Saturday, 20 September 2008

Humor sem limites

NOITE DE NÚPCIAS


Um tipo está a jogar ténis e leva uma bolada forte no pênis, causando um “trauma muscular peniano”. Em agonia, dirige-se ao medico:
- Doutor, veja o que é que pode fazer por mim... Vou casar no final dasemana; a minha noiva é virgem e não posso decepcioná-la.
- Não se preocupe, vou tratar de si de maneira que esteja tudo em ordem para o dia do seu casamento.
Então, pega 4 pauzinhos, que habitualmente são usados para examinar agarganta dos pacientes e, com fita adesiva, consegue prendê-los aoredor do pénis, de forma a recuperar a rigidez do mesmo.
O tipo não conta nada à noiva, casam-se, e na noite de núpcias, já naprivacidade do quarto, a noiva fogosa arranca os botões da blusa e mostra-lhe os peitos, exclamando:
- És o primeiro! Nunca nenhum homem tocou estes seios!Para não ficar atrás, o noivo abre a braguilha, baixa as calças e exclama:
- Olha, estás a ver? Ainda está encaixotado!!!
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CALOR E FRIO APÓS O SEXO

Um casal de idosos vai ao médico. Ao terminar o exame, o médico pergunta ao velhinho: 'Sua saúde parece boa. O senhor tem alguma pergunta, ou existe alguma coisa que o preocupa?
- 'Na verdade, existe', diz o velhinho. 'Depois de fazer sexo com minha esposa, em geral sinto muito calor depois da primeira, e, depois da Segunda, sinto muito frio.
O médico diz que nunca ouviu falar disso e vai pesquisar. Em seguida, o médico examina a velhinha, e diz: 'Tudo está muito bem com a senhora. Existe alguma coisa que a preocupa?
A senhora diz que não tem nenhuma pergunta ou preocupação. O médico então diz a ela:
'Seu marido diz ter um problema um pouco estranho. Ele disse que sente muito calor depois de fazer sexo a primeira vez, e que sente muito frio depois da segunda. A Sra. Tem do porquê?
'Oh, aquele velho maluco!' responde ela. 'É porque a primeira é em Julho, e a segunda, em Dezembro!'
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SHORT JOKE

A 3-year-old boy examined his testicles while taking a bath.'Mum',he asked,'Are these my brains?
''Not yet,'she replied.

Friday, 19 September 2008

Olhos postos em Quelimane





Tem hoje início em Quelimane a reunião da Comissão Nacional da Renamo, encontro esse que se prolongará até à próxima Segunda-Feira.
Esta importante reunião acontece num momento em que a Renamo passa por uma grave crise, precipitada pela nomeação de Manuel Pereira como candidato à edilidade da Beira, afastando desse modo Deviz Simango, que irá concorrer como independente. O mal estar dentro da Renamo já se faz sentir há algum tempo, vindo a público acusações de inércia, lutas intestinais e atitudes anti-democráticas.
O caso Deviz Simango será um ponto quente deste encontro pois as declarações de alguns líderes fazem crer que ele poderá ser expulso do Partido. Entretanto, sabe-se que a liderança tem sido avisada sobre as graves consequências da possível expulsão de Simango. Espremos que o bom senso prevaleça!
Outros assuntos que serão discutidos são o custo de vida e o fosso entre ricos e pobres, as eleições em Angola e Zimbabwe e a nomeação de Afonso Dhlakama como candidato às próximas eleições presidencies. Será também aprovada a estratégia para as próximas eleições. Especula-se que seja abordada a questão do próximo Congresso, Congresso esse que tem sido repetidamente adiado.O grande interesse desta reunião é saber se haverá debate e consenso ou se servirá apenas para carimbar decisões já tomadas por um grupo restrito de pessoas. Veremos, estamos atentos!

Tuesday, 16 September 2008

Mbuzini mais uma vez

Tupolev Aterrou em Mbala com Excesso de Peso


Sérgio Vieira alega que a tripulação não queria viajar de noite. Contrariando o superior hierárquico, o chefe da segurança do voo diz que os pilotos russos tencionavam voar através da província de Tete.



A viagem de Samora Machel à Zâmbia no dia 19 de Outubro de 1986 era para ser feita num Boeing-737 da LAM, tendo como piloto o Comandante Sá Marques. Por decisão do Ministério da Segurança, alteram-se os planos, sendo o voo atribuído à tripulação soviética que para tal utilizaria o Tu-134A. A medida reflectia a situação tensa que reinava em Moçambique. Cerca de uma semana antes, o Ministério da Segurança havia emitido um comunicado, alertando o País para a iminência de “um ataque directo” do regime do apartheid contra Maputo (subentenda-se, na criptologia Frelimo, a descoberta de uma conspiração no seio das Forças Armadas de Moçambique para derrubar o Presidente Samora Machel).

Ao que consta, a mudança repentina colheu o Presidente Samora Machel de surpresa. Ao dirigir-se da Sala VIP para a placa do Aeroporto de Maputo, o chefe de Estado moçambicano, ao reparar que o Tupolev ali se encontrava estacionado, terá questionado, “então é neste avião que vamos?” Os recentes incidentes envolvendo a aeronave presidencial em Cabo Delgado, com a primeira-dama a bordo, certamente pairavam na memória do presidente.

Embora tivesse sido reabastecido no dia anterior, o Tupolev voltaria a meter combustível nos tanques ao efectuar uma escala técnica em Lusaka, menos de duas horas após de ter descolado de Maputo. Efectivamente, em Lusaka o Tupolev presidencial foi reabastecido com 7620 kg de combustível. Isto faria com que a aeronave, ao aterrar em Mbala pelas 11 horas da manhã, estivesse com excesso de peso (para cima das 43 toneladas), o que não era permitido para poder efectuar uma aterragem em segurança na pista dessa Base Aérea zambiana. Este, um dos muitos erros cometidos pela tripulação ao longo da viagem, tanto na ida como no regresso a Maputo, mas que a União Soviética insistiu que fosse omitido do Relatório Factual elaborado por peritos sul-africanos, moçambicanos e soviéticos integrados na Comissão de Inquérito instaurada pela África do Sul. O facto é relatado por Des Lynch, um dos investigadores sul-africanos, num manuscrito intitulado, Investigating C9-CAA – The true events of the investigation into the aviation accident in which President Samora Machel died. Lynch refere que a referida comissão teve de ceder às exigências da União Soviética pois receava que Moscovo viesse a dar ordens aos seus peritos para que não assinassem o Relatório Factual se esse pormenor constasse deste documento base das investigações sobre o acidente de Mbuzini.

A escala técnica efectuada em Lusaka serviu, no entanto, para ilustrar as intenções de voo do comandante do Tupolev. Ao reabastecer o avião em tão curto espaço de tempo depois da descolagem da capital moçambicana, o comandante deixava claro o seu objectivo de regressar a Moçambique num voo directo, Mabala-Maputo, sem escala técnica ao longo do percurso. Um outro factor indicativo dessa sua intenção foi o pedido feito à Torre de Controlo de Lusaka para subir até aos 3,700 metros depois de descolar de Mbala, precisamente para poupar combustível.

Estes factos contrariam uma versão, posta a circular anos mais tarde em Maputo, por um antigo funcionário do Ministério da Segurança, sobre o não reabastecimento do Tupolev para o voo de regresso a Moçambique. Em declarações ao semanário Embondeiro, por ocasião do 18° aniversário do acidente de Mbuzini, Fernando Manuel João, que desempenhou as funções de chefe de segurança do voo de 19 de Outubro de 1986, dizia que “os pilotos russos tencionavam viajar até à província moçambicana de Tete, no centro do País, uma vez que o combustível era muito pouco.” Acrescenta Fernando João, que foi um dos sobreviventes do desastre: “Mas Samora Machel negou, dizendo que tinha que estar em Maputo naquela noite. Usou-se assim o pouco combustível de reserva. O Presidente nem precisou de consultar alguém pois era comandante-em-chefe.”

Trata-se, pois, de uma tentativa de sectores afectos ao Ministério da Segurança moçambicana, de desculpabilizar, por intermédio de um sobrevivente, a tripulação do Tupolev, quando a responsabilidade pelo reabastecimento adequado da aeronave cabia a ela própria, não estando, portanto, dependente da alegada teimosia de um dos passageiros, independente de ser comandante-em-chefe. Aliás, é de duvidar que a troca de palavras entre os pilotos russos e o Presidente Machel tivesse tido lugar no momento da partida de Mbala, pois a intenção para um voo directo, sem escala técnica, já havia sido tomada antes pela tripulação ao reabastecer a aeronave em Lusaka, no voo de ida. E a inconsistência das palavras do referido ex-funcionário do Ministério da Segurança moçambicano, voltou a estar em evidência quando o seu superior hierárquico, em declarações recentes ao semanário O País, tentava desculpabilizar a tripulação soviética de uma outra forma, acabando até por provocar a ira da antiga primeira-dama moçambicana. Disse o então ministro da segurança, Sérgio Vieira:

“Samora Machel queria voltar a Maputo porque havia um aniversário que queria celebrar. Na volta, à porta do avião, o comandante disse: ‘Eu tenho ordens para não viajar à noite.’ Ele disse: ‘Ordens de quem?’. O piloto respondeu: ‘Dos ministros da Defesa e da Segurança’. Samora disse: ‘Eu sou o comandante-em-chefe’.”
E remata Sérgio Vieira: “Se o comandante do avião fosse um civil, teria recusado, mas como era um militar, deu continência ao presidente e obedeceu às suas ordens.”

Fernando João, Sérgio Vieira, dois antigos responsáveis do sector da segurança, duas versões diferentes com um mesmo fim em mente: ilibar uma tripulação culpada do acidente de Mbuzini, em que um diz que os pilotos até estavam dispostos a voar através de Tete, e outro afirma que a tripulação tinha relutância em descolar de Mbala ao cair do dia.

E Sérgio Vieira volta a contrariar os factos, quando, na mesma entrevista afirma que a tripulação havia telefonado de Mbala para Maputo, “a informar que estavam a descolar e não havia como voltar para trás, porque o comandante-em-chefe dera ordens”.

Na altura do acidente de Mbuzini não havia telemóveis que permitissem comunicações como as que sugere Sérgio Vieira, nem tão pouco o Tupolev estava equipado com o sistema SATCOM, que utiliza comunicações via satélite, segundo declarou ao ZAMBEZE Luís Brito Dias, antigo piloto da LAM. Dias salientou que “a incapacidade do Tupolev de comunicar com quem quer que fosse é confirmada por nem sequer ter conseguido transmitir o Plano de Voo Mbala-Maputo.” Dias acrescentou ter desempenhado, “diversas vezes, as funções de Co-piloto e Comandante de Voos Presidenciais e nunca me lembro de termos transmitido antes da partida as nossas intenções de voo. Pelo contrário, era tudo mantido em sigilo não fossem os sul-africanos interceptarem as comunicações. Eu voei como Co-piloto com o Samora e pelo que os meus colegas também contavam na altura ele até era uma pessoa muito disciplinada quanto a voos presidenciais. Nunca soube que ele interferisse na condução dos voos.”

De facto, o Relatório Factual acima referido fornece com pormenor toda a aparelhagem existente no avião, e desta não consta nenhum aparelho de comunicações que permitisse à tripulação do Tupolev contactar Maputo no momento da descolagem. Se de facto houve o telefonema alegado por Sérgio Vieira, é estranho que na primeira comunicação entre o Tupolev e a Torre de Controlo de Maputo, após o avião ter entrado no espaço aéreo moçambicano, a tripulação tivesse sentido necessidade de informar que levava a bordo o “No. 1”, ou seja, o Presidente Samora Machel.

ZAMBEZE – 11.09.2008

Sunday, 14 September 2008

A saga dos cartoons






No passado Domingo, o semanário sul-africano “Sunday Times” publicou um cartoon que continua a provocar controvérsia.
O conceituado desenhador, Jonathan Shapiro, conhecido pelo nome de Zapiro, desenhou Jacob Zuma desabotoando as calças, pronto para violar uma mulher. Essa mulher representa o sistema judicial e ela está no chão, dominada por quatro homens, representando, da esquerda para a direita, Julius Malema da Liga Juvenil do ANC, Gwede Mantashe do ANC, que incentiva o chefe, Blade Nzimande do Partido Comunista e Zwelinzima Vami do COSATU, a central sindical.
O desenho reflecte a percepção do cidadão comum de que Zuma e os seus apoiantes têm abusado o sistema judicial. Zuma aparece com um chuveiro na cabeça em referência a um outro caso em que ele afirmou que se um homem tiver relações sexuais com uma mulher com a SIDA, não ficará infectado.
As reacções a este desenho não se fizeram esperar, os apoiantes de Zuma acusam Shapiro de racista e outros críticos afirmam que o desenho ofende as mulheres.
Jonathan Shapiro afirma que pensou muito bem antes de publicar este desenho e acha inaceitável que certos politicos se sintam intocáveis. Este desenhador ao longo dos anos tem publicado cartoons controversos.
Alguns dias depois, Zapiro publicou basicamente o mesmo desenho no “Mail & Guardian”, apenas com a diferença de que Zuma afirma: “Antes de começar devo dizer que te respeito”, a propósito de certas declarações proferidas por Zuma. Curiosamente, esse semanário saíu no mesmo dia em que Zuma foi ilibado das acusações que pendiam sobre ele.
Na edição de hoje do “Sunday Times”, Zapiro publicou outra versão do desenho, onde desta vez se vê Thabo Mbeki pronto para violar a mesma mulher, representando o sistema judicial, dominada por outras personagens próximas de Mbeki, em referência ao caso de Zuma em que Mbeki é acusado de ter interferido com o processo, o que lhe vai causar sérios problemas.Eu sou um acérrimo defensor da liberdade de expressão e penso que o grau de democracia num País se avalia pela tolerância em relação a estas situações. Felizmente que Shapiro não vive em Moçambique onde certamente seria acusado de crime contra a segurança do Estado.

Ser feliz é uma decisão!

Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo-Egipto, com a finalidade de visitar um famoso sábio.
O turista se surpreendeu ao ver que o sábio vivia num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobiliário eram uma cama, uma mesa e um banco.
_ Onde estão os seus móveis? – perguntou o turista.
E o sábio, rapidamente também perguntou:
_ E onde estão os seus…?
_ Os meus? Mas estou aqui somente de passagem! – surpreendeu-se o turista.
_ Eu também… concluiu o sábio.

A vida na terra é somente temporária. Sem dúvida, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente e se esquecem de ser felizes.
O valor das coisas não está no tempo que duram, e sim na intensidade com que sucedem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Você pode ser feliz hoje…
E viver cada dia…
É uma decisão…

SEJA FELIZ HOJE!

Saturday, 13 September 2008

Publicidade

Anúncio em plena Av. Angola (Alto Maé)



Medico tradicional que acaba de xegar de Nampula! Veio pra ajudar
você: cura quase tudo!

1. Faz scapar condenção de juiz no tribunal;

2. Faz aquele que não da filho dar filho;

3. Faz devolver aquilo que roubaram ou fica maluco;

4. Tem remédio para homem que já dexou de ser homem levantar e ser
homem outra vez;

5. Faz aumentar bicho de homem para mulheres gostar ;

6. Faz diminuir xixi de mulher para homens gostar muito ate eskecer em casa ;

7. Tem remédio de separar casal para ficar com mulher ou marido dele;

8. Tem remédio pra quando dormir com mulher ou marido de dono não ser
descoberto;

9. Tem remédio para homem ficar muito tempo dentro da mulher;

10. Faz meninas parecerem bonitas e ser gostado por todos os homens;

11. Cura doenças venerea que se apanha quando faz asnera de adultos;

12. Ajuda mulheres pra os marido lhe dar muito dinhero;

13. Cura doença dos pulmõs;

14. Faz passar de classe estudantes que no estuda ;

15. Ajuda fazer tese de mestrado (MBA) em um mes .

Já esteve em muitos paises internacionales entre eles:Chimoio, gurue,
niassa, tete, maxixe, zandamela, xocué e boane!


Recebe 50% no dia do tratamento os outros 50% recebe quando cliente ja
estar bom;

Dr. Taibo Hamad Abdulah
Avenida de Angola, perto do canhoero ver placa amarela!

Thursday, 11 September 2008

Divagações amarguradas

O momento de agitação política resultante da insensata decisão de substituir Daviz Simango por Manuel Pereira como candidato da Renamo para a edilidade da Beira, tem causado graves mazelas à causa da democracia em Moçambique.
O argumento de que as bases devem ser consultadas na escolha dos candidatos é um princípio democrático válido, deveria ser mesmo assim. O problema é que as tais bases que escolheram Manuel Pereira são invisíveis e as verdadeiras bases garantem que sempre apoiaram Daviz Simango. Quem afirma que a agitação na Beira é obra de um punhado de indivíduos que temem perder privilégios, está a brincar com a verdade. Mais grave ainda, as bases não foram ouvidas em outras localidades, porque teria de ser diferente na Beira? Cheira a esturro!

Não se sabe exactamente o que causou esta reviravolta, pois recentemente a Renamo tinha divulgado que Simango seria o seu candidato. Infelizmente, a única pessoa que poderia explicar cabalmente este imbróglio, já não pertence ao mundo dos vivos. Quando as coisas não são explicadas, cria-se a impressão de que se trata apenas de uma tramóia para servir interesses mesquinhos. A falta de transparência é inaceitável num Partido que se afirma como democrata e que se apresenta como alternativa política.

Os mesmos argumentos foram usados pela Frelimo quando preteriu Eneas Comiche, a diferença é que o Partidão sempre usou o jogo sujo e anti-democrático, as decisões superiores devem ser acatadas sem discussão, nada de novo aqui, Comiche será recompensado pelo seu silêncio. O modus operandi da Renamo jamais se poderia confundir com a Frelimo, um Partido democrático tem de estar sempre num patamar ético superior.

Sem querer entrar em questões de Semântica, gostaria de lembrar algo muito importante: as palavras ALTERNÂNCIA e ALTERNATIVA não são sinónimas. A alternância política acontece quando os Partidos se revezam no exercício do poder, consoante a vontade do Povo, é um conceito democrático que devemos ambicionar para Moçambique. Alternativa está conotada com MUDANÇA e acontece quando um Partido apresenta um projecto diferente, se não for assim a alternância política não faz sentido, seria perpetuar um sistema de governação em que apenas mudam as caras dos governantes. Se a Renamo persiste em copiar os erros da Frelimo, jamais sera alternativa credível, o Povo não aceitará alternância sem mudança.

Como não houve transparência, correm várias versões sobre os motivos desta decisão bizarra e a Imprensa livre não tem poupado críticas à liderança da Renamo, dando até exemplos de vários casos de decisões anti-democráticas ocorridas no Partido. Alguns analistas sugerem que a Renamo está em rotura e que o descontentamento já não pode ser disfarçado, o Partido vai ter de mudar radicalmente ou corre o risco de ser irrelevante. Concordemos ou não com essas análises, a verdade é que uma Oposição inoperante e mergulhada em crises, abre as portas ao monopartidarismo. A última versão descabida é que Daviz Simango ambicionava conquistar a liderança da Renamo.

É lamentável que numa altura em que os democratas deveriam estar preparando afincadamente a vitória nos próximos pleitos eleitorais, a Oposição esteja cada vez mais dividida. É extremamente doloroso ouvir que a divisão é fomentada pela liderança. Num partido democrático, as questões são debatidas vigorosamente e as decisões geralmente são consensuais e transparentes, ninguém é discriminado por ter ideias diferentes ou por questionar certas situações. Um Partido pertence aos membos e simpatizantes,de modo algum pertence só à liderança ou a um grupo restrito. Ninguém se pode servir do Partido como coutada privada.


A lealdade é uma virtude louvável, mas por vezes somos confrontados com situações que nos forçam a escolher entre a lealdade e a consciência. A minha opção permanece a mesma: o meu compromisso é com a liberdade e a democracia, em todas as circunstâncias.

Dissidente da Frelimo apoia Deviz Simango

BEIRA — O antigo governador da província de Sofala e fundador do Grupo Reflexão e Mudança, GRM, Francisco Masquil, vai suportar a candidatura independente do actual edil da Beira, nas próximas eleições autárquicas.
Masquil é dissidente do partido no poder, Frelimo, e, neste momento, encontra-se quase fora do cenário politico, depois de não ter renovado o mandato em 2004 a deputado da Assembleia da República pela Renamo. Concorreu ao município da Beira, nas primeiras eleições, tendo sido derrotado por Chivavice Muchangage, no ano em que a Renamo boicotou as eleições.
O GRM de Francisco Masquil, entrou na corrida nas primeiras eleições no mesmo ano em que este abandonou a Frelimo. Aliás, o GRM, na altura, era formado, na sua maioria, por pessoas que haviam pertencido ao Partido de Convenção Nacional, PCN, e alguns, mas em número menor, que provenientes da Renamo e Frelimo.
O GRM viria a estar fora do cenário político porque a maioria dos seus membros se filiaram à Renamo, em Sofala, processo iniciado por Masquil, em 1999, quando conseguiu se filiar na Renamo e eleito deputado da
Assembleia da República pela “Perdiz”, facto que fragilizou o grupo que, no mandato de Chivavice Muchangage, tinha alguns membros no município da Beira.
Daviz Simango formalizou, na ultima sexta-feira, a sua candidatura independente ao município da Beira.
A candidatura de Daviz Simango continua a ser tema de conversa em cada esquina da cidade da Beira e há vozes que dizem que Simango está a destruir Renamo.
Curiosamente, embora com o anúncio formal de Daviz Simango como candidato independente, o “Viva Renamo” continua a ser a tónica e trunfo usado pelo edil da Beira junto aos seus apoiantes, facto que não está a agradar a liderança deste partido, que diz que Simango não é membro da Renamo.Entretanto, Simango disse não se preocupar com o que se diz, pois, segundo suas palavras é membro da Renamo, há bastante tempo.

FONTE: A Tribuna Fax, com a data de 08/09/08, retirado com a devida vénia.

Wednesday, 10 September 2008

Dhlakama fustigado por simpatizantes em Chimoio


Chimoio (Canal de Moçambique) - O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que desde sábado último encontra-se na província de Manica para participar nas cerimónias fúnebres do ex-deputado da Assembleia da República e irmão mais velho de André Matsangaísse, garantiu à nossa reportagem que está confiante na vitória dos candidatos da Renamo às eleições autárquicas de Novembro próximo.
Falando à margem das cerimónias fúnebres de Luís Garife Matsangaísse, o líder da “perdiz”, sustentou que depois de tantos conflitos passados em vários pontos do país para definir as candidaturas dos seus membros, lhe resta agora insistir para que todos os simpatizantes colaborem com o partido, com sentido democrático, e estarem de olhos postos nas campanhas eleitorais que se avizinham no país.
Num aparente ataque a Eduardo Leite, deputado da Renamo pelo círculo eleitoral de Chimoio, que manifestou interesse na sua candidatura independente, tendo chegado a anunciar publicamente tal pretensão mas acabando por não concretizar, Dhlakama disse que estas candidaturas só concorrem para dispersar votos e minar o ambiente no seio do partido. Entretanto, questionado sobre a retirada de Daviz Simango como candidato oficial da Renamo, na Beira, o líder da “perdiz” afirmou que foi sua a decisão, justificando-a como tendo sido em respeito pela vontade das bases, apesar de reconhecer que Simango desempenhou um papel importante no município que é tido como o principal bastião da oposição ao regime da Frelimo. “Daviz Simango fez e está a fazer um bom trabalho no Município da Beira, assim como também outros dirigidos pela Renamo constituem o espelho da boa governação do partido, mas mesmo assim, decidimos avançar com uma outra candidatura, não pelo desempenho, mas sim pela falta de transparência na utilização dos fundos do município”.
Alguns políticos abordados pela nossa reportagem afirmam estar a observar-se, particularmente na cidade da Beira, uma situação de ganância pelo poder no seio da Renamo, sobretudo por parte de um grupo que aspira a tirar proveito dos cofres municipais e a que Daviz Simango não deu espaço nos cinco anos do mandato que está termina em Dezembro. E se por um lado Simango granjeou a simpatia de grande número de munícipes, incluindo eleitorado que publicamente se diz simpatizante da Frelimo, esse grupo estará agora a tentar destruir o Edil que se considera ter sido o que mais fez pela Beira desde a Independência Nacional.
De recordar que Daviz Simango foi ainda este ano considerado pela própria Renamo como melhor edil do país ao nível dos municípios governados pela Renamo, e Dhlakama numa das entrevistas chegou a dizer que “nada justificaria a substituição dos seus presidentes na corrida eleitoral”.
A viragem repentina de Dhlakama, de uma opção de continuidade de Daviz Simango como Edil da Beira para passar a apostar em Manuel Pereira, está a ser considerada por alguns analistas uma opção forçada por certos militares da guerrilha que andam descontentes e a ameaçar Dhlakama alegando que ele está a entregar o partido a jovens que têm a mania que são doutores. Contudo, outros preferem subscrever a ideia de que Dhlakama anda com medo da ascensão de popularidade do engenheiro Daviz Simango, lamentando ao mesmo tempo que assim seja porque reconhecem ser o próprio presidente do partido quem com os seus ciúmes acaba por promover a divisão no partido . Outros ainda consideram que não está posta de parte a hipótese de Dhlakama ter sido enganado por um grupo que se deixou aliciar por benesses que lhes teriam sido concedidas por membros do Comité Central da Frelimo residentes na Beira. E outros chegam mesmo a alegar que Dhlakama está a entregar a Beira à Frelimo a troco de dinheiro que terá recebido. O certo é que Daviz Simango continua a considerar Dhlakama o seu “querido presidente” e a sua candidatura independente está a ser apoiada pelos núcleos da Renamo de todos os bairros da Beira, enquanto os delegados do partido na cidade e província, respectivamente, que apoiam Manuel Pereira e são tidos por quem enganou Dhlakama, andam agora escoltados pela Polícia de Intervenção Rápida, força de quem há pouco diziam o pior que se podia ouvir de alguma instituição.

(José Jeco)

FONTE: Canalmoz, 10/09/08

Tuesday, 9 September 2008

Dhlakama oferece Beira à Frelimo

Lourenço Bulha, candidato da Frelimo para o Município da Beira, nas eleições autárquicas de 19 de Novembro, pode considerar-se homem de sorte, porque Afonso Dhlakama afastou Davis Simango, da corrida, para facilitar a reconquista da cidade pelos camaradas. Para o lugar vago, como sempre, indigitou Manuel Pereira, veterano da Assembleia da República, que, há dois meses, ensaiou uma candidatura controversa, rejeitada pelas bases. Eleições? – É coisa dos comunistas.
Analistas atentos alertaram que a acrobacia de Pereira era uma jogada do líder, sempre presente em épocas eleitorais. Não era segredo para quem o conhecia como um inconsequente. Depois, o pré-candidato veio a público anunciar a sua retirada, dizendo ter sido enganado. Os mais cépticos viram a mão do líder, para baralhar a opinião pública. As bases do líder andam pelos cafés da Beira, a fazer barulho na imprensa, ao serviço de Dhlakama.
Bulha diz que vai expulsar a perdiz do município de Chiveve. Agentes do SISE sabiam, há mais de 15 dias, da decisão de Dhlakama, de entregar a Beira à Frelimo, em nome das suas invisíveis bases. Bulha pode correr rumo à vitória, removido que foi o obstáculo no seu caminho. A história vai nos dar razão e Dhlakama será o culpado.
O afastamento de Simango é considerado, por muitos, como uma manobra política do líder para desmobilizar militantes, simpatizantes e amigos do seu partido. As pessoas que o conhecem dizem que ele é imprevisível. A Frelimo tem feito algumas coisas boas, que Dhlakama não consegue imitar. Copia, com genica, as piores asneiras da Frelimo, tal como desmobilizar e confundir os militantes do partido.
A Renamo nunca elege deputado em Gaza. Para Dhlakama isso não é problema. Deixou escapar Tete, perdeu Niassa, empatou em Manica. O líder não está preocupado com isso. O silêncio da Renamo sobre a prisão, evidentemente política, do assessor de Simango, Alexandre Gonçalves Jr., é estranho. Enquadra-se nos esquemas do líder em abandonar seus amigos, simpatizantes e militantes quando presos.
A manobra de Dhlakama deve ser denunciada pelas forças que lutam contra o retorno à monopartidarização do Estado, favorecida pela dormência do líder da Renamo. Dhlakama deveria ocupar-se, exclusivamente, do seu Movimento Multipartidário Mundial e deixar a política para os interessados em mudanças, no País.
Dhlakama pretende diminuir a popularidade interna e externa de Simango para, assim, garantir a sua continuidade na liderança no partido. O líder deveria deixar de dar boleia à Frelimo, com suas brincadeiras, consolidar o seu partido a fim de ganhar as eleições. Quem está a destruir a Renamo é Dhlakama e não a Frelimo.
Para o bem da democracia e da Renamo, Pereira deveria abster-se de ser usado por Dhlakama, renunciando a sua intenção. As manifestações que ocorrem, na Beira, são um sinal claro de que não terá as coisas facilitadas. A persistir, tanto a Renamo quanto a Pereira sairão amachucados.

( Edwin Hounnou - edhounnou@yahoo.com.br, retirado, com a devida vénia de A Tribuna Fax, edição de o1/09/08. )

Sunday, 7 September 2008

Ainda o acidente de Mbuzini

Como o Ministério da Segurança Começou por Esconder a Verdade

Passageiros que desembarcaram em Maputo, vindos de Portugal, nos dias que se seguiram ao acidente de Mbuzini, foram alvo de aturadas buscas por parte de funcionários do Ministério da Segurança-Snasp destacados no aeroporto da capital moçambicana. Os homens da segurança moçambicana tinham instruções específicas para confiscar todos os exemplares do semanário português, Expresso, publicado em Lisboa.

Alertado pela Embaixada de Moçambique naquela cidade, o Ministério da Segurança rapidamente mobilizou meios para impedir a circulação do jornal português, não só em Maputo, como também nas restantes partes do território moçambicano pois continha matéria noticiosa sobre o acidente de Mbuzini que não coincidia com a campanha de desinformação que entretanto já havia sido lançada no intuito de encobrir os verdadeiros responsáveis pelo desastre.

A reportagem do Expresso era semelhante a um despacho enviado pelo correspondente da agência noticiosa portuguesa em Maputo, Augusto de Carvalho. Antes de desempenhar as funções de correspondente dessa agência no nosso país, Augusto de Carvalho havia sido director do semanário Expresso.

O despacho indicava claramente que o correspondente, que hoje desempenha as funções de assessor editorial do semanário Domingo, havia tido acesso a dados constantes da transcrição da gravação das comunicações entre a Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo e o Tupolev presidencial acidentado em Mbuzini. Dessa transcrição foi possível detectar os primeiros indícios dos erros cometidos pela tripulação da aeronave, e da confusão gerada entre a Torre de Controlo e o rádio-operador do Tupolev-134A, numa altura em que esta aeronave se encontrava a cerca de 50 milhas náuticas de Maputo.


Os esforços da segurança moçambicana em lançar um véu sobre a tragédia de Mbuzini ficaram patentes num artigo da autoria de Luís Brito Dias, antigo piloto das LAM, e que foi publicado na última edição do Zambeze. No artigo, Dias revelou que o ministro responsável pela pasta da segurança havia feito “chegar aos pilotos da LAM a mensagem, tipo ameaça bem clara, para se manterem calados e não abrirem a boca.”

Em declarações posteriores à publicação do seu artigo, o Comandante Luís Brito Dias referiu que "a primeira indicação para nos mantermos calados foi dada verbalmente pelo então director das LAM, que nos avisou claramente de onde vinham as instruções.” Luís Dias acrescenta que “a outra vez foi numa discussão privada com uma pessoa muito chegada a Sérgio Vieira que até nos disse, num tom ainda mais ameaçador, que se nós (pilotos da LAM ) continuássemos a falar, acabaríamos presos." O Comandante Dias refere que "nessa conversa até estavam presentes outros dois pilotos da LAM que ficaram estupefactos com o tom da ameaça." Houve ainda uma outra ameaça nesse sentido, vinda de um dos membros da Comissão de Inquérito moçambicana", acrescentou a fonte.

Avisos idênticos foram transmitidos a todo o pessoal do Aeroporto de Maputo e da Aeronáutica Civil. Os primeiros indícios da mão pesada da segurança moçambicana, após o acidente de Mbuzini, reflectiram-se na Torre de Controlo do Aeroporto, em que o controlador de tráfego aéreo de serviço na noite do acidente viria a ser detido. Igualmente presos pelo Snasp foram funcionários ligados à área da meteorologia por terem contactado o Aeroporto Internacional de Joanesburgo para uma actualização do estado do tempo. O pedido a Joanesburgo foi feito depois do Comandante Sá Marques, do voo TM103 da LAM, vindo da Beira, ter informado a Torre de Controlo de Maputo de que não poderia continuar por mais tempo em espera e que uma alternativa seria desviar o seu voo para a capita sul-africana uma vez que não era possível aterrar em Maputo. O voo TM103 acabou por ser desviado para a Beira no meio de grande pandemónio no interior da Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo em que agentes do Ministério da Segurança ficaram alarmados por se ter dado a conhecer à África do Sul que algo de anormal se estava a passar.

É de salientar, que contrariamente ao que mandam as leis da aviação, a Torre de Controlo de Maputo, sob pressão do Ministério da Segurança, não emitiu, de forma atempada e coordenada, os avisos convencionais de alerta referentes a aeronaves em situação anormal, designadamente INCERFA (que reflecte estado de incerteza quanto à segurança de uma aeronave); ALERFA (reflectindo apreensão quanto à segurança de uma aeronave) e DETRESFA (em que há a certeza razoável de que uma aeronave e os seus ocupantes encontram-se ameaçados por perigo grave). Efectivamente, o primeiro aviso de alerta, sob a forma de DETRESFA, só foi expedido da Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo, às 06h04 (hora local) do dia 20 de Outubro de 1986.

Os posteriores esforços da segurança moçambicana, que se ajustavam à campanha de desinformação em curso, serviam fundamentalmente os interesses da União Soviética que a todo o custo pretendia desviar as atenções que, inevitavelmente, centravam-se sobre a tripulação do Tupolev presidencial, cedida oficialmente a Moçambique pelo governo de Moscovo. Foi no âmbito desses esforços que as autoridades soviéticas deram instruções à sua missão diplomática em Maputo para evitar quaisquer contactos dos investigadores do acidente, tanto moçambicanos como sul-africanos, com o mecânico de bordo que havia sobrevivido ao acidente. O sobrevivente deveria ser transferido o mais rapidamente possível para a União Soviética, de acordo com as instruções recebidas na Embaixada deste país em Maputo.

Estes factos foram confirmados pelo membro do antigo Bureau Político do Partido Frelimo, Major General Jacinto Veloso, num livro de memórias publicado mais de duas décadas após o acidente de aviação de Mbuzini. Refere o autor de Memórias em Voo Rasante, que “quando elementos da comissão moçambicana de inquérito quiseram interrogá-lo [mecânico de bodo], o pessoal da segurança da embaixada da URSS impediu-os. Foram alegadas razões médicas óbvias e até houve a promessa de que, quando o tripulante estivesse recuperado e fora do estado de choque, a parte moçambicana poderia entrevistá-lo.”

O Major-General Jacinto Veloso acrescenta que “dois ou três dias depois, um dos membros da comissão de inquérito foi ao hospital para saber como estava o tripulante. Com enorme espanto, constatou que o pessoal da embaixada já o havia evacuado para Moscovo.” O autor salienta que “a Comissão de Inquérito de Moçambique protestou e pediu para ir a Moscovo falar com o tripulante, mas a embaixada informou que isso não era aconselhável e que as autoridades soviéticas iriam fazer o inquérito e transmitir as respostas às questões colocadas pela parte moçambicana.” Segundo Jacinto Veloso, “até hoje, pelo que sei, a parte ex-soviética não transmitiu qualquer informação sobre o assunto.”
O estado de saúde do sobrevivente foi apenas um pretexto para impedir que os investigadores do desastre tivessem acesso ao mecânico de bordo. Na realidade, os ferimentos contraídos por Vladimir Novoselov não eram assim tão graves que impedissem a prestação de depoimentos, pois num curto espaço de tempo havia deambulado de uma unidade hospitalar para outra. Do local do acidente, Vladimir Novoselov foi evacuado para o Hospital de Nelspruit e pouco tempo depois para o Hospital Militar 1 em Pretória, e deste para Maputo. Daqui acabaria por ser transferido para Moscovo, num voo de longo curso. Nada disto condiz com uma pessoa cujo estado de saúde obrigue a que fique isolada numa unidade de cuidados intensivos, como pretendeu fazer crer a Embaixada Soviética em Maputo e que Jacinto Veloso denuncia no seu livro.
ZAMBEZE, 04 de Setembro de 2008, citado em www.macua.blogs.com

Acidente de Mbuzini


Sérgio Vieira Ordenou Pilotos da LAM a “Manterem-se Calados”
Luís Brito Dias *

Li com muita atenção as declarações do Sr. Sérgio Vieira a respeito do desastre de Mbuzini (jornal O País, 15 de Agosto de 2008), assunto que me interessa sobremaneira, pois trabalhei em Moçambique como piloto da DETA /LAM durante 17 anos. Presentemente trabalho no Extremo Oriente como comandante de uma transportadora aérea, pilotando aviões do tipo Boeing 747-400.
É evidente que o Sr. Sérgio Vieira mente descaradamente pois ele era na altura do acidente o Ministro da Segurança, portanto com responsabilidade no que veio a acontecer. Samora teve uma morte inglória e claro que ele também foi o responsável pelo que aconteceu pois entregou a sua própria vida nas mãos de pilotos que revelaram desleixo, negligência e incúria.
Todos os pilotos que voavam na LAM na altura sabem perfeitamente que o acidente de Mbuzini deveu-se a negligência e incúria por parte da tripulação técnica. Aliás, após o acidente, o Sr. Sérgio Vieira fez chegar aos pilotos da LAM a mensagem, tipo ameaça bem clara, para se manterem calados e não abrirem a boca. Foi por essa razão que nenhum Comandante foi nomeado para fazer parte da comissão de inquérito. O único que foi nomeado foi um co-piloto da LAM, que tinha sido da Força Aérea e era membro do Partido Frelimo, e por isso facilmente controlável. Este co-piloto começou a ver a nojeira que era a Comissão de Inquérito e arranjou maneira de se baldar rapidamente pois em consciência não podia participar na deturpação da verdade.
Os pilotos soviéticos além de terem pouca experiência, voavam muito pouco e as licenças de voo que foram apresentadas no inquérito são falsas. Foram emitidas postumamente.
Na altura eu era co-piloto do DC-10 da LAM, e num voo de Lisboa para Maputo, juntamente com o Comandante, demonstrámos a Mariano Matsinhe e a outro ministro da Frelimo que seguiam a bordo, o que realmente tinha acontecido. Eles foram nossos convidados no cockpit. Até fizemos a viragem ou mudança de rumo inicial, bem como a manipulação errada dos selectores de instrumentos de navegação para lhes mostrar o que se passara na noite no desastre de Mbuzini.
Para além de não trazerem combustível de reserva o que aconteceu foi que dos 5 tripulantes no cockpit, 3 estavam entretidos a dividir e a tomar os restos das bebidas alcoólicas que iriam sobejar até 6 minutos antes do impacto final. Só o co-piloto e o navegador é que estavam a tomar "conta" do voo. Tudo isto está registado na transcrição do CVR (Cockpit Voice Recorder).
O Comandante só se apercebeu que estavam perdidos 3 minutos antes do impacto final. A desorientação era tal que nem ligaram nenhuma ao aviso sonoro (GPWS) que o avião ia bater no chão sem estar na configuração de aterragem . Quebraram muitas regras básicas de "ouro" da aviação, mas a mais importante foi terem chegado à "Altitude de Segurança", publicada para Maputo, que é de 3 000 pés, e continuarem a descer sem terem contacto visual com o solo ou, em alternativa, indicação electrónica correcta dos equipamentos de navegação de Maputo. Neste caso, o ILS ou o VOR de Maputo.
O que sucedeu foi que eles em vez de seleccionarem o ILS de Maputo (110.3) enganaram-se e seleccionaram o VOR de Matsapa (112.3) e desviaram-se de rota para a Radial 045 de Matsapa em vez de estarem na Radial 045 do VOR de Maputo. O navegador do Tupolev enganou-se, pois no sistema russo quem selecciona as rádio-ajudas são os navegadores e não os pilotos. Ele já vinha com o VOR de Maputo seleccionado (112.7), mas ao mudar de frequência para o ILS de Maputo (110.3) que é uma rádio-ajuda de aproximação à pista e não de navegação em rota, cometeu o erro fatal.
Os selectores dos dígitos decimais são independentes dos dígitos das centenas. Ou seja, primeiro teria que mudar de 112 para 110 e depois de 0.7 para 0.3 com um selector independente. O que aconteceu foi que ele deixou ficar o 112 e só alterou de 0.7 para 0.3 o que veio a coincidir com a frequência do VOR de Matsapa.

Foi esta manipulação errada de sistemas que levou a tripulação a fazer uma viragem de rota. Como estavam "distraídos" no cockpit não houve ninguém que verificasse as manipulações dos selectores de frequência. Uma das regras básicas é que sempre que se muda qualquer coisa no cockpit essa acção tem que ser verificada e aceite pelo outro piloto. Nada disso foi feito.
Estas foram as causas imediatas do acidente, mas houve outros factores que também contribuíram, tais como a fadiga da tripulação, a falta de combustível, a inactividade prolongada da tripulação, a falta de verificações de simulador de voo, etc.
Um acidente de aviação nunca acontece por si só. É sempre um acumular de eventos que vão culminar num fim trágico. Não querendo ser arrogante, mas a minha experiência de 31 anos de aviação bem como a participação em inquéritos de acidentes aeronáuticos deixam-me perfeitamente à vontade para falar destas situações.
Depois de tantos anos de poder do ANC na África do Sul, e apesar de muita investigação por parte das novas autoridades sul-africanas, quer a nível da Comissão da Verdade e da Reconciliação, quer a nível da polícia mandatada pelo Presidente Thabo Mbeki há mais de dois anos, não foi encontrado qualquer vestígio de tentativa de interferência no voo por parte das autoridades sul-africanas do anterior regime. As teorias conspiracionistas voltaram-se então para supostos mentores internos, o que é muito duvidoso e sem cabimento. Os factos falam por si…
______________________
* Ex-piloto da DETA/LAM. Presentemente é comandante de aeronaves B-747 400 ao serviço de uma transportadora do Extremo Oriente
ZAMBEZE – Maputo, 28 de AGOSTO de 2008 p 2
Uma opinião...

Durante 22 anos neste país ensinaram-nos a pensar que quem matou Samora Machel foi o regime do apartheid sul-africano. Outro clube tentou impingir-nos a ideia de que quem matou Samora foram cobardes internos, numa conspiração confidencial bem montada; preparada e executada ao pormenor...

Agora aparece-nos este senhor a desmentir categorigamente as duas versões, e dizendo de um jeito quase cómico, mas real que foi bebedeira a bordo do Tupolev 134 que matou Samora. Naquele fatídico dia os pilotos russos entulharam tanta Vodka que confundiram a formação montanhosa dos Libombos com a pista de Maputo...

Bob Marley tinha razão, é melhor fumar erva que beber álcool...

O que fizeste hoje, querida?

Um homem chegou em casa, vindo do trabalho, e encontrou seus três filhos brincando do lado de fora, ainda vestindo pijamas.Estavam sujos de terra, cercados por embalagens vazias de comida entregue em casa..A porta do carro da sua esposa estava aberta. A porta da frente da casa também.O cachorro estava sumido, não veio recebê-lo.Enquanto ele entrava em casa, achava mais e mais bagunça.A lâmpada da sala estava queimada, o tapete estava enrolado e encostado na sala de estar, a televisão ligada aos berros num desenho animado.Havia toda a sobra do café da manhã na mesa, a geladeira estava aberta, tinha comida de cachorro no chão e até um copo quebrado em cima da pia.Sem contar que tinha um montinho de areia perto da porta.
Assustado, ele subiu correndo as escadas, desviando dos brinquedos espalhados e de peças de roupa suja. ''Será que a minha mulher passou mal?'' ele pensou. ''Será que alguma coisa grave aconteceu?''Daí ele viu um fio de água correndo pelo chão, vindo do banheiro. Lá ele encontrou mais brinquedos no chão, toalhas ensopadas, sabonete líquido espalhado por toda parte e muito papel higiênico na pia. A pasta de dente tinha sido usada e deixada aberta e a banheira transbordando água e espuma.Finalmente, ao entrar no quarto de casal, ele encontrou sua mulher ainda de pijama, na cama, deitada e lendo uma revista. Ela olhou para ele, sorriu, e perguntou como foi seu dia. Ele olhou para ela completamente confuso, e perguntou que diabos havia acontecido em casa, por que toda aquela bagunça?
Ela sorriu e disse:''Todo dia, quando você chega do trabalho, me pergunta: Afinal de contas, o que eu fiz o dia inteiro dentro de casa?''''Tá, e daí ?''''Bem... hoje eu não fiz nada, fofo!''

Saturday, 6 September 2008

O selo


O Presidente da República das Bananas queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato de boa governação e de sucessos na luta contra a corrupção e a pobreza.
Os selos são criados, impressos e vendidos. O Presidente fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes.
O Presidente convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o país e relatam o problema.
O relatório diz:


"Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado."

Friday, 5 September 2008

A comédia da Política Moçambicana

Caso das Municipais da Beira e Maputo

Depois do Partido Frelimo ter descartado, de forma pouco convincente, Eneas Comiche como seu candidato para o maior município do país: Maputo, os cidadãos moçambicanos foram surpreendidos com a declaração da Renamo, na pessoa do Secretario do partido em Sofala, dando conta de que Daviz Simango não era mais seu candidato.

Foi surpresa o facto do Partido descartar Daviz Simango e não o facto da decisão ser ridícula. Num momento em que o partido Frelimo mostrou ter optado pelo menos conveniente, não convencendo as suas próprias bases, a Renamo aparece a cometer o mesmo erro e, se calhar, pior que o da Frelimo.
É caso para dizer que com esses dois partidos só mudam os detalhes mantendo-se o resto.
Contrariamente a apatia da base maputense, os beirenses exigiram que o tal secretário local indicasse "pelo menos um ou uma pessoa" que representasse essa base que sustentou a retirada de Simango para Pereira.

Ironicamente, abundam provas que mostrem o quão as bases sempre foram ignoradas pelos jogadores políticos deste país.
O erro da Renamo pode ser mais fatal na medida em que para alem de não possuir um laboratório eficiente de construção de estratégias políticas, escasseiam no seio do partido representantes coerentes. Tenho pensado comigo mesmo, quantos membros sentem-se envergonhados de representar essa fileira.
É claro que a Frelimo chegou também a envergonhar as suas bases no Maputo, contudo, parece que tomou a decisão fundamentada em algo que já se cogitava fazia algum tempo que vale a pena mencionar. Já a Renamo, parece que tomou a decisão motivada por uma simples imitação.

Custa-me a crer que um candidato que se pretende Presidente da República seja incoerente e de certa forma irreverente. A mudança de candidato por parte da Renamo em menos de um mês, prova que este partido não está se preparando para os desafios eleitorais que o país vai acolher a partir de Novembro próximo.
Uma das causas da violência eleitoral é o despreparo dos candidatos, que ultrapassados pelo processo ficam com a sensação de que foram ludibriados, não só, os maus exemplos do Quénia e Zimbabwe podem se repetir entre nós quando gente desprevenida acaba sendo condenada pelo voto.
O exercício do poder exige legitimação pelo povo. A falta de democracia interna nos partidos é um exemplo de como será a governação quando o mesmo ganha o poder.

Se a Frelimo é louvada pelos longos anos de experiência governativa, peca por não ter um exercício de poder que seja participativo e inclusivo. Em muitas situações simplesmente se esquecem de que quem não está nesse partido também é moçambicano e que tem os mesmos direitos e liberdades

Se a Renamo reivindica a paternidade da democracia, peca contudo por não poder ser coerente no seu discurso, não sendo assim, capaz de transmitir confiança e esperança no cidadão moçambicana quanto a uma eventual alternativa política e governativa.
Tenho dito muitas vezes que a grande força da Frelimo está na grande fraqueza da Renamo que não consegue ser uma oposição séria.
De todas as maneiras os dois partidos decepcionam o cidadão de uma forma realmente imperdoável. Não se perdoa a quem não consegue dirigir os destinos de um povo. Não se perdoa a quem olha para o seu próprio estômago e umbigo.

A candidatura independente de Daviz Simango significará uma lição a Renamo, que vai perder o Município a favor do actual Edil ou favor da Frelimo com a dispersão de votos, o que sendo hoje previsível significa mau jogo político do Partido do Afonso Dhlakama.
Candidatura independente deveria também ser posta por Eneas Comiche que sem dúvidas se reconduziria a Presidência do Município. Mas mais do que isso, mostraria que a sua disciplina partidária não prejudica o seu compromisso político com os cidadãos de Maputo que aprenderam a acreditar e a confiar no seu discurso e no seu trabalho.

Com duas candidaturas independentes, ganhando os dois maiores municípios do país, a democracia moçambicana jamais será a mesma e se calhar isso significaria uma preparação para um processo democrático pacifico e inclusivo muito próspero na história deste país.

Mais do que simples palavras, o cenário político criado com as últimas apresentações dos dois maiores partidos deste país mostram claramente que os interesses da maioria estão em terceiro plano, depois dos políticos e pessoais, e que, depois de Novembro próximo, tanto a Frelimo como a Renamo saberão o quanto o povo não anda desatento nem despreparado.

(Custódio Duma)


Fonte: www.athiopia.blogspot.com

Thursday, 4 September 2008

Carta aberta ao Presidente, liderança, membros e simpatizantes da Renamo na Beira


SUA EXCIA SENHOR PRESIDENTE DO PARTIDO RENAMO,
Afonso Macacho Marceta Dhlakama,
Senhores Membros da Comissao Politica,
Senhores membros do Concelho Nacional,
Senhor Presidente do Concelho Municipal da Beira, Eng. Davis Simango
Senhor Deputado da AR, Manuel Pereira,
Membros da Delegacao do Partido na Beira,
Caros membros e simpatizantes do Partido,
Excias,
E com profunda dor, consternacao e alto sentido patriotico que vos dirijo, na impossibilidade de o fazer pessoalmente, em vertude de estar fora do pais.
Caros dirigentes, colegas, membros e simpatizantes,
Vai a enterrar hoje, o Dr. David Alone, membro senior do partido e um exemplo de luta e engajamento pela causa que todos almejamos servir e sacrificamos nossas vidas, carreiras, sonhos, familias, bens e ambicoes.
Encerra hoje, mais uma pagina na dolorosa caminhada que o Dr. Alone teve neste vale de lagrimas! Ficam para tras, os tempos da 'reeducacao' em Mocuba Sisal, Zambezia, onde apesar de Doutorado numa das mais prestigiadas instituicoes europeias, teve que passar meses acordando as quatro da manha, para estar ao lado dos camponeses e trabalhadores eventuais da Companhia da Boror, cortando e carregando fardos de sisal, ele proprio! Ficam para tras, os dias em que este patriota teve que ficar em isolamento na cadeia da Cidade da Beira, pelo simples crime de ser Doutor! Ficam para tras, os tenebrosos dias na BO de Quelimane, no meio de cidadaos nacionais presos so porque a sua religiao nao lhes permitia dizer viva a Frelimo! Ficam para tras as noites de insonia provocadas pela ditadura que usurpara as liberdades de um povo inteiro! Ficam para tras os tempos de incerteza sobre o segundo, o minuto, a hora a seguir, sobre as interrogacoes dos agentes da PIC e da seguranca do entao nascente Estado Popular! Ficam para tras as proibicoes de leccionar, proibicao essa que nem os Acordos de Paz, nem as primeiras eleicoes, as segundas, ou as terceiras conseguiram liberta-lo! Ficam para tras os temores sobre a possibilidade de um dia voltar a ver a sua Betty, o seu Miguelito, dois amores de que nunca se separou!
Fica para tras uma vida cheia de injusticas mas tambem de celebracoes, porque apesar de banido David Alone soube mostrar que o 'trabalho dignifica o homem!' Nao apenas na teoria mas na pratica! Pelo trabalho abnegado o Dr. Alone conseguiu passar da sua condicao de 'cortador de sinal' a membro do Conselho de Estado, a membro da Comissao Permanente da Assembleia Popular, a Conselheiro da Agenda 2025! Subindo degrau a degrau, desde chefe da comissao administrativa da Boror, a director administrativo da Geralco, a director provincial e depois regional da Enacomo, e quica ao posto de Director Provincial da Industria e Energia em reconhecimento da sua competencia profissional e integridade moral. Reconhecimentos esses feitos por um regime que o declarara 'persona non grata', um quase vivo-morto! A historia deste homem confunde-se com a historia da luta pela democracia em Mocambique, com historia da segunda luta de libertacao do povo Mocambicano!
Fica para tras hoje, a trajectoria de um Homem que amou a sua patria! Um homem que tinha tudo para sair do pais e nao saiu! Um homem que nao soube apesar das circunstancias soletrar a palavra 'traicao' a sua patria!
Fica para tras, um monumento, uma biblioteca, um exemplo de vida e de luta que deveria ser seguido por todos os jovens da minha patria! Sim todos porque para David Alone, a Patria estava em primeiro lugar! A patria estava acima de tudo e de todos! Independentemente das cores partidarias, da etnia, da raca, do genero! 'Servir, e servir sempre a patria', era o seu locomotiv!Excias,
Colegas,
Neste momento de dor e luto, neste momento em que nos despedimos deste grande filho da patria mocambicana, tenho em respeito a memoria deste destacado filho da patria, dizia eu que tenho apenas um pedido:
Ao Presidente da Renamo, Afonso M. M. Dhlakama, que soube ouvir o choro e o lacrimejar de um povo inteiro e veio em seu socorro para liberta-lo dos apetites do abutres que trairam a revolucao popular de Magaia, Kankomba, Simango, e Mondlane;
Ao Presidente do Municipio da Beira Eng. Davis Simango;
Ao deputado da Assembleia da Republica, Manuel Pereira;
Aos membros da Renamo na Cidade na Beira;
Aos membros do Conselho Nacional;
Aos membros da Comissao Politica:
Nao traiamos a vida, a luta, a entrega e a memoria do Dr. David Alone! Pensemos nao nos nossos interesses pessoais, umbilicais, grupais, etnicos! Pensemos na grande causa a que David Alone e muitos jovens, criancas, mulheres, velhos deram suas vidas! Pensemos no bem do povo mocambicano, no bem dos municipes da Cidade da Beira. Inspiremo-nos no exemplo de vida do Dr. Alone: ponhamos os interesses do partido, os interesses patrioticos, e a democracia acima de qualquer outro interesse!
Deixemos que o Dr. Alone descanse em paz, que a sua memoria de guerreiro finalmente descanse! Que a sua luta e aluta de milhares de mocambicanos nao tenha sido em vao! Lutemos pois, todos juntos para que o seu sonho de alternacia governativa esteja cada vez mais perto e nao mais longe! Deixemos os nossos orgulhos umbilicais de lado! Lutemos para o bem estar e promocao da paz, concordia, e democracia na Beira, no partido e no pais! Entanto que pais da democracia temos uma obrigacao: liderar, ganhar, ou perder dando exemplo!
A esposa de Cesar nao basta que seja fiel, e importante que o pareca!
A nossa causa e justa! Nao entreguemos o ouro ao 'bandido' por razoes umbilicais! Nao traimos o espirito daqueles que durante 16 anos sacrificaram suas vidas para que hoje respirassemos o ar puro da democracia! Para que os jovens de hoje tivessem o direito a livre expressao, a opiniao! Enquanto nos distraimos ' a hiena' celebra na esquina mais proxima, sonhando com o sabor da nossa carne putrefacta! Sim putrfacta porque depois da luta interna, depois de nos enfraquecermos uns aos outros ela aparecera triunfante ao banquete!
O tempo nao esta do nosso lado. Falta apenas, um dia para o fecho das candidaturas as eleicoes municipais! Mesmo assim, penso que AINDA VAMOS A TEMPO DE RECONCILIAR A FAMILIA DA RENAMO, para juntos possamos celebrar o sonho do Dr. Alone.
Respeitosamente,
TENHO DITO
Manuel de Araujo
FONTE: www.manueldearaujo.blogspot.com

Requiem



Afirmar que o desaparecimento físico de David Aloni é uma perda irreparável talvez possa parecer algo trivial e um lugar comum, mas estamos a falar de uma figura incontornável e os adjectivos escasseiam para descreverem este HOMEM.
Todos os que lidaram com o Dr. David Aloni atestam que era uma pessoa íntegra e com grande capacidade intelectual. Numa sociedade em que a mediocridade não só é tolerada como frequentemente é recompensada, Aloni nunca precisou de usar a bajulação ou de se pôr em bicos de pés para se salientar. Enquanto muitos pseudo-políticos e pseudo-intelectuais optam pela intriga, golpada e truculência, Aloni manteve sempre a sua postura exemplar de patriota e esta verticalidade incomoda muita gente. Ele sentiu na pele os excessos da Frelimo no tempo de Graça Machel e nem sempre foi compreendido, pois era um crítico corajoso que não pactuava com situações dúbias.
Era membro do Conselho de Estado e cumpriu com zelo todas as tarefas que a Renamo lhe confiou. Porém, fica a ideia que David Aloni nunca teve oportunidade de mostrar o seu real valor, num país normal ele teria atingido os mais altos cargos, independentemente da sua cor política.As pessoas partem mas as ideias permanecem, e David Aloni continuará a ser uma referência para os que sonham com um Moçambique livre, democrático, justo e próspero. David Aloni não teve tempo de ver esse Moçambique mas cabe a todas as pessoas de bem , como forma de homenagearem este gigante da nossa história, contribuirem para que essa visão seja uma realidade.

Aplaudimos as "bases"

Pasma-nos a forma como muitos digeriram as atitudes dos partidos FRELIMO e RENAMO, relativamente aos seus actuais edis nas cidades de Maputo e da Beira, respectivamente. É que está mais que provado que Eneas Comiche e Daviz Simango tiveram desempenhos visíveis muito acima do dos seus “chefes”, Armando Guebuza e Afonso Dhlakama, respectivamente, e por isso no lhes agradou de jeito nenhum, daí usar as “bases” para destroná-los, democrática ou ditatorialmente.Convém lembrar que em diversas paragens do mundo excelentes edis acabaram em bons estadistas. Como estamos numa democracia de faz-de-contas, o melhor que um líder “prudente” neste caso deve fazer, ao ver um edil hierarquicamente inferior a brilhar, é tudo fazer para ofuscá-lo e se tal não der resultados afastá-lo do palco político-social. Assim ter-se-ão inspirado Guebuza e Dhlakama, para proceder em relação a Comiche e a Simango’. Portanto, nada de espantoso, a nosso ver.
O que se passa na FRELIMO e na RENAMO hoje é mais uma evidência de que Moçambique e os moçambicanos, em termos de partidos políticos de verdade, ainda terão de esperar por algum tempo, porque, por enquanto, parece que tanto uma como outra são organizações que se consolidam para servir interesses de poucos e nada têm a ver com a maioria.Resta-nos aplaudir as “bases” da FRELIMO e da RENAMO que deram um aviso claro a qualquer militante seu, laborioso ou a tal aspirante, para que se cuide e evite tal postura, primando por ruidosos e vistosos hossanas ao chefe, sob pena de ser corrido do local de trabalho.

Refinaldo Chilengue , CORREIO DA MANHÃ - 02.09.2008

Wednesday, 3 September 2008

Tombou o embondeiro de Ulongue!

Foi com incredulidade e consternacao que recebi Sabado ultimo, a noticia do desaparecimento fisico do Dr. David Aloni, membro do Conselho de Estado, ex-deputado e membro da Comissao Permanente da Assembleia da Republica, Conselheiro da Agenda 2025, membro do Conselho Nacional e Ministro da Industria e Comercio no Governo-Sombra da Renamo.

A morte de David Aloni, e uma perda irreparavel nao apenas para o pais, mas tambem para a oposicao, para os cidadaos das provincias da Zambezia e Tete e da populacao do Distrito de Ulongue, sua terra natal. E uma perda para a juventude mocambicana que via em David Aloni, um modelo singular de dirigente comprometido com a causa do seu povo! Um dos poucos dirigentes deste pais, que sabia colocar os interesses do pais acima dos interesses partidarios, regionais, familiares ou pessoais. David Aloni era um mocambicano de raiz, um patriota que amava o seu povo e a sua cultura! Um patriota que amava as suas gentes e que nao discurava suas origens camponeses mas aristocraticas dentro da 'estrutura filosofica negro-africana', como ele propria e muito bem o sabia definir. dono de uma escrita peculiar, David aloni sabia destruir com razao, sem ofender nem beliscar o adversario. Os seus lendarios discursos e intervencoes do pulpito da nossa Casa Magna, a Assembleia da Republica, seus artigos imortalizados nos semanarios Zambeze, Magazine Independente e Savana sao disso testemunha. A sua obra intelectual iniciada ao longo da sua formacao quer no seminario, quer em Portugal ou no Reino dos Paises Pais onde se doutorou (PhD)em Sociologia e Relacoes Internacionais e uma autentica biblioteca e passa pela publicacao ainda antes da independencia nacional ou pouco depois de duas obras de valor inestimavel. Oxala a academia mocambicana saiba valorizar o trabalho intelectual deste filho da patria mocambicana, que teve o 'azar' e por isso pagou o preco, de estar do 'lado errado da historia' e amar seu povo e suas origens, segundo seus detratores, que o idolatravam em surdina mas o odiavam e invejavam pela fulminencia e lucidez de seu raciocinio.

Apagou-se uma estrela na noite intelectual mocambicana. Morreu David Aloni, Um homem de grande caracter e inteligencia. Um homem que representava a integridade moral e coerencia.

Morreu David Aloni sem ter realizado dois dos seus sonhos. Leccionar e ver sua terra respirar o ar puro da democracia materializada na alternancia do poder, liberdade de opiniao e de expressao. Para meu desconforto, varias faculdades deste pais, publicas e privadas negaram-lhe o direito simples defendido pela nossa Constituicao da Republica- o direito de leccionar! Vi e vivi como isso lhe corroia a alma. Mas mesmo assim, nunca o vi desistir ou desfalecer ou curvar-se perante seus adversarios, quer internos quer externos!

. A sua ultima aparicao publica foi na ultima Quinta Feira no Hotel VIP, no debate sobre o 'Impacto da Zona de comercio Livre na economia Mocambicana;, organizada pelo Centro de Estudos Mocambicanos e Internacionais (CEMO) de que era fervoroso apoiante e conselheiro. Aloni, como sempre, leu a sua intervencao.Morreu David Aloni – meu modelo de academico, professor, mentor e quica pai ideologico! Conheci o Dr. David Aloni na Cidade de Quelimane. Andava eu na 7a classe na Escola Secundaria 25 de Setembro, vulgo ‘Liceu’. Aloni era director da Enacomo, uma empresa que procedia a distribuicao e comercializacao de produtos alimentares na provincia da Zambezia e mais tarde da Companhia da Zambezia ou vice-versa.Na altura andava eu 'apaixonado' pela poesia e fazia parte de um grupo de estudantes do ‘liceu’ que faziam parte do Nucleo de Artistas e Escritores da Zambezia (NEAZA). E logico que com catorze anos nao eramos membros efectivos, eramos uma especie de aprendizes de sapateiro, de ‘continuadores’ da NEAZA. Faziam parte do grupo o Armando, o Belarmino Varela de Barros, o Octavio e outros. Uma vez por mes, aos Sabados a tarde reunia-mo-nos nas traseiras do Gabinete do Governador, no Restaurante Aquario, para algumas tertulias poeticas, acompanhadas de poesia e quica de alguns comes e bebes, sempre e infalivelmente, gentilmente patrocinadas por David Aloni, na companhia do tambem sempre jovem poeta e escritor Joao Inroga-Pai.David Aloni notabilizava-se nao apenas na direccao do nucleo, mas essencialmente na simplicidade, no carinho e esperanca com que tratava os seus 'continuadores', os continuadores do seu sonho de poeta. Lembro-me das inumeras vezes em que David Aloni, com a paciencia de chines, corrigia e nos mandava redigir de novo os poemas e contos, ate atingir os 'minimos exigidos para uma apresentacao em publico'. Era um pedagogo exemplar de se lhe tirar o chapeu.

Estavamos em Guerra. Lembro-me do dia em que o Dr. Aloni nos levou para um apartamento, no Predio Bulha para vermos ‘in loco’ um video que mostrava como os ‘bandidos armados’ haviam arrasado a Vila de Milange e com eles levado todos os zincos da vila. Na altura contavam-se as pessoas que na Cidade de Quelimane possuiam um video. E ele era dos poucos e vivia, se a memoria nao me trai, numa casa da Companhia da Zambezia, a alguns metros do palacio do governador provincial.Essa imagem de uma vila sem zincos nunca mais saiu do meu imaginario, tendo marcado toda a minha vida! Tinha sido, a primeira percepcao vivida por mim, sobre os efeitos nefastos da Guerra, que apenas ouviamos falar na rua, ou entao pela radio, pois na altura nao havia sinais de televisao na Cidade de Quelimane.

Confesso que uma das maiores decepcoes que tive na minha curta mas excitante vida politica foi ter sido eleito deputado da AR foi o nao ter podido estar lado a lado com a sabedoria do “meu professor” e mentor social e politico.

Do Dr Aloni aprendi uma coisa que prezo e prezarei ate ao fim dos meus dias de vivente neste vale de lagrimas: a ser coerente comigo meso e nunca manter-me calado! Todas as vezes que nos encontravamos, e a ultima foi quando o convidei para dar uma palestra majestral no Hotel Rovuma sob os auspicios do CEMO sobre 'A xenofobia na Africa do Sul', o Dr Aloni perguntava-me. continuas a dar aulas? -meu filho, 'nunca abandones a academia'!.A avaliar pelos recentes acontecimentos no Municipio da Beira, sem querer ser advinho, posso imaginar que deve ter-lhe doido a alma! Aloni defendia a cultura democratica com unhas e dentes. Na obra Mocambique 10 Anos de Paz, de Brazao Mazula, Aloni disse sem papas na lingua: 'Na dimensao politica, importa referir que, aquilo que seria de desejar-a reconciliacao nacional entre os mocambicanos a luz do artigo 66 da Constituicao da Republica, ainda nao se efectivou. E ainda uma miragem porque ainda persistem os resquicios dos anos da Guerra agravados por preconceitos que levam a exclusao social de uma boa parte da sociedade mocambicana, porque se institucionalizou o espirito de clube', para depois rematar: 'Multipartidarismo, sim; democracia, sim, mas tudo quase so no papel. De boas intencoes estao cheios os nossos dirigentes politicos, mas, na pratica, nada acontece, porque o principio e: 'quem nao esta comigo, esta ipso facto, contra mim”.

E dificil aceitar esta orfandade. A natureza e por vezes injusta. Muito injusta!Saibamos pois valorizar esta dadiva humana. Saibamos preservar a obra, a memoria e o legado deste 'homem incompreedido pelos seus e pelos demais.'David Aloni era a reserva moral e intelectual do oposicao em Mocambique! Os seus ensinamentos ficaram indelevelmente registados na historia desta patria indica.Em memoria deste grande HOMEM, deste PATRIOTA de credenciais indescritiveis, deste nacionalista ferrenho, intelectual e academico de finura e perspicacia inigualavel, homem de uma verticalidade estonteante, parlamentar e debatedor de primeira agua, lider incontestavel de massas como o demonstrou quando cabeca de lista nas provincias da Zambezia e de Tete com vitorias estonteantes, africanista de gema, ficaremos ate Quarta feira dia previsto para o seu enterro, sem blogar!

A familia enlutada, a esposa, ao Paulo, Carlitos, Miguel e Arlete, vao os nossos mais sentidos pesames! Estamos de luto: Perdemos um pai, biologico para voces, mas ideologico para mim!

Saibamos valorizar e preservar o pensamento, a imagem, a luta, a causa, a memoria e fundamentalmente o legado deste Embondeiro de Ulungue!

Onde tomba um combatente pela liberdade, nascem milhares de combatentes! Que o caule do seu giganteco tronco, adube o solo de onde nascerao milhares de embondeiros com caules ainda mais pujantes, eloquentes e frondosos! Continuaremos com a luta. Porque a nossa luta é JUSTA!

PAZ À SUA ALMA!

BAYETE, COMANDANTE ALONI!

Manuel de Araujo (Londres)

Fonte: http://www.manueldearaujo.blogspot.com/

Daviz Simango avançará com canditatura independente


• Actual Edil defenderá eleição de uma maioria da Renamo na Assembleia Municipal

O eng.º Daviz Simango, actual presidente do Conselho Municipal da Beira, poderá candidatar-se como independente à sua própria sucessão, mas apoiando simultaneamente, como membro da Renamo, a candidatura do seu partido à assembleia da cidade, pondo assim de parte a hipótese de uma cisão no partido liderado por Afonso Dhlakama. Esta informação foi apurada na Beira por um dos correspondentes do «Canal de Moçambique» que confirma apenas ter-se já iniciado a recolha de assinaturas para que se siga a formalização da candidatura de Simango junto da CNE.
O presidente Dhlakama, a 08 de Agosto confirmara à imprensa que Daviz Simango seria o candidato da Renamo a Edil da Beira, mas, na quarta-feira da semana passada, Dhlakama instruiu, em Maputo, o delegado provincial da Renamo em Sofala, Fernando Mbararano, para voltar à Beira e anunciar na quinta-feira, em conferência de imprensa, que afinal o seu partido iria antes candidatar em seu nome Manuel Pereira, actualmente um seu deputado à Assembleia da República. Tal anúncio viria a suscitar uma autentica revolta das bases da Renamo que apoiam inequivocamente a manutenção de Daviz Simango no cargo que vem ocupando desde as últimas eleições autárquicas.
A confirmar-se o cenário que se desenha, Manuel Pereira será o candidato oficial da Renamo a Edil da Beira, mas um outro membro da Renamo, Daviz Simango, concorrerá como independente ao cargo de presidente do Município da Beira. Se ambos apoiarem o partido presidido por Afonso Dhlakama, desse modo poderá estar afastada a hipótese da Renamo vir a perder a maioria absoluta que detém nesta legislatura na Assembleia Municipal da capital da província de Sofala, pois embora Pereira concorra em oposição a Simango, ambos apoiarão a Renamo que sairá a ganhar dessa posição comum de um candidato formal do partido e de um munícipe independente mas com alma renamista.
O partido Frelimo já proclamava vitória antecipada pelo facto de Daviz Simango não ter sido indicado pela Renamo para se candidatar à sua própria sucessão e daí, consequentemente, poder vir a resultar mais uma cisão na Renamo. Contudo, parece estar confirmado que o secretário provincial do Partido Frelimo em Sofala, Lourenço Bulha, candidato indicado pelo partido liderado por Armando Guebuza, não terá a vida tão facilitada como se podia há dias imaginar com a indicação de Manuel Pereira como candidato a Edil pela Renamo.
O prazo para inscrição de candidatos termina na próxima sexta-feira. Se o presidente Afonso Dhlakama mantiver Manuel Pereira como candidato da Renamo à presidência do Município da Beira e Daviz Simango avançar mesmo como independente, Lourenço Bulha, o candidato a Edil da Beira pelo Partido terá a vida muito dificultada.
Não está, no entanto, posta de parte a possibilidade de Afonso Dhlakama poder vir a declarar Daviz Simango personna non grata na Renamo e expulsá-lo, mas isso, a suceder, poderá custar-lhe mais uma derrota nas presidenciais do ano que vem e uma fatal perda de assentos nas eleições para formação da Assembleia da República que funcionará entre 2010 e 2015, atendendo ao grande prestigio de Simango em todo o país.
Se Daviz Simango avançar é de esperar que possa vencer a corrida a presidente do Município da Beira pois apesar das simpatias que se reconhecem tanto por Manuel Pereira como por Lourenço Bulha, em nenhum dos casos se podem comparar com o prestígio, competência e simpatia que hoje beneficia Simango, filho do primeiro e único vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Reverendo Urias Simango, e da fundadora da primeira organização da mulher moçambicana, LIFEMO – Liga Feminina de Moçambique, Celina Simango.
O edil beirense Daviz Simango, há dias afastado do concurso tendo em vista a revalidação do seu mandato como candidato oficial do seu partido, goza de solidariedade crescente por parte de diversos citadinos entre os quais grande parte dos apoiante de Dhlakama que estão já a apoiar a candidatura independente de Simango não contra o líder da Renamo mas sobretudo em oposição a Manuel Pereira que embora sendo um elemento que goza de simpatias é tido como pessoa mais indicada para estar na Assembleia da República do que à frente de um município.
A hipótese de um ataque de nervos em Dhlakama não está posta de parte, pois significativa parte dos membros da Renamo prepara-se na Beira para lançar o seu apoio a Simango e mesmo até munícipes que diziam publicamente que não iriam votar começam a manifestar-se a favor da candidatura do actual presidente do município à sua sucessão. Até membros da Frelimo se declaram a favor da reeleição de Daviz Simango por o reconheceram como o munícipe que mais fez pela cidade desde que o país se tornou independente.
Se o presidente Dhlakama não entender que Daviz Simango poderá ser a sua salvação em vez da sua desgraça, vaticinam fontes contactadas pelo «Canal de Moçambique», na Beira, que a Renamo poderá sofrer mais uma cisão, à semelhança do que aconteceu após o afastamento de Raul Domingos, na sequência do dossier eleitoral de 1999.
As verdadeiras bases da Renamo na Beira opõem-se abertamente a Manuel Pereira e seus seguidores. Colhidas de surpresa pelo anúncio feito por Fernando Mbararano a retirar o tapete a Daviz Simango, estão apostadas em voltar as costas a Afonso Dhlakama. A credibilidade do líder da Renamo está agora muito afectada no seu “santuário e bastião politico. A atitude de Dhlakama foi muito mal recebida pelas bases da Renamo e o apoio ao líder decaiu nos últimos dias.


HISTORIAL DA CRISE

Há pouco mais de dois meses Manuel Pereira lançara a sua candidatura a candidato a edil da Beira pela Renamo, e esta fora recusada pela Praça de Marínguè (em alusão ao local onde está estabelecida a residência oficial de Dhlakama, em Maputo). A questão da candidatura de Simango parecia resolvida, desde que o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, referira sobre a não aceitação da candidatura de Pereira pelo “commando” central da “perdiz”. O volte-face anunciado por Mbararano colheu de surpresa as bases da Renamo, na Beira, e perante tal decisão exigiram explicações claras de Dhlakama que mantém uma tal crispação em volta do assunto, que na sede do partido, na capital de Sofala, os membros acabam por manifestar abertamente uma certa lealdade a Simango mas aguardam um novo volte face do líder que não surge e tudo indica que não irá surgir.
A pressão agora vem das bases. Querem que Daviz Simango avance com a candidatura. Mas o Edil recusa-se a admitir que a sua candidatura seja no contexto de qualquer outra organização que não seja o seu partido – Renamo. Admite concorrer como independente mas a favor de uma maioria da Renamo na Assembleia Municipal.
Tanto quanto se sabe amplamente, duas razoes estão por detrás do afastamento da candidatura de Simango. A primeira, Dhlakama foi industriado por duas figuras que da Beira saíram e lhe foram dizer em Maputo que Daviz Simango não estava a “olhar” (leia-se dar benesses) pelos que combateram do lado da “perdiz” (hipotéticas bases) na guerra de 16 anos, mas, sim, em benefício de outros quadros, tidos como afins seus e sobretudo familiares seus. Isto “irritou o suficiente a Dlhakama que decidiu pelo lançamento da candidatura de Manuel Pereira”. A segunda razão: Dhlakama não conseguiu convencer os seus correligionários da imprescindibilidade de Simango e enquanto isso os outros acusam, entretanto, Simango de estar a querer roubar o lugar a Dhlakama, mas vão dizendo também que Simango está a montar células do PCN para recriar o partido de seu Pai, tudo invenções segundo próximos de Simango.
As relações Dhlakama/Daviz Simango que sempre foram cordiais quando Simango ascendeu a Edil da Beira, acabaram por estar na mira de uma certa ala conservadora da “perdiz”, que nunca saudou o facto do líder ter apostado num dito elemento do PCN, Daviz Simango, agora membro da Renamo, para o lugar. Essa ala chegou mesmo ao ponto de afirmar que o objectivo chave do PCN (liderado por Lutero Simango – irmão de Daviz) era o de golpear a liderança da “perdiz”, ou seja, substituir Dhlakama por Daviz. E as relações Lutero/Dhlakama ajudaram a que a ala instigadora de conflito na Renamo, como também se diz nos bastidores, passasse a ser “abastecida” pela Frelimo para dividir o mais que possível a Renamo e as boas relações de Daviz Simango com o seu presidente, Afonso Dhlakama.
Os aduladores de Dhlakama acabam por encontrarem terreno fértil e vão minando as figuras proeminentes. E conseguem agora que a Renamo entre de novo num processo de auto-flagelação sem contar com a robustez do chamado “partidão”, Frelimo.

Porquê Manuel Pereira?

Pereira está sendo resgatado depois de passar por um período cinzento dentro da “perdiz”. Pereira, conhecido como o “homem da cancela no Save”, foi quem lançou a Renamo em Sofala, depois de no final de 1980 e limiar de 90 ter sido detido por actividades clandestinas a favor da antiga guerrilha, contratando, através do aliciamento, jovens para prosseguirem estudos no exterior do país. Mas se até então detinha relações amistosas com Dlhakama, em 1999 chegaram a esfriar-se. Foi visível nas eleições gerais de 1999. Dhlakama manteve-o a leste e foi nessas eleições que Dhlakama venceu com larga margem mas foi enganado ou “deixou-se subornar” como também se foi dizendo. E nessa altura como delegado político local Pereira começa a deixar de saber da agenda do seu líder, tendo chegado ao ridículo de se envolver em constantes desmentidos na imprensa, ao ser acusado de relações comerciais com membros da Frelimo.
No auge da campanha eleitoral às eleições de 2004 correm rumores nas hostes da “perdiz” de que Pereira estava na iminência de se filiar na Frelimo, o que ele viria a desmentir pessoalmente. Agora afiança-se que ele avançou numa negociata da Frelimo para acabar com a Renamo.
Depois daquele período gélido e de quezílias pessoais entre ambos, Dhlakama decide agora bafejar Pereira com a sua candidatura a presidente do município da Beira, mas não está posta de parte a hipótese de Daviz Simango lhe vir a dar a estocada final que convém a Dhlakama embora a este comece a parecer interessar muito mais ver-se livre de Daviz que as bases em todo o país começam a ver como um valor acrescentado para as pretensões da Renamo, se bem que Daviz defenda antes uma forte aliança entre ele e o seu líder, facto que Dhlakama parece não conseguir entender,
Mas sobre Daviz Simango, Manuel Pereira tem um precedente. Diz que foi a ele a quem a Mãe do edil beirense, na véspera de ser morta pela Frelimo, num campo de reeducação em Niassa, dissera para transmitir aos filhos que “estudassem muito”.

Dados das eleições de 2003

Nas eleições de 2003 o candidato da RENAMO-UE, Daviz Simango, obteve um total de 29.535 votos, ou seja 53,4 por cento de um total de 57.309 eleitores que exerceram o seu direito de voto, num universo de 215.326 cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais. Djalma Lourenço, concorrente pela FRELIMO, obteve 23.378 votos (42.03 por cento) contra 943 votos (1.07 por cento) do candidato do PIMO, Pedro Langa, e 1440 votos (2.6 por cento) do concorrente do IPADE, AntónioRomão.Para a Assembleia Municipal, a RENAMO arrecadou o maior número de votos: 30.826 (54.6 por cento). A FRELIMO teve 23.304 (41.2 por cento), IPADE 1.735 votos (3.1 por cento), e o PIMO 628 votos (1.1 por cento). Nas eleições de 2003 o índice de votantes foi de 24,16 por cento. Agora das duas uma: ou as abstenções da parte dos apoiantes da Renamo se agravam em razão da forma pouco transparente como ocorreu o afastamento de Daviz Simango, ou então incidirá a seu favor o voto solidário, conforme se começa a perceber que venha a ser possível acontecer, pela percepção popular, em diversos bairros.
A não ser que a Renamo tenha um argumento convencível em torno desta querela que divide o partido, nas bases as obras que Daviz Simango fez na urbe poderão ser suficiente motivo para nem Pereira, nem Lourenço Bulha terem a mais pequena hipótese de vencer na Beira.
Algumas percepções, em torno da candidatura de Lourenço Bulha, indicam que embora ele seja bastante conhecido na Beira, reúne a desvantagem de estar a concorrer com um homem que tem obra visível.
Quanto aos que mantém a fé no voto tribal, tudo indica que este factor quase ou nenhum peso representará no sufrágio que se avizinha, pois o denominador comum do grosso dos apoiantes de Dhlakama é atribuir-lhe um cartão vermelho porque a causa beirense, fundada em não ceder de novo a Beira à Frelimo, é um objectivo de que a população não quer abdicar, “custe o que custar”.
Mas como em política a matemática pouco releva, o que se aconselha é esperar e ver para crer.
CANAL DE MOÇAMBIQUE – 02.09.2008