Thursday, 4 June 2009

Governo foi à Assembleia da República repetir discursos de auto-elogio

• “Moçambique é o único País da África austral onde a cesariana é gratuita” – Ivo Garrido, MISAU • “Aumentámos o número de mulheres nos cargos de comando e da chefia na PRM” – José Pacheco, MINT • “Ligamos todas províncias do País a fibra óptica” – Paulo Zucula, MTC • “Valas comum na berma da N1 atrasam as obras de reabilitação” – Felício Zacarias – MOPH


Maputo (Canal de Moçambique) – Naquilo que constitui a última série de presença nesta legislatura perante dos representantes do Povo ou Assembleia da República, o actual governo esteve ontem lá, em peso, para responder às questões dos deputados. O executivo liderado por Armando Guebuza esteve encabeçado pela primeira-ministra Luísa Diogo e, essencialmente foi lá auto-elogiar-se.
No primeiro dia reservado às 10 questões formuladas pelos deputados das duas bancadas – da Frelimo e da oposição, Renamo-União Eleitoral – o Governo destacou as realizações efectuadas durante o quinquénio entre as últimas eleições gerais de 2004 e as próximas já marcadas para 28 de Outubro. Não houve novidades de facto. Foi a repetição do que tem vindo a dizer nas diversas ocasiões que os governantes do país foram ao Parlamento falar do seu trabalho. Inclusive algumas apresentações ontem feitas pelos ministros são do mesmo teor das que já haviam sido feitas na anterior ida do governo foi ao parlamento, em 2008.

Questões dos deputados

Tal como prevê o artigo 158 do Regimento das Assembleia da República, cada bancada parlamentar formulou 5 questões que foram enviadas com antecedência ao parlamento.
A Frelimo, partido que governa o País, queria saber o estágio actual do abastecimento de água, com destaque nas zonas rurais; quis ouvir sobre a reabilitação e manutenção periódica das estradas; a expansão dos serviços de comunicação; a disponibilização dos serviços de saúde para todos os cidadãos e o impacto das medidas implementadas para a mitigação da crise financeira internacional.
Por sua vez, a Renamo-União Eleitoral, a oposição, quis saber, do governo, o que ele está a fazer de concreto para o combate à criminalidade e os respectivos resultados; as razões do custo de vida estar cada vez mais insuportável para os moçambicanos; a persistência de bolsas de fome em algumas regiões do país; e como se calculam as taxas, os preços da portagem na auto-estrada em Maputo; e das facturas de energia eléctrica. Energia que anda por um preço tal que nem parece que Moçambique é um País com enorme disponibilidade de energia mas que a cobra a preços nunca dantes imaginados levando hoje os cidadãos ao desespero.
Postas as questões dos deputados seguiu-se a fase das respostas pelos ministros. Cada ministro respondeu às questões do seu pelouro. Resumimos as intervenções:

José Pacheco – Ministério do Interior

O ministro do Interior, José Pacheco, por exemplo, nada de essencial disse, a não ser que “entre 2004 a 2008 houve aumento de 121 para 210 mulheres nos cargos de comando e da chefia, na da PRM”.
Pacheco não falou, por exemplo do “mítico” Agostinho Chaúque que continua a não ser localizado pela Polícia. Não falou da fuga de “Aníbalzinho”, um dos confessos autores do assassinato do jornalista Carlos Cardoso que fugiu da Cadeia do Comando da Polícia da Cidade de Maputo e mantém-se em parte incerta. Foi a terceira vez que fugiu das celas, é um dos mais mediáticos cadastrados do País, mas o ministro voltou a não tocar na questão. Como não citou sequer as misteriosas fugas de outros criminosos de cadeias e outras celas de comandos da Polícia. Não falou do polémico caso de Mongicual, em Nampula, onde 12 cidadãos morreram asfixiados nas celas do comando distrital local. Não falou das tortura nas cadeias de Tete. Pacheco fez uma apresentação considerada pelos deputados da Renamo, “infeliz”, contrariamente à visão dos deputados do partido Frelimo que ovacionaram o ministro.

Ivo Garrido

O ministro da Saúde, Ivo Garrido não fugiu à regra dos seus pares. Apresentou o balanço das actividades desenvolvidas pelo seu ministério durante o quinquénio prestes a findar. Falou da eliminação total da lepra, da redução dos casos de contaminação por tuberculose e de aumento da cura da mesma doença. Reconheceu por um lado a persistência da seroprevalência de HIV/Sida e disse que é preocupação do ministério que dirige, reverter o cenário actual. Os números, no entanto, têm vindo a crescer de forma assustadora e mesmo assim suspeita-se que não reflictam bem a realidade. Para Ivo Garrido está-se bem.
Gratuitidade dos serviços de Saúde

O ministro de Saúde enalteceu por exemplo a tendência de gratuitidade dos serviços de saúde prestados aos cidadãos moçambicanos nos hospitais públicos, embora os tempos de espera e mesmo até a qualidade continuem a deixar a desejar e a merecer dos cidadãos os mais vivos protestos. Preferiu, em ano de eleições, o espectáculo e o auto-elogio. Disse que “Moçambique é o único país da Africa Austral onde um parto de cesariana nos hospitais públicos é gratuito”. Falou ainda da gratuitidade do tratamento da malária, tuberculose, entre outros serviços que o Estado fornece aos cidadãos a baixos custos. Não falou, no entanto, do martírio por que têm de passar os doentes para serem atendidos, nem falou da contínua fraca atenção que o pessoal da Saúde dá aos doentes, nem dos tempos de espera a que os doentes têm de se sujeitar até serem atendidos.

Paulo Zucula – Ministro dos Transportes e Comunicações

Por sua vez, Paulo Zucula também subiu ao pódio para falar das realizações nos sectores que tutela. Elegeu a ligação das capitais pela fibra óptica como o elemento mais marcante. Disse que em 2004 a ligação a fibra óptica era entre Maputo e Beira, e hoje todas capitais provinciais estão ligadas através de fibra óptica.
Disse igualmente que “o tempo de espera dos passageiros nas paragens (de autocarros) reduziu de 2h.30min, em 2006, para meia hora, em 2008”.
Falou da aquisição de 6 barcos para a travessia de baías inter-cidades ou inter-zonas como é o caso, por exemplo, da Baixa de Maputo para a Catembe e Maxixe-Cidade de Inhambane. Falou da aquisição de 3 automotoras que agora prestam serviços de e para os arredores da Cidade de Maputo. Também se ficou pela descrição de realizações.
Sobre a preocupação da Renamo-UE relacionada com a forma como é estabelecida a taxa de portagem na “auto-estrada” de Maputo, o ministro disse que a mesma é calculada com base em estudos do IRPC feitos na Africa do Sul e em Moçambique, os dois países que beneficiam da portagem na estrada Maputo-WitBank. Disse ainda que a cobrança de taxas de portagem na N4 será de aproximadamente até de 25 a 30 anos depois da inauguração do empreendimento.

Salvador Namburete

O ministro da Energia, Salvador Namburete, explicou por sua vez, que o cálculo da taxa de consumo da energia eléctrica é feita com base em critérios que permitam a cobrança das mesmas taxas nas zonas urbanas, onde o custo de instalação da rede eléctrica é menor, e nas zonas rurais, onde o custo de instalação é maior. Disse ainda, entretanto, que ao fixarem-se as taxas previu-se uma tarifa para as famílias com menor consumo, ou seja, com um consumo mensal não superior a 100kw, criou-se uma taxa especial, designada por «Tarifa Social». Esta tarifa tem a particularidade de estar parcialmente livre e IVA. Ou seja, é lhe aplicada uma taxa de IVA de 10 % e não de 17% como acontece com os restantes produtos e serviços da Electricidade de Moçambique e outros trespasses comerciais.

MOPH

O ministro das Obras Públicas e Habitação, Felício Zacarias, disse, por sua vez, que no troço Massinga-Nhachengwe, a equipa de trabalho que está a reabilitar e ampliar a Estrada Nacional número1 (N1), está a encontrara restos mortais de seres humanos enterrados em valas comuns, e anunciou por seu turno que isso está a obrigar a paragem das obras, para que se possa previamente remover as ossadas e proceder a novos enterros. O ministro disse que a situação atrasa a reabilitação da rodovia, visto que a remoção e os novos enterros são feitos em cerimónias tradicionais que envolvem as comunidades locais.
Assim foi o primeiro dia de perguntas e respostas ao governo no parlamento, com as intervenções doutros ministros a pautarem-se pelo mesmo diapasão. A sessão continua hoje com as perguntas de insistência dos deputados das duas bancadas.

(Borges Nhamirre, Canal de Moçambique, 04/06/09)

Mobilização de jovens fundamental nas eleições de Outubro

Dos jovens depende o envolvimento popular nas eleições de Outubro.
O envolvimento popular nas eleições de 28 de Outubro em Moçambique dependerá da mobilização dos jovens, que representam cerca de 60 por cento da população do país, defendeu esta terça-feira em Maputo Barnett Rosenberg, especialista norte-americano em campanhas eleitorais.
Falando a jornalistas à margem de uma palestra dedicada ao tema “Cobertura Eleitoral - O Papel dos Media nas Eleições EUA 2008”, Barnett Rosenberg afirmou que o peso dos jovens na composição demográfica de Moçambique impõe uma maior incidência sobre este segmento da população nas acções de mobilização para as eleições gerais deste ano.
Moçambique terá a 28 de Outubro a escolha do Presidente da República, dos deputados da Assembleia da República e dos membros das assembleias provinciais.
“A maior ou menor afluência do eleitorado moçambicano às eleições será condicionada pelo interesse do eleitorado jovem pelo processo. Se poucos jovens acorrerem às urnas, é pouco provável que haja no geral uma forte participação, porque li que os jovens são cerca de 60 por cento da população aqui”, disse o perito norte-americano em campanhas eleitorais.
Barnett Rosenberg fez uma analogia entre as eleições presidenciais de 2008 nos EUA e o processo eleitoral moçambicano deste ano, apontando similaridades “no papel decisivo do eleitorado jovem” nos resultados das duas eleições.
“Barack Obama ganhou porque conseguiu cativar o eleitorado jovem norte-americano, normalmente alheio a estes exercícios. Aqui em Moçambique, a mobilização dos jovens será mais determinante ainda, porque eles são a maioria da população”, observou Barnett Rosenberg.
Propostas de debate sobre questões que afectam especificamente a população juvenil, como o emprego, habitação e educação, é uma das fórmulas indicadas pelo perito norte-americano para atrair os jovens ao processo eleitoral.
“Os problemas dos jovens não são necessariamente os mesmos de outros sectores da população”, sublinhou.
Barnett Rosenberg, que é também gestor de Ética de Grupos e da Conduta de Negócios na Meggit, PLC, uma companhia internacional de tecnologia aeroespacial, acompanhou as campanhas eleitorais de seis Presidentes norte-americanos, desde Dwight Eisenhower até Barack Obama.


( O País, 4/6/09 )

Advogado dos quatro estrangeiros detidos em Tete requer instrução contraditória


Maputo - A defesa dos quatro estrangeiros presos na província moçambicana de Tete, acusados de tentar sabotar a barragem de Cahora Bassa, requer esta semana a instrução contraditória e vai pedir a liberdade dos detidos, entre eles um português. Hermínio Mhatumbo, advogado dos quatro homens, disse terça-feira à Lusa que já foi notificado pelo Tribunal e que os quatro são acusados de sabotagem, contrabando, alteração de bens de consumo e infracção administrativa. Os quatro, um português, um alemão, um tsuana e um sul-africano, detidos desde 21 de Abril, foram presos por terem colocado na barragem um produto que a polícia disse ser “corrosivo a betão e metal” mas que eles garantem ser “orgonite”, um preparado de resina e aparas de metal que transmite boas energias nos locais em que é posto. O advogado disse estar plenamente convicto de que os quatro serão libertados ainda durante a instrução contraditória e que não serão sequer levados a julgamento, porque três das acusações (contrabando, sabotagem e alteração bens de consumo) “são exageradas e não são normais”. “Podem ser pronunciados por não terem pedido autorização para colocar o produto, mas não vejo a nível processual matéria para outro tipo de acusação”, disse à Lusa, acrescentando que mesmo que o juiz decida levar os quatro a Tribunal espera que “aguardem o julgamento em liberdade”.
“Mas estou convicto que um juiz, se não estiver influenciado, deverá libertá-los a nível da instrução contraditória”, afirmou, acrescentando que espera também que o Tribunal cumpra os prazos, o que da parte do Ministério Público também aconteceu.
Hermínio Mhatumbo disse que dentro de duas semanas poderá acontecer a instrução do processo e que os quatro detidos estão também convictos de que sairão em liberdade.
O Ministério Público acusou os quatro homens de sabotagem, por terem deitado na albufeira da barragem um produto “corrosivo”, de contrabando, por terem entrado em Moçambique sem declararem a “orgonite”, de alteração de bens de consumo, por terem deitado o produto na água, e de infracção administrativa, por exercerem uma actividade sem pedido de autorização.
A acusação de sabotagem baseia-se em três análises à “orgonite”, feitas em Moçambique, uma delas pela própria hidroeléctrica, outra pelo Laboratório de Engenharia Química de Moçambique e a terceira pelo Laboratório de Alimentos e Águas de Moçambique.
“O relatório do Laboratório de Alimentos e Águas refere que a água da barragem pode ser consumida e nele nada consta contra os acusados, mas o Laboratório de Engenharia Química fala da existência de acidez que pode influenciar no desgaste de materiais metálicos a longo prazo, enquanto o relatório da HCB conclui que os objectos lançados à barragem são corrosivos e podem perigar a estrutura metálica e o próprio betão”, disse à Lusa fonte judicial.

FONTE: Lusa

Glória de Sant'Anna - o silêncio intimo das coisas


No Moçambique que precedeu a independência, a qual teve lugar em 25 de Junho de 1975, muita coisa aconteceu, como não é sabido de toda a gente. Na realidade, não é sabido de quase ninguém, exceto de uns poucos ( e não todos) que lá viveram.
Muito se tem escrito, sobretudo no pelouro em que impera o "discurso político", acerca do que foi ou não foi o chamado período colonial português. Seja dito de passagem que mais se tem falado do que acertado. É com lindos sentimentos que se faz má literatura, disse-o um dia Gide, irritando Claudel, e é também com angélicas intenções que se trai, frequentemente, os mandatos da história. Não deixa sobretudo de ser curiosa a fácil boa consciência de quem, no chamado Portugal continental, bem mais se aproveitou (e prosperou) com a exploração colonial do que tantos que pelo ultramar tristemente se alienaram, pobre e honradamente viveram e, para o fim, alucinadamente se desintegraram. De gente séria, pobre e perplexa ( e não só da outra), está a história de Moçambique também cheia, como não é do conhecimento confortável de algumas consciências bastante poluídas, que depois facilmente se reconciliaram consigo próprias, por vias mais ou menos expeditas...Com a publicação, em 1961, em Moçambique, do livro de poemas "Livro de Água", laureado com o premio Camilo Pessanha, confirmava-se, para alguns, e revelava-se, para muitos outros, um dos nomes mais importantes da poesia portuguesa, em Moçambique, e um dos poetas mais notáveis, em língua portuguesa, dos últimos vinte e cinco anos: Glória de Sant'Anna. Para o leitor da antiga "metrópole", um livro em língua portuguesa, publicado em Moçambique, Angola ou também em Cabo Verde, era, por assim dizer, um livro "perdido". Os nomes de Rui Knopfli, Sebastião Alba, Glória de Sant'Anna, Lourenço de Carvalho e, até certo ponto, mesmo o de João Pedro Grabato Dias, entre outros, nada ou quase nada significavam para o leitor confinado, como diria Jorge de Sena, entre o Chiado e a Rua Ferreira Borges...Não se sabia muito bem quem eram, o que faziam, o que pensavam... E o fato de estarem a viver "lá" era já, em principio, um motivo de apreensão. ... Glória de Sant'Anna foi, para Moçambique, um produto de importação. Nascida em Lisboa, em 26 de maio de 1925, concluiu o curso complementar de Letras no Colégio de Odivelas, casou em 1949 e, dois anos depois, partiu para aquela colônia portuguesa onde fixou residência, em Nampula. Em 1953 mudou-se, com sua família, para Porto Amélia (hoje Pemba), onde permaneceu, frente à vasta baía, quase até ao regresso definitivo a Portugal, em Dezembro de 1974 ( os dois últimos anos passou-os a poetisa em Vila Pery)....O "seu chão" fora Pemba, o mar, a água, o "vento de prata/manso, manso". O "mar calmo e estranho" tornara-se a presença fraterna, terapêutica, ameaçadora, tranquila, lisa, ominosa, às vezes trágica-densa, sempre vigilante. E os momentos passados à sua beira exprimiam a dignidade de momentos "translúcidos e antigos". Arrancada deste chão onde se encontrava "inteira", o exílio em que, ironicamente, se traduziu o regresso à pátria teve consequências traumáticas. ... ... Isto é, durante cerca de quatro anos, nada produziu.
Em Portugal, de Norte para Sul e do Sul para Norte, entre Ovar e o Algarve, tentando reencontrar o rumo que não havia (o mar, que é bom "porque é concreto", ficara para trás), Glória de Sant'Anna foi sobrevivendo ao rés de um desespero nem sempre inteiramente dominado. Durante vários anos arredada do "seu" mar, que era em Pemba, e da "sua" escrita, que dele se alimentara, Glória de Sant'Anna fixou-se finalmente em Ovar: - "Atualmente, na minha condição de aposentada, reparto o tempo pela casa e pela família e ajudo o meu marido num gabinete de arquitectura e obras, que abriu perto daqui".
A obra de Glória de Sant'Anna, na sua concentração e densidade, na sua liquidez secreta e cheia de pudor, na sua misteriosa claridade, na sua "mortal" e dominada angústia, consta essencialmente de sete livros publicados, seis de poesia ( Distância, 1951; Música Ausente, 1954; Livro de Água, 1961; Poemas do Tempo Agreste, 1964; Um Denso Azul Silêncio, 1965 e Desde que o Mundo e 32 poemas de Intervalo, 1972) e um de crônicas (...Do Tempo Inútil, 1975). Além destes o volume agora editado (1984) inclui 4 livros inéditos: A Escuna Angra (1966-68); Cancioneiro Incompleto (temas de guerra em Moçambique, 1961-71); Gritoacanto (1970-74 e cantares de Interpretação (1968-73. O resto é trabalho disperso por revistas e jornais: Diário Popular, Guardian (Lourenço Marques), Itinerário (L. M.) Diário de Moçambique (Beira) Noticias (L.M.), Tribuna (L.M.), Sul (Brasil) e Caliban (L.M.).
Glória de Sant'Anna tornou-se quase desde o seu "aparecimento" discreto, uma das vozes mais geralmente reverenciadas, no panorama literário de Moçambique. Mas aquilo a que poderíamos, sem exagero, chamar a sua "glória", nada teve de ruidoso. A autora do Livro de Água foi sempre um personagem de um pudor e "retiro" exemplares, na feira intelectual que, em Moçambique, como em todo o lado, tinha os seus profissionais da promoção e da acrobacia. "Serei tão secreta/como o tecido da água" afirmará ela, num dos seus poemas. De fato, toda a sua obra, de um extremo ao outro, é um alongado programa de homenagem à nobreza do "silêncio" e do "falar pouco".
Dizia um grande escritor deste século que sofria por causa dos homens a quem se não dá o lugar que merecem. E acrescentava haver nas letras francesas de hoje alguns exemplos dessa injustiça, por omissão. Há nas letras portuguesas de hoje também alguns exemplos disso. Glória de Sant'Anna é um deles, mas não é caso único. Entre os escritores que a ressaca da descolonização trouxe até estas paragens, há uma boa meia dúzia a pedir que os publiquem, os estudem e os divulguem. Constitui para mim uma honra e um privilégio esta tentativa de procurar a autora dos Poemas do Tempo Agreste "completa dentro desta pura água", para a dar a conhecer a um público distraído, mas eventualmente capaz de lhe reconhecer a estatura. Honra idêntica me daria poder fazê-lo por outros. O silêncio que sobre eles pesa, um silêncio morto, não é por certo o fecundo e "denso azul silêncio" que irriga e impregna o claro e enigmático discurso poético de Glória de Sant'Anna.

EUGÉNIO LISBOA - Londres, Dezembro 1983/Janeiro 1984 - transcrito do Livro Amaranto

FONTE: http://www.pesodaregua.com.br/

GLÓRIA DE SANT'ANNA 1925-2009



Morreu hoje (02/06/09) Glória de Sant’Anna, cuja obra é um testemunho de revalorização do silêncio (cf. Steiner) em meio da balbúrdia universal. Natural de Lisboa, viveu em Moçambique entre 1951 e 1975. Toda a vida foi professora, mantendo regular colaboração na imprensa moçambicana. No regresso a Portugal radicou-se em Ovar. Da sua obra destaco Livro de Água (1961), que recebeu o Prémio Camilo Pessanha da Academia das Ciências de Lisboa. O conjunto da sua poesia foi editado em 1988 pela Imprensa Nacional: Amaranto. Poesia 1951-1983, volume que inclui o livro inédito Cantares de Interpretação, escrito depois de deixar África. Glória de Sant'Anna pertence por direito próprio à geração de poetas portugueses que a tradição associa à poesia feita em Moçambique: Rui Knopfli, Reinaldo Ferreira, Sebastião Alba, João Pedro Grabato Dias, Lourenço de Carvalho e outros. Em 1975, antes de deixar Moçambique, publicou um livro de crónicas: Do Tempo Inútil.
Deixo aqui quatro versos em que cabe toda a sua ars poetica:

A essência das coisas é senti-las
tão densas e tão claras,
que não possam conter-se por completo
nas palavras.


É preciso dizer mais?

Wednesday, 3 June 2009

QUEM TEM MEDO DA PRAÇA ANDRÉ MATSANGAISSA?



Será recusa à reconciliação?






Beira (Canal de Moçambique) - É preciso dizer de boca cheia que os que receiam o nome daquela praça na cidade da Beira são os mesmos que não conseguem ver heróis senão nas suas hostes. O discurso de reconciliação nacional que não passa pelo respeito aos heróis dos outros, é algo que não tem sentido e reflecte uma teimosia que só prejudica Moçambique e os moçambicanos. O frequente sentido de Estado que alguns dizem possuir é factualmente desmentido pelo facto dessas mesmas pessoas não conseguirem entender e mostrar aos moçambicanos que a sua luta e preocupação são este país e seu povo. As horas que foram consumidas procurando deitar a baixo uma resolução do Assembleia Municipal da Beira sobre o nome de uma praça reflecte o que na essência são os partidos políticos que temos…
Querer reconciliar a família moçambicana jogando para a lata do lixo uma parte importante dos moçambicanos que contribuíram com o seu empenho, saber e até sangue é algo que não pode ser aplaudido nem aceite pois representa uma negação autêntica dos esforços tendentes a normalizar a vida do país e lançar os alicerces para o seu desenvolvimento multifacetado.
A teimosia de impor um modelo político unilateral e visando obliterar a contribuição de compatriotas na criação de condições para que o país conquistasse a sua independência vai continuar a ser a preocupação primordial de alguns dinossauros políticos nacionais que com estas atitudes ainda não perceberam o quanto começam hoje a cair no ridículo.
Há gente que não consegue conceber que os outros também são moçambicanos e que possuem igualmente direitos sobre o que o país pode oferecer aos seus.
O combate que se trava na Beira sobre o nome André Matsangaice deve ser visto como algo mais abrangente. Aceitar tal nome para uma praça faz ou provoca arrepios a alguns políticos porque no seu entender seria abrir um precedente. Se admitirem isso terão que algum dia admitir que Uria Simango, Joana Simeão sejam considerados heróis com direito a nome em ruas, avenidas e praças. É isso que alguns “camaradas” temem mais que a morte. Julgam que ceder na Beira seria abrir a “caixa da Pandora” ou a garrafa onde está aprisionado o espírito.
Esta situação que deveria ser tratada de maneira politicamente adulta através de um diálogo que envolvesse todos os moçambicanos, está sendo evitada a todo o custo porque existem pessoas no partido no poder (Frelimo) que não conseguem trazer elementos novos para tal diálogo.
Somos moçambicanos e não há que ter medo ou qualquer receio em abordar a questão dos heróis com a profundidade requerida.
Deixemos para trás as considerações dos tempos do monopartidarismo e conceitos estreitos. Mesmo na Rússia, o último Czar foi reabilitado.
Já não há lugar para algumas manifestações estalinistas como de algumas pessoas que continuam a supor-se especiais e únicas.
Julgo que também há algum jogo de bajulação e elogios infundados para algumas figuras da luta de libertação nacional promovidos por alguma comunicação social. Engorda o ego dessas pessoas quando afinal até a sua filosofia, marxismo-leninismo é contra tais cultos de personalidade… Deixem André Matsangaice descansar em paz e reconheça-se que o seu papel foi instrumental para que agora Moçambique seja politicamente pluralista…
O que realmente interessa aos moçambicanos é uma reconciliação efectiva onde cada um respeite os outros.
Essa mania de que existem moçambicanos especiais e que é necessário a Assembleia da República ratificar a heroicidade segundo critérios determinados por uma Comissão Política do partido no poder, como alguém procurou fazer entender, não faz sentido pois o povo moçambicano sabe de facto quem são os seus heróis.
Não há departamento de informação e propaganda algum que possa criar ou produzir heróis duradouros na memória popular…

( Noé Nhantumbo, Canal de Moçambique, 03/06/09)


Gurué: Aquilo que o Presidente Guebuza deveria ter ouvido


Feitiçaria, medo, inveja, bem como o prazer de ver o próximo também a sofrer, são os temas que muitos residentes do Guruè gostariam que o estadista moçambicano, Armando Guebuza, tivesse abordado com uma maior contundência durante o comício por ele orientado durante a sua “Presidência Aberta” naquele distrito.
Localizado cerca de 350 quilómetros norte de Quelimane, capital da província da Zambézia, Centro de Moçambique, Guruè ocupa uma área de 5.688 quilómetros quadrados e possui uma população calculada em 303 mil habitantes, tendo como principal actividade a agricultura, sobretudo a produção de chá, milho e batata.
Para quem nunca teve a oportunidade de visitar este distrito, Guruè é simplesmente de uma beleza deslumbrante. Bem explorado, poderia ser considerado de um pequeno “Jardim do Éden”.Dizem os residentes que nesta terra é possível semear virtualmente tudo.
Talvez seja a razão pela qual Guebuza considera Guruè de “Terra da Revolução Verde”.
Neste texto, a intenção não é tentar descrever um cenário ideal para um filme de terror ao estilo de Alfred Hitchcock, mas sim os problemas que afectam os residentes do distrito de Guruè, e que constituem um grave entrave para o desenvolvimento acelerado.Aliás, não foi por acaso que o próprio Presidente moçambicano dedicou parte considerável do seu discurso para abordar estes temas, mas não com a profundidade que, para alguns residentes de Guruè, seria de desejar.
De facto, é incompreensível que, ocupando uma área vasta e dotada de um potencial agro-pecuário fabuloso, razão pela qual também e’ considerado o“celeiro da Zambézia”, o distrito de Guruè tinha apenas um efectivo pecuário constituído por apenas 168.314 de animais de diversas espécies em 2008.Mais surpreendente é o facto de este numero incluir somente 814 cabeças de gado bovino.
“Em 2004, o efectivo pecuário evoluiu de 46.307 unidades de diversas espécies para 168.314 unidades em 2008, registando-se um aumento de 122.007 unidades. Do total do efectivo, cerca de 814 e’ gado bovino”, lê-se no Informe do Distrito de Guruè, apresentado durante a Sessão Extraordinária do Governo Distrital, alargada aos membros do Conselho Distrital e que foi orientada pelo Chefe de Estado.

MEDO DE FEITIÇARIA É UM CASO SÉRIO

Isso mesmo. Muita feitiçaria, pelo menos essa é a conclusão que a equipa de reportagem da AIM chegou após uma longa conversa mantida com um grupo de residentes de Guruè, incluindo um líder comunitário.
Inicialmente, a AIM apenas pretendia aferir o impacto da visita do estadista moçambicano na atitude dos residentes, quando para o seu espanto, durante a conversa alguns dos entrevistados asseveraram que o combate a pobreza será uma missão muito difícil, pois muitos “guruenses’ detestam ver o seu próximo a progredir e prosperar na vida.
“O HPI (Heifer Project International) é um projecto ligado a agricultura e que recentemente estava a distribuir cabritos nas localidades. Eles dão uma fêmea e um macho. Depois de procriarem, as crias devem ser entregues a uma outra família. No caso de cabeças de gado bovino, o HPI cede por empréstimo duas fêmeas e um macho. Após a sua reprodução estas cabeças devem ser devolvidas para beneficiarem uma outra família e assim por diante”, explicou um dos entrevistados, para de seguida afirmar que esta iniciativa poderá estar condenada a um fracasso, pois as crias poderão morrer ou ficar estéreis.
De seguida, a AIM perguntou se, eventualmente, uma outra pessoa estranha a região tomasse a decisão de se estabelecer neste distrito, também corria os mesmos riscos no caso de conseguir uma oferta no âmbito do projecto da HPI, uma organização não governamental.
Será que as fêmeas dessa pessoa também não se vão reproduzir? questionamos.
“Depende da zona em que essa pessoa quiser se estabelecer. Se não existir ódio você pode-se estabelecer à vontade, e sem nenhum problema. E’ por causa do ódio e da inveja que existe aqui na sede do distrito que e’ difícil ver uma casa com cabritos. Quando alguém tem cabritos isso acaba criando um sentimento de ódio no vizinho (que não cria cabritos), razão pela qual ele acciona um mecanismo (feitiçaria) para inviabilizar o projecto do seu vizinho de forma a deixar de ter esses cabritos”, disse um dos entrevistados, explicando que “também podem dar um veneno para matar os cabritos, ou invadir o curral (roubar os cabritos)”.
Por mais estranho que pareça, um cabrito custa em média entre 600 a 700 Meticais em Guruè, uma região em que o gado deveria ser uma das principais fontes de rendimento.
Para melhor esclarecer o caso, perguntamos de seguida: mas se o vizinho não quiser trabalhar, será o mesmo que não deixa os outros progredir na vida porque ele é preguiçoso?
“Sim”, foi a resposta dos entrevistados em uníssono, explicando que esse é o maior problema.
“Não e’ bem assim. Eles não se recusam a trabalhar. O verdadeiro problema é a falta de emprego”.
Mas como resolver esse problema?, questionamos.
A resposta foi, “não temos outra maneira. A saída que existe é uma maior intervenção do Governo, aconselhando constantemente a população e conceder um maior apoio ao distrito”.
Insistindo, perguntamos se esta situação afecta apenas o distrito do Guruè ou toda a província da Zambézia.
Como resposta, os entrevistados disseram que existem algumas regiões que estão livres deste problema, citando como exemplo o distrito de Morrumbala.
“Por exemplo, em Morrumbala é difícil roubar cabritos. Eles deixam os cabritos a pastar livremente, sem o receio de acontecer qualquer tipo de mal aos seus animais”.
Mudando um pouco de tom da conversa, questionamos se existia a ocorrência de casos similares de “feitiçaria” na actividade agrícola.“Sim, isso também acontece. Mesmo quando existe muita chuva você pode não colher nada”, foi a resposta.
“Se o jornalista vê milho a crescer e’ porque existe uma 'guarnição' naquela machamba, do próprio dono, do camponês”, explicou um dos interlocutores.Segundo as fontes, não existe nenhum problema em solicitar um terreno em Lioma (um dos postos Administrativos de Guruè) e requerer um terreno paraabrir uma machamba.
“Você vai semear milho que depois de germinar bem você vai pensar que vai ter uma boa colheita de milho”, contou.
Contudo, explicou um dos entrevistados, “vai chegar a uma fase em que toda a sua cultura vai começar a murchar sozinha, e não ter nada quando chegara época de colheita”.
Porém, era muito difícil compreender esta situação, razão pela qual quisemos ouvir dos próprios residentes uma proposta para o combate a pobreza que, aliás, era o objectivo principal desta “Presidência Aberta” de Armando Guebuza, que já o levou a escalar nas últimas semanas as províncias de Niassa, Nampula, Cabo Delgado, Zambézia e Tete.Para acabar com o problema e’ preciso arranjar emprego para toda a gente, foi a resposta.“Essa história de inveja surge porque existem pessoas que trabalham enquanto outras estão desempregadas. Por isso, existe o ódio. Portanto, se todas as pessoas estivessem a trabalhar ninguém teria tempo para pensar em maldade”, acrescentou um dos intervenientes.
Para melhor elucidar, o grupo citou como exemplo o caso das machambas.
“A extensão de uma machamba depende da força de cada um. Existem pessoas que podem abrir uma machamba com uma área de 1,5 ou dois hectares. Mas também existem outros com forças para abrir uma machamba com uma área de 8 a 10 hectares”, explicaram.
Então, aquele que abriu uma machamba com mais ou menos 1,5 hectares acaba por se sentir mal, porque ele sabe que o seu vizinho tem a possibilidade de fazer uma machamba grande. Então, é a partir daí que começam a surgir problemas e ódio, acrescentaram.
“É precisamente nessa situação que começa a surgir o problema de ódio. E como ele não tem a possibilidade de fazer uma machamba grande, então começa a surgir o problema de droga (feitiçaria)”.Um outro interveniente explicou ter adquirido um aparelho de vídeo e um gerador de energia para abrir um videoclube em sua casa.
“Mas não estou conseguir avançar por causa do ódio. O gerador começou a ter problemas. Posso abastecer o gerador, mas o mesmo recusa-se a funcionar. Mas quando estou apenas com os meus filhos, o gerador trabalha sem nenhuma deficiência. Mas quando coloco o gerador no videoclube, o mesmo recusa-se a arrancar. Esse e’ o problema de ter vizinhos que não fazem nada. E’ um problema muito sério”, desabafou.
Resistimos a desarmar, razão pela qual voltamos a carga perguntando:Mas aquilo que o Presidente disse no comício – contra a feitiçaria, inveja e ódio – será que vai resultar?
“Não vai resultar!”, foi a resposta do grupo em uníssono.
“Não vai resultar. É um problema sério, sobretudo aqui na Zambézia”, acrescentou o grupo.
Mesmo assim, continuamos a matutar no caso, razão pela qual acabamos por interpelar Nelson Armando, líder comunitário (régulo) de Namacala, uma região localizada a cerca de 15 quilómetros de Guruè.Ao régulo de Namacala, que também participou no comício orientado por Guebuza, colocamos exactamente as mesmas questões que apresentamosanteriormente ao grupo.
“Existem pessoas que vão aos curandeiros para tratar a sua machamba. Até porque e’ possível encontrar uma pessoa (fantasma) de pé em muitas machambas”, referiu, acrescentando que a solução para o problema da feitiçaria talvez e’ aquilo que o Presidente disse, quando apelou para um maior diálogo e comunicação entre as pessoas.Esta é uma terra muito rica, disse o régulo, explicando que aqui sai muito feijão manteiga, milho e mapira.
“Aqui e’ possível semear tudo”, rematou.Como proposta, aquele responsável comunitário sugere que para acabar com todos estes problemas o Governo devia convocar uma reunião geral com todos os régulos e secretários a nível do distrito.É verdade que Guebuza abordou o problema de feitiçaria e inveja, mas os “gurenses” queriam ouvir mais. Querem uma maior intervenção do Presidente da Republica, pois o medo, ódio e inveja estão a travar o desenvolvimento deste distrito potencialmente rico.
Refira-se que este problema, de feitiçaria, não se restringe ao distrito de Guruè, pois afecta todo o país e mesmo muitas regiões do continente africano e do resto do mundo, tais como a Ásia e América do Sul e América Latina.
Independentemente das crenças de cada um de nos, este é um problema que não será resolvido apenas com uma simples retórica materialista, pois no nosso caso concreto, Moçambique, faz parte da nossa cultura, sendo também uma prática milenar.
Por isso, urge a tomada de outras soluções mais pragmáticas, exequíveis e funcionais, tais como bem tentou o Chefe de Estado moçambicano durante o seu discurso em Guruè e na maioria dos distritos que escalou durante esta “Presidência Aberta”, apelando ao diálogo e solidariedade entre os cidadãos.
Urge ainda apelar e educar aos que (se) de facto possuem esses poderes “sobrenaturais” usá-los para o bem de toda a sociedade e não para prejudicar o próximo.

( Elias Samo Gudo, da AIM, 01/06/09 )

Tuesday, 2 June 2009

Daviz Simango inaugurou sede da delegação do MDM da Cidade de Maputo, Xipamanine


Parceiros de cooperação insatisfeitos com sistema de justiça no país

(Maputo) Os parceiros de cooperação do governo moçambicano na área da justiça, nomeadamente, a União Europeia (UE) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) revelaram segunda-feira, insatisfação com de alguns programas por si financiados, no âmbito da reforma do sector da justiça em Moçambique, nomeadamente, os que visam alcançar os objectivos de transparência máxima e alargamento do acesso a todos os cidadãos.
Falando a imprensa à margem da reunião de balanço dos dois anos de implementação do Programa de Apoio ao Cidadão no Acesso à Justiça, que juntou o executivo moçambicano e os parceiros deste sector, o chefe da delegação da UE em Moçambique, Glauco Calzola, revelou preocupação com o actual nível da situação, apesar de realçar a complexidade do processo.
“Pelo que se pôde constatar no relatório de actividades apresentado pelo governo, não há dúvidas de que há muitas lacunas”, explicou, destacando a prevalência de incumprimento de alguns planos e de más condições de infra estruturas prisionais, algumas das quais, com pacotes financeiros para a sua reabilitação, que tarda a acontecer.
Há pouco mais de um semestre do fim do período da implementação dos seis componentes principais que compõe o projecto que esteve esta segunda-feira em avaliação, nomeadamente, a Reforma e Unificação do Sistema Prisional, o Fortalecimento da Administração da justiça ao nível local e a Protecção dos Direitos Humanos pelas instituições da justiça, Calzola deixou transparecer um endurecimento de posição face aos resultados e o ritmo de implementação do projecto.
“Temos um diálogo permanente com o Governo moçambicano, não estamos a pressionar e nem estamos a fazer uma imposição, mas é preciso saber que estamos aqui a responder a um pedido do executivo que nos solicitou para sermos seus parceiros, no entanto nós estamos apenas a dar a nossa posição de que há aspectos aqui que merecem serem acompanhados”, enfatizou a fonte.

( Escrito por Delsio Caba, Savana )

África será mais afectada pela crise mundial

As economias dos países membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, SADC, serão as mais sacrificadas, pela crise mundial, quando comparadas com as da África Oriental, ao registar, segundo previsões, um crescimento na ordem de 0.2 contra 5.5 porcento, respectivamente, Segundo um relatório da Organização de Desenvolvimento e Cooperação Económica, OCDE.
De acordo com a OCDE a primeira economia do continente africano, a África do Sul, também não sera poupada: o Produto Interno Bruto (PIB) deverá progredir 1.1 porcento no ano em curso, contra os 3,1, de 2008.
Esta previsão é divulgada numa altura em que as moedas desses países, SADC, tem estado ao longo do ano a registar uma desvalorização acelerada face ao dólar americano.
O PIB do continente registrará este ano uma queda para menos de metade dos valores registados, em 2008, prevê a OCDE, considerando Angola um dos piores casos de África.
As previsões para Angola são das piores já que o PIB deverá perder 23 pontos de crescimento, passando dos 15.8 porcento positivos registados, em 2008, para -7.2 previstos deste ano.
O documento indica que, após cinco anos de forte crescimento, a economia africana deverá conhecer “uma com pressão brutal”, em 2009, devido a crise mundial que poderá afectar alguns avanços democráticos, no continente.O PIB africano deverá aumentar 2.8 porcento, ou seja, menos de metade do registrado, em 2008, 5.7 porcento, antes de uma “recuperação moderada”, em 2010, 4.5 porcento, prevê a OCDE.

( A Tribuna Fax, 29/05/09 )

Monday, 1 June 2009

Daviz Simango de regresso à Beira é recebido em apoteose



Galardoado há dias em Maputo pela PMR


Beira (Canal de Moçambique) - O presidente do Conselho Municipal da Beira, Daviz Simango, afirmou ontem, à sua chegada no Aeroporto Internacional local, procedente de Maputo, que o grande segredo da distinção que lhe foi atribuída e da outra atribuída ao município da capital da província de Sofala, pela terceira vez consecutiva, “são prémios conquistados por uma boa equipa de trabalho”.
Os prémios foram atribuídos pela revista PMR (Professional Managment Review), uma instituição sul-africana que avalia e premia edilidades, governantes, empresas estatais e privadas na região austral de África.
Pelo facto de ser a terceira vez que Daviz Simango e a Beira recebem estes prémios, o Edil, à sua chegada à Beira, disse: “Isto tem que ver com uma boa equipa de trabalho. Isto passa necessariamente por colocar homens certos em lugares certos. O resultado tem sido sempre satisfatório”.
Refira-se que ao presidente do município coube um galardão de “ouro” por “iniciativas promotoras de investimento e boa direcção”. Enquanto isso o Município recebeu “prata” por suas “iniciativas tendo em vista o desenvolvimento da Cidade da Beira”.
“Isto nos encoraja porque o que temos feito resulta dos pedidos dos munícipes. O CMB (Conselho Municipal da Beira) é mero executor dos pedidos dos munícipes”, lembrou Daviz Simango. Ele lembrou também que estes prémios surgem quando “correm mais de cem dias depois da reeleição”. Daviz Simango recordou na ocasião que neste momento a edilidade está à procura de receitas e anunciou que a partir do mês de Junho que hoje se inicia “o Município conhecerá maior dinâmica, porque começa a chegar a maior parte das aquisições”. Referiu “por exemplo”, que “acabam de chegar à cidade da Beira dois novos camiões para reforçar as operações de saneamento do meio”. Entretanto, sobre rumores que correm e segundo os quais o Edil se tem ocupado demasiadamente com o seu recém criado partido – o MDM, de que é presidente – relegando para plano secundário a sua função de presidente do Conselho Municipal, Daviz Simango afirmou que tem estado a “trabalhar dia e noite”. O que se passa, explica, é que “adicionámos mais uma ocupação”. “É como se tivéssemos mais família em casa”.
“Nós preocupamo-nos com todos. A atenção que damos a cada membro da família é sempre a mesma”.

( Adelino Timóteo, Canal de Moçambique, 02/06/09 )

Mozambique Travel Scams: Crooked cops information


Leaving Maputo on Sunday, I made a left turn into Avenida de 25 Septembro, a main thoroughfare which seems to becoming a hot spot for these incidents. The two cops were regular police in the green and grey uniform (traffic police wear white shirts/blue trousers) and both were armed with AK47s slung over the shoulder, calculated, perhaps, to be at head-height of the driver of a normal car.
I was told a left turn was illegal, even though a constant stream of Mozambique-registered vehicles were making left turns. Pointing out this inconsistency does no good - I was told that I had committed an offence and that the necessary “apology” would cost 1000 meticals (abrout R320).
This is how to deal with the scam. Stand your ground and a) demand that a ticket is issued on paper, or b) ask the police to accompany you to the nearest police station.
Be patient because this Kafkaesque scenario will take time to unfold. Under no circumstances get angry or pushy, and do not swear at or insult the police - you do not want to irritate them in any way. Make a joke, light up a smoke (if you have one) and make it clear that you are in no hurry.
Whatever else, do NOT pay the bribe. It only entrenches corrupt practice and makes it worse for all visitors who follow.
In my case they let me go after a couple of minutes when it was clear that I was not going to pay them a cent. That the same two cops flagged me down on the same road 15 minutes later for another “offence” and then let me go as soon as they recognised me, says it all.
If you are driving in Mozambique, pay scrupulous attention to the road rules, stick to the speed limit and ensure the vehicle’s papers are in order. Make sure you have the blue and yellow warning stickers, and the ZA sticker well-displayed, have valid third party insurance, and keep two red warning triangles handy.

By Paul Ash
Source: The Wanderer Blog

( http://www.clubofmozambique.com/ )

Sunday, 31 May 2009

Impressionante!

Este vídeo mexeu muito comigo, vale mesmo a pena meditar, nunca devemos desistir ou ficar limitados pelas circunstancias!

Para que não haja interferencia com o som, desligue o som deste blog no meu playlist, no fundo desta página.

Vamos meditar juntos?

Pensamento dominical


Deita fora todos os números não essenciais para a tua sobrevivência. Isso inclui idade, peso e altura. Deixa o médico com eles. É para isso que ele é pago. Convive, de preferencia, com amigos alegres. Os pessimistas põem-te em baixo.

Continua a aprender. Aprende mais, sobre computadores, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixes o teu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer.

Curte coisas simples. Ri sempre, muito e alto. Ri até perderes o fôlego.
Lágrimas acontecem. Aguenta, sofre e … segue em frente.

A única pessoa que te acompanha toda a vida és tu mesmo. Mantém-te vivo, enquanto viveres!

Rodeia-te daqueles de que gostas: família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, seja o que for!

O teu lar é o teu refúgio.
Aproveita a tua saúde. Se for boa, preserva-a. Se estiver instável, melhora-a… Se se encontrar abaixo desse nível, pede ajuda…

Não faças viagens de remorso. Vai a um Shopping, a uma cidade vizinha, a um país estrangeiro… mas não viajes no passado!

Diz àqueles que amas que realmente os amas e em todas as oportunidades.
E lembra-te sempre de que a vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas sim pelos momentos em que perdeste o fôlego de tanto rir, de surpresa, de êxtase, de felicidade…

Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aqueles que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol ( Picasso ).

( Da Internet )

Saturday, 30 May 2009

Humor


Touros reprodutores


Minha mulher e eu fomos a uma Feira de Animais, e no primeiro box encontramos uma tabuleta que dizia:" ESTE TOURO CRUZOU 50 VEZES NO ANO PASSADO".
Minha mulher, brincando cutucou-me nas costelas.... Rindo, disse:
" Hum, ele cruzou 50 vezes no ano passado.. Uma vez por semana!
Continuamos caminhando e no próximo box estava uma tabuleta que dizia: ''ESTE TOURO CRUZOU 150 VEZES NO ANO PASSADO".
Minha mulher me deu um tapa nas costas e disse:
- OPA! é mais do que duas vezes por semana!... Voce poderia aprender alguma coisa com ele.
Continuamos nosso passeio e no outro box encontramos uma tabuleta qu dizia em letras garrafais: "ESTE TOURO CRUZOU 365 VEZES NO ANO PASSADO"

Minha mulher estava tão excitada que seu cotovelo quase quebrou minhas costelas:
"Isto é uma vez por dia. Voce REALMENTE poderia aprender alguma coisa com esse aí".
Eu olhei para ela e disse:
"Vá até ali e pergunte se foi com a mesma e velha vaca".

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Filosofia barata



Nunca desista de um SONHO, se não encontrar numa pastelaria, procure na próxima.

Qualquer idiota é capaz de pintar um quadro, mas somente um génio é capaz de o vender.

O mais nobre dos cahorros é o cachorro-quente: alimenta a mão que que o morde.

Roubar ideias de uma pessoa é plágio. Roubar de várias é pesquisa, ou monografias.

No mundo tudo é relativo: um fio de cabelo na cabeça é pouco, na sopa, é muito.

À beira de um precipípio só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.

Diz-me com quem andas, que eu te direi se vou contigo…

Friday, 29 May 2009

Amanhã em Maputo

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA RENAMO

por Maria Moreno



Exmo. Senhor Presidente do Partido RENAMO Maputo.
Excelência.
Escrevo-lhe, Senhor Presidente, porque não é bom que eu me afaste sem uma palavra, uma explicação – depois de tantos anos de convívio, em que o senhor representou uma boa parte da nossa Esperança colectiva, depois de tantos anos juntos “na trincheira” pela liberdade, pela Democracia.
Os moçambicanos sonharam com a Independência, nutriram esse sonho, essa Esperança e alcançaram-na. Nós estávamos lá. Depois veio a guerra, por causa da Esperança (sempre por causa dela), essa Esperança que se recusa a morrer – dizia eu, veio a guerra. A guerra ainda tão recente, mas também e, felizmente, atirada para a história, para o passado, para uma gaveta que nunca mais quereremos reabrir – é bom que não queiramos reabrir.
Senhor Presidente, depois veio a guerra, qual filme de Akiro Kurosava, o Senhor Presidente era o senhor da guerra – majestoso, imparável. Dos relatos, contos e ditos, o senhor era o grande comandante.
Senhor Presidente, depois veio a PAZ – o abraço em Roma, depois de tantos avanços e recuos (espero que alguém um dia escreva a saga da assinatura do Acordo Geral de Paz – AGP – uma pequena sigla, não é?). Depois, Senhor Presidente, veio o AGP. Aí sim, o AGP foi para todos os moçambicanos e amigos de Moçambique um alívio, um renascer da Esperança (outra vez a Esperança!) Mas que Povo é este que precisa de esperança como de “pão para a boca”, como de ar para respirar? É o Povo Moçambicano do Rovuma ao Maputo que sabe que tem um enorme potencial, que sabe que este País é viável e que a sua fé e esperança não são vãs.
Depois veio, Senhor Presidente, a implementação do AGP – o tal da pequena sigla, mas de grandes repercussões em nossas vidas -, com pleitos eleitorais perdidos de forma difícil de entender, prisões e mortes. E fomos ficando parados no tempo, estáticos, ultrapassados.
Escrevo-lhe, Senhor Presidente, para lhe dizer que não conte mais comigo nas fileiras da RENAMO, me desligo do Partido. Por causa da Esperança que nunca perco, me desligo do Partido.
Agradeço-lhe o ter-me confiado a direcção da Bancada Parlamentar da RENAMO-União Eleitoral, onde dei o melhor de mim para que todos se sentissem com direito à visibilidade que é a arena dos politicos e para que o nome da RENAMO soasse alto.
Talvez o Senhor não saiba, mas contraí uma dívida na BRUE – trinta mil meticais - para preparar a campanha eleitoral das Autárquicas de Novembro de 2008, para acrescentar aos outros trinta mil que Vossa Excelência me enviou e a mais duas centenas de milhar de Metical que pude investir naquele esforço. Não gostaria de manter-me endividada por muito tempo, por isso, honrarei meu compromisso de devolver a quantia solicitada à Bancada.
Escrevo-lhe esta carta em memória da minha mãe que sempre me incentivou para a luta, em honra de meu pai que não desistiu de lutar e por respeito a tantos compatriotas que não perderam a Esperança.
Termino, desejando muita saúde para si e Familia.
Maputo, aos 28 de Maio de 2009

(Maria José Moreno)

Canal de Moçambique, 29/05/09

Thoughts in the wake of Africa Day

Monday was Africa Day. It’s a bit like Mother’s Day — once a year we remember somebody or something that is always part of our life, but far too often neglected.
Kaya FM played more African music than usual (apart from what Nicky Blumenfeld plays over the weekend) and a number of newspapers ran leaders on the subject.
One of the most interesting Africa stories I noticed was on the front cover of the weekend Financial Times — Zambian economist Dambisa Moyo is getting a lot of flack for her book Dead Aid. The executive summary of the book is this: development assistance is killing Africa; aid is stifling economic growth and making the corrupt even more so.
I read Dead Aid and found it inspirational, sort of in the way reading Denis Beckett’s latest book Magenta convinced me that the form of democracy we have in South Africa, as in many other parts of the world, can be improved dramatically.
Both authors are being called crazy and simple-minded by their opponents, who find their ideas too far away from mainstream thinking. I’ll stick with Moyo for the time being. American academic and avid supporter of international aid, Jeffrey Sachs calls her ideas “absolutely pernicious, and [which] could lead to the deaths of millions of people”. Bob Geldof’s followers have even organised an e-mail campaign urging African NGOs to stand up to her arguments. According to the FT, the campaign has backfired. I for one am pleased it has.
I’ve come across too many organisations, too many governments and too many heads of state who owe their existence to aid money. I’m not trying to say that all aid is bad, and neither is Moyo. There is a strong case for helping out during times of natural disasters, armed conflict or the rampant spread of disease.
But there is also the head of state that has been in power longer than free and fair elections would normally permit, who doesn’t worry about collecting taxes, because the money he needs to hold on to power and maintain an opulent lifestyle comes from elsewhere. As I write this Thought Leader, Omar Bongo of Gabon (in office since 1972), Denis Sassou-Nguesso of Congo-Brazzaville and Teodoro Obiang Nguema of Equatorial Guinea are all under investigation for embezzlement. These three and others have not had to concern themselves with building infrastructure for the people they are supposed to represent, simply because they don’t need them — development aid and a hefty windfall from oil production helps this particular trio.
The more battered the economy, the more the money rolls in from the usual suspects — the World Bank, IMF, EU, US, UK and a fairly long list of others. One trillion US dollars in development assistance has been sent to Africa over the last several decades. Moyo argues that not only has it not improved the lives of Africans, but that in many instances the standard of living has actually dropped — except for those few people who get hold of the money that is.
Anybody arguing that the economies of most African countries offer the opportunity for a better life for all thanks to development aid probably hasn’t spent much time exploring the continent. There are success stories, but, not surprising to me in any case, success is not determined by how much money is pledged at donor conferences. Rather, it is investment in the economy and infrastructure by the home government that usually makes the difference.
Moyo goes into great detail about how Botswana has generally managed to get things right. She also commends the Chinese for contributing to infrastructure development rather than sending the cash straight to the presidential palace. South Africa aside, China is probably responsible for more railway and road construction in Africa this decade than any other government.
There are so many directions in which I could take this blog, but I fear that both I and anybody kind enough to read this will get lost in the details. There is a big picture: put in place an economic plan and wean yourself off aid. Moyo challenges the donor community to gradually reduce the amount of aid given to governments over a five-year period, after which the recipients become responsible for running their own affairs at their own cost. I believe this will help persuade government to consider the hopes, needs and aspirations of the electorate which, once it realises accountability is taking over from chaos, will be motivated to invest in its future and its own communities. Once infrastructure is built subsistence farmers can become commercial farmers, small-scale manufacturers can become exporters and foreign currency earners and so on. Moyo frequently uses the example of a local manufacturer of mosquito nets who goes out of business when a foreign donor floods the market with products manufactured elsewhere. The intentions may have been noble, but the approach yielded yet another setback for business in Africa. Had the money for the donated nets been used to strengthen the existing local business, all concerned would have been winners, including the new people hired to handle the increased production.
This blog is simply an attempt to get people thinking about ways forward — ways of getting out of the swamp that has swallowed up so much of our potential. Moyo outlines the way forward far more eloquently than I have, and I strongly recommend reading her book. I don’t agree with everything she says, but I certainly agree when she says that the path to prosperity is already here; unfortunately it occasionally gets blocked by a layer of cash covering the presidential palace.

Ismael Mussa e Maria Moreno abandonam Renamo

Os deputados Maria Moreno e Ismael Mussa já não são membros da Renamo. A carta do seu afastamento foi endereçada hoje ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, esta manhã. Maria Moreno diz que está desiludida com Afonso Dhalakama e com o rumo que o partido está a tomar. Istada se iria se filiar a um novo partido Moreno disse que no momento esñcontra-se livre de se juntar ou não a um outro partido. Já Mussa diz que não esconde a sua simpatia pelo MDM (Movimento democrático de Moçambique) mas de momento vai manter-se na Assembleia da República como deputado independente.


( O País)

Thursday, 28 May 2009