Por hoje fico por aqui, ate breve!
Wednesday, 22 October 2008
Sem linha, mas...
Por hoje fico por aqui, ate breve!
Thursday, 16 October 2008
Frustrado!
Pensava que estas coisas so acontecem em Mocambique?
Sunday, 12 October 2008
Felicidade!

Reparem bem nesta imagem!
Não têm sítio para dormir mas sempre arranjaram espaço para o cão e para o gato.
Água caindo do telhado mas vejam o sorriso de paz e contentamento nas suas faces.
As pessoas mais felizes não são aquelas que não têm problemas mas sim aquelas que aprendem a viver em situações difíceis, mantendo sempre o seu sorriso.
Saturday, 11 October 2008
Humor sem limites
'Encha os depósito e concorras a uma noite de sexo grátis'
Depois de encher o depósito, Kussumbé chamou o funcionário e perguntou:
-Como si faz pa concorere a esse promoção?
-É fácil, basta dizer um número de 1 a 10. Se for o mesmo número em que eu estou a pensar, o senhor ganha - explicou o empregado. Kussumbé disse então:
-8.
-Errou. Eu estava a pensar no número 4..
.Uns dias depois, Kussumbé voltou ao posto com o seu amigo João, encheram o depósito, chamaram o funcionário e perguntaram:
-Ainda está nos promoção?
-Sim... diga um número de 1 a 10. Se coincidir com o número em que estou a pensar, ganha uma noite de sexo grátis.
E Kussumbé disse:
-5.
O funcionário:
-Errou... Eu estava a pensar no número 2...
Depois de voltarem varias vezes sem nunca terem acertado, acertado, João comentou com Kussumbé:
- Acho que o gajo do posto está a enganare a genti pá... nois nunca acerta!...
- Deixa di disconfiança João... só nus semana passada minha mulher acertou treis vez.... nois é que é burros!
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EMPREGADA PEDE UM AUMENTO
- Madame, estou precisando de um aumento.
A senhora muito chateada pergunta:
- Maria, porque você acha que merece um aumento? - Você só está aqui há 3 meses.
- Madame, há três razões porque eu acho que mereço um aumento. - Em primeiro lugar eu passo as roupas melhor do que a senhora.
- Quem foi que disse isso?
- Foi o patrão quem disse. Em segundo lugar eu cozinho melhor do que a senhora.
- Que absurdo, quem disse isso?
- Foi o patrão quem disse.
-Em terceiro lugar eu sou melhor na cama que a senhora.
- Filha da P... Foi meu marido quem disse isso também?
- Não madame, foi o motorista.
Ela conseguiu um excelente aumento...
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Uma mulher de 80 anos de idade foi ao médico para fazer um checkup. O médico disse-lhe que ela estava a precisar de mais actividad ecardiovascular e recomendou que fizesse sexo três vezes por semana.Um pouco embaraçada, ela disse ao médico:
"Por favor, diga isso a meu marido".
O médico foi à sala de espera e disse ao marido da paciente que sua esposa precisava de sexo três vezes por semana.O velhinho, de 82 anos, perguntou:
"Que dias da semana, doutor?"
O médico respondeu: "O ideal seria às segundas, quartas e sextas."
O marido disse: "Eu posso trazê-la... às segundas e quartas, mas às sextas ela terá que vir de chapa”…
Friday, 10 October 2008
Combate à corrupção exige mãos limpas
MAPUTO – “O combate à corrupção, “guerra” decretada pelo Presidente da República, Armando Guebuza, para que tenha resultados positivos, os seus promotores têm que ter mãos limpas”.
Quem assim afirma é Eduardo Namburete, deputado na Assembleia da República, AR, pela bancada da Renamo União Eleitoral, RUE, docente universitário e candidato à presidência do Município de Maputo, que proferiu esta declaração, durante um debate televisivo à volta do “caso generais corruptos que criam empresas fictícias, para delapidarem os Cofres do Estado”.
“Para mim, a questão fundamental não é a constituição de uma empresa, mas sim, o facto de o Estado ser burlado por indivíduos do poder decisório, ligado ao governo, que criam empresas, pagas pelo Estado, para lhe fornecer serviços, que não chegam a ser canalizados aos beneficiários”, diz, e sublinha “eles fazem de contas que estão a fornecer serviços e o Estado paga, mas nunca recebe esses serviços. É um esquema que está a ser usado, em muitos ministérios, e este caso é do conhecimento do governo do dia, mas nada faz e continua no silêncio cúmplice”.
A posição de Namburete vem a respeito da existência da empresa Chicamba Investimentos, uma instituição de prestação de serviços para o Estado, em particular, para o Ministério do Interior, MINT, empresa fantasma criada pelo ex-ministro, Almerino Manhenje, supostamente, em conluio com alguns generais daquela ministério, alguns dos quais supostos seus comparsas, no “caso 220 milhões de meticais”, furtados na instituição responsável pela Polícia.
“Penso que não há condições para o governo resolver este caso, pois, muitos dos dirigentes estão atados a este tipo de esquemas de corrupção. Quem são as pessoas que estão a dirigir as empresas que fornecem serviços ao Estado?” — questiona, e prossegue – “são as mesmas pessoas que estão no governo e decidem tudo”, afirma.
Prosseguindo, o candidato pela Renamo para a presidência do Município de Maputo frisa, a pés juntos, que a ligação de nomes dos generais da Policia com empresas fictícias, com o objectivo de drenar dinheiro do erário público, usando o esquema de prestação de serviços ao Estado não constitui novidade, mas uma prática dos dirigentes da Frelimo, no poder desde a Independência, no ano de 1975.
“A suposta constituição da empresa Chicamba Investimentos não é novidade, mas sim, uma prática”, diz, e sustenta, “dos finais dos anos 80 para cá, os fundos públicos são drenados para interesses privados”, afirmou.
Segundo Namburete, “não há algo surpreendente e, desta vez, o caso caiu para os gestores do MINT, mas há outros ministérios que têm a mesma prática. Quem são os donos das empresas que fornecem viaturas ao Estado?” — questiona, frisando que, no caso vertente, o surpreendente trata-se de um processo selectivo.
“Não é só o ex-ministro Manhenje que deve estar a contas com a Justiça, pois, existe uma teia de dirigentes corruptos e não sei se a Procuradoria Geral da República, PGR, vai ter a coragem de seguir o caso até ao fim, porque já se reportaram muitos escândalos, noutros ministérios e a PGR nunca se pronunciou”.
Segundo a fonte, o “caso MINT” é um processo selectivo e, se os nomes dos generais policiais estão ligados a escândalos corruptos, vamos ver se a PGR vai dar o devido andamento aos mesmos. Duvido muito”.
Na mesma diapasão, Venâncio Mondlane afirma que os nomes dos generais da Polícia ligados, supostamente, a esquemas de corrupção para drenar o dinheiro do erário público são uma matéria indiciária. “Ao que tudo indica, há conflito de interesses. Trata-se de uma matéria de investigação, pois, estamos perante um crime económico”, diz, reiterando que “a lei da defesa da economia é estreita, em relação a esta matéria”.
“Não acredito que o Ministério das Finanças tenha autorizado o funcionamento da empresa Chicamba Investimentos, sendo seus accionistas dirigentes do MINT e com esta empresa a fornecer seus serviços ao Estado. Se isso aconteceu, estamos perante um crime de peculato”, afirmou o provável presidente do Município de Maputo para a próxima legislatura.
A empresa Chicamba Investimentos recomendada, supostamente, a Armando Pedro, comparsa de Manhenje, no “caso 220 milhões de meticais”, furtados no MINT, não é o primeiro a saquear os Cofres do Estado. Num passado não distante, foi criado, por Armando Pedro, “especialista em engenharia de empresas fantasmas”, apadrinhado por pessoas de proa, nos píncaros do poder, que criou, no Ministério da Defesa Nacional, a empresa Monte Binga, com o mesmo propósito, delapidar os fundos do erário público e arremessando a maioria da população à penúria que o governo do dia a decretou como o principal mal a combater, figurando, deste modo, nos pomposos discursos de todos os timoneiros do poder político constituído. (R)
FONTE: A Tribuna Fax, com a data de o7/09/08
Depois de Manhenje
A detenção do antigo Ministro do Interior, Almerino Manhenje, pode ser um indicador de que finalmente a engrenagem do controlo da corrupção em Moçambique está a arrancar? Estaremos perante o início da tão esperada limpeza? Ou trata-se apenas de um curto-circuito sem consequências a longo prazo? A resposta a estas questões é: depende. Depende da forma como a classe política dominante vai reagir neste caso e, sobretudo, se existe um aval partilhado que permita que a máquina da Justiça comece a atacar a grande corrupção dentro das balizas da lei. O grande desafio do Ministério Público (MP) é perceber se os incentivos para a sua acção são genuínos e se essa acção vai ser complementada por outros processos de promoção da transparência, alguns dos quais implicam a redução das oportunidades de acumulação de rendas por parte de altas figuras do artido Frelimo e do Estado.
Depende porque no Partido Frelimo (o principal centro de decisão em Moçambique) há grupos de interesse e teias de cumplicidade que podem reagir de maneiras distintas (lançando sinais com incentivos negativos) em função dos laços de patronagem e clientelismo que moldam a correlação de forças no seu seio.
A reacção do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, sobre esta detenção, numa entrevista à TVM, é um desses incentivos negativos e mostrou que a Frelimo está ainda dividida quanto à forma como a investigação judicial deve (e se pode) escrutinar figuras sonantes suspeitas de envolvimento em casos de corrupção. Aliás, Chissano não fez qualquer esforço para defender o Sistema de Administração da Justiça, sugerindo até que Manhenje podia ser investigado em liberdade.
Em todo o caso, a notória acção do MP, enquadrada nas suas competências, pode também ser compreendida como resultado de um aval político do Presidente da República (PR) para que a investigação de casos de grande corrupção avançasse até as últimas consequências. Como sempre foi, em Moçambique, a acção penal contra a corrupção foi sempre alvo de controlo político, dada a natureza embrionária da nossa Justiça, nascida no auge da revolução pós-independência, um passado umbilical que continua a marcar o domínio do Partido sobre os restantes poderes (incluindo o Judicial), podendo até dizer-se que a forma ineficiente como a Justiça se estrutura e trabalha (e o atraso da sua reforma) é funcional à própria reprodução do poder e seu controlo pelas elites políticas dominantes.
Ao longo dos últimos anos, em que o rent seeking e o tráfico de influências floresceu, a Justiça apadrinhou – porque o Partido não quis que ela fizesse o contrário – os processos de acumulação primária de capital centrados no Orçamento do Estado, na banca antes da sua privatização completa e nos créditos do tesouro que ainda hoje não têm sido reembolsados. Muitos destes processos nunca foram clarificados e ainda não se tem a certeza sobre se existe vontade para que essa clarificação aconteça.
O grande desafio do MP é, pois, perceber a natureza dos sinais que lhe são transmitidos pelo Partido e pelo Governo e avaliar até que ponto esses sinais representam incentivos genuínos e duradoiros no sentido de que Manhenje e Cia (independemente do desfecho deste caso) estão apenas a inaugurar uma nova etapa na forma como o Estado lida com a má governação.
Por uma razão:
Se é certo que a reacção judicial contra a corrupção deve ser despolitizada, também é verdade que onde se envolve a grande corrupção (a corrupção política) essa reacção é eminentemente politizada, no sentido em que o poder Judicial só age se tiver um suporte firme da classe política (é esta quem define o âmbito e os alvos que presidem ao início da limpeza). Haverá esse suporte agora? Porque é que o anterior PGR, Joaquim Madeira, queixava-se de que alguns supeitos neste caso nem sequer compareciam às audições? Madeira não percebeu os sinais? Os sinais de vontade política não eram claros? No caso vertente, estamos apenas perante a coragem do PGR Augusto Paulino? O que é que molda essa coragem num contexto em que a administração da Justiça continua formal e informalmente controlada pela liderança política? O que acontecerá depois de Manhenje? Terá o PGR, depois, um reforço desses incentivos?
É, pois, preciso perceber se estamos na presença de um interesse genuíno da liderança política ou se se trata de um mero interesse de reprodução de poder por parte dessa mesma liderança. A percepção dos sinais e dos incentivos estruturais necessários para alavancar uma operação mãos limpas duradoira é fundamental para se evitarem alguns riscos que a acção penal anti-corrupção corre em países onde a corrupção é sistémica (e em muitos casos descontrolada), o clientelismo político-partidário estrutural, a partidarização do Estado seminal e a regulação do conflito de interesses (envolvendo a esfera política e os seus apetites de acumulação) precária.
Um desses riscos é o risco de selectividade. Se a acção do MP neste caso é institucionalmente centrada, no sentido em que os sinais recebidos foram considerados genuínos e a máquina da Justiça tem espaço para agir, é preciso evitar que essa acção seja marcadamente selectiva, abrangendo apenas alguns processos e não o conjunto alargado de práticas que até são do conhecimento público (alguns por via dos relatórios do Tribunal Administrativo sobre a Conta Geral do Estado).
O que torna difícil – mas não desencorajador – o trabalho do MP hoje é que o poder político foi sempre condescendente em relação à corrupção. A transição para a democracia foi, ironicamente, marcada por um desengajamento moral da classe política, que arrastou a sociedade a níveis de promiscuidade jamais vistos. O discurso da construção da burguesia nacional alimentou todo um conjunto de desmandos que se permitiram na transição e que hoje continuam, agora com novos actores, novas e mais sofisticadas formas e fontes de enriquecimento e estratégias de acumulação, etc. É este quadro que se espera seja invertido, para que a dependência externa seja reduzida, evitando-se que os recursos públicos e os negócios do Estado sejam apenas para o benefício de uma minoria.
O Ministério Público demonstrou uma enorme coragem política, tendo em conta a figura de Manhenje e o grupo a que ele pertence dentro do Partido. É pois preciso elogiar essa coragem. Mas o que o MP não precisa apenas de palmadinhas nas costas. Há várias formas de se iniciar uma limpeza anti-corrupção. Fritar um peixe graúdo é uma delas, dado o simbolismo subjacente de se ir demonstrando à sociedade que novos tempos se avizinham. Outra forma é ir-se criando pequenas reformas administrativas, algumas ilhas de integridade, mais rigor das entidades de fiscalização (Assembleia da República) e auditoria (Tribunal Administrativo).
Qualquer que seja a abordagem escolhida, a coragem do MP deve ser amparada para se evitar o risco do isolamento. O pior que pode acontecer à liderança de Augusto Paulino na PGR é ele ficar sozinho neste trabalho. E aqui está um dos grandes desafios que a classe política tem pela frente: não basta permitir que se capturem um ou dois peixes graúdos; é preciso que se limitem as estruturas de oportunidades para que os peixes graúdos tenham menos espaço para delapidação do erário público.
Neste processo, o executivo (liderado pelo Partido) e a Assembleia da República tem um papel fundamental na urgente reforma legal anti-corrupção: a regulação do conflito de interesses para o Presidente da República, para os membros do Executivo, para os deputados da Assembleia da República continua precária; a fiscalização da declaração de bens dos titulares de cargos governativos é ainda inexistente. A melhoria do quadro legal específico é instrumental para o controlo da corrupção.
Com a acção do MP neste caso de Manhenje, o sistema nacional de integridade (o conjunto de instituições e normas que contribuem para promover a transparência e a boa governação) acaba de reerguer um dos seus pilares. No actual estágio, apenas os media e o Tribunal Administrativo conseguiram manter-se firmes e vem reforçando paulatinamente os seus alicerces. É preciso mais jornalismo investigativo, é certo; e o TA deve auditar mais contas do Estado, penetrando urgentemente nessa selva descontrolada que são as empresas públicas.
Os ganhos que vêm sendo alcançados exigem dos restantes pilares um complemento efectivo para que o nosso edifício institucional saia do caos. A acção do MP é uma oportunidade para que alguns campeões da integridade que se diz haver dentro das instituições, do Partido e da sociedade saiam do silêncio e dêem o seu contributo. Depois de Manhenje, é preciso que não se deixe a PGR no isolamento. Onde a corrupção virou sistémica, um dos maiores riscos é o de redes clientelares dominantes empurrarem os reformadores para ostracismo.
Por Marcelo Mosse -Director Executivo do Centro de Integridade Pública
Thursday, 9 October 2008
Democracia refém de comportamentos bizarros
Estes dirigentes ameaçam o projecto de democratização, iniciado com a proclamação da primeira Constituição, já passam cerca de duas décadas.
Trata-se de um fenómeno que está a causar várias inquietações, com consequências drásticas para os períodos eleitoralistas, em que ninguém se massa em ir votar, com a maioria da população moçambicana a optar pela abstinência, devido à falta de postura, por parte dos políticos, que perderam a noção do conceito democrático e passam a vida a promover ataques entre eles, num esforço descabido de levar-se um teatro mal encenado, com actors medíocres, em relação à matéria.
Mais curioso, ainda, é o envolvimento, na cena, de alguns destacados membros de partidos políticos de referência quase obrigatória, ao nível nacional e internacional, casos da Frelimo e Renamo, que rubricaram, em Roma, o Acordo Geral da Paz, que culminou com o cessar fogo, passam 15 anos.
O Acordo Geral Paz veio abrir o espaço para a criação de novos partidos políticos, que participam de vários processos democráticos, que assentaram, na primeira Constituição de Direito, aprovada, em 1990 e, posteriormente, substituída, em 2004, por outro instrumento do género que, também, tem a democracia como um pressuposto básico, para o desenvolvimento do País.
A paz e democracia que se vivem, no País, são fruto do sacrifício de vários membros e simpatizantes da Renamo que, através da guerra, já que pelo diálogo não teria sido possível, convenceram o governo da Frelimo, a reconhecer o direito à democracia que era negado aos moçambicanos.
Esta é uma das razões que fundamenta o discurso segundo o qual “Afonso Dhlakama é pai da democracia”, sobretudo, porque, durante o processo da luta, ele foi o negociador nato do processo que levou à democratização do País.
Neste momento, Dhlakama, baptizado com o nome de pai da democracia, deve estar desapontado com o ambiente tenso que se vive, País.
A Frelimo está a fazer tudo, na tentativa de abafar a oposição, com o destaque para o partido liderado por Afonso Dhlakama.
Na cidade portuária da Beira, Sofala, a Frelimo promoveu um conflito que se degenerou na expulsão de Daviz Simango, numa tentativa de abafar a Renamo, naquele ponto do País. (AA)
FONTE: A Tribuna Fax, com data de 07/09/08
Tuesday, 7 October 2008
Mbuzini em foco

Dois operativos dos Serviços Especiais afirmam que a morte de Samora não foi um acidente mas sim uma conspiração.
Pik Botha, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Professor Andre Thomasshaussen, antigo assessor da Renamo, e Dumisa Ntsebeza, da Comissão da Verdade e Reconciliação, afirmam que deveria ser constituída uma Comissão de Inquérito para ser apurada a verdade.
Eu não acredito muito nesta teoria, à luz de diferentes inquéritos e declarações, mas tenho o espírito aberto a todas as possibilidades. A ser verdade, muitas outras questões terão de ser levantadas.
LAM vai de mal a pior
A ninguém podemos confessar, nem mesmo às paredes o martírio por que temos vindo a passar sempre que viajamos de LAM. Pedimos, sem mais tempo a perder, para o governo encontrar a terapia, necessária e urgente, para salvar a nossa companhia aérea da morte certa a que está condenada, insuflando novo sangue no seu envelhecido Conselho de Administração que pouco faz para melhorar as condições de viagem.
A bicha de espera, para ser atendido, é enorme e a disputa, para conseguir um lugar, parece ser um jogo de azar. Já em pleno voo, vem, em cascata, o problema de jejum forçado. Falta, apenas, anunciar que cada passageiro, querendo, pode levar, para lanche, massanika, papaia, dhoro, maheu, sura, mandioca, etc., para evitar pedir. É inaceitável que uma companhia aérea sirva, a passageiros, um copito de sumo ou um pingo de refresco, com um pacote de 150 gramas de batatas fritas, comparável ao que os meninos levam à escolinha.
Temos viajado, diversas vezes, de LAM e verificamos que os serviços de bordo são, invariavelmente, maus. Pegam LAM na falta de outra companhia como alternativa. Na falta do melhor, o pior serve, diz o povo. A administração da LAM está a transformar os seus aviões em verdadeiro “chapa aéreo”. Não acreditamos que o ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, desconheça esta situação. Se conhece, então, está a faltar à sua obrigação.
Em que companhias viajam nossos dirigentes? – Em companhias estrangeiras bem confortáveis, para as habituais sessões do xitó pidir ajuda. Pedimos indulgência do Ministério Público para não nos processar, alegando atentado à segurança do Estado. Perguntar não ofende nem tem que haver vinganças. O problema, na nossa opinião, talvez, resida na falta de concorrência. Enquanto existia a Air Corridor, a LAM não apanhava sono. Agora ficou sozinha na área, logo se esqueceu de servir bem os seus passageiros.
A LAM tem, apenas, quatro aeronaves. Os membros do seu Conselho de Administração auferem salários de luxo, incomportáveis com as suas receitas produzidas. O presidente do Conselho de Administração ganha o mesmo que o seu homólogo sul-africano que dirige a South African Airways – SAA – companhia com 64 aeronaves, incluindo um Airbus A340-600, um A340-300E e outro A319. A SAA opera uma malha com 39 destinos em 29 países, mais de 900 voos regulares, por semana, transportando mais de 6.5 milhões de passageiros por ano.
( Edwin Hounnou, na Tribuna Fax de 24/09/08 )
Monday, 6 October 2008
Fundos públicos à deriva
É impossível que tanto dinheiro desapareça dos bancos, ministérios e empresas públicas sem a Inspecção de Finanças se aperceber. Gatunos criam empresas fantasmas e introduzem- nas no Estado para sacarem fundos. No Ministério da Defesa Nacional generais têm a Monte Binga – que elucida o caos em que se encontram os fundos do Estado. A Monte Binga foi concebida para enriquecer figuras militares. Chamamos a atenção de que as manutenções, messes, pensões, hotéis, etc., sumiram.
De quem é a empresa que abastece os quartéis, em géneros alimentícios? Apesar do mau serviço, ninguém ousa tossir. A Chicamba Investimentos, empresa fantasma que Almerino Manhenje encomendou a Armando Pedro, seu comparsa no suposto festival dos 220 milhões de meticais, furtados no Ministério do Interior. Armando Pedro, especialista em engenharia de empresas fantasmas, apadrinhado por pessoas coladas nos píncaros do poder, criou Monte Binga e Chicamba Investimentos. Igual táctica foi usada para sacar fundos do Instituto Nacional de Seguraça Social, logo que Armando Pedro chegou à presidência daquela instituição. Para azar do crime organizado, o esquema não vingou, por não ter sido carimbado pela tutela. A sobrefacturação é o prato forte da gatunagem. Empresas fantasmas, registadas em nome de seus empregados menores, factura(va)m a preço de ouro.
O Ministério das Finanças tem inspecção de finanças para controlar a gestão dos fundos públicos alocados aos ministérios e instituições públicas. Se a inspecção não funciona, seja por cumplicidade ou ignorância, é sempre culpada. Deveria ser responsabilizada pelos sumiços dos fundos públicos. A ignorância da lei não é, em juízo, um atenuante. A cumplicidade é um crime. O peso da justiça deveria se fazer sentir.
Os ministros do Interior, José Pacheco, e do Trabalho, Helena Taipo, anunciaram haver graves problemas com a gestão de fundos do Estado, nos sectores sob sua jurisdição. O Presidente Armando Guebuza tem dito que os sete milhões não se destinam, como é prática, a financiar projectos de compadres, mas, à geração de emprego. O Presidente não esconde os problemas. Pede que todos procurem a solução. Se fosse a PM diria que tudo está bem. Os inquéritos por ela mandatados não têm desfecho. Nada faz para parar o saque das empresas Aeroportos de Moçambique, PETROMOC e EMOSE. O silêncio é alma do negócio, dizem os iluminados. (Edwin)
FONTE: A TRIBUNA FAX, de 06/09/08
Senhor Ministro das Finanças— Assunto: pedido de financiamento
Gostaria de aproveitar as inéditas oportunidades que o governo tem aberto a cidadãos nacionais que desejam combater a pobreza absoluta, concedendo-lhes ajuda financeira, através dos fundos do Tesouro.
Este gesto tem sido bastante útil para o surgimento da burguesia nacional. Venho solicitar-lhe um modesto empréstimo financeiro de 6,5 milhões de dólares. Se for benevolente, a miséria que me apoquenta será estória para contar às gerações do futuro. Não se arrependerá de ter ajudado a um compatriota seu que tanto o admira.
Compro um iate, para competir com sul-africanos que gingam nas nossas praias. Construo um lodge à beira-mar, para férias. Compro um Jeep para galgar dunas, a gozar com Telmina Pereira. Não é babando estrangeiros, como faz Fernando Sumbana, para virem bufar nas nossas águas. Quem sabe trabalhar, sabe descansar, dizia o camarada Vladimir Lénine. Vou produzir jatropha. Fiquei emocionado quando vi o ministro do Interior, com uma amostra de jatropha à cabeça, num comício, em Maputo. Para quê produzir milho, arroz, trigo, se tudo isso pode vir de fora? Basta um peditório internacional.
É pessoa de bom coração, como a Dra. Luísa Diogo, que distribuiu fundos do Tesouro a figuras do partido governamental, não se esquecendo de financiar projecto do seu marido, como é óbvio. Não me dizer que é tarde. Onde come um, comem dois. Onde comem dois, comem três. Confesso que estou cansado de pobreza. Deus não me quer pobre pelo resto do tempo. A sua ajuda, juro palavra de honra, sinceramente, vai ser minha bóia de salvação. A sua mão seria abençoada, pode ter certeza. O governo tem sido bondoso para com todos os cidadãos, independentemente das tonalidades políticas de cada um.
Com as facilidades que o governo concede a indivíduos que recorreram a essa ajuda, creio que, dentro de pouco tempo, poderei mudar o rumo da minha vida. Os miúdos poderão estudar no colégio e os mais velhinhos avançam para Europa ou América. Os meninos queixam-se de estudar sentados no chão e encurvados, escola sem tecto nem janelas, por isso, andam doentes. Pensei em si que poderia ter pena dos putos e aliviarlhes o sofrimento. Ser pobre é mesmo chato. As regras da banca são pesadas. Se a gente brinca, até nos tiram as cuecas. O Tesouro não incomoda, deixa a gente numa boa.
Segundo usos e costumes africanos, não se exige garantias reais de reembolso. A boa tradição africana tem, mais uma vez, que prevalecer, como foi com outros que nos antecederam nessa coisa de pedir grana do Tesouro. Algo nos une – se não for o partido, temos a mesma pátria, nação e bandeira, logo, saberá que as oportunidades devem iguais a todos. Garantolhe que não sou reaccionário. Sou homem honesto, sincero e respeitador da lei. Ajude-me, por favor!
Espero deferimento.
E mais não disse.
Maputo, aos 06 de Outubro de 2008.
( Edwin Hounnou, em A Tribuna Fax, de 06/09/08 )
Sunday, 5 October 2008
O que é afinal a reconciliação?

Jacinto Veloso falou e acabou por deixar claro que o reverendo Uria Simango, Joana Simeão, Lázaro Kavandame, Júlio Razão Nihia, Mateus Gwengere, Paulo Gumane e muitos outros foram assassinados.
Quanto ao documento que serviu para tentar "emprestar um cunho jurídico ao acto de assassinato", aliás várias vezes referido aqui no «Canal de Moçambique», mas também em outros órgãos de Comunicação Social, Jacinto Veloso, proeminente figura do ex-Bureau Político do Comité Central do Partido Frelimo e ex-ministro da várias pastas de governos de Moçambique, designadamente da Segurança (ex-SNASP), se dúvidas ainda havia, acaba de permitir que tenham deixado de haver, ao afirmar ao jornalista Laurindos Macuacua, d´ «O País», o que desde já recordamos: "Penso que não assinei. Alguém o preparou. Tinha, efectivamente naquilo que eu entendo hoje, o objectivo de legalizar o julgamento desse grupo de concidadãos que eram considerados reaccionários ou traidores. Mas não posso comentar muito. O que posso dizer é que tem de distinguir uma situação de guerra de libertação onde a lei é da própria guerra. A justiça faz-se onde a coisa acontece, o que é diferente de um Estado de Direito.”
Já não há maneira de se continuar a escamotear os factos. As pessoas estão mortas. Foram mortas sem direito a defesa. Foram sumariamente executadas.
Moçambique já era um Estado independente, já era um País membro da Organização das Nações Unidas. Já tinha Constituição. Já era um Estado de Direito. Não se tratou de situação de guerra nenhuma como alega Jacinto Veloso. Moçambique já era um Estado com governo que deveria ter exercido as suas responsabilidades de proteger por igual todos os cidadãos, mas agiu para lhes tirar a vida.
Passa a ser certamente desconfortável para estados que hoje levam a Haia certas personalidades, continuarem calados perante este reconhecimento tácito de um crime de Estado praticado por pessoas a quem ainda é possível pedirem-se responsabilidades. Afinal trata-se de um genocídio de muito maiores dimensões. O grupo de "concidadãos" que foram vítimas não se limitava aos nomes mais sonantes que hoje servem de referência. São muitos mais. Tantos que há até "correntes de opinião" que amiúde chegam mesmo a falar em "limpeza étnica" quando recordam as proporções da criteriosa operação de eliminação física dos opositores ao regime que com certas práticas acabou por suscitar a violenta Guerra Civil por que Moçambique acabou por ter de passar e viria a terminar com um saldo extremamente negativo. Os «campos de reeducação» e a «operação produção» são também disso memória e referência que não deixa Robert Mugabe só quando se recorda o genocídio de Matabeleland.
Não se trata de pedir que se reabram feridas. O papel dos familiares serve de referência. Tem sido de tolerância e de perdão, particularmente no caso do Edil da Beira, Deviz Simango, e do seu irmão mais velho, Lutero Simango, ambos filhos do reverendo Urias Simango, ex-Vice-presidente da Frelimo, e de Celina Simango, esta fundadora da LIFEMO, primeiro movimento feminino Moçambicano que antecedeu a OMM no início da Luta Armada de Libertação Nacional e que foi por si presidido até à sua extinção a 4 de Março de 1968. De tais perdas humanas não há forma de ressarcir as famílias. Por mais que se faça, o mal está feito e é irremediável.
Mas há certamente um gesto que se pode exigir a quem tem andado ultimamente pelo país a recordar nomes que da História não se podem apagar. Devolver os restos mortais aos familiares é o mínimo que se pode pedir e até mesmo exigir. Esperamos que não falte sentido de Estado a quem tem consciência de que o que já foram "ideias contra-revolucionárias" hoje fazem a política de quem aniquilou os "reaccionários e traidores" de ontem. A razão falou mais alto.
As famílias das vítimas aguardam o momento de poderem ter consigo pelo menos os restos mortais dos seus entes. E o Estado Moçambicano à luz da Nova Constituição deve saber assegurar-lhes esse direito. A Procuradoria Geral da República não tem nada a dizer sobre isto? O que é afinal a reconciliação? (Z)
FONTE: CANALMOZ
Um pensamento e um abraço
Saturday, 4 October 2008
Humor

Vinha o Presidente da República das Bananas e uma comitiva de seguranças caminhando por uma rua abaixo quando o Presidente se viu apertado para urinar :
Friday, 3 October 2008
Ilegalidade: Renamo premeia fofoqueiros
No passado fim-de-semana, veio a lume uma notícia que considero importantíssima mas que quase se me escapava. O Allafrica.com, um site informativo considerado credível e idóneo, informou que Fernando Mbararano, Faque Inacio e Moises Machava foram nomeados para o Conselho Nacional da Renamo. Ora bem, quem são estes indivíduos? Nem mais nem menos que os fofoqueiros da Beira, os intriguistas que causaram a presente crise na Renamo, crise essa que está a ter consequências dramáticas para o Partido. Eu quase que ia caindo da cadeira quando li esta triste notícia, ao invés de investigar e disciplinar estes fofoqueiros a Renamo decidiu dar-lhes um prémio. Isto é demasiado mau para um Partido que se diz democrático, e se insistir em copiar os erros mais grosseiros da Frelimo jamais será alternativa, pois na Frelimo é prática corrente premiar os imcompetentes e a Renamo está a aprender bem.
Esta notícia é revoltante mas tem uma vertente ainda mais preocupante, as nomeações foram feitas à margem dos estatutos da Renamo. Vejamos calmamente, o Artigo 25 dos Estatutos do Partido Renamo afirma o seguinte: “O Conselho Nacional é composto por 60 membros eleitos pelo Congresso. No processo de eleição dos seus membros observa-se o princípio de representação das províncias e do género.” Penso que está bem claro, os membros do Conselho Nacional são eleitos pelo Congresso, como não há Congresso há muitos anos torna-se evidente que estas nomeações violam os próprios Estatutos do Partido, sendo assim ilegais. Recuando no tempo, este estratagema ilegal foi usado no ano passado quando Rui de Sousa e Maria Inês Martins foram nomeados para o Conselho Nacional. Esta é uma situação extremamente alarmante pois decisões importantes estão a ser tomadas por pessoas nomeadas ilegalmente.
Eu não sou jurista mas os Estatutos são bem claros, não precisam de interpretação especial. Curiosamente, o Artigo 26 no ponto 4, indica que é competência do Conselho Nacional “Velar pela observância rigorosa dos Estatutos e do Programa do Partido”. Como pode velar se o Conselho Nacional é o principal prevaricador?
Eu não vi a notícia da nomeação dos intriguistas em outros meios de informação, se não foi amplamente divulgada isso revela que na Renamo não há comunicação nem transparência. A propósito, porque não houve um comunicado explicando o que se passou em Quelimane? A Renamo é uma organização secreta?
FONTES: http://allafrica.com/stories/200809240128.html
Os Estatutos podem ser consultados em: www.comunidademocambicana.blogspot.com
Thursday, 2 October 2008
Do poder da Comunicaçao Social ao poder do dinheiro

Maputo(Canal de Moçambique) - Na semana findou, o jornalismo independente moçambicano viveu um facto, de alguma forma, inédito. A última edição do jornal «Zambeze» foi praticamente “retirada das bancas” - estou a citar o semanário «Savana» - aparentemente por figuras que se sentem visadas nos artigos que o jornalista Luís Nhachote tem estado a publicar no semanário «Zambeze» sobre os “contornos do narcotráfico em Moçambique”. Como já deve ser público sofreu ameaças pelos referidos artigos. Inclusive remeteu uma queixa à «PGR- Procuradoria Geral da República». Mas fora o que foi acima dito o que mais intriga o autor destas linhas é o nível de baixaria de quem “retirou o jornal Zambeze das bancas”. Os indivíduos foram ao ponto de comprar o jornal em causa, retirar as páginas que lhe interessavam, e devolver os mesmo exemplares aos ardinas que lhes venderam. Estes últimos na sua ingenuidade voltaram a colocar o mesmo jornal, sem algumas páginas, no mercado. Que algumas pessoas tenham dinheiro para comprar o número de jornais que lhes convêm é com elas. Mas tamanha baixaria deve ser um indício de que os artigos de Luís Nhachote estão a incomodar, como razão, determinadas pessoas que acreditam que o poder do seu dinheiro pode incomodar o poder da comunicação social. São os que não tiveram tempo para saber que a comunicação social também é um poder. E agora que a «PGR» está com a cara mais ou menos limpa, com a detenção do ex-«super ministro» do governo de Joaquim Chissano, Almerino Manhenje, e dos seus oito colaboradores, facto que devolveu, de certo modo, algum crédito à instituição dirigida por Augusto Paulino, penso que a mesma tem obrigação de investigar quem são as pessoas a quem os artigos de Nhachote incomodam. E porquê? Nem que seja para que os cidadãos mais comuns não continuem a perguntar no «Chapa-Cem»» como é que proprietários de minúsculas tabacarias circulam em carros do último grito e vivem em mansões de sonho!?...
(Celso Manguana) – CANALMOZ, 30-09-08
É vergonhoso e estranho!
Sou por uma Renamo forte e ligada às bases, que não embarca em mentiras de pessoas com agendas ocultas. Gostaria de ver a Renamo disputando, de igual para igual, o acesso ao poder com o seu adversário, Frelimo, e não perder tempo a gerir guerras intestinais provocadas por intriguistas e fofoqueiros. Se o líder da Renamo tiver, no seu horizonte, a esperança de vir ser governo, é urgente que abandone os métodos autodestruição e autocrático.
Tem que se mostrar inconformado por aquecer o banco da oposição e dar a mensagem de que tem programa para governar melhor que a Frelimo. Ser um partido de esperança e não onde os melhores militantes são esmagados e humilhados. Se agir de tal modo, a Renamo vai ser a escolha preferida do povo. Enquanto continuar a infernizar seus militantes, dificilmente será governo. Ninguém confia num partido que se digladia ao invés de planificar vitórias eleitorais, reorganizando-se.
A Renamo tem que debater ideias, deixar várias correntes de pensamento, fluírem, livremente. Em eleições, em caso de dúvidas, entre um diabo conhecido e outro desconhecido, o povo escolhe o conhecido. As novas gerações não conhecem o colonialismo nem viveram os terrores do comunismo. Precisam de uma nova mensagem da causa pela qual a Renamo diz se bater. Quando se apercebem de que na Renamo não há espaço para se afirmarem, apartam- se que nem o diabo foge da cruz. A expulsão de Raul Domingos foi horrível. O isolamento sujeito a membros proeminentes que poderiam dar um contributo significativo, tais como Jafar Jafar, Benjamim Pequenino, David Aloni, recentemente falecido, Joaquim Vaz, Chico Francisco, Benjamim Cortês, Raimundo Samuge, etc., amedronta aderir a qualquer um. A expulsão, com base em fofocas, de Daviz Simango, consolida a ideia de que a Renamo caiu no abismo.
Chama a atenção a qualquer indivíduo que o grupo Mbararano ande colado à polícia e o seu discurso contra Simango seja coincidente com o da Frelimo. Pode-se deduzir que o afastamento de Simango obedeceu a uma agenda estranha à Renamo. É contra os interesses dos beirenses.
Manuel Tomé, chefe da bancada parlamentar da Frelimo, por diversas vezes, disse que a representação parlamentar da Renamo corre o risco de ser reduzida para metade, na próxima legislatura, devido à forma como a perdiz não faz política. Nas próximas eleições, certificar-nosemos desta previsão. A democracia anima quando há igualdade. Agora, o desequilíbrio com tendência a aumentar. Meus avisos ao líder da Renamo para mudar de postura, nunca faltaram.
Por Edwin Hounnou, na TribunaFax de 30/09/08
Wednesday, 1 October 2008
Dhlakama, assim não
Tais métodos demonstram-se inadequados numa situação de política multipartidária. A continuar assim, corria o risco de esvaziar suas fileiras, reforçar o exército de descontentes. A Frelimo sabe o valor de cada voto para não descer do poleiro. Atrás de um desafectado, estão os familiares, amigos e seguidores que, não encontrando razões da medida draconiana, passam a detestar o partido com tais práticas. Apercebeu-se do perigo e parou de expulsar seus membros. Hoje, usa todos os meios – partidariza o emprego e o Estado – para assegurar sua supremacia.
Os gigantes da Renamo desapareceram. Andam desavindos com o líder. Até aqui não estão explicadas as razões que ditaram a expulsão de Raul Domingos. Pensa-se que tenha sido vítima de intrigas entre gente da Renamo e dirigentes da Frelimo, designadamente, o seu então presidente, Joaquim Chissano, que foi quem denunciam, cordialmente, ao seu irmão, os pedidos de financiamento de Domingos ao, também, seu irmão, Tomás Salomão. Expulsar Domingos foi um erro político grave. David Aloni, intelectual de vulto que qualquer partido gostaria ter nas suas fileiras, foi vítima de intrigas dos bajuladores. Quando Aloni foi irradiado, o círculo eleitoral de Tete foi assaltado pelo partido no poder. Colocar no banco Dionísio Quelhas é o mesmo que mandar ao balneário Ronaldino Gaucho e substituí-lo por um jogador do Atlético de Muxatazina. Jeremias Pondeca, apesar de, politicamente, queimado, pelas suas danças e apitadelas, no parlamento, continuaria imprescindível na linha de ataque.
Jafar Jafar é uma figura incontornável quando se pensa na vitória. Caíu fora, fulminado por intrigas dos que bajulam o líder. Mentiam que Jafar fazia jogo duplo. Era tudo falso. É um escândalo julgar que Benjamim Pequenino não seja importante na organização, estruturação e valorização da Renamo. Demonstrou, na vida, que é um gestor de gabarito. Tem capacidade para melhor o desempenho do Renamo.
Raimundo Samuge, quadro sénior do partido, mandado, pelo líder, aguardar novas, através de sms de um cellular emprestado a um oficial menor. Depois de um ano de indefinição, decidiu saltar para fora da carroça. O que está a acontecer na Renamo? Dizem haver um enorme défice de diálogo. As ideias não fluem. Quem não discutem, com o seu comando, estratégia de combate, não ganha qualquer batalha, por muito bom comandante que seja. Um partido de crises não ganha uma eleição.
(Edwin Hounnou, A Tribuna Fax, 25/08/08)
A crise Global dos Bancos
Estamos a assistir ao colapso do Capitalismo! Precisamente no país do liberalismo económico mais radical. Os accionistas vampiros das finanças serviram-se do sistema financeiro até ao máximo e à sombra de gerents usurários dos grandes bancos e duma política também ela sedenta de dinheiro.
Tal como o sistema económico comunista falhou há 20 anos, falha agora a ordem económica actual. As ideologias revelam-se precárias. Que se aproveita delas são sobretudo as nomenclaturas dirigentes. O povo é quem paga a fava! Políticos e banqueiros procurarão manter o rebanho calmo no redil. Seria pior ainda se as ovelhas escoicinhassem ao serem tosquiadas, na opinião de politicos e de banqueiros. Estes esperam da política que esta encha os bancos falidos com o dinheiro dos contribuintes para que os que vivem do dinheiro irreal especulativo não vejam diminuir o dinheiro e continuem a operar no seu Olimpo.
“Toda a nossa economia está em perigo”, confessa o presidente americano. Para que os bancos não deem bancarrota os estados têm de os apoiar com somas astronómicas. A USA começa dando o exemplo disponibilizando 700. 000.000.000 Dólares. É discutível mas se o não fizer mais cara ficará a crise para nós. Mesmo assim as consequências serão desastrosas, por muitos
anos. Haverá um decréscimo da produtividade e dos investimentos.
O desemprego aumentará
O contribuinte e os fornecedores do capital real ao banco terão de pagar a factura das especulações feitas pelos jogadores das notas falsas da bolsa (economias irreais).
Seremos informados a conta-gotas sobre as perdas reais dos bancos. Seria catastrófico se o povo se apercebesse do problema e perdesse a confiança nos bancos!... Então até os bancos mais saudáveis faliriam. Eles trazem mais dinheiro emprestado do que o dinheiro que possuem.
Antigamente tinham o correspondente das notas em ouro. No tempo duma democracia mal gerida basta a confiança e o povo como fiador.
O Doutor Heiner Geißler, antigo ministro do Governo federal alemão e antigo secretário-geral do partido “União Democrática Cristã” (CDU) apregoa a criação duma nova ordem económica mundial, e uma economia internacional de mercado ecológicosocial. Para não ser sempre o contribuinte a acarretar com as despesas, defende a criação de um imposto sobre as transacções na Bolsa. Este imposto poderia financiar um Marshall- Plan global.
Precisa-se de uma competição regulada, dum sistema mitigado humano. Segundo Geißler o volume de mercado financeiro mundial é de 140 bilhões de dólares enquanto que o produto nacional mundial bruto é apenas de 50 bilhões de euros. Isto significa que há 90 bilhões a mais (falsos) que são usados apenas para fins especulativos e a que falta uma base económica real. A dominância incontrolada dos bancos tornou-se um perigo para os Estados.
A privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos torna o capitalismo liberal ainda mais desumano.Há 20 anos deu-se o colapso sistema económico dos estados comunistas. Pensava-se que o Capitalismo tinha vencido apostando-se no mercado financeiro desregulado. Os resultados estão à vista. A “dolorosa” teremos nós que a pagar!
A aposta dos políticos num Mercado que tudo regularia, vê-se agora perdida. Se a política não intervir reduz-se a acólita da ideologia económica. Para evitar males maiores o Estado fica para já como fiador e o contribuinte paga a conta.
A confiança é boa mas o controlo sempre parece ser melhor
(António da Cunha Justo,no Diário do País, com a data de 29/09/08)

