudo fica a girar a volta do pai da nação. É urgente lei que proíba dirigentes baptizar instituições públicas, outras benfeitorias com seus nomes. A lei deve ressaltar que, enquanto um dirigente estiver em vida ou no poder, seu nome fica interdito de ser atribuído a uma rua, avenida, escola pública ou qualquer benfeitoria.
Se esta prática se vislumbra benéfica para o partido Frelimo e seus dirigentes, a mesma pode ser perniciosa para o povo. O estádio de futebol em construção levará o nome de quem?

( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax, de 07/07/09 )

O "Galo" vai cantar em Outubro!










Não obstante estar reticente quanto aos resultados, o Movimento Democrático de Moçambique – MDM – apresentou, esta terça-feira em Maputo, formalmente à Comissão Nacional das Eleições, CNE, a sua intenção para se candidatar aos três pleitos eleitorais agendados para 28 de Outubro próximo.

Conferido pela Comissão Nacional de Eleições, CNE, o dossier que contém todos os requisitos exigidos pelo número 2 da lei 15/09, formaliza, desta feita, o interesse de o partido de Deviz Simango concorrer em pé de igualdade com outras formações políticas para Presidenciais, Assembleia da República (AR) e Assembleias Provinciais (AP´s) a decorrerem em simultâneo no dia 28 de Outubro próximo.

Falando à Imprensa momentos depois do acto, José Manuel de Sousa, o mandatário do MDM, afirmou que o partido que leva o símbolo de Galo é reticente quanto aos resultados dos retro mencionados pleitos eleitorais para a sua formação politica. “ Tal como vocês jornalistas, o MDM também está reticente se vai ou não ganhar as eleições “, disse o mandatário.

Todavia José Manuel de Sousa disse que tudo deve ser deixado ao critério popular que vai decidir quem deve dirigir os destinos da Nação bem como representá-lo na AR e nas AP's. O passo a seguir é apresentar as candidaturas de Deviz Simango a chefe de Estado) e de outros membros para deputados da AR e AP's.

O prazo termina a 25 de Julho corrente, ainda assim José Manuel de Sousa garante que até lá tudo está como a lei estipula. Para além de Deviz Simango, o MDM tem o desfio de apresentar à CNE 250 candidatos a AR e outros 790 à AP's até 25 de Julho, data limite para o acto.


FONTE: Anselmo Titos, em @Verdade

Tuesday, 7 July 2009

MDM inaugurou ontem Sede Nacional em Maputo




Maputo (Canal de Moçambique) – “Acabamos de efectuar um dos momentos mais esperados na nossa organização, que é a formalização da Sede Nacional de MDM, dando assim o passo decisivo da nossa existência e reafirmação política que temos uma palavra no cenário politico nacional, com maior destaque nas eleições que se avizinham”. São palavras da Dra. Alcinda da Conceição, membro da Comissão Política do partido liderado por Daviz Simango, ao discursar ontem na inauguração do escritório central na capital moçambicana. A sede nacional do MDM está instalada no Prédio Cardoso, na baixa de Maputo, ao lado da Feira Popular na Av. 25 de Setembro.
Recentemente o MDM inaugurou a sua sede na cidade de Maputo, no bairro de Chamanculo.
Na cerimónia tomaram parte vários políticos, designadamente Maria Moreno, Ismael Mussa, Carlos Jeque, Manecas Daniel, Lutero Simango, Dionísio Quelhas, João Colaço.
O presidente do MDM não esteve presente na ocasião.
Hoje o MDM formaliza a sua inscrição na Comissão Nacional de Eleições para concorrer em todas as eleições de 28 de Outubro próximo.
“O MDM, é um Partido político com dimensão nacional, identidade própria e a voz dos Moçambicanos que acreditam na necessidade de mudança, capaz de tornar Moçambique num país para todos. Temos uma missão, visão e valores por defender. A nossa missão como força política é de conquistar o poder politico democraticamente estando presente em todos os órgãos soberanos e democraticamente constituídos através do voto dos Moçambicanos”, disse Alcinda da Conceição.
No acto esteve presente o mandatário nacional do MDM, José Manuel Sousa. Alcinda da Conceição apelou na ocasião para que “cada Moçambicana e Moçambicano na idade de votar possua o cartão de eleitor” e aflua “em massa aos Postos de Recenseamento Eleitoral”.
“Temos uma visão para Moçambique. Queremos uma nação forte, próspera e desenvolvida. Queremos ter uma economia que gere emprego e desenvolvimento. Queremos ter um povo saudável e uma juventude actuante. Queremos ter uma sociedade onde as mulheres jogam um papel decisivo e são valorizadas de acordo com as suas competências e capacidades. Queremos uma sociedade que valorize de facto os combatentes da libertação nacional e da luta pela democracia. Queremos que os nossos impostos sejam devidamente geridos e impulsionem o desenvolvimento. Queremos que as infra-estruturas, a água e a energia sirvam de factores de desenvolvimento. Queremos uma política adequada de habitação para o nosso povo. Também queremos garantir um sistema de fiscalização e prestação de contas dos fundos públicos e das doações internacionais ao nosso Orçamento do Estado”, acrescentou Alcinda da Conceição numa espécie de esboço de manifesto do seu partido que, segundo ela “vai participar nas eleições Presidenciais, Legislativas e das Assembleias Provinciais”.

( Canal de Moçambique, 07/07/09 )

Café Scala






O velho Café Scala, já há muito tempo encerrado, está em obras e pode abrir num futuro próximo, embora possivelmente com novo visual e num espaço mais reduzido.

Monday, 6 July 2009

Café Continental em Maputo




O Café Continental, um dos mais emblemáticos da cidade, continua encerrado devido a um conflito laboral, como oportunamente tive oportunidade de noticiar. Por quanto mais tempo? É uma pena que pouco a pouco se percam algumas referencias da Baixa.

Moçambique há 34 anos independente : 1975 - 2009



(do livro 'Lutar por Moçambique', banda desenhada de Helena Motta baseada no livro de Eduardo Mondlane)



É com um misto de alegria e mágoa que muitos de nós recordamos a ‘Independência de Moçambique’.
Alegria sim, porque gostávamos (e continuamos a gostar!) da nossa terra e com a Independência esperávamos um futuro mais promissor, com mais justiça, social, igualdade e fraternidade. Era o fim de quinhentos anos de colonização portuguesa, da opressão colonial, da destruição de cultura e valores, de abusos, exploração, etc.
Muitos de nós tivemos a honra de assistir à cerimónia solene no Estádio da Machava. Chovia. Samora Machel proclamou a independência com as seguintes palavras:
‘Moçambicanos, moçambicanas, em vosso nome, às zero horas de hoje, 25 de Junho de 1975, o Comité Central da Frelimo proclama solenemente a Independência total e completa de Moçambique e a sua Constituição em República Popular de Moçambique.’
Lembramo-nos da cerimónia de troca das bandeiras, de ouvir o hino nacional, etc. Discursaram Vasco Gonçalves, primeiro-ministro português e fechou a cerimónia Mohamed Siad Barre com palavras que deram as boas-vindas a Moçambique, a mais jovem nação africana.
Foi um momento bonito da nossa história. Nessa altura não imaginávamos que pouco depois começaria outra guerra. Para nós a guerra tinha terminado com os Acordos de Lusaka assinados a 7 de Setembro de 1974 entre o governo português e a Frelimo, na sequência da Revolução dos Cravos. Pouco depois da independência, começou a guerra civil que durou 16 anos, provocou cerca de um milhão de mortos e cinco milhões de deslocados e destruiu grande parte das infra-estruturas do país.
E mágoa, porque não esperávamos que o processo da descolonização nos fosse traumatizar, porque estávamos longe de pensar que um dia iríamos deixar Moçambique rumo à Europa. Estávamos longe de ouvir falar da fome, da HIV-sida, das injustiças sociais, da corrupção, de atentados à vida das pessoas (estamos a recordar a morte do jornalista Carlos Cardoso, do economista Siba Siba Macuacua e, mais recentemente, o atentado à vida de Daviz Simango), etc.
Nós, na diáspora, por muito que estejamos bem, falta-nos sempre alguma coisa ‘íntima e nossa’: o calor da nossa terra, a nossa comida, a nossa língua, o lugar onde nascemos e crescemos, sem falar da família e dos amigos, numa palavra: raízes.No entanto temos confiança no futuro.
E, se por um lado, temos saudades, por outro temos esperanças de um futuro melhor. Citando Jorge Rebelo:
O mundo em que combato tem a beleza de um sonho construído.É este combate, amiga, este sonho que tenho para te ofertar.in "O mundo que te ofereço, amiga"
Por isso, queremos contribuir para a reconstrução de Moçambique. A paz e a democracia que se vivem são factores importantes para atrair investimentos. O país tem muitos recursos naturais, praias, fauna etc. Há cada vez mais turistas que visitam Moçambique. Os horizontes para o progresso estão abertos para os moçambicanos dentro e fora do país.
Esperamos que a cooperação entre os países se venha a desenvolver no plano económico, político, cultural, tecnológico e científico. É vantajoso para os Povos que isso aconteça.
Resolvemos celebrar esta data realizando uma festa para juntar os moçambicanos e os amigos de Moçambique. É uma oportunidade para trocarmos opiniões sobre a realidade política, social, económica, cultural, etc. Talvez até nasçam ideias para projectos ou empresas. Isto tudo ao sabor da nossa comida típica e ao som de boa música. Esperemos que o sol não falte, que haja alegria e que o encontro seja um sucesso. Contamos com a vossa participação no dia 20 de Junho (ver agenda).

(por Ivone Caldeira e Carmo Mota, na Holanda)


NOTA: Conheça mais sobre a comunidade moçambicana na Holanda em:


www.comoz.nl


Sunday, 5 July 2009

VIVER COMO AS FLORES

Num antigo mosteiro budista,
um jovem monge questiona o mestre ...
Mestre, como faço para não me aborrecer?
Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes.
Algumas são indiferentes.
Sinto ódio das que são mentirosas.
Sofro com as que caluniam.
- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.
Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.
Repare nas flores, continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim.
Elas nascem no esterco, no entanto, são puras e perfumadas.
Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche a frescura das suas pétalas.
Os defeitos deles são deles e não seus.
Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.
Isso é viver como as flores.

FONTE: www.lusofolia.blogspot.com

Saturday, 4 July 2009

A ressaca da abóbora !



Até onde vai a criatividade humana?


"A imaginação é mais importante que o conhecimento "
( Alberto Einstein )


Humor para o fim-de-semana

Estado da Nação

Guebas visita uma escola modelo.
Numa sala da primária, a ensaiada professora com ambição a uma futura boa colocação pergunta aos alunos:
- Onde temos a melhor escola?
- Aqui em Moçambique. - Respondem todos.
- E onde existem as melhores cantinas, que servem as melhores lanches?
- Na nossa Escola, aqui em Moçambique!
A professora ainda insaciada, continua:
- Onde é que vivem as crianças mais felizes do mundo?
- Em Moçambique! - Respondem os alunos com a lição bem estudada.
Nisto uma garota no fundo da sala começa a chorar baixinho.Com as televisões em directo, Guebas, para impressionar convidados e jornalistas, pondo-se a jeito para as câmaras, resolve acudir à menina perguntando-lhe:
- Que tens minha Menina?
Resposta imediata da menina, soluçando:
- QUERO IR PARA MOÇAMBIQUE!

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Erro de cálculo.
Às vezes o silêncio é uma regra de ouro…

Um homem está calmamente no supermercado a fazer compras quando de repente uma bela morena, dos seus trinta e poucos anos olha fixamente para ele e depois explode:

- Acho que você é pai de um dos meus meninos!


Incrédulo, faz um rápido exercício de memória, pensa na única vez que foi infiel à mulher e responde aflitíssimo:

- Você é aquela prostituta com quem fiz sexo, sem qualquer protecção, totalmente embriagado, à beira da piscina, naquela despedida de solteiro do Jorge, que estava ao nosso lado num bacanal com duas das suas colegas?


- Não. Sou professora de matemática do seu filho Joãozinho...

Friday, 3 July 2009

CIP e AWEPA questionam discurso de Guebuza



Distrito como base de planificação e orçamentação

“Iniciamos a nossa governação dando maior expressão e protagonismo ao Distrito, como pólo de desenvolvimento e base de planificação social e económica do nosso País”- presidente da República, Armando Guebuza falando no Parlamento no seu último informe à Nação, a 22 de Junho de 2009

“Há uma discrepância entre a lógica de planificação e a lógica de afectação de recursos no Plano Económico e Social do Distrito (PESOD), o que traz consigo um elevado nível de incerteza quanto ao financiamento das actividades inscritas no PESOD. Isto traz reservas sobre o próprio paradigma de que o distrito é a unidade territorial de planificação e orçamentação e, consequentemente, à ideia de que os distritos são o pólo de desenvolvimento.” – Boletim do CIP e AWEPA de 01 de Julho de 2009

Maputo (Canal de Moçambique) – O Governo do presidente Armando Guebuza diz ter definido o Distrito como “pólo de desenvolvimento”, “base territorial de planificação e orçamentação”, “centro das acções de combate contra pobreza”, durante o mandato prestes a findar. Entretanto, o Centro de Integridade Pública (CIP) e a organização dos Parlamentares Europeus para Africa (AWEPA), questionam a veracidade destes discursos, e dizem que “há discrepância entre o planificado e o que é efectivamente implementado”.

O que diz o Governo


Desde que Armando Guebuza ascendeu ao poder em 2005, tem sido discurso do Governo que a prioridade na governação é o distrito. A título ilustrativo, tomámos as declarações do chefe do Estado no seu último informe à Nação, prestado no Parlamento a 22 de Junho findo. Guebuza elegeu como título do seu discurso a seguinte tese: “O COMBATE CONTRA A POBREZA: Concentrando as Nossas Acções no Distrito”.
No decorrer do informe, o presidente Guebuza disse, entretanto, que “iniciámos a nossa governação dando maior expressão e protagonismo ao Distrito, como pólo de desenvolvimento e base de planificação social e económica do nosso País”.
Continuando disse que “neste contexto, foi locado o Orçamento de Investimento de Iniciativas Locais, conhecido como os sete milhões, direccionado para a produção de mais alimentos e criação de mais postos de trabalho, gerando renda para as famílias”. “Com os sete milhões, iniciámos uma mudança do paradigma de desenvolvimento, isto é, o beneficiário passou a ter um papel de protagonista neste processo...”

CIP e AWEPA questionam


Entretanto, é a veracidade deste tipo de discursos que está a ser posta em causa pelo CIP e AWEPA. Num artigo publicado no último número do Boletim sobre o processo político em Moçambique (propriedade da CIP e AWEPA), assinado por Adriano Nuvunga, questiona-se até que ponto o Distrito é efectivamente base territorial de planificação e orçamentação.
“... há uma discrepância entre a lógica de planificação e a lógica de afectação de recursos, o que traz consigo um elevado nível de incerteza quanto ao financiamento das actividades inscritas no PESOD – Plano Económico e Social do Distrito...” lê-se no boletim da AWEPA/CIP, editado por Joseph Hanlon e Adriano Nuvunga.
Continuando, o autor explica que “a discrepância entre a planificação e a afectação de recursos nos distritos traz reservas sobre a centralidade do PESOD como instrumento de governação no distrito”, o que representa uma “clara desarmonia com o pressuposto de que os distritos são a base territorial de planificação e orçamentação e, consequentemente, com a ideia de que os distritos são o pólo de desenvolvimento”.

A base do questionamento


Para questionar a veracidade do discurso do governo de Armando Guebuza, Adriano Nuvunga — o autor do artigo da AWEPA/CIP — baseou-se no relatório de monitoria da governação local realizada pela Associação Moçambicana para o Desenvolvimento e Democracia (AMODE), Centro de Integridade Pública (CIP), Grupo Moçambicano da Dívida (GMD) e Liga dos Direitos Humanos (LDH). O relatório concluiu que “mais de metade das actividades inscritas nos Planos Económicos e Sociais dos Distritos (PESOD) e nos Planos Anuais Municipais não são realizadas devido a constrangimentos de ordem técnica e/ou financeira”.

Prioriza-se “palácios” no lugar de sala de aulas


O relatório, citado no artigo do boletim editado por Joseph Hanlon e Adriano Nuvunga, refere ainda que “muitos dos empreendimentos realizados (nos distritos) denotam problemas de qualidade”. “Alguns empreendimentos reabilitados em 2007 já apresentavam defeitos e; nalguns distritos como Montepuez, a reabilitação de palácios, incluindo casas de banho, foi priorizada em detrimento de actividades com mais potencial de produzir impacto na vida das comunidades, como por exemplo, a reabilitação de casas de habitação e sedes de postos administrativos que vertem água quando chove”, escreve e continua: “noutros locais, sobretudo municípios, as autoridades locais, para encobrir o seu fraco desempenho, mostraram empreendimentos realizados em anos anteriores, por exemplo em 2005, como tendo sido realizados em 2008....”.




O relatório citado é resultado de um estudo que consistiu na monitoria e auditoria social sobre as actividades inscritas nos PESOD de 6 distritos e três municípios, com elevado potencial de trazer um grande impacto nas condições de vida da população. São os casos de construção de salas de aulas, abertura e reabilitação de fontanários de água, construção de centros de saúde, abertura, pavimentação e reabilitação de vias de acesso...


(Borges Nhamirre, Canal de Moçambique, 03/07/09)

Até quando a verdade sobre a morte de Mondlane?

Se Eduardo Chivambo Mondlane estivesse vivo teria completado, no passado dia 20 de Junho corrente, 89 anos de idade. Mas os moçambicanos continuam a ser burlados por alguns politicos sem escrúpulos, os quais dizem a torto e a direito o que lhes dê na ganha, bajulando a figura carismática da República de Moçambique, emblema africano e mundial.
Estamos a falar de Eduardo Chivambo Mondlane, cuja morte continua a ser matéria-prima de alguns frelimistas para ganhar nome ou outros bens materiais para seu benefício pessoal.
Eduardo Mondlane foi morto supostamente por uma bomba enviada num envelope em Dar-es-Salaam, capital da República Unida da Tanzania, país que hospedou a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) a 3 de Fevereiro de 1969.
Eduardo Mondlane, tal como Samora Moisés Machel, é figura carismática que elevou o nome de Moçambique para além-fronteiras.
Hoje em dia, o nome de Eduardo Mondlane está sendo usado por alguns politicos para efeitos eleitorais sem a devida vénia! Por que não se usa o nome desta figura emblemática de Moçambique para fins honestos?
Estamos cansados de ouvir politicos que quando se aproximam pleitos eleitorais falam mal desta figura carismática! É Samora Machel que tem sido usado também para discursos maus, senão mesmo péssimos! Estamos preocupados. A História moçambicana está cada vez mais a ser adulterada por pessoas que deveriam falar muito bem dela para que os restantes 20.450 milhões de moçambicanos conheçam a verdadeira causa e o autor da morte de Eduardo Chivembo Mondlane, ocorrida no Porto da Paz (Dar-es-Salaam).
Hoje estamos perante uma figura que vem arrear a cortina e dizer a verdade sobre a morte de Mondlane, pois contesta a permanente bajulação desta figura carismática em véspera eleitoral.
Onde está a verdade da morte de Eduardo Mondlane? Se Maria Francisca Samuel Dhlakama, prima de Afonso Marceta Macacho Dhlakama está a desvendar mistérios, por que é que os frelimistas continuam a esconder esta verdade?
Os camaradas já disseram várias vezes que Mondlane fora morto no seu gabinete de trabalho, no escritório da Frelimo em Dar-es-Salaam, enquanto na verdade Mondlane for a morto na casa de Beth, uma norte -americana amiga da família Mondlane!
Lamentámos que mentiras continuem a ser propaladas para adulterar a História de Moçambique por pessoas que muito bem conhecem a verdade deste belo Moçambique.
Para onde vamos com este andar das coisas? Estamos a caminhar para o precipício politico politico e histórico. Por favor, falemos a verdade para o bem dos moçambicanos e não para satisfazermos as nossas vontades políticas e escamotear a verdade para tirarmos dividendos.
A senhora Francisca Dhlakama está a pôr o dedo na ferida que muitos camaradas não vão gostar. Qual é a intenção do senhor Sérgio Vieira de vir a público falar mal e atribuir culpas a pessoas que não têm nada a ver com a morte de Mondlane?
Sejamos honestos no mínimo! Onde estão os outros que deixam Sérgio Vieira falar o que quer quando os outros conhecem a verdade? Parem de mentir para nós e reponham a verdade dos factos sobre acontecimentos do país. Chega de nos encharcarem com a existência de homens armadas da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) em tempos ou vésperas eleitorais. Terminamos perguntando: até quando os moçambicanos terão a verdade pura sobre a morte de Eduardo Chivambo Mondlane e outros nacionalistas?

( Editorial do Escorpião, com data de 22/06/09 )

De olho bem aberto: anomalias no recenseamento eleitoral



Começam a surgir notícias de falta de material de recenseamento eleitoral e outros problemas, como por exemplo avaria de computadores.
Os Partidos e a sociedade em geral terão de estar atentos a estas anomalias, é que para as eleições serem livres e justas tem de se ter em conta todo o processo e não somente o que se passa no dia das eleições.
Estamos de olho bem aberto!

Ponte Armando Guebuza no ano de Eduardo Mondlane




Maputo (Canal de Moçambique) - Os sinais disponíveis desde a entronização de Armando Emilio Guebuza no poder, começam a ser preocupantes. Os hossanas à sua governação, estão na fase mais exponencial de sempre. Criticar os excessos que começam a ser cada vez mais reveladores nas suas “presidências abertas”, remetem, os que o fazem abertamente, à conquista do titulo de “apóstolos da desgraça”. Seja como for: as palavras não podem ser, e nem jamais serão detidas, tal como a morte de uma andorinha não detém a primavera.

Este intróito vem a propósito da ponte entre Chimuara (Zambézia) e Caia (Sofala). Acaba de ser anunciado que vai levar o nome do louvado líder, à boa maneira «kim il sunguiana», Armando Emilio Guebuza. É a ponte que finalmente vai ligar o nosso pais, de norte a sul, por via terrestre, materializando-se assim aquilo que já chamavam de ponte da unidade nacional e esse nome chegou mesmo a ser dado como certo, em língua local. E, porque as grandes realizações – e logo num ano eleitoral – devem ter inaugurações com a pompa e circunstancia que merecem, não se sabe porque carga de águas, e por decisão de que sábio, a ponte vai levar o nome do louvado líder. Hossana!!! Num ano em que o governo liderado pelo louvado líder, decidiu proclamá-lo como ano de Eduardo Mondlane, porque não antes atribuir à ponte o nome deste que é tido como o arquitecto da unidade nacional? Era outra hipótese.

Em 2008, nós que tivemos a oportunidade de assistir, em Songo, as cerimónias centrais da reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa – a “nossa segunda independência”, vimos e assistimos aos hossanas que culminaram com a inauguração da avenida e praça Armando Emilio Guebuza. Estas acções já resvalam para o campo do culto de personalidade. Um pouco antes vimos, aplaudir-se a inauguração da Escola Secundaria Armando Emílio Guebuza, obra de vulto patrocinada pela Vodacom. Continua a ser pouco? Que se dane a memória do arquitecto? O que é que tudo isto quer dizer?

Desde o fim da chancelaria de Joaquim Chissano, também ele imortalizado em muitos lugares, assistimos ao processo de afirmação do recém chegado. É a negação do retirado. Sobrepõem-se cenas tais que o “pai do espírito do deixa andar” está imparável a atribuir o seu próprio nome a empreendimentos. São sinais preocupantes. O Carlos Cardoso já se foi, mas parece ter dito ontem: “Guebuza, não!” Espero arranjar um lugar num dos seis helicópteros para a inauguração da ponte!!... O curso das histórias está a pôr-se mesmo preocupante!!...

(Luís Nhachote, Canal de Moçambique, 03/07/09 )

Thursday, 2 July 2009

Guerra civil e posse de terra: dois pontos de descórdia



O entendimento sobre a natureza do conflito que houve em Moçam­bique – que o relatório denomi­na “guerra civil” - e a natureza da posse de terra foram os grandes pontos de discórdia na discussão sobre o relatório apresentado ontem por Moçambique, na XIII Cimeira do Fórum do Mecanis­mo Africano de Revisão de Pares (MARP), em Sirte, na Líbia.
Segundo Graça Machel, que dirigia em representação do presidente do painel de perso­nalidades eminentes do MARP, Adebayo Adedeji, da Nigéria, não houve guerra civil em Mo­çambique, “houve uma guerra de agressão e está claramente documentada. até os próprios mentores daquilo que foi o tal movimento de resistência (...) explicam por que criaram aque­le movimento(...). Numa fase posterior, o conflito generali­zou-se e tomou a cara de ser de moçambicanos. Portanto, na sua origem, nunca foi uma guerra civil. Foi uma distorção daquilo que é um facto histórico.”
Quanto ao segundo ponto de discórdia, Graça Machel explica que “o painel pode registar dife­rentes formas de propriedade de terra, mas é deliberação exclusi­va e soberana do país optar pelo regime que quiser. Portanto, nós não temos o direito de dizer que o facto de Moçambique ter a terra como pertença do Estado é uma limitação ao desenvolvi­mento, não está correcto.”
Entretanto, o relatório apenas sofre alterações condizentes a erros factuais. as suas conclu­sões continuarão no documen­to, sendo que a contestação ou a visão de Moçambique sobre este e outros pontos, feita pelo Presidente da República, arman­do Guebuza, vão constar, inte­gralmente, do relatório final a ser publicado nos próximos três meses, na versão portuguesa, in­glesa e francesa.

( O País, 02/07/09 )


NOTA : Fico desapontado ao constatar que certas personalidades frelimistas continuam a insistir na tese da mão externa para explicarem a guerra civil que teve lugar em Moçambique. Graça Machel erra e distorce factos históricos ao afirmar que na sua origem não foi uma guerra civil. A guerra civil teve origem no legítimo desejo de liberdade e democracia, embora tivesse apoios externos, como a Frelimo teve na luta de libertação.
Quanto ao problema da terra, todos sabemos dos atropelos e abusos cometidos!

“LM Radio” planeia reiniciar transmissões





Pretoria (Canal de Moçambique) - Tudo indica que estão em curso planos para reabrir a famosa rádio comercial, “LM Radio”, que durante cerca de quatro décadas transmitiu a partir da antiga cidade de Lourenço Marques. A julgar pelas informações disponíveis na página oficial da “LM Radio” na Internet, e o facto de já existir um canal registado com esse nome na grelha de estações radiofónicas que transmitem por via satélite através do sistema DSTV da Multichoice, a popular rádio comercial, encerrada pelo governo moçambicano a 12 de Outubro de 1975, poderá voltar a estar no ar a breve trecho.
Também designada por “Programa B” do antigo Rádio Clube de Moçambique (que depois da independência passou a designar-se de Rádio Moçambique), a “LM Radio” transmitia 24 horas ao dia, sete dias por semana, em línguas inglesa e africânder, sendo a sua programação constituída fundamentalmente por música moderna. Tratava-se de um serviço radiofónico comercial altamente lucrativo, cujas receitas eram uma importante fonte de receita do Rádio Clube de Moçambique. Destinada ao auditório sul-africano, a “LM Radio” era, no entanto, bastante popular entre a camada jovem de Moçambique e de outros países vizinhos dadas as suas características ímpares como estação emissora em cima dos acontecimentos do mundo da música moderna.
Embora com a mesma designação – “LM Radio” – o serviço radiofónico extinto em 1975 tenciona reiniciar as transmissões com o nome comercial de “Lifetime Music Radio”. A programação disponível na página da “LM Radio” na Internet (www.lmradio.co.za) indica que esta estação radiofónica irá manter as características da antiga emissora que transmitia dos estúdios situados na Rua da Rádio em Maputo.
A antiga “LM Radio” foi criada em 1936. Tal como o “Programa D” do então Rádio Clube de Moçambique, que era vocacionado para a transmissão de música clássica, o “Programa B” foi extinto na sequência de uma orientação do «Departamento do Trabalho Ideológico» da Frelimo, ao tempo dirigido por Jorge Rebelo, que considerava os dois canais de “elitistas”.
A “LM Radio” tirou partido da política em vigor na África do Sul nos anos 30 em que não era autorizada a existência de estações de rádio privadas. A SABC (South African Broadcasting Corporation) detinha o monopólio da radiodifusão naquele país. A “LM Radio” veio preencher a lacuna existente na África do Sul em termos de rádios comerciais, passando esse serviço radiofónico a atrair um número cada vez maior de anunciantes sul-africanos dada a popularidade da sua programação nos grandes centros populacionais. Os locutores da antiga “LM Radio” viriam a estabelecer estações emissoras do género na África do Sul após o encerramento do “Programa B” do então Radio Clube de Moçambique em 1975. Peter de Nóbrega, por exemplo, surgiria na “Radio 5” em Joanesburgo. Também nesta cidade, o locutor John Berks viria a criar o conhecido Canal 702.


( Canal de Moçambique, 02/07/09 )

NOTA: Recordo-me perfeitamente da LM Radio, talvez fosse a estação radiofónica de maior sucesso no continente africano e o seu encerramento foi um dos muitos excessos da Frelimo no período pós-independência.

Wednesday, 1 July 2009

Um mau precedente

A bancada do partido Frelimo, na Assembleia Municipal da Beira, cometeu um erro grave ao aprovar uma resolução que invalida a atribuição do nome de André Matsangaissa à rotunda Munhava. Em 2008, a bancada da Renamo, na Assembleia Municipal, decidiu dar aquele nome à rotunda. Como a Frelimo era minoritária não conseguiu impedir, remetendo o caso ao Tribunal Administrativo.

Até agora, a Frelimo aguarda pela decisão. Neste mandato, a Frelimo é maioritária, por isso esqueceu-se de aguardar pela decisão do tribunal para quem havia confiado a capacidade de dirimir o litígio. Isso é oportunismo, a arma dos fracos.

Nenhum partido é eterno poder. A Frelimo, um dia, vai deixar o poder e passará para oposição ou perderá a sua relevância política.Será mau que as novas autoridades extingam símbolos implantados pela Frelimo. Mandar limpar nomes das praças, pracetas, jardins, rotundas, ruas e avenidas e escolas, alegando que esses nomes nada dizem ao povo. Há heróis proclamados pela Frelimo, mas só ela sabe as razões. A heroicidade de alguns é posta em causa. Os heróis da Frelimo podem não ser de outras sensibilidades políticas. Ninguém é depositária da verdade absoluta.

Eduardo Mondlane, Machel, Joaquim Chissano, Armando Guebuza bateram-se pela Independência Nacional. Samora Machel introduziu a pena de morte no País. Armando Guebuza conduziu a “ Operação Produção “.

O País derrapou. Cercearam as liberdades fundamentais que faltavam à Independência e esta ficou como um alimento sem sal.

A luta de de Matsangaissa e Afonso Dhlakama trouxe a liberdade, embora este último tivesse fraquejado e traído o sonho de milhões de moçambicanos.

O Partido Comunista da União Soviética, vanguardista e dominante, hoje ninguém fala dele. Os partidos comunistas do bloco socialista desertaram da cena política.

O ditador Joseph Stalin matou e desterrou milhares de soviéticos. Quando Mikhail Gorbatchov chegou ao poder reabilitou muitos deles. Alexander Soljnetsine, falecido em 2008, foi um exemplo dessa lucidez política e histórica que falta aos nossos politicos.

A desastrosa revolução cultural da China de Mao Tse Tung tem vários exemplos de cidadãos vítimas do regime que as novas autoridades reabilitaram.

Na África do Sul persistem símbolos históricos do tempo do apartheid.

O ANC, partido no poder, não correu para deitar abaixo estátuas e outros símbolos erguidos durante a dominação do Partido Nacional.

Em Moçambique, a Frelimo mandou gruas para deitarem abaixo estátuas e símbolos coloniais. Hoje, tais medidas são questionáveis. Outros povos conservam a sua história. Não se envergonham ou escondem dela.

As novas gerações devem saber que Moçambique já foi colónia para, no futuro, aprenderem como se defender.

A colonização faz parte da História de Moçambique. O portuguêes com que nos comunicamos é o símbolo mais visível do colonialismo, no entanto, acolhemo-la, com orgulho, como nossa lingual de unidade nacional.

( Edwin Hounnou, Zambeze, 25/06/09 )

Frelimo recua e já diz que não quer ganhar tudo

Maputo (Canal de Moçambique) – O Secretário para a Mobilização e Propaganda do Comité Central da Frelimo, Edson Macuácua, recusou que o seu partido, no poder há 34 anos, esteja interessado em conquistar a totalidade dos assentos no Parlamento e nas Assembleias Provinciais, nas próximas eleições agendadas para o próximo dia 28 de Outubro.
Macuácua reagia aos constantes ditos protagonizados por camaradas seus do partido que várias vezes, publicamente, defendem que a Frelimo tem como objectivo ganhar a 100%, ou seja, as presidenciais, todos os assentos na AR e todos os assentos nas assembleias provinciais.
Edson Macuácua disse que o partido Frelimo “não alinha” com os discursos dos seus membros, deputados na Assembleia a República e simpatizantes, segundo os quais “na próxima legislatura os deputados da Frelimo querem ocupar todos os 250 assentos parlamentares”.
O porta-voz da Frelimo fez estes pronunciamentos quando confrontado pelo «Canal de Moçambique» para explicar as verdadeiras metas estabelecidas pelo partido dos camaradas para as próximas eleições.
“Estes discursos, (de que a Frelimo quer ganhar tudo) ignoro-os por completo. O discurso que conheço é de que todos os deputados, aliás, todos os membros da Frelimo estão a trabalhar afincadamente para obter uma vitória retumbante. A meta é uma vitória retumbante. É uma vitória expressiva. É conquistar a maioria e não a totalidade”, disse Edson Macuácua distanciando-se dos discursos que têm sido repetidos por membros do seu partido e até por ele próprio – no meio de euforia – de que nas próximas eleições a Frelimo quer ganhar tudo e eliminar a oposição.

Não queremos reimplantar o monopartidarismo

Edson Macuácua negou ainda que os discursos proferidos por membros do partido Frelimo, segundo os quais “a Frelimo é o único partido legítimo representante dos moçambicanos”, sejam manifestações de desejo de retorno ao monopartidarismo que este mesmo partido implantou no país após a Independência em 1975, e que só viria a ser desmontado em 1992 após uma guerra civil que durou 16 anos.
“Nós não queremos em nenhum momento reimplantar o sistema monopartidário. O multipartidarismo tem valor e dignidade constitucional para a Frelimo. A democracia multipartidária é irreversível”, disse o propagandista-mor da Frelimo quando confrontado com os discursos apelativos de poder total, proferidos por membros do seu partido.

( Borges Nhanmirre, Canal de Moçambique, 01/07/09 )

NOTA: Depois do discurso triunfalista e arrogante, a Frelimo procura agora ser mais realista, deve ter percebido que o Povo jamais aceitará o regresso ao monopartidarismo.

N'UM VAL'PENA! - Os caça-fortuna!

É estranho. Mas a verdade manda dizer que para andar na cidade de Maputo TV tem que ter no mínimo 100 meticais trocados em moedas de cinco para os “caça-fortuna”.
É isso mesmo. Já vos digo porquê. Os caça-fortuna são uma malta que anda nos supermercados, shoppings, onde haja por estacionar um veículo. São uns tipos irritantes para caramba. Vais tranquilamente a um shopping fazer umas compras para o teu mísero cabaz mensal, estacionas o teu veículo e imediatamente és literalmente rodeado de gente que se oferece para lavar o carro.
Murmuras um rotundo não, não tenho taco, mas logo a seguir os fulanos intimam-te “mais velho, vou ficar guardar, sou eu Antoninho”. Olhas o tipo e ficas com a sensação de tê-lo visto num filme de terror, aquele que faz o papel de mau. Feições duras, cara rasgada, calças jeans rotas, um autêntico protótipo de um mau carácter. É esse que diz que vai guardar o teu carro.
O pior é que concluem que somos mesmo obrigados a pagar pelos serviços superiormente prestados. Até têm o descaramento de indicar um mínimo estabelecido. Ai de ti se sais e te ficas por um honesto “obrigado, mano”. Praguejam e ouves atrás de ti os mais vilipendiantes nomes à tua mãe. Pior ainda se rebuscas os teus bolsos e encontras umas sacrificadas moedas de dois meticais.
Os fulanos ficam ofendidos. Ficam à imagem do Diabo. Vermelhos e fulos. Humilham-te em público e sentenciam: “da próxima vez você não vais panhar espelho, mais velho. No ku vizara muzaia!” para bons entendedores meia palavra basta. Acabas soltando mais alguns trocados, os tipos sorriem imbecilmente e viram-te as costas. Arrancas mal disposto e no primeiro semáforo és logo assaltado por putos com as caras teatralmente quisilentas e esfomeadas. Deprimido e com pena soltas mais alguns níqueis. No outro semáforo, umas senhoras clamam por clemência. Arrastam-se pelo lado do motorista indicando estarem esfomeadas. Querem umas moedas. Transtonado simulas que vais bazar, mas a tua companheira olha para ti com caras de poucos amigos, como quem diz: não tens vergonha? Aquela bem que podia ser a tua avô. Não tens como, soltas mais uns níqueis à conta da solidariedade para com os que não têm. E é interessante que estamos a falar de pessoas estrategicamente distribuídas pela cidade. Há territórios. Nos semáforos há de facto gente bastante carenciada. Mas também encontramos autênticos aldrabões. Simulando carência e pobreza, quando na verdade estão ali apenas para coleccionar dinheiro. Esses, ao fim da jornada têm o dia ganho, nalgumas vezes com mais dinheiro do que aquele que doou. Aliás, até são vistos à galhofa em senta-baixos, fazendo rolar ao gargalo pérfidas embalagens de Tentação. Sentam-se rodeados de damas, tipo sultão árabe, damas com interesses obscuros. De conduta duvidosa. Ou, por outra, de conduta não duvidosa. E você que andou a distribuir encarecidamente moedas pelos semáforos e estacionamentos, ao fim do dia está à rasca, percebe que afinal não tem dinheiro e faz contas à vida. É chato! Foste literalmente saqueado. Usurpado!
Agora virou moda outro tipo de saque. Nas casas de banho do Maputo Shopping. Aliás, devo tirar o chápeu para a limpeza e asseio daquelas casas de banho. São um mimo. Mas onde está o problema então? Acho que todos concordam comigo que um WC é um lugar de profunda intimidade. Alguns até meditam ali. Estranhamente temos ali naqueles WC do Shopping jovens funcionários à conversa, mesmo ao lado de ti. Terminas as tuas necessidades fisiológicas e os tipos insinuam com um recipiente à mão de que deves pagar alguma coisa. Ora essa. Se é para a manutenção daqueles lugares acho justo que se cobre um valor fixo. Mas agora se aquela malta conclui que os serviços por si prestados devem ser aleatoreamente remunerados, assim tipo esmola, isso não aceito e acho de uma imoralidade gritante. Assim como acho imoral e estúpido tê-los à conversa enquanto me alivio de um aperto gastro-intestinal. Não dá pá!
Ciao.


PS.
Vou de férias. Merecidas. Estou a pensar desligar o telefone nos próximos 47 dias. Desligar-me do mundo. Sem internet. Sem máquinas. Só eu e o natureza. E as árvores e os pássaros. Vou buscar ar. Muito ar. Aqui não há ar. Aqui estamos entre trincheiras, trava-se combate duro. Cheira a pólvora. E eu vou fazer uma pausa neste duro combate.Distras!

Leonel Magaia - Notícias, 25/06/09