Tuesday, 12 May 2009

A culpa é dos estrangeiros!



O movimento de libertação de Marcelino, Samora e Mondlane, também de Gwambe, Magaia e Simango, fez da solidariedade uma das suas bandeiras. São dos livros, as conferências e encontros do Dr. Mondlane nas universidades americanas e na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. É da história a passagem de Gwambe pela Accra de Nkrumah. São notáveis as referências a Marcelino dos areópagos europeus, em Casablanca e no Cairo.

Pelos cv de muitos militantes da causa que entraram no aparelho de Estado no pós-independência, muitos países do Leste europeu, de Cuba e da China Popular ofereceram bolsas de estudos para que moçambicanos tivessem acesso ao ensino que lhes era negado na sua própria terra.

São paradigmáticos os apoios proporcionados a partir das regiões comunistas italianas à causa da libertação em Moçambique, para não falar do tradicional apoio dos países nórdicos, que depois se estendeu às causas da Namíbia, Zimbabwe e África do Sul.

Durante muitos anos mantiveram-se vivos comités de apoio em países ocidentais como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, o Canadá e a Holanda.

Samora Machel, indiscutivelmente o arquitecto da independência, falava de internacionalismo, uma palavra agora em desuso e certamente proscrita entre a nomkenklatura amnésica que tomou de assalto o poder nas duas últimas décadas.

Na marcha do Rovuma ao Maputo, Samora, em termos pedagógicos simples, esforçou-se por desmontar muitos dos fantasmas do passado, como o racismo e a inferioridade racial.

Em nenhum momento, a necessidade de enfatizar a auto-estima foi confundida com o estigma racial, a necessária promoção de um sector a expensas de outro.

Dezenas de nacionalidades chegaram a Moçambique no pós-independência atraídos pelo sonho de construír um país novo e diferente. Milhares de exilados politicos da América Latina nos países nóridocos vieram viver para Moçambique. Havia técnicos de El Salvador, de Guatemala, do Chile, do Uruguai, do Brasil e da Argentina. Eram brancos, mestiços. Pretos poucos.

Havia inimigos – internos e externos – mas não estavam abrigados pelo rótulo global de estrangeiros.

A morte de Samora e a economia de mercado fizeram desparecer o internacionalismo. A solidariedade passou a palavra mitigada no discurso official. E mesmo assim, o país passou a viver de enormes remessas de ajuda alimentar vinda do exterior distribuida internamente por um grande exército de organizações, tambem elas vindas do exterior.

A guerra acabou em Moçambique, mas não acabou em África. Nem tão pouco a miséria. Milhares de burundeses, somalis, etíopes, congoleses e nigerianos escreveram Moçambique nas suas rotas de desespero. Como os moçambicanos demandaram a Zâmbia, a Tanzania, o Zimbabwe e a África do Sul quando a desgraça apertava em casa.

Porém, o discurso de pobreza, da pobreza mental dos media, passou a atribuir aos estrangeiros a desgraça da sua terra. Das lojas e das barracas que os moçambicanos não têm porque exactamente as venderam a malianos, guineenses e nigerianos. Do garimpo que não fazem, mas que é feito por tanzanianos, zimbabweanos e congoleses.

Os oficiais do governo não participam da chacina verbal, mas são cúmplices pelo silêncio e pela omissão. O sentimento xenófobo e o racismo subadjacente beneficia a elite de que fazem parte. Na pressão do emprego na organização não governamental para os seus familiars, nas agencias das Nações Unidas, nos conselhos de administração dos bancos quando perdem os empregos e as mordomias no governo.

E acabamos assim por viver num sistema esquizofrénico em que os estrangeiros são habitualmente os maus da história, mesmo que metade do Orçamento de Estado que paga ministros e subalternos, seja suportado a partir do exterior.

Vivemos num sistema esquizofrénico em que o que corre mal nos programas de desenvolvimento, o crime, o desemprego, a alta do custo de vida e até as doenças é invariavelmente imputada a mãos externas, à cínica agenda dos doadores, ao estrangeiro.

Nem a morte horrenda de algumas dezenas de compatriotas em ataques xenófobos tocou a rebate nas consciências.

Independentemente da cínica agenda dos governantes que já se esqueceram de onde vieram, os moçambicanos devem encontrar em si próprios as respostas para os seus próprios desafios. Sem complexos, sem oportunismo e sem convenientes bodes expiatórios. A escravatura e o colonialismo são referências incontornáveis na história sofrida do continente. Mas não podem igualmente ser arma de arremesso onde se escondem politicos sem escrúpulos e incapazes de desenvolver programas que tragam benefícios aos sectores de baixa renda que são desgraçadamente a maioria da população.

Mais do que armas de arremesso, há estigmas que funcionam como perigosos vírus. E, por experiência própria, quando estes não são combatidos de forma apropriada, desenvolvem pandemias.

Como todos sabemos.

SAVANA, 08/05/09


NOTA:
Muitos moçambicanos estão sempre dispostos a receber dinheiro dos estrangeiros através da ajuda e da venda do País a retalho (estancias, madeira, barracas, negocios, garimpo, etc. ) mas depois teem os descaramento de serem xenófobos.
Os moçambicanos por vezes queixam-se de descriminação no estramgeiro, como podemos reclamar se também temos problemas em nossa casa?
A xenofobia tem de ser denunciada e vigorosamente combatida!

Governantes “comem” com doadores internacionais

MAPUTO – O pesquisador da Universidade Eduardo Mondlane, Orlando Nipassa, considera que os governantes moçambicanos têm um acordo implícito, com os doadores, e fazem tudo o que eles querem, para se beneficiarem do aumento da ajuda externa, que lhes permita gozar de vida luxuosa, em nome da promoção do desenvolvimento do País.

Paradoxalmente, na visão de Niapassa, a ajuda externa, em Moçambique, não tem assegurado o alcance do nível de desenvolvimento que se diz pretender atingir, devido ao facto de as prioridades serem estabelecidas, em Washington e nas capitais europeias, por pessoas que nunca estiveram, no País, que estão mais preocupadas com o que parece bem, aos seus parlamentos e financiadores, em detrimento das reais necessidades das populações moçambicanas beneficiárias do tal apoio.

De acordo com Nipassa que é, igualmente, professor assistente, na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, o desenvolvimento de Moçambique, na base da ajuda externa, envolvendo recursos financeiros, materiais e humanos, é pensado dentro da perspectiva hegemónica Ocidental, segundo a qual os países pobres precisam de ser desenvolvidos, ao seu estilo e, por isso, justifica-se a doação de recursos, para o efeito. Entretanto, “há mais de 20 anos que Moçambique tem sido alvo da ajuda externa, mas as estatísticas e estudos, nacionais e internacionais têm revelado que o País não está a registar o desenvolvimento que se esperava, com a ajuda”.

Ademais, o pesquisador refere que o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, sobre o Desenvolvimento Humano 2007/2008 posiciona Moçambique no fundo do grupo dos países com desenvolvimento humano baixo, na triste posição 172ª, no universo de 177 países classificados, o que corresponde a uma queda de quatro pontos, em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano de 2006, onde figurava, em 168º lugar.

Niapassa disse, citando Hanlon e Smart (2008), que as escolhas e orientações dos doadores têm sido claras e o Governo não tem tido possibilidade de recusar. “Sem falar das exigências como liberalização do mercado, limite na dimensão do aparelho do Estado, privatização dos bancos, introdução do imposto sobre valor acrescentado, introdução de pagamentos de serviços pelo utilizador, num ano, o enfoque pode ser para o Género, no ano seguinte Democracia e depois o HIV/SIDA e no outro o Ambiente!”, disse.

Explicou que, por exemplo, em Nampula, estas escolhas e linhas de orientação fazem com que os doadores e a sua contraparte governamental ofereçam não aquilo que as pessoas dizem precisar, mas aquilo que está, no programa daquele ano. “Deste modo, as pessoas tornam-se, permanentemente, dependentes da ajuda externa, dado que não conseguem o apoio que as tornaria independentes”, alerta o académico.

Aliás, a fonte frisa que Moçambique vive uma situação alarmante de dependência da ajuda externa. “Há mais de 25 anos que mais de 50 porcento do Orçamento de Estado tem sido financiado pela ajuda externa. Mais do que isso, tem-se constatado que esta dependência se avoluma, cada vez mais, de tal forma que já penetrou em todos os poros da esfera social, económica e política”, afirma, reiterando que o Governo se tem acomodado com esta situação e parece que a manutenção de altos níveis de dependência passou a constituir sua estratégia de sobrevivência.

“A qualidade da ajuda tende a ser relegada para um plano secundário, neste ambiente, em que a lógica é a luta pela sua maximização. Nesta linha, a dependência ao exterior tornase funcional à manutenção do poder. Os governantes precisam dos recursos externos para poderem cimentar o seu poder interno. Eles legitimamse, na base da sua capacidade, de atrair esses recursos para posterior distribuição interna”, disse a fonte, para, de seguida, afirmar que “é, assim, que a estratégia básica do Governo parece ser a de sobrevivência política, através de oferta de services sociais, com pouca orientação para as análises sobre os modelos de acumulação económica e social, crescimento, desenvolvimento e dependência do País”.

Na opinião de Nipassa, deste quadro, os doadores conseguiram criar uma elite subserviente que, em primeiro lugar, responde aos interesses estrangeiros e cujo estatuto – como ministro, funcionário sénior, chefe da ONG local ou dirigente de companhia – está dependente do patrocínio de agências estrangeiras. Tem se tratado de uma espécie de acordo implícito, onde a elite subserviente faz tudo o que os doadores e os grandes investidores querem e vão se beneficiando do aumento da ajuda externa que lhes permite gozar de uma vida luxuosa.

“A propósito deste ambiente de subserviência e correspondência de expectativas” – afirma o pesquisador e avança – “Castel-Branco conta que, em 1998, o Gabinete de Estudos do Ministério do Plano e Finanças produziu um programa social e económico bienal, pela primeira vez, em 11 anos, sem o envolvimento directo do pessoal do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. O Banco e as Nações Unidas elogiaram as capacidades técnicas atingidas, pelo pessoal moçambicano e o governo proclamou que esse era um programa, integralmente, ajustado à realidade moçambicana. Todavia, Segundo o autor, mesmo uma averiguação superficial poderia, facilmente, mostrar que a única diferença significativa entre o programa do ano de 1998 e os antecessores, que tinham sido formulados, em Washington, era que, desta
vez, este tinha sido escrito, originariamente, em português”.

A combate à pobreza e promoção do desenvolvimento figura no topo da agenda do Governo.

( A Tribuna Fax, 05/05/09 )


NOTA:
A ajuda externa tem de ser repensada urgentemente.

Monday, 11 May 2009

“Abdiquemos da preguiça para afastarmos o fantasma da fraude”



- presidente do MDM, Daviz Simango, no empossamento do Gabinete eleitoral do “cocorico”

Beira (Canal de Moçambique) - O presidente do MDM, Daviz Mbepo Simango, reafirmou, na Beira, que o objectivo do partido que representa é ir às Eleições Gerais e provinciais de 28 de Outubro próximo, pelo que defendeu que os quadros daquela formação “deverão ser competentes e profissionais, abdicando da preguiça”.

Simango, que falava no acto em deu posse a Sande Castigo Carmona (coordenador da Liga Nacional da Juventude do MDM), António Timóteo Tiny (Director do Gabinete Eleitoral), Gerre Zebedias Sitole (Director-Adjunto do Gabinete Eleitoral), José Manuel de Sousa (mandatário eleitoral para apresentação das candidaturas do MDM), disse que um dos objectivos prementes por que se devem orientar os quadros do movimento é o trabalho. “Só assim se pode afastar o fantasma de fraude”, disse Daviz Simago.

“Não vamos passar a vida na esteira, a dormir, à espera que alguém faça algo por nós. Somos todos responsáveis pelas acções que iremos desenvolver”, sustentou. Depois acrescentou que o empossamento daqueles elementos visa a participação do MDM nos escrutínios de Outubro, “com qualidade”.

Para Simango, “a qualidade significa que o MDM não se deve desculpar por incompetência ou negligência dos seus dirigentes”.

Na mesma circunstância o presidente do MDM defendeu que a criação da Liga da Juventude do MDM tem em vista alcançar o objectivo fundamental, que é tornar “Moçambique para Todos”, através da mobilização de jovens por quem assume responsabilidades neste processo. Daviz Simango fez um aviso à navegação. Salientou que os dirigentes empossados, devem deitar terra abaixo as alegações de fraude. Tal argumento tem sido recorrente na oposição moçambicana, particularmente a Renamo e o presidente do MDM sem falar de partidos defendeu o trabalho árduo como forma de defender o voto contra a fraude.

(Adelino Timóteo, Canal de Moçambique, 11/05/09 )

Rádio Moçambique é partidária!


No dia 23 de Abril de 2009, a Rádio Moçambique, RM, interrompeu a transmissão da sessão da Assembleia da República, AR, virando as suas antennas para a reunião dos Antigos Combatentes, que decorria, na Escola Central da Frelimo, na Matola, onde o presidente da Frelimo, Armando Guebuza, exortava os seus associados para garantirem a vitória da Frelimo, nas próximas eleições – presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais - de 28 de Outubro do ano em curso.

O som, apenas, foi devolvido à AR depois da intervenção de Guebuza. Na AR decorriam os trabalhos de um órgão de soberania e na Matola, era, só e somente só, uma associação partidária que desenhava estratégias de como pensa ganhar as eleições. Para os cidadãos, o que é mais importante, afinal, ouvir: a discussão do interesse público ou discursos de seminários de capacitação e workshops
do partido no poder?

Querendo, a Frelimo pode ter sua radiotelevisão. Os gastos astronómicos que faz nas suas sessões, como foi a recente VII Conferência de Quadros, calculados, por baixo, em mais 17 milhões de meticais, facultam-lhe uma estação radiotelevisiva só para si. Assim, deixaria de impedir o público de acompanhar os debates da AR. Tem magnatas que compram cachimbos por um milhão de meticais, depois, os devolve ao vendedor. Tem garotos parladores que se destacam por proferir impropérios na AR.

Os centros decisores dos órgãos públicos de informação, ainda, padecem do monopartidarismo exacerbado, engraxando o poder, na expectative de obter ganhos materiais imediatos. A maturidade política, aparentemente, atingida pela Frelimo, tornase difícil entender que continue a interferir nas políticas editoriais dos media públicos. Alguns davam o benefício da dúvida à Frelimo de que já não se mete em redacções para ditar ou indicar prioridades.

Os órgãos públicos de informação são pertenças do Estado. A RM e a TVM vivem dos impostos dos cidadãos e não das quotizações do partido governamental. A RM e a TVM não têm, por nada, que virar departamentos de propaganda do partido no governo. A RM já havia ultrapassada tal prática, ainda, no tempo da administração de Manuel Veterano. Agora, parece que tudo voltou à estaca zero, o que é bastante lamentável.

Há informações segundo as quais, repórteres e locutores da RM tinham sido proibidos pela direcção editorial, de proferir a palavra “Renamo”, a 04 de Outubro de 2008, nas transmissões das celebrações do Dia da Paz, em alusão ao Acordo Geral da Paz, que pôs fim a guerra que opunha as forças governamentais às da guerrilha da Renamo. Este é um erro grave.

É contra a corrente da História tentar excluir a Renamo. É contra a lógica natural dos acontecimentos. A Renamo foi uma das signatárias dos acordos de paz. Goste-se ou não, ela participou da pacificação e democratização do País. Esta é a nossa História.

Por: Edwin Hounnou , em A Tribuna Fax de 05/05/09

Bens do Estado ao serviço da agenda partidária

MAPUTO – Alguns membros da Frelimo e Renamo, em Gorongosa, na província central de Sofala, dão conta do uso indevido, por parte do partido no poder, dos recursos do Estado, como dinheiro e viaturas, para aliciar membros da “Perdiz” a filiarem-se à Frelimo, nas zonas, outrora, baluartes do partido de Afonso Dhlakama.

João Fundisse, membro da Frelimo, da Organização da Juventude Moçambicana, OJM, e beneficiário do Orçamento de Investimento de Iniciativas Locais, OIIL, em Vanduzi, Sofala, conta que “normalmente, para fazermos o nosso trabalho de mobilização política, em zonas distantes da sede do posto administrativo, vamos com os funcionários dos serviços da Agricultura. O posto administrativo organiza mantimentos para levarmos, em geral, um saco de arroz, para os dias que vamos passar a fazer o trabalho do partido”.

“Os funcionários da Agricultura levam-nos de carro e deixam-nos, nas localidades, onde ficamos a fazer o nosso trabalho partidário, enquanto eles fazem o trabalho deles”, conta a fonte, acrescentando que “ficamos dois, três, quatro dias, uma semana, e, depois, os mesmos funcionários da Agricultura
passam a recolher-nos. É assim que conseguimos atingir as localidades longínquas, implantamos a OJM e angariamos mais membros para o partido Frelimo, nas zonas, antigamente, sob maior influência da Renamo”.

Um antigo combatente e membro da Frelimo, residente, no posto administrativo de Vunduzi e mutuário
do OIIL, Moisés Massua, conta que “toda a gente, aqui, pertencia à Renamo. Quando acabou a guerra,
eu e a minha família viemos ficar aqui (vindo de Gorongosa). Construímos casa, mas, eu, como membro da Frelimo, era muito difícil fazer trabalho político. Nas eleições de 1994, não conseguimos fazer nada, mas, depois, as coisas começaram a mudar e, hoje, posso dizer queconseguimos libertar esta zona”.
Aliás, para as libertar, Frelimo utiliza os recursos do Estado, através da construção de alianças locais, numa
lógica de clientelismo, tal como mostra o caso de um antigo delegado da Renamo, que se converteu em secretário da célula do partido Frelimo, Marichera Gemusse.
“Nasci na localidade da Casa Banana. Tenho 50 anos e sempre vivi, aqui. Durante a guerra civil, fui uma pessoa importante para a Renamo. Eu mobilizava a população para apoiar os soldados da Renamo. Nunca fui soldado, mas a Renamo me respeitava muito. Quando a guerra terminou, em 1992, a Renamo disse para eu ser o delegado do partido, ao nível de todo o posto administrativo de Vunduzi”, conta Gemusse, acrescentando que “fiz muito trabalho, para a Renamo, em todas as campanhas eleitorais, desde 1994 até 2004. A Renamo, sempre, ganhou, aqui em Vunduzi, mas, todo esse trabalho que fiz não foi reconhecido, pela Renamo”.

Gemusse acrescenta que “a Renamo não me deu nada, nem sequer uma lapiseira, nem subsídio. Uma vez, quando fui pedir subsídio, para alimentar as minhas crianças, a Renamo disse-me que nada tinha. Como eu via que não ganhava nada, decidi sair da Renamo, em 2005. Fiquei um ano, sem fazer política. Em 2007, apresentei-me, à Frelimo. Quando veio a ministra, em 2007, aqui na Casa Banana, eu contei toda a minha história aos jornalistas e toda a gente aplaudiu. O administrador trouxe cinco litros de óleo, dois sacos de arroz para a minha família. Eu vi a diferença com a Renamo, daí, comecei a trabalhar para a Frelimo, a mobilizar as pessoas para se juntarem à Frelimo”.

“No ano passado, o próprio administrador convidou-me para ir fazer a campanha eleitoral, na vila de Gorongosa, em favor da Frelimo e seu candidato para as eleições, no município de Gorongosa. Eu fui e muita gente que me conheceu como delegado da Renamo, antigamente, ao verme a fazer campanha para a Frelimo, também, abandonou a Renamo e começou a fazer campanha para a Frelimo”, disse Gemusse.

De acordo com dados em poder do A TribunaFax, a fraca distinção entre as esferas estatal e partidária está, cada vez mais, na origem da maior penetração do partido no poder, Frelimo, em zonas, outrora, sob influência do partido Renamo, facto acompanhado pela implantação da burocracia administrativa, escolas, postos de saúde, entre outros serviços, em zonas onde o Estado esteve ausente, durante a guerra civil.

Ademais, estas revelações vêm juntar-se às constatações de Hanlon e Smart, na sua obra publicada, ano
passado, intitulada Há Mais Bicicletas. Mas há Desenvolvimento?, que dá conta que “a seguir às eleições de 2004, a Frelimo tratou de consolidar o seu poder e posição e a reduzir o espaço disponível, para a oposição. Há, agora, uma identificação mais próxima entre o aparelho de Estado e o partido predominante. Funcionários públicos e figuras da sociedade civil estão, agora, debaixo de pressão, para
se juntarem ao partido. (…) existem, cada vez mais, alegações de que é mais fácil obter licenças e empréstimos ou donativos do governo, sendo membro do partido”.

A progressão da Frelimo, nas zonas sob influência da Renamo, através do processo de implantação do Estado, é visível, a partir da evolução do voto no distrito de Gorongosa, por exemplo, particularmente, em Vunduzi, onde, nas eleições gerais, a Frelimo teve 18, 23 e 32 porcento, em 1994, 1999 e 2004, enquanto a Renamo arrecadou 63, 64, 54 porcento, o que mostra, portanto, a tendência de a Renamo perder membros,a favor da Frelimo, nas zonas, anteriormente, consideradas trincheiras da “Perdiz”.


( ATribunaFax , 05/05/09 )

Sunday, 10 May 2009

Uma mensagem muito especial, uma musica maravilhosa

Para a Glória,

FELIZ ANIVERSÁRIO!

FELIZ DIA DA MÃE!




NOTA: Desligue/pause a musica de fundo deste blog no playlist inserido no fim desta pagina para que não haja interferência.

( "Always on my mind", de Elvis Presley, video "roubado" de http://vazoliveira1.multiply.com )

Saturday, 9 May 2009

Dicas bem humoradas de auto-ajuda

1 – Você não é completamente inútil… ao menos serve de mau exemplo.

2 – Se você não é parte da solução é parte do problema.

3 – Errar é humano, mas achar em quem colocar a culpa é mais Humano ainda.

4 – O importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe.

5 – Quem sabe, sabe! Quem não sabe é chefe.

6 – É bom deixar a bebida. Só tente se lembrar onde.

7 – Existe um mundo melhor, mas é caríssimo.

8 - Trabalhar nunca matou ninguém, … mas para que se arriscar?

9 – Há duas palavras que abrem muitas portas: PUXE e EMPURRE.

10 – Não leve a vida tão a sério, afinal você não sairá vivo dela.

Humor para o fim-de-semana


Existe sempre um ponto de vista diferente!

Uma prostituta para um policia, ao ser levada para a esquadra:
- Sabe, senhor guarda, eu não vendo sexo...
- Ah, não? - replica o guarda, com um sorriso sarcástico.
- E o que é que você vende, então?
- Eu vendo preservativos e ofereço demonstrações gratuitas!!!
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O marido e a mulher não se falavam há uns 3 dias. Entretanto, o homem lembrou-se que no dia seguinte teria 1 reunião muito cedo no escritório.Como precisava levantar cedo, resolveu pedir à mulher para acordá-lo. Mas para não dar o braço a torcer, escreveu num papel: 'Acorda-me às 6 horas da manhã'.
No outro dia, ele levantou e quando olhou no relógio eram 9h30. O homem teve um ataque e pensou:
- Que meeeerdaaa! Mas que absurdo! Que falta de consideração, ela não me acordou...
Nisto, olhou para a mesa de cabeceira e reparou num papel no qual estava escrito:
- ...São 6 horas, levanta!!!

Moral da História:
Não fique sem conversar com as mulheres, elas ganham sempre, estão certas sempre e são simplesmente geniais na vingança!!!!!!
O casamento é a relação entre 2 pessoas, onde uma pessoa está sempre certa e a outra, é o marido!

Friday, 8 May 2009

PRM: qual o significado?


Polícia da República de Moçambique ou Polícia de Repressão de Moçambique?



Thursday, 7 May 2009

O regime de Machel era stalinista? - (3ª e última parte)



Pretoria (Canal de Moçambique) - A crítica do primeiro embaixador soviético à forma como o regime de Samora Machel, no âmbito da sua política económica, se relacionou com as minorias étnicas do país, mormente a portuguesa, e, por inerência os moçambicanos de origem portuguesa, asiática e de outras nacionalidades, mereceu a resposta de José Luís Cabaço atrás citada. Tendo o entrevistador do jornal O Pais feito recordar a história, a qual “reza que a Fre¬limo tratou muito mal os bran¬cos que estavam em Moçambi¬que nos primeiros anos após a independência”, Cabaço considerou que tal “não era verdade” e que “os portugueses abandonaram o país porque não aguentaram com a nova realidade”.

A “nova realidade”, que o diplomata soviético equacionou como reflexo do comportamento stalinista de Samora Machel, tem necessariamente de ser vista no contexto da política enunciada pelo regime no momento em que o país ascendeu à independência. Como ministro dos transportes e comunicações, José Luís Cabaço certamente se recordará da primeira sessão do Conselho de Ministros realizada em Julho de 1975 e que entre outras coisas anunciava que o novo regime se propunha “destruir todos os vestígios do colonialismo com o propósito de se eliminar o sistema de exploração do homem pelo homem e de se edificar as bases políticas, materiais, ideológicas, culturais e sociais da nova sociedade”. (11) Esta política viria a ser definida em termos mais claros por ocasião do 3° Congresso do partido dirigente, em que se anunciava “o histórico período em que o processo de destruição de todas as formas de dominação estrangeira da nossa Pátria, especialmente a dominação económica, e o processo de eliminação de todas as sequelas das sociedade tradicional-feudal e colonial-capitalista seria aprofundado”. (12)

A “destruição das sequelas da sociedade colonial-capitalista” teve como ponto de partida o banimento do exercício de profissões liberais nos sectores da educação, saúde e advocacia, seguido do confisco de casas de arrendamento na posse de privados. Em consonância com a “destruição da dominação económica estrangeira”, o regime centrou a sua acção no desmantelamento das propriedades agrícolas privadas, sendo de destacar o sucedido ao longo do chamado corredor da Beira, no vale do Limpopo e na região da Angónia. Não foi por acaso, que o Inspector Comé da nova polícia foi destacado para a cidade de Chimoio a seguir à proclamação da independência com a missão de coordenar toda a campanha de intimidação, prisões arbitrárias, violações de domicílio e espoliação de bens com o propósito de se afastarem fazendeiros privados, em particular da zona de planalto de Manica, que para além da minoria étnica portuguesa incluíam cidadãos de origem alemã, grega e inglesa. O objectivo era a transformação dessas fazendas em machambas colectivas, aplicando-se o mesmo princípio na zona do regadio do Baixo Limpopo, que viria a ser transformado em Complexo Agro-Industrial do Limpopo (CAIL), e na zona da Angónia cujas propriedades foram integradas num outro complexo estatal.

De referir que o ex-embaixador soviético em Maputo não foi o primeiro a condenar o tratamento dado pelo regime de Samora Machel às minorias étnicas do país, e cujas consequências para a economia nacional se traduziram na falta de quadros para o sector de serviços, quebra da produção agrícola e na transformação de Moçambique em país cronicamente dependente de donativos alimentares, quando antes produzia o suficiente para se abastecer e exportar os excedentes. Outras vozes houve, ainda mais próximas do regime, que alertaram o governo de Samora Machel para as consequências nefastas de se erradicar do tecido social moçambicano aquilo que na propaganda oficial se designava de forma pejorativa de “burguesia”. Adrião Rodrigues, antigo vice-governador do Banco de Moçambique, na carta de demissão endereçada a Samora Machel em 1977, apontava uma das razões que o haviam levado a tomar a decisão de deixar o país:

1. A política de afastamento das minorias étnicas residentes em Moçambique.

Esta política - cuja determinação voluntária por parte do governo não me oferece dúvidas e é facilmente demonstrável - além de pôr em causa a existência de uma sociedade pluriracial em Moçambique, em que eu pessoalmente apostara, empurrou o país para o caos económico e social. Por virtude de uma injustiça decorrente da situação colonial, mas que ao governo revolucionário seria fácil corrigir, parte importante dos conhecimentos necessários ao país estavam concentrados nessa gama populacional (brancos, indianos, chineses e mulatos).

Ora, grande parte dessas minorias étnicas ficaria no país, caso lhes fossem dadas determinadas garantias básicas (direito a não ser preso excepto nos casos permitidos por lei, respeito pela sua propriedade pessoal, garantias de julgamento rápido e de defesa em caso de prisão legal, respeito da sua identidade cultural própria.

Em troca destas garantias fundamentais (que não seriam uma excepção porque se deveriam aplicar a toda a população) elas dariam ao país o seu trabalho, que enquadrado numa economia socialista, era essencial para o arranque económico.

Em vez de se aproveitar essa parte da população, preferiu-se acossá-la. Multiplicaram-se as prisões arbitrárias, as violências verbais, o desrespeito pelos bens pessoais. Procurou-se substituir essa população pelos cooperantes e por uma apressada formação de quadros, mais apregoada que executada.

Escorraçou-se do país para fora homens que eram absolutamente insubstituíveis, para já, e que num outro contexto teriam ficado. Lembro só para exemplo os quadros agrícolas e veterinários escassos mas extremamente importantes, apostados em ficar mas que um a um se foram embora, bem contra vontade; os quadros de geologia e minas, falsamente acusados de desvio de ouro, nas primeiras páginas dos jornais locais, e que depois de se ter constatado a sua inocência jamais mereceram uma reparação. [...]

E, neste caminho, acabou-se na pequena truculência anti-branco ou anti-mulato, como foram os casos da expulsão dos agricultores brancos do Vale do Limpopo - gente pobre que trabalhava a terra - e a expulsão dos chamados “comerciantes de nacionalidade” isto é, de pessoas que ao abrigo de uma lei ridícula e que devia ser revogada, mas que existia e tinha sido publicada pelo governo da República Popular de Moçambique, tinham mudado de nacionalidade, para se garantirem um pouco mais contra as arbitrariedades que apontei. Ora, esta expulsão veio afectar a economia do país, na medida em que afastou os últimos operários com alguma especialização e de capacidade de direcção que não fossem negros. E quanto a estes últimos ainda está por fazer o balanço dos que fugiram. Mas segundo me consta, a zona do Rand, na África do Sul, está cheia de carpinteiros, mecânicos, electricistas, operários da construção civil, fugidos de Moçambique.

Durante muito tempo convenci-me que esta política era, não uma política mas sim erros, próprios do processo. Ou tentei convencer-me. Mas a constância dos erros e sobretudo o reforço da posição das pessoas que eram o esteio desta política, surgido do 3° Congresso, convenceu-me que se tratava de uma política sistematicamente prosseguida.” (13)

Notas
8. Boletim da República, 29 de Julho de 1975 9. Documentos do 3° Congresso do Partido Frelimo, 1977 Dr. Adrião Rodrigues, carta de demissão endereçada a Samora Machel, 1977.

(Redacção, Canal de Moçambique, 07/05/09)

NOTA:

A História deve ser examinada imparcialmente pois sabemos que os factos históricos apresentados pela Frelimo geralmente não correspondem à verdade.
A verdade é que a Frelimo conduziu em Moçambique uma política racista comparável a limpeza étnica e alguns dos chamados "retornados" são moçambicanos que fugiram ao terror frelimista.
A lição para aprender é que devemos estar vigilantes e denunciar e combater os racistas e tribalistas que ainda pululam por Moçambique!

Wednesday, 6 May 2009

O regime de Machel era stalinista? - (2ª Parte)

Pretoria (Canal de Moçambique) - O grande erro da Frelimo foi não ter tirado partido da popularidade de que gozava a nível nacional por altura do golpe de Estado de 25 de Abril, aceitando a realização de eleições livres tal como havia sido preconizado no programa original da Frente de Libertação de Moçambique no qual, Eduardo Mondlane, inspirando-se em Abraham Lincoln, havia feito questão de inserir o princípio do “estabelecimento de um governo do povo, pelo povo e para o povo”. A falta de visão demonstrada pelos descolonizadores em Lusaka em 1974, não viria, felizmente, a repetir-se em Roma em 1992 pois aí a Frelimo teve o discernimento de rejeitar a legitimação democrática pelo cano das espingardas, estabelecendo, em vez disso, as bases para uma alternância democrática por meio eleições que se pretendia fossem livres, justas e transparentes.
Com a morte de Eduardo Mondlane e o subsequente afastamento de Uria Simango da direcção da Frelimo, a Frente passou a ser dirigida por uma corrente que a si própria se designava de linha revolucionária. Esta tinha uma componente militar, representada por Samora Machel, como presidente e comandante das forças armadas, e uma componente política em que pontificavam figuras como Marcelino dos Santos, e Joaquim Chissano, responsável pela segurança e com formação adquirida na União Soviética, havendo ainda figuras que orbitavam em redor da nova direcção da Frelimo, como Jorge Rebelo, Sérgio Vieira, Óscar Monteiro, entre outros. A componente política da linha revolucionária assumia-se como sendo de orientação marxista-leninista, tendo sofrido influências de círculos pró-soviéticos na Europa e Argélia e numa altura em que ainda prevalecia como válida a corrente stalinista. Essa componente permaneceu fiel à tendência stalinista, interpretando as denúncias de Nikita Khrushchev, que a conta-gotas lhe chegavam tardiamente de Moscovo, como uma “auto-crítica” aos inevitáveis “erros de percurso”. É essa componente que após a independência de Moçambique influencia a orientação ideológica da República Popular de Moçambique, aposta numa economia planificada, e procede à redefinição do não-alinhamento, rejeitando o princípio da equidistância, aliando-se a Moscovo e Havana na defesa do conceito de que o chamado bloco socialista foi sempre parte integrante do Movimento dos Não-alinhados.
Os primeiros traços da tendência stalinista no seio da Frelimo de Samora Machel emergem durante o governo de transição com a realização dos julgamentos em massa de Nachingwea. Tal como os julgamentos organizados por Stalin no âmbito das Grandes Purgas de 1934-1939, a Frelimo também fez desfilar os seus “inimigos do povo”, os “contra-revolucionários” e os “sabotadores da revolução”, ardilosamente atraídos do exílio uns, sonegados da própria colónia outros, com a conivência dos senhores de Abril. Sem direito a defesa legalmente constituída, as vítimas do processo de Nachingwea, em que Samora Machel pessoalmente desempenhou o papel de procurador e juiz de causa própria, viriam todas elas a ser condenadas à “reeducação”, pena não prevista em nenhum código penal. A onda de julgamentos em massa prosseguiria depois da independência, desta vez abrangendo os chamados “comprometidos” e “vacilantes”.
A primeira Constituição que passou a vigorar a partir da independência teve a particularidade de ter sido aprovada, não por uma Assembleia Constituinte, representativa das diversas sensibilidades da sociedade moçambicana, mas por um punhado de membros de uma formação política que a si própria outorgou constitucionalmente o estatuto de “força dirigente do Estado e da sociedade” para depois se declarar como “partido de vanguarda marxista-leninista”. Estavam assim criados todos os requisitos para a edificação de um Estado totalitário, em que os poderes executivo e legislativo se concentraram nas mãos de uma única pessoa – o presidente da República, que era também chefe do governo, presidente da Assembleia Popular e comandante em chefe das Forças de Defesa e Segurança – e cuja imagem passou a ser promovida como a de “líder incontestado e incontestável”(4) e de “dirigente máximo da revolução”, num decalque da designação dada ao chefe máximo da revolução cubana. Mais original, um antigo ministro das finanças(5), qualificaria o mesmo líder de “bestial”. Neste esforço de culto da personalidade, limitou-se a referência feita ao papel desempenhado por Eduardo Mondlane na conquista da independência nacional, tendo a sua família sido impedida de publicar a autobiografia do primeiro presidente da Frelimo sob o pretexto de que a obra “iria ofuscar a imagem de Samora Machel que entretanto necessitava de ser promovida, especialmente no sul de Moçambique”. (6)
O novo regime passou a governar por decreto, arregimentando toda a sociedade, submetendo-a a um “pensamento comum”: desde os sindicatos à comunicação social, passando pela advocacia, a saúde, o ensino e até mesmo as instituições culturais e recreativas. Reprimiram-se contundentemente tradições seculares e crenças religiosas, disciplinou-se o gosto de cada cidadão pela leitura, música e cinema, e limitou-se ou proibiu-se até a criatividade de escritores, músicos e poetas. Pela via do decreto, os moçambicanos cedo viram surgir uma nova polícia política no país. Uma “monstruosidade jurídica” (7) foi como o jurista moçambicano, João Trindade, descreveu o decreto presidencial que instituiu o Serviço Nacional de Segurança Popular (SNASP), cuja direcção tinha “poderes para ordenar e realizar, ou mandar realizar, as diligências, buscas e apreensões que entender convenientes, proceder às requisições necessárias, instruir processos e deter pessoas, determinando-lhes o destino que achar mais conveniente, nomeadamente o de as remeter à autoridade policial competente, ou aos tribunais, ou para campos de reeducação”. O decreto determinava ainda que as pessoas sob investigação e instrução do SNASP “não beneficiarão do disposto no artigo 315° do Código do Processo Penal” em vigor no país e que estipulava que “o arguido, em sete dias a contar da notificação do despacho que designa dia para a audiência, apresenta, querendo, a contestação, acompanhada do rol de testemunhas”. (8)
Tal como o regime de Stalin, o de Samora Machel ficará eternamente conotado com os campos de reeducação espalhados como pequenas ilhas por zonas remotas e inóspitas do país, em género de “arquipélago” a que Solzhenitsyn se referiu na sua magistral obra. De acordo com o jurista Mário Mangaze, “os tribunais não desempenhavam qualquer papel quer na detenção, quer no envio de pessoas para os campos de reeducação, nem tão pouco no próprio processo de reeducação.” Segundo ainda Mangaze, “o Ministério Público tinha o acesso vedado aos campos de reeducação”. (9) Os tribunais não tinham qualquer palavra a dizer quanto à duração do processo de reeducação a que um indivíduo fosse submetido, nem tão pouco o governo tinha uma ideia precisa a esse respeito.
Marcelino dos Santos chegou a dizer aos reeducandos do campo de reeducação de Cudzo (”Sacuzi”) na província de Sofala, que “a reeducação não tinha prazo fixo”. Em vez de funcionarem sob a tutela das instituições judiciais, esses campos estavam sob a jurisdição directa do Ministério da Segurança-Snasp (como eram os casos de Ruarua e Moçambique D, em Cabo Delgado, e M’telela, no Niassa), mas a grande maioria funcionava sob a alçada do Ministério do Interior por intermédio da Direcção Nacional dos Serviços de Reeducação.
O princípio norteador do sistema de reeducação ressurgiria anos mais tarde no âmbito da Operação Produção, tendo as consequências dessa medida assumido proporções ainda mais dramáticas do que as levas dos anos anteriores.
Na entrevista recente ao jornal O País, José Luís Cabaço reconheceu que a “Operação Produção foi um grande erro”. Cabaço admitiu ainda que como membro do Comité Central não havia tido oportunidade para expor as suas ideais sobre essa operação, o que vem confirmar a tese de Radoslav Selucky de que os comités centrais dos partidos comunistas “funciona(m) como braço executivo do Bureau Político e do Secretariado, os quais apresentam ao Comité Central decisões já tomadas para serem anotadas e aprovadas,” pese embora o facto de, estatutariamente, ele ser “o supremo órgão do Partido entre os congressos”. (10)
Este tipo de relações entre os órgãos de direcção do Partido Frelimo repetir-se-ia na forma como funcionava a Assembleia Popular, tida como órgão legislativo supremo. Durante o regime de Samora Machel, esse órgão integrava apenas membros da confiança do partido no poder. Os cadernos eleitorais eram inexistentes por nunca ter-se realizado qualquer recenseamento eleitoral. Durante a vigência da Assembleia Popular, na maior parte dos casos os deputados aprovavam leis que já haviam sido postas em prática sem que tivessem passado por debates, quer na generalidade, quer na especialidade. Casos concretos foram os da lei que instituiu a pena de morte em Março de 1979 e a que reintroduziu a prática colonial da chicotada em 1983. Ambas as leis foram aprovadas pela Assembleia Popular depois das primeiras execuções por fuzilamento terem tido lugar e após a aplicação de chicotadas em público, com a particularidade dos dois diplomas terem efeitos retroactivos.
NOTAS:

4. Segundo declarava Marcelino dos Santos.
5. Rui Baltazar
6. Citado em “O meu coração esta nas mãos de um negro”, Janet Mondlane e Nadja Manghezi. Maputo: Centro de Estudos Africanos, 1999.
7. Citado em “Mozambique: The tortuous road to democracy”, João M. Cabrita. Londres: Palgrave 2000)
8. Ibidem
9. Ibidem
10. Czechoslovakia: The Plan that Failed. Por Radoslav Selucky. Londres: Thomas Nelson & Sons Ltd. 1970.


NOTA DO JOSÉ:
Mais um valioso contributo para a verdadeira História de Moçambique!
É importante analisarmos a História moçambicana pois ela tem sido mal contada. Este branqueamento da História infelizmente não é inédito, assistimos a esse fenómeno em outras latitudes em relação ao nazismo, ao fascismo, ao racismo, ao comunismo, etc. Temos de confrontar o nosso passado pois se não sabemos de onde viemos deficilmente saberemos para onde vamos, não se pode contar uma História baseada em mentiras e meias-verdades.
O grande problema é que por vezes a História repete-se porque não aprendemos com os erros. No caso de Moçambique, temos de ser vigilantes pois alguns intervenientes nessas páginas feias do nosso passado, continum a ter influencia política.

O regime de Samora Machel era stalinista?





(1ª Parte)

Pretoria (Canal de Moçambique) - O antigo membro do Comité Central do Partido Frelimo, José Luís Cabaço, considerou de “idiota” o primeiro embaixador da União Soviética em Moçambique, Petr Yevsyukov, por este ter afirmado que Samora Machel se havia “comportado de forma semelhante à do ditador soviético, Joseph Stalin”. Num livro de memórias publicado pelo Instituto de Estudos Africanos da Academia de Ciências Russa, em Moscovo (“Memórias sobre o trabalho em Moçambique”), Petr Yevsyukov referiu-se à admiração que Samora Machel nutria por Stalin, revelando que nos momentos finais de uma visita à União Soviética, o então presidente moçambicano dera instruções a Sérgio Vieira para arranjar um retrato do ditador que governou a União Soviética a ferro e fogo de 1928 a 1953.
Antes que se faça uma comparação mais aprofundada entre o regime de Samora Machel e o de Stalin, impõe-se uma análise sucinta do que foi o stalinismo para assim se poder ajuizar das ilações tiradas por Petr Yevsyukov ou “Camarada Pedro”, como era conhecido em Maputo.
O estabelecimento de relações diplomáticas entre Moçambique e a União Soviética ocorreram numa altura em que Moscovo apostava na consolidação de zonas de influência em África e em particular a região austral do continente africano. Como Estado recém-independente, Moçambique ocupava, na óptica da política externa soviética, uma posição estratégica. O apoio de Moçambique à intervenção soviético-cubana em Angola a seguir ao golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, a utilização de Moçambique como corredor de passagem para contingentes cubanos envolvidos na guerra de Ogaden entre a Somália e a Etiópia e o facto de Moçambique constituir uma retaguarda de importância vital para a luta armada no Zimbabwe e na África do Sul (era através do território moçambicano que se processava a canalização do apoio logístico soviético à luta nesses dois países), são alguns dos aspectos que ilustram a importância atribuída pela União Soviética ao nosso país.
Seria, por conseguinte, lógico que Moscovo destacasse para Moçambique não um “idiota” qualquer, mas alguém à altura de gerir os interesses soviéticos da melhor forma. De acordo com José Milhazes, correspondente da LUSA em Moscovo e que divulgou a notícia sobre o livro de memórias de Petr Yevsyukov, o primeiro embaixador da União Soviética em Moçambique “era o maior especialista soviético em assuntos portugueses e ex-colónias”. Aquando da sua nomeação para embaixador em Maputo em 1975, Yevsyukov, era funcionário responsável da Secção Internacional do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética, tendo durante cerca de 15 anos lidado com os movimentos de libertação das colónias portuguesas. Formado pelo Instituto Militar de Línguas Estrangeiras em 1949, Petr Yevsyukov, trabalharia oito anos como professor, tendo escrito e publicado o primeiro compêndio de língua portuguesa para estudantes russos. Entre 1957 e 1961, foi redactor da Editora de Literaturas em Línguas Estrangeiras.
O facto de ter sido pessoa ligada ao regime soviético, conferia a Petr Yevsyukov competência suficiente para poder estabelecer termos de comparação entre o regime stalinista que ele viveu já na sua fase de adulto, e a experiência moçambicana por ele testemunhada pessoalmente em Moçambique com a subida ao poder de Samora Machel. Esse contacto directo com a realidade moçambicana, permitiu a Yevsyukov, observar de perto a conduta, os hábitos e os gostos dos dirigentes do país anfitrião, e assim formar uma opinião sobre o regime vigente e fazer uma caracterização do mesmo.

Stalinismo


O termo stalinismo não se refere a uma ideologia política, mas a um estilo de governação totalitária, designadamente o que foi presidido por Joseph Stalin na União Soviética a seguir à morte de Lenin em 1928. São inúmeros os estudos sobre o sistema stalinista publicados por historiadores e académicos de renome, sendo todos eles coincidentes com a caracterização que fazem do regime imposto por Stalin. A título de exemplo, cite-se a obra de Radoslav Selucky, (Checoslováquia: O Plano que Falhou)(1), na qual o autor caracteriza o modelo stalinista de governação nas suas vertentes política, económica e ideológica. Politicamente, escreve Radoslav Selucky, o stalinismo
“pode ser descrito como um Estado rigidamente centralizado dirigido por um partido único, com o resto da sociedade controlado por uma burocracia, uma força policial extremamente poderosa, e um sistema hierárquico em todas as esferas da vida. Todo o poder político está concentrado nas mãos de um pequeno número de pessoas que ocupam as posições cimeiras no Partido Comunista e que tomam todas as decisões políticas, económicas e ideológicas, estando imunes a qualquer forma de controlo político.”

No campo económico, acrescenta o autor,

“o modelo stalinista implica um ‘sistema de não-mercado’, de economia centralizada (isto é, um sistema em que o regulador mercantil normal de oferta e procura não está autorizado a operar livremente) de planeamento e direcção centralizados, com propriedade estatal dos meios de produção básicos, em que o papel dos mecanismos de auto-regulação é mantido a um mínimo, sendo substituído por ordens administrativas, proibições e regulamentos, e com um Plano recomendado a nível central, elaborado em grande detalhe, exaustivamente explicado e imposto aos seus recipientes como objectivo, método e pedra de toque de toda a actividade económica.” E finalmente, no seu aspecto ideológico, o modelo estalinista “representa um sistema de ensinamentos que estão supostamente de acordo com a doutrina marxista-leninista, mas que de facto defende as tendências políticas e económicas vigentes, apresentando-as como realidades imutáveis produzidas por reacção contra o capitalismo do século dezanove, para depois descrever essas tendências como a fase socialista da evolução humana.”
Radoslav Selucky salienta que “nos vários países onde o modelo stalinista foi aplicado, há um denominador comum: a concentração de todo o poder político nas mãos do Bureau Político (ou o seu equivalente) do Partido Comunista. Constitucionalmente, o supremo poder legislativo pertence aos órgãos representativos de tipo parlamentar, ao passo que o supremo poder executivo pertence aos órgãos do governo”, acrescentando:
“Mas estes órgãos de Estado são uma mera fachada, mascarando o verdadeiro centro de poder – o supremo órgão do próprio Partido. E mesmo no seio do Partido existe um conflito entre a divisão de podres formal e real. Formalmente, o supremo órgão do Partido entre os congressos consecutivos é o Comité Central, do qual o Bureau Político é meramente o órgão executivo. Na prática, porém, o Comité Central funciona com o braço executivo do Bureau Político e do Secretariado, os quais apresentam ao Comité Central decisões já tomadas para serem anotadas e aprovadas.”
Concretamente, o estilo governativo de Stalin caracterizou-se pela instituição de um Estado policial, a repressão política generalizada no âmbito da erradicação dos oponentes ao regime dentro e fora das fronteiras do país, e execuções e castigos aplicados ao arredio das instituições judiciais. O regime stalinista ficou intimamente associado aos campos de reeducação, inseridos no sistema prisional denominado de GULAG (ou Directório Central dos Campos de Trabalho Correccional que funcionava sob a alçada da polícia política), para os quais foram desterrados milhões de cidadãos russos e de outras parcelas da União Soviética. A repressão política e as perseguições orquestradas por Stalin durante as “grandes purgas” entre 1934 e 1939 contra membros do próprio partido e oficiais do exército (que eram submetidos a julgamentos em massa, que mais se assemelhavam a espectáculos circenses), camponeses, membros de confissões religiosas e cidadãos comuns, todos eles convenientemente rotulados de “inimigos do povo”, de “sabotadores” ou de “contra-revolucionários”, assumiram proporções tais que diversos autores são unânimes em considerar esse período como o “holocausto soviético”. De acordo com dados recolhidos em arquivos da antiga União Soviética, o número de sentenças à morte decretadas no período 1937-1938 foi de 681,692. Muitas outras vítimas viriam a perecer nesses campos, minuciosamente descritos pelo Prémio Nobel da literatura, Alexander Solzhenitsyn, em obras como “Um dia na Vida de Ivan Denisovich”e “Arquipélago de Gulag”. Estudos mais recentes, como a “A História do GULAG: Da Colectivização ao Grande Terror”(2), publicado em 2004 por Oleg Khlevniuk, membro dos Arquivos Estatais da Federação Russa, revelam que a população prisional dos campos instituídos pelo regime de Stalin “subiu de 996,367 em 1938 para 1,317,195 em 1939”. Em Janeiro de 1941, salienta Oleg Khlevniuk no seu estudo, a população prisional era de 4 milhões.
Além fronteiras, a natureza repressiva do regime stalinista deixou marcas profundas, destacando-se o assassinato por agentes da polícia política soviética em Agosto de 1940, do dissidente Leon Trotsky, que se encontrava exilado no México.
A política económica do regime stalinista caracterizou-se pelo desmantelamento dos chamados kulaks, ou camponeses mais abastados, e pela colectivização forçada da agricultura. Ainda de acordo com Oleg Khlevniuk, de 1930 a 1933, o regime stalinista procedeu à deportação de 2.14 milhões de camponeses kulak e das suas famílias para as florestas do norte da Rússia, para a Sibéria ou ainda para as estepes da Ásia Central, onde depararam com falta de alimentação, e utensílios agrícolas e habitações inadequados. Outros 4 milhões de kulaks foram desterrados para terrenos baldios. O autor refere que durante esse período foram executados pelo menos 20,000 kulaks.
Não obstante a tese preconizada por Nikolai Bukharin, que defendia a integração pacífica dos kulaks no sistema socialista e a concessão de lucros ao campesinato em geral, o regime stalinista prosseguiu de forma implacável com a política de colectivização forçada, sendo calamitosos os resultados. Na Ucrânia, essa política teve como consequência directa a fome catastrófica de 1932-1933, em que milhões de ucranianos perderam a vida. Situações idênticas ocorreram no Cazaquistão, na região do Kubão, na Crimeia, na região do Baixo Volga e em outras zonas da União Soviética. No estudo já citado (“A História do GULAG: Da Colectivização ao Grande Terror”), o autor situa “de forma conservadora” o número de vítimas da fome provocada pelo regime stalinista entre 6 e 7 milhões de pessoas, excluindo os kulaks. Na opinião de R.W. Davies, autor do estudo, "Trabalhos Forçados sob Stalin: As Revelações dos Arquivos”(3), se se adicionarem os kulaks que morreram durante o regime de Stalin, o número total de vítimas da fome provocada pelo stalinismo na década de 30 situa-se entre os 10 e os 11 milhões. Quanto a Nikolai Bukharin, este economista viria a ser executado por fuzilamento no âmbito das “grandes purgas” de 1938. Os excessos cometidos pelo regime de Stalin foram de tal forma chocantes que o seu sucessor, Nikita Khrushchev, sentiu-se no dever de denunciá-los numa sessão à porta fechada do 20° Congresso do PCUS realizado em 1956. No seu discurso, Nikita Khrushchev aproveitou para repudiar uma outra faceta do regime de Stalin, o “culto da personalidade”, e a violação ao espírito de “liderança colectiva”.

Notas:

1. Título original: Czechoslovakia: The Plan that Failed. Por Radoslav Selucky. Londres: Thomas Nelson & Sons Ltd. 1970. 2. Título original: The History of the GULAG: From Collectivization to the Great Terror. New Haven: Yale University Press, 2004. 3. Título original: "Forced Labour under Stalin: The Archives Revelations," New Left Review (1995)


(Na próxima edição do Canal de Moçambique será publicada a segunda e última parte do presente artigo que tratará dos “Contornos stalinistas do regime de Samora Machel”)


( Canal de Moçambique, 05/06/09 )

Tuesday, 5 May 2009

Nyandayeyouuu! !! : Um Poema de Inoque Matangalane

Gostaria de falar
Estou cansado de calar
Torna-me difícil fingir de cego
é difícil fingir de mudo,
Estou cansado de ver tanta podridão
que encaminha o povo à ilusão
Estou cansado de ouvir e engolir promessas falsas
quero vestir a verdade,
mas não tenho calças
Gostaria de retirar
a dor que sinto dentro de mim
preciso expressar
o que realmente vem do fundo de mim
apenas dessa maneira, a minha dor terá fim

Nyandayeyouuu! !

Preciso dum emprego
quero trabalhar
para não roubar
Preciso de sossego
mas quando encontro
o tal emprego sou escravizado
desprezado e mal pago
racismo ainda existe
Vivo um pesadelo
Gostaria de falar,
mas sinto-me afogado
sinto-me fora do mundo dos vivos
sinto um tiro na minha testa
Sinceramente, esta vida não presta
Moçambique País da marrabenta,
afinal qual será o ponto final?
de tanta dor, de tanto luto, de tantas lágrimas?

Nyandayeyouuu! !!


Gostaria de ser alguém
pra lutar contra a pobreza absoluta
pra lutar contra a corrupção
contra a prostituição, sem cartão
que predomina no país como combustão
falo assim porque sou carvão
Mas não tenho condições
meu sonho era estudar
mas por fim ao cabo vou assaltar
roubar e matar
peço esmola na rua,
durmo por baixo da ponte à luz da lua
mas ninguém solta uma simples moeda
limitam-se a olhar-me e chamar-me de merda
alguns chamam-me maluco
mas na verdade, eu sou xibhuku
das realidades do povo Moçambicano...

NB: Xibhuku = Espelho (Inoque Matangalane)

( Canal de Moçambique, 05/05/09 )

Boicote sexual no Quénia

Um gupo de mulheres quenianas decidiu implementar uma greve do sexo durante uma semana, de modo a chamar a atenção dos políticos para a grave situação política no Quénia que pode conduzir à guerra civil.
As activistas quenianas procuram o apoio das esposas dos políticos e querem pagar às prostitutas para cessarem as actividades sexuais durante o boicote sexual.
A intenção é boa mas pode ter resultados negatvos pois provoca ressentimentos nos homens e cria a impressão de que é aceitável usar-se o sexo como arma de chantagem e punição. Pior ainda, reinforça a ideia de que a mulher é apenas um objecto de prazer e que só os homens sentem prazer nos actos sexuais.
Sejamos realistas, querem convercer-me que numa greve de sexo só os homens irão sofrer? A verdade é que normalmente as mulheres teem tanto prazer como os homens e tambem serão afectadas por este boicote.

Monday, 4 May 2009

Eleições em Moçambique serão um teste para a oposição

- escreveu a France Press para a TV Globo do Brasil
Maputo (Canal de Moçambique) - Moçambique programou para 28 de Outubro as eleições nacionais, que os analistas acreditam que marcará o fim dos antigos rebeldes da Renamo como um grupo de oposição nessa jovem democracia, escreveu ontem a agência France Press citadada pela Televisão brasileira Globo, de onde extraímos o texto que se segue e aqui publicamos com a devida vénia, para se ter uma ideia do que por lá por fora se está a escrever sobre nós neste período pré-eleitora
A Renamo perdeu no passado a maioria das eleições e, agora, se arrisca a perder sua condição de segundo lugar para o novato Movimento Democrático de Moçambique (MDM), segundo os analistas. Com o partido Frelimo (no poder) disputando a vitória, os analistas acreditam que pelo menos um partido de oposição deveria obter um apoio significativo para evitar a volta do sistema de domínio de uma única formação que resultou numa guerra civil de 16 anos de duração.
"Se o MDM não conseguir ter uma expressão significativa no parlamento, e se a Renamo tiver em 2009 um resultado semelhante àquele que teve agora nas eleições autárquicas - menos de 20 por cento -, isso significa que a Frelimo teria 70, 75 por cento das cadeiras assentos no parlamento, e eu acho que existe um perigo de voltar a um sistema monopartidária".
A Renamo se orgulha de ter lutado para estabelecer uma democracia multipartidária em Moçambique durante a guerra civil contra a Frelimo - então um partido marxista-leninista - seguida da independência de Portugal em 1975.
Mas a Renamo também sempre lutou para superar sua imagem de guerrilha armada que travou uma guerra de desestabilização com a ajuda da antiga Rodésia branca, actual Zimbabwe, e a África do Sul do apartheid. Depois do acordo de paz de 1992, a Renamo jamais conseguiu reverter sua bem-sucedida rebelião em êxito nas urnas.
O líder do partido, Afonso Dhlakama, conduziu sem êxito três campanhas presidenciais e a Renamo nunca conseguiu maioria no parlamento.
Nas eleições gerais de 2004, a coligação da Renamo obteve apenas 30% dos votos. Dhlakama perdeu para o actual presidente Armando Guebuza por uma margem de dois para um votos. José Jaime Macuane, analista político da Universidade Eduardo Mondlane, argumenta que a Renamo nunca conseguiu verdadeiramente se transformar de grupo rebelde armado num partido político. "O problema da Renamo é estrutural. A Renamo é um partido que se estruturou em torno de indivíduos, em torno da oposição a um regime, mas só que este regime já não existe como tal. E a Renamo não conseguiu se converter ao novo contexto de competição eleitoral democrática, que exige um outro tipo de abordagem, exige um outro tipo de organização interna."
"A Renamo é fraca, não traduz votos em postos políticos; por consequência afasta o eleitorado, ao afastar o eleitorado torna-se mais fraca ainda, torna-se cada vez menos relevante. O que nós encontramos nos eleitores da Renamo é esta pergunta: "Para quê votar na Renamo se o meu voto não se traduz em poder político?", questiona Miguel de Brito.
Neste ano, a corrida presidencial vai ser uma nova disputa entre Guebuza e Dhlakama, que já conseguiram a indicação de seus respectivos partidos.
A disputa também deve incluir Daviz Simango, fundador do novo MDM.
Simango, prefeito (Edil) da segunda maior cidade do país, Beira, chamou a atenção do país no ano passado depois que superou a Renamo (e a Frelimo) e venceu uma eleição local.
A vitória fez de Simango o único prefeito não pertencente à Frelimo em Moçambique e deu a ele o momento certo para formar o MDM, levando vários membros proeminentes da Renamo com ele. Os analistas dizem que a chegada do MDM pode dar uma reformulada na política moçambicana, onde o domínio crescente da Frelimo foi acompanhado de uma crescente falta de credibilidade. A economia cresceu desde o fim da guerra civil, numa média de 8% por ano de 1996 a 2007, de acordo com o Banco Mundial.
Mas esse crescimento não beneficia a maioria dos habitantes: o país é um dos últimos no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, que avalia a qualidade de vida da população. "Este padrão de crescimento que favorece essas elites tradicionais é o que faz com que essas mesmas elites tenham portanto a possibilidade de drenar esses recursos para fortalecer o seu partido de eleição, que por acaso é a Frelimo. Estes padrões de acumulação geram desencanto no grosso dos eleitores, porque o potencial e a rentabilidade distributiva são mínimos. Então gera desencanto no eleitor mediano, que não vai votar", afirma Macuane.
"Para qualquer partido o grande segredo, que nenhum ainda conseguiu encontrar, nem a própria Frelimo, é como convencer os outros 50 por cento que não votam a voltar às urnas. O partido que conseguir fazer isso vai ganhar muito", afirma Brito, acrescentando que os novos eleitores são a chave para uma verdadeira democracia competitiva em Moçambique.

(Redacção / France Press / TV Globo – Brasil)

Samora Machel foi um verdadeiro ditador como Estaline em maus-tratos à população portuguesa




Embora essa vergonhosa atitude, própria de extremista complexado e repleto de ódio racial não seja novidade para o mundo, transcrevo porque penalizou injustamente vidas e o futuro de milhares de moçambicanos de todas as cores e origens e um País chamado Moçambique, que ainda hoje se ressente económica e socialmente dessa verdadeira, insana e irresponsável loucura.

Afinal quem não lembra, naquela época tremenda de 74/75, os aeroportos moçambicanos repletos de famílias luso-moçambicanas que, assustadas e ameaçadas a cada discurso demagogo e populista desse senhor, abandonavam todos os seus bens fruto de muito trabalho e suor e buscavam lugar e abrigo nos aviões de volta a Portugal?



(FONTE: http://www.foreverpemba.blogspot.com/ )



NOTA:


O comentário transcrito refere-se a um texto amplamente divulgado a propósito do tratamento infligido pela Frelimo aos brancos, muitos deles moçambicanos. Recentemente postei neste espaço o referido texto.
Esta versão tem sido negada por alguns apologistas da Frelimo mas essas páginas vergonhosas da nossa História continuam bem vivas na memória de muitas testemunhas.
É necessário recordar estes acontecimentos pois ainda hoje certos confusionistas aparecem com atitudes tribalistas e racistas.
Para que certos espertalhões não tirem conclusões apressadas, revelo aqui que eu não sou retornado e que a minha família escolheu ficar em Moçambique.

Sunday, 3 May 2009

ATITUDE - para reflectir.



Uma mulher acordou uma manhã após a quimioterapia, olhou no espelho e percebeu que tinha somente três fios de cabelo na cabeça.
- Bom (ela disse), acho que vou trançar meus cabelos hoje.
Assim ela fez e teve um dia maravilhoso. No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça.
- Hummm (ela disse), acho que vou repartir meu cabelo no meio hoje.
Assim ela fez e teve um dia magnífico. No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça.
- Bem (ela disse), hoje vou amarrar meu cabelo como um rabo de cavalo.
Assim ela fez e teve um dia divertido. No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça.
- Yeeesss... (ela exclamou), hoje não tenho que pentear meu cabelo.

ATITUDE É TUDO!


Seja mais humano e agradável com as pessoas. Cada uma das pessoas com quem você convive está travando algum tipo de batalha. Viva com simplicidade. Ame generosamente. Cuide-se intensamente. Fale com gentileza. E, principalmente, não reclame. Se preocupe em agradecer pelo que você é, e por tudo o que tem! E deixe o restante COM DEUS.

Saturday, 2 May 2009

Humor político




Secretária do Ministro

A secretária do Ministro estava apaixonada por ele, mas este nem percebia...
Um dia depois do expediente, entrou na sala dele com um vestido provocante, bastante decotado, fechou a porta atrás de si,caminhou languidamente até à mesa, com ares de Mónica Lewinski e propôs-lhe:
-Sr. Ministro, vamos fazer uma sacanice?
- Vamos! Onde é que eu assino?
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Pensamentos

Os problemas do nosso país são essencialmente agrícolas: excesso de nabos; falta de tomates e muito grelo abandonado.

Moçambique é um país geométrico: é rectangular e tem problemas bicudos discutidos em mesas redondas, por bestas quadradas!

A diferença entre Moçambique e a República Checa é que esta tem o governo em Praga e Moçambique tem a praga no governo.

As hierarquias são como as prateleiras, quanto mais altas mais inúteis.
Os trabalhadores mais incapazes são sitematicamente promovidos para o lugar onde possam causar menos danos: a chefia.

Qual a diferença entre uma dissolução e uma solução? Uma dissolução seria meter um político num tanque de ácido para que se dissolva. Uma solução seria metê-los a todos.

Friday, 1 May 2009

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Feliz Feriado (com humor)



Perguntas inteligentes



Como se chama uma mulher que sabe onde seu marido está, todas as noites?
Resposta: Viúva.
Como se chama um homem inteligente, sensível e bonito?
R.: Boato.
Por que os homens não têm período de crise na idade madura?
R.: Porque nunca saem da adolescência.
Qual é o ponto comum entre os homens que frequentam bares para solteiros?
R.: Todos eles são casados .
Qual a semelhança entre o homem e o microondas?
R.: Aquecem em 15 segundos !
Por que não existe homem inteligente, sensível e bonito ao mesmo tempo?
R.: Seria mulher !
Quando um homem mostra que tem planos para o futuro?
R.: Quando ele compra 2 caixas de cerveja.
Por que mulheres casadas são mais gordas do que as solteiras?
R.: A solteira chega em casa, vê o que tem na geladeira e vai pra cama.Já a casada vê o que tem na cama e vai pra geladeira. (Hahahahaha )!
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Carta do Ex para a Ex:

Querida, Escrevo para dizer que vou te deixar.Fui bom marido por 7 anos.As duas últimas semanas foram um inferno... O seu chefe me chamou para dizer que você tinha pedido demissão e isto foi a gota...Na semana passada, nem notou que não assisti ao futebol...Te levei na churrascaria que mais gosta... Outro dia chegou em casa, nem comeu e foi dormir depois da novela...Não diz que me ama...Nunca mais fizemos sexo... Portanto, ou está me enganando ou não me ama mais.PS. Se quiser me encontrar, desista... Eu e a Júlia, aquela sua 'melhor amiga' da Academia, vamos viajar para o nordeste e vamos nos casar!
Ass: Seu Ex-marido.
Resposta da Ex:
Querido Ex-marido,Nada me fez mais feliz do que ler sua carta. É verdade, ficamos casados por 7 anos, mas dizer que você foi um bom marido é exagero.Vejo a novela para não lhe ouvir resmungar a toda hora. Reparei que não assistiu futebol, mas com certeza, foi porque seu time tinha perdido e você estava de mau humor. A churrascaria deve ser a preferida da amiga Júlia, pois não como carne há dois anos.Fui dormir porque vi que a sua cueca estava manchada de batom. (Rezei para que a empregada não visse).Mas, com tudo isto, ainda o amava e senti que poderíamos resolver os nossos problemas. Assim, quando descobri que eu tinha ganhado na Loteria deixei o meu emprego,e de surpresa comprei dois bilhetes de avião para o Taiti, mas quando cheguei em casa você já tinha ido embora.... Fazer o quê? Tudo acontece por alguma razão. Espero que você tenha a vida que sempre sonhou..O meu advogado me disse que devido a carta que você escreveu, não terá direito a nada. Portanto, se cuida!
PS. Não sei se lhe disse, mas a Júlia, minha 'melhor amiga', está grávida do Jorginho, nosso 'personal' lá da Academia. Espero que isto não seja um problema...
Ass: Sua Ex-esposa, Milionária, Gostosa e Solteira.
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O director de uma empresa disse à secretária:
- Vamos viajar para o exterior por uma semana, para um Seminário. Faça os preparativos da viagem!
A secretária faz uma chamada para o marido:
- Vou viajar para o exterior com o director por uma semana. Se cuida, querido.
O marido liga para a amante:
- Minha mulher vai viajar para o exterior por uma semana, então nós vamos poder passar a semana juntos, meu docinho!
A amante liga para um menino a quem dá aulas particulares:
- Tenho muito trabalho, na próxima semana não precisa vir às aulas.
O menino liga para o seu avô:
- Vô, na próxima semana não tenho aulas, a minha professora estará ocupada. Vamos passar a semana juntos?!
O avô (que é o director da empresa) diz à secretária:
- Vou passar a próxima semana com o meu neto, então não vou participar daquele Seminário. Pode cancelar a viagem.
A secretária liga para o marido:
- O director da empresa mudou de ideia e acabou cancelando a viagem.
O marido liga para a amante:
- Não poderemos passar a próxima semana juntos, a viagem da minha mulher foi cancelada.
A amante liga para o menino das aulas particulares:
- Mudança de planos: esta semana vamos ter aulas como normalmente.
O menino liga para o avô:
- Vô, a minha professora disse que esta semana tenho aulas. Desculpe-me, não vai dar para fazer-lhe companhia.
O avô diz novamente à sua secretária:
- Meu neto acabou de dizer que não vai poder ficar comigo essa semana. Continue com os preparativos da viagem ao seminário!