Thursday, 18 August 2016

Liga dos Direitos Humanos de Moçambique acusa Governo e Renamo de crimes de guerra



A presidente da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique (LDH) considerou hoje em Maputo que o Governo moçambicano e a Renamo, principal partido de oposição, estão a cometer crimes de guerra, pedindo a intervenção da justiça penal internacional.
"Em Moçambique há crimes de guerra, o que se passa são crimes de guerra, precisamos do Tribunal Penal Internacional", afirmou Alice Mabota, falando durante o lançamento do "Relatório da Crise de Refugiados Moçambicanos no Malaui e a Situação dos Direitos Humanos (2015-2016)".
Mabota acusou as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas de cometerem atrocidades nas zonas em que se confrontam com o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, referindo que o Estado está a falhar na proteção dos cidadãos indefesos.
"As atrocidades cometidas pela Renamo são atos de bandidos que devem ser levados a tribunal, mas as atrocidades cometidas pelas Forças de Defesa e Segurança eu não perdoo, porque a missão do Governo é proteger a todos nós", afirmou a presidente da LDH.
O relatório hoje apresentado pela LDH diz que o fluxo de refugiados moçambicanos no Malaui foi provocado por sistemáticas violações e abusos dos direitos humanos causados pelas Forças de Defesa e Segurança moçambicanas.
"As evidências ilustram que o motivo do fluxo de refugiados moçambicano para o Malaui prende-se com as sistemáticas violações e abusos dos direitos humanos protagonizados pelas FDS (Forças de Defesa e Segurança), no âmbito da tensão político-militar que o opõe o Governo e a Renamo", lê-se no documento.
A pesquisa da LDH diz que foram reportados 13 assassinatos nas zonas de proveniência dos refugiados em Moçambique por parte das FDS contra três protagonizados pelos homens armados da Renamo.
O Governo e a Renamo alcançaram na quarta-feira consensos em torno de reformas legislativas visando o aprofundamento do processo de descentralização administrativa do país, mas ainda não há detalhes sobre o entendimento, que foi atingido no âmbito de negociações em curso destinadas à restauração da estabilidade no país.
A Renamo exige governar em seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), de ter cometido fraude no escrutínio, para se manter no poder.


Criada subcomissão para discutir as seis províncias




Diálogo politico

A Comissão Mista do diálogo político concordou, hoje, na criação de uma subcomissão para preparar um pacote legislativo para viabilizar o processo de descentralização político-administrativa que poderá dar mais poderes de decisão aos órgãos locais do Estado.
As reformas em perspectivas surgem no quadro das reivindicações da Renamo, que exige a governação das seis províncias onde alega ter conquistado a maioria eleitoral, havendo um acordo da necessidade desta situação ser discutida no quadro da “Unidade Nacional e do processo de descentralização Administrativa”.
“A delegação do Presidente da República e a Delegação do Presidente da Renamo concordaram em constituir, no âmbito da Comissão Mista, e com a presença dos Mediadores/Facilitadores, uma subcomissão com a tarefa de preparar um pacote legislativo que esteja em vigor antes das próximas eleições”, indica a declaração assinada pelas duas delegações e pela equipa de mediação.
 
Um dos aspectos
O pacote legislativo em perspectiva deverá tratar de reformas em sete instrumentos legais, que devem ser submetidas a apreciação da Assembleia da República, até Novembro.
A Constituição da República; A Leis dos órgãos Locais do Estado e seus Regulamentos; A Lei das assembleias Provinciais; A Lei dos órgãos de governação provincial; A Lei das Finanças Provinciais; A Lei base da organização e funcionamento da Administração Pública e o Modelo de autarcização de todos os distritos são os instrumentos legais a serem pontual ou completamente revistos, no âmbito das atribuições da subcomissão.
Os integrantes da subcomissão ainda não são conhecidos, mas segundo informações avançados hoje, a mesma deverá iniciar as suas actividades já manhã desta Quinta-feira.
 
Acordo positivo
O líder do PDD, Raul Domingos, considera “positivo” qualquer acordo entre o Governo e a Renamo, desde que o mesmo implique o fim do conflito armado. Ainda assim, o presidente do PDD alerta que a simples nomeação de governadores propostos pela Renamo para as províncias reclamadas por este partido pode ser um “presente envenenado” a Afonso Dhlakama.
O antigo número dois da Renamo diz que não faz sentido que os governadores indicados pelo partido de Afonso Dhlakama trabalhem sobre uma estrutura administrativa dominada pela Frelimo.
“Eles (governadores) devem ter poder de decisão, de criar a sua própria equipa de trabalho, incluindo a nomeação de directores provinciais e de administradores distritais”, explicou o político.
“É preciso acabar com esta coisa de que o candidato que conseguir 51% ganhou tudo e aquele que obtiver 49% perdeu tudo. É preciso encontrar forma de dar poder àquele que teve 49% dos votos expressos. Não faz sentido ignorar um candidato que teve esse nível de aceitação nas urnas”, apelou. Hoje presidente do PDD e estudante de Ciência Política na UEM, Raul Domingos, chefiou a delegação da Renamo que negociou o Acordo Geral de Paz de 1992, em Roma.

Governo moçambicano desmente nomeação de governadores provisórios da RENAMO

 
Chefe da delegação da RENAMO disse que executivo tinha concordado em buscar meios legais para partido assumir provisoriamente seis províncias onde reivindica vitória nas eleições. Mas a informação foi negada por Maputo.
Segundo José Manteigas, chefe da delegação da RENAMO na Comissão Mista, disse nesta quarta-feira (17.08) em conferência de imprensa que delegações do Governo de Moçambique e do maior partido da oposição concordaram em encontrar formas para a nomeação provisória de Governadores da RENAMO, nas seis províncias onde aquela formação política afirma ter vencido as últimas eleições. A informação já foi, entretanto, desmentida por Jacinto Veloso, chefe da delegação do Governo.

Veloso, convocou a imprensa para anunciar que "ainda não há nenhum acordo" sobre a exigência da RENAMO de governar nas províncias. Ele reconheceu que foram alcançados alguns entendimentos, mas acrescentou que nenhum dos quatro pontos em discussão será implementado de forma isolada.
O chefe da delegação do Governo na Comissão Mista disse ainda que primeiro será necessário concluir a discussão dos quatro pontos para depois os entendimentos serem submetidos ao Presidente Filipe Nyusi e ao líder da RENAMO, Afonso Dhlakama.Antes, José Manteigas, que falou em nome das duas partes, anunciou que deveriam "ser encontrados mecanismos legais o mais cedo possível" para viabilizar a nomeação dos governadores provinciais. O grupo é encarregado de preparar um encontro ao mais alto nível entre as duas partes, com a presença de mediadores, para pôr fim à tensão político-militar no país."O assunto deve ser discutido no quadro da unidade nacional e do processo de descentralização administrativa, que confira mais poderes de decisão aos órgãos locais do Estado, incluindo os recursos financeiros e a forma descentralizada de eleições e designação dos governadores provinciais", acrescentou Manteigas.Será também instalada uma subcomissão para preparar um pacote legislativo que esteja em vigor antes das próximas eleições. O material deve ser concluído antes do final de novembro, para ser posteriormente submetido à apreciação do Parlamento.Segundo Manteigas, os pontos do pacote legislativo serão a revisão pontual ou substancial da Constituição da república de Moçambique, da lei dos órgãos do Estado e seu regulamento, da lei das Assembleias Provinciais e da lei de bases da organização e funcionamento da administração pública. Além disso, o pacote vai contemplar a aprovação da lei dos órgãos de governação provincial e da lei das finanças provinciais e o reexame do modelo de autarcização de todos os distritos.
Diálogo
As negociações entre o Governo e a RENAMO ocorrem depois de os mediadores internacionais terem realizado encontros em separado nos últimos dias com as delegações para aprofundar as suas posições e produzir consensos.A Comissão Mista deverá decidir nos próximos dias sobre a cessação das hostilidades e a data da deslocação dos mediadores à Gorongosa, onde se encontra refugiado Dlakhama.As últimas semanas têm sido marcadas por uma escalada de ataques armados atribuídos ao maior partido da oposição. Estes ataques têm como alvos preferenciais postos policiais, instalações governamentais nos distritos, centros de saúde e colunas de veículos civis. Por seu turno, as forças governamentais são acusadas de intensificarem o cerco a Gorongosa.



DW

Wednesday, 17 August 2016

Dívida escondida em Moçambique “vai ter consequências” – Embaixador dos EUA





O embaixador norte-americano em Moçambique considera que a realização de empréstimos escondidos foi “uma decisão que vai ter consequências”, defendendo a necessidade de haver transparência em todo este processo que potenciou a crise económica no país africano. “Precisamos de ter clareza sobre como os empréstimos foram contraídos, para que é que foi usado o dinheiro e se há possibilidade de recuperar alguns desses fundos”, disse Dean Pittman, citado pelo jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ).
“Foram más decisões, tomadas em segredo e vão ter consequências”, avisou o embaixador norte-americano em Moçambique, num artigo em que os jornalistas do Wall Street Journal abordam as relações entre os bancos Credit Suisse e VTB e vários empresários da alta finança mundial.
“Quando um empresário libanês pediu ao Credit Suisse para financiar as vendas de navios militares a Moçambique, isso parecia uma oportunidade de transformar uma relação com um empresário rico num negócio lucrativo, mas em vez disso, enredou o banco num escândalo que se espalhou desde Maputo até aos centros financeiros mundiais”, escrevem os jornalistas do Wall Street Journal nas primeiras linhas do artigo, com o título “Nos bastidores dos ‘azedados’ negócios moçambicanos do Credit Suisse”.
Em causa está a angariação de 2 mil milhões de dólares para três empresas públicas detidas parcial ou totalmente pela secreta moçambicana, um negócio que “ajudou a subir os lucros do banco de investimentos Credit Suisse e garantiu importantes contratos para Iskandar Safa, cuja empresa de construção de barcos militares sedeada em França estava em dificuldades”.
Os financiamentos, que estão a ser investigados pelos reguladores financeiros britânicos e suíços, são criticados por responsáveis do Credit Suisse que, sob anonimato, consideram que estes negócios não são adequados para o banco. “Estamos a falar de um país com extremas necessidades de saúde e pobreza”, comentou a líder da unidade africana no departamento de pesquisa da consultora Teneo Intelligence, acrescentando que “se tivesse havido prioridades corretas das necessidades de investimento público, nenhum destes projetos teria visto a luz do dia”.
Entre os negócios está um empréstimo de 622 milhões de dólares para a compra de equipamento militar e mais 850 milhões em obrigações da Ematum (Empresa Moçambicana de Atum), em 2013, e mais 535 milhões num empréstimo pela VTB para a construção de um estaleiro para servir as necessidades das frotas militares e pesqueiras.
Até 2015, os investidores estavam satisfeitos com os lucros destas operações, mas a partir desse ano “as coisas começaram a descambar para Moçambique e para os seus credores”, escreve o WSJ.
“As três empresas públicas tinham planeado pagar os empréstimos através da celebração de contratos de trabalhos de segurança para as empresas internacionais de gás natural e pela pesca do atum, mas as empresas estrangeiras suspenderam a maioria das operações em Moçambique por causa dos baixos preços do gás”, lê-se no artigo.
O texto termina lembrando que as reservas em moeda estrangeira em Moçambique caíram de 2 mil milhões de dólares em janeiro, para 1,8 mil milhões, em maio, e que o país está sem financiamento internacional e com a situação económica e a crise político-militar a piorarem.




Observador

As causas e os sintomas






Alguns propagandistas, pseudo-analistas e observadores andam em todos os lados numa actividade febril a impingirem a mentira de que se podem curar doenças cronicas com cuidados paliativos que aliviam os sintomas! Essa falacia so pode enganar os incautos, e exemplos nao nos faltam! As doenças cronicas so podem ser curadas pelo diagnostico das causas, os sintomas sao apenas indicativos dessas causas! Os doentes nao serao curados pelo tratamento dos sintomas ignorando as causas, por mais que alguns vendedores da banha da cobra digam o contrario!
Sejamos claros, se as causas do conflito em Moçambique nao forem diagnosticadas e tratadas, medicar os sintomas pode aliviar durante algum tempo mas a longo prazo nao vai curar!

Tuesday, 16 August 2016

Oportunidade soberana para o CSCS agir?



“Diário de Moçambique” contra STV sobre um mesmo caso?

Excesso de zelo, hábitos adquiridos, instruções prévias, o que será afinal o que faz uns dizerem uma coisa e outros uma bem diferente sobre o mesmo facto?
Primeiro, talvez seja necessário dizer que se trata de um ataque a uma carrinha transportando civis, que foi atacada no distrito de Cheringoma.
Do ataque resultaram mortos que foram posteriormente carbonizados.
Dois órgãos de informação difundiram a notícia. Um, o “Diário de Moçambique”, é peremptório a acusar a Renamo do ataque. Outro, a STV, afirma, depois de entrevistar feridos resultantes do ataque, que foram forças governamentais as autoras do ataque.
A STV socorreu-se da entrevista aos sobreviventes, enquanto o “Diário de Moçambique” transcreve o que o porta-voz da PRM revelou.
Esta tragédia humana, que assume características de crime hediondo, foi protagonizada por alguém que, até investigação profunda, continuará nos meandros da dúvida.
Não se pretende levantar celeumas nem alimentar discussões fúteis ou pseudo-académicas em torno desta barbaridade.
Se “contra factos não há argumentos”, o que aconteceu vem mais uma vez demonstrar que na guerra se cometem excessos e que muitas vezes também surgem oportunistas que, aproveitando-se deste ou daquele facto ou factor, utilizam tal guerra como fonte de rendimento.
Fala-se do desaparecimento de dinheiro que os cidadãos mortos traziam. Fala-se da destruição da viatura em que seguiam.
Morreu gente, pelo que tudo indica inocente, num acto dificilmente justificável.
Compatriotas, é a vida de nós todos que está sendo posta em causa por interesses inconfessáveis de pessoas que estão armadas.
Podem até ser oportunistas vestindo a farda deste ou daquele beligerante oficial ou oficioso, mas o que não se pode deixar de dizer é que existem forças militarizadas cometendo actos bárbaros e condenáveis à luz das Convenções Internacionais de Guerra.
Por outro lado, parece indesmentível que existe fraca capacidade de controlo do que as forças beligerantes fazem no terreno.
Dadas as difíceis condições logísticas e a degradação ético-moral na sociedade moçambicana, em que a morte passou a não ser novidade nem motivo de repulsa, é de esperar que existam aproveitamentos macabros nesta guerra civil.
Outra questão que urge aflorar é que motivos políticos levarão muitas vezes a que se esconda a verdade e que se propalem mentiras favorecendo este ou aquele beligerante.
Os voluntários da mentira existem em abundância e está-se revelando perigoso deixá-los à solta.
O episódio reportado de maneira diferente por dois órgãos de imprensa é demonstrativo de que alguma coisa não está bem na comunicação social.
E não é este o momento de apontar o dedo para os presumíveis culpados.
Aqui e agora, queremos dizer que os partidos beligerantes têm a obrigação histórica de interromper este ciclo de violência.
Porque se sabe que, no fim, não haverá vitória militar definitiva, ao estilo das guerras históricas do passado, que tudo, no fim, será alinhavado na mesa de negociações, urge que os mediadores internacionais e a Comissão Mista nomeada pelo Governo e a Renamo redobrem esforços e não descansem enquanto não alcançarem o acordo de paz forte sustentado pela razoabilidade e pela responsabilidade que têm para com os moçambicanos.
Os ciclos de violência despoletados por desacordos políticos são indicativos de que as instituições democráticas são frágeis e partidarizadas.
Abunda algum formalismo democrático como eleições regulares, mas o que sustenta estes exercícios são esquemas de manutenção do poder que descredibilizam vencedores e promovem guerras pós-eleitorais.
Num momento histórico e uma verdadeira encruzilhada para a sobrevivência de Moçambique, importa que não se dê oportunidade às “velhas raposas da guerra” tomarem a iniciativa de ditarem o rumo dos acontecimentos.
Já não existe aquela famosa coesão nem no seio da Frelimo nem nas hostes da Renamo. O que os deputados de nosso Parlamento querem e queriam era tomar posse, como se tem visto, pois só existe unanimidade nas mordomias e benefícios.
Existe fome de sobrevivência básica e uma tendência de transformar a política em ganha-pão.
Face a isto, a opinião de alguns quadrantes sobre a necessidade de envolver mais actores sociopolíticos tem o seu valor, mas é urgente que abandonem posições de defesa do indispensável e que se valorize a busca de soluções consentâneas com a realidade que se vive. Não queremos ver o palco tomado por constitucionalistas ou legalistas que, afinal, sua maioria até é de meia-tigela, pois não tem conseguido dar subsídios válidos para a pacificação do país.
Aproveitar a oportunidade para apelar ao CSCS no sentido de se posicionar com equidistância sobre os assuntos do seu pelouro. Não se precipite a emitir condenações nem censuras a este ou àquele órgão de comunicação social a partir de um prisma claramente partidarizado, embora pareça inócuo.
Não actue nunca sob a batuta do poder político. Não seja mais uma célula do partido no poder. Não utilize uma soma de retórica com teor cosmético e sabor a plástico.
Moçambique deve reerguer-se das actuais convulsões mais maduro e republicano através da reescrita e mudanças fundamentais na sua Constituição, de modo a que as instituições de soberania actuem na base de comandos constitucionais e os seus agentes abracem a cidadania e o primado da lei.
Não será da noite para o dia que teremos agentes do Estado actuando como se espera e deseja, mas é preciso começar em algum ponto.
Também não será amanhã que teremos uma paz e reconciliação efectiva, mas há que começar hoje a batalha para que isso se torne o quotidiano de todos.
Segurança acrescida nas zonas rurais e nas cidades é desejo e direito de todos.
Fim a ciclos dantescos de sequestros e de raptos seguidos de assassinatos.
Fim do reino de terror que se alastra e deixa vítimas inocentes ao serviço de alegadas agendas políticas.
Regresso ao tempo em que se podia dormir com as janelas abertas e se podia caminhar de dia e de noite sem receio de assaltos. Regresso a uma paz como aquela que se viveu após o AGP de Roma, mas agora reforçada por uma CRM que promove a democracia política e económica.
Essa é uma tarefa inadiável de todos e de cada um.
Cortar as linhas de passe ao crime organizado ou desorganizado com base num Governo forte, interventivo, activo em todos os níveis.
Trazer a meritocracia para as instituições estatais e eliminar com rigor o nepotismo e sistemas subjacentes.
Reconstruir o tecido social e afugentar os vírus da corrupção através de uma moralização social permanente.
O texto pode parecer uma miscelânea, mas contém assuntos conexos de abordagem necessária na actual conjuntura.


(Noé Nhantumbo)

CANALMOZ – 16.08.2016, no Moçambique para todos

GOVERNAÇÃO NAS SEIS PROVÍNCIAS: Comissão reexamina exigência da Renamo

A EXIGÊNCIA da Renamo de governar as seis províncias onde diz ter ganho nas eleições gerais de 2014 vai ser reexaminada pela comissão mista de preparação do encontro entre o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, e o líder do principal partido da oposição, Afonso Dhlakama.
O assunto, que constitui o primeiro ponto da agenda do diálogo político, volta a ser apreciado amanhã, quarta-feira, depois das consultas que as partes se comprometeram a realizar durante o dia de hoje.
O facto foi revelado por Jacinto Veloso, porta-voz da sessão de ontem da comissão mista, que durou mais de quatro horas, com pequenas interrupções para dar lugar a consultas e reuniões bilaterais com as duas delegações.
“Pelo tempo que levamos devem ter concluído que não chegamos a conclusões definitivas. Contudo, algum trabalho foi feito, algum trabalho importante. Como sabem, os mediadores, depois de terem trabalhado com as duas delegações, apresentaram uma proposta que foi apreciada na sessão plenária e foram feitas contribuições que levaram à introdução de algumas emendas, algumas alterações ao texto e, neste momento, cada delegação vai pensar, vai reflectir, vai fazer as consultas que achar úteis para que, na próxima sessão, que terá lugar na quarta-feira, se possa examinar, de novo, esse ponto da agenda que diz respeito à governação nas seis províncias”, explicou Veloso.
Segundo a fonte, na sessão de ontem, as delegações do Governo e da Renamo e os mediadores também apreciaram os aspectos técnicos sobre a deslocação da equipa de facilitadores a Gorongosa, província de Sofala, para falarem com Afonso Dhlakama, dentro de um quadro de eficácia e segurança.
“Mais uma vez, queremos dizer que não há anúncios muito espectaculares, mas há trabalho realizado e outro está em curso e esperamos que, com a continuação da ajuda dos mediadores e a boa vontade e compreensão das duas partes, consigamos brevemente dar as boas notícias aos moçambicanos e à comunidade internacional”, indicou.
Refira-se que ao abrigo do entendimento alcançado sexta-feira, a comissão mista deverá produzir um modelo de descentralização a ser submetido à apreciação da Assembleia da República.

Moçambique: Quem deverá pagar as dívidas escondidas?

Estado moçambicano não tem dinheiro, mas deve honrar os seus compromissos para não continuar a ser penalizado pelas agências de notação, diz o jurista Ignésio Francisco.

Em Moçambique, o Centro de Integridade Pública (CIP) diz que o regime administrativo nacional conduz à nulidade da chamada dívida soberana, mas juristas dizem que se isso acontecer, vai afectar ainda mais a credibilidade do país nos mercados internacionais.
Alguns sectores da sociedade moçambicana, e não só, defendem a teoria de uma eventual nulidade de todo o processo que está por detrás das chamadas dívidas escondidas.
O CIP, numa recente análise sobre esta matéria, diz que na contratação das dívidas para as empresas EMATUM, ProIndicus e Mozambique Assets Management, foi violado o preceituado constitucional de que compete à Assembleia da República autorizar o Governo a contrair ou conceder empréstimos, pelo que essas dívidas devem ser consideradas nulas.
Juristas dizem que se ficar juridicamente assente que, realmente, se trata de dívidas nulas, a principal implicação é a não vinculação do Estado moçambicano ao pagamento destas obrigaçõe e a imputação da responsabilidade dessas dívidas às entidades que estiveram por detrás do endividamento.
"A consequência mais imediata que eu visualizo é estas dívidas serem imputadas às pessoas que estiveram por detrás disso e o Estado ficar exonerado dessas obrigações," disse o jurista José Machicane.
Por seu turno, o jurista Ignésio Francisco diz que o Estado moçambicano não tem dinheiro, mas deve honrar os seus compromissos para não continuar a ser penalizado pelas agências de notação.
Recentemente, o célebre sociólogo português, Boaventura Sousa Santos, também defendeu que era importante que se divisasse, de forma nítida, a natureza destas dívidas.
O objectivo é saber qual é o nível de responsabilidade do Estado moçambicano e se este tem de ficar com essas dívidas, tendo sempre presente que o Estado agiu como avalista e não como devedor principal.
Isto significa que o Estado assume as dívidas em caso de incumprimento do principal devedor, que são as empresas públicas e os moçambicanos não pagam essas dívidas.



VOA

Monday, 15 August 2016

Versões contraditórias em assassínio de seis pessoas no centro de Moçambique

 Seis pessoas foram mortas a tiro e depois queimadas em Cheringoma, província de Sofala, centro de Moçambique, numa ação que a polícia atribui a homens armados da Renamo e testemunhas citadas pelo jornal O País imputam às forças governamentais.
Em declarações à Lusa, o porta-voz do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) na província de Sofala, Daniel Macuácua, acusou homens armados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) de estarem por detrás dos homicídios, uma versão contrariada por duas testemunhas ouvidas pelo principal diário privado.
O ataque aconteceu na sexta-feira, quando uma viatura ligeira em que seguiam as vítimas foi interpelada por homens armados descritos por dois sobreviventes, citadas pelo jornal O País, como agentes da PRM e membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
"Os homens da PRM ordenaram-nos a subir num carro e percorremos uma longa distância. Parámos num ponto e fuzilaram um por um, consegui escapar e fugi, mas atiraram, atingindo-me com uma bala e caí numa mata", afirmou um dos sobreviventes, falando sob anonimato.
Um cidadão do Bangladesh que fazia parte do grupo de passageiros da viatura interpelada pelos homens armados e que conseguiu escapar também acusou militares e agentes da PRM de estarem por detrás da ação.
"Levaram-nos ao mato, mandaram os moçambicanos fazer uma fila e fuzilaram um por um. Daí, os militares e agentes da PRM vieram ter connosco [bengalis], mas eu consegui escapar e fugir", contou.
Apesar destes testemunhos, a polícia mantém a sua versão de que o ataque foi dirigido por homens armados da oposição, à semelhança de outros incidentes ocorridos na região.
"Reiteramos que aquela ação foi cometida por homens armados da Renamo, estamos em diligência para apurar mais elementos sobre esse ato macabro", afirmou o porta-voz da PRM em Sofala.
A região centro de Moçambique tem sido a mais atingida por episódios de confrontos entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, existindo denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.
As autoridades moçambicanas acusam a Renamo de uma série de emboscadas nas estradas e ataques nas últimas semanas, em localidades do centro e norte de Moçambique, atingindo postos policiais e também assaltos a instalações civis, como centros de saúde ou alvos económicos, como comboios da mineira brasileira Vale.
Na sexta-feira, as autoridades revelaram um ataque de homens armados da Renamo, na vila sede do distrito de Morrumbala, na Zambézia, centro de Moçambique, que se seguiu a outras investidas denunciadas em Mopeia, na mesma província, e também a localidades em Niassa, no norte do país.
Apesar da frequência de casos de violência política, as duas partes voltaram ao diálogo em Maputo, com a presença de mediadores internacionais, mas ainda não são conhecidos avanços.

O sobrevivente alega que o ataque foi perpetrado pelas forças governamentais

Duas pessoas conseguiram escapar do ataque que aconteceu na noite da última Sexta-feira, no distrito de Cheringoma, os sobreviventes garantiram  que o ataque foi perpetrado pelas Forças de Defesa e Segurança.


“Quando chegamos no rio a polícia mandou parar o carro, pediram documentos mostramos e falaram que tínhamos que esperar naquele local por que o comandante Distrital queria conversar conosco.Mais tarde nos mandaram subir no carro deles que tinha 4 portas. Nós subimos, e eles pediram a chave do nosso carro. O motorista levou chave e entregou. Andamos uma distância longa. Paramos num lugar e os soldados começaram a conversar entre eles.Depois começaram a nos tirar do carro e a fuzilar ai mesmo. A tirar no carro a matar ai mesmo com arma.Quando me tiraram eu saltei e comecei a correr, mas me deram um tiro e fui cair numa mata, passei a noite ai mesmo.”
Um  outro sobrevivente de nacionaldade de Bengalesa, que consegui escapar do massacre também  garantiu a Stv que foram os agentes da Lei e Ordem (PRM) e  as Forças Governamentais (FDS) que interpelaram a viatura, dispararam contra os ocupantes e atearam fogo no carro.
“Chegamos no mato, mandaram-nos descer e mandaram fazer uma fila dos moçambicanos, e começaram a fuzilar um por um. Dois moçambicanos tentaram fugir, mas levaram tiro e perderam os sentidos.Os militares e a PRM pensaram que haviam perdido a vida, foi quando vieram fuzilar eu e o meu amigo. Eu tava de casaco, e o militar estava a pegar o meu casaco, numa dada altura lhe empurrei e consegui fugir. Mas eles começaram a disparar, visto que eu estava a correr em Ziqui Zaqui eles não conseguiram me acertar e escapei”, finalizou.
 Segundo Daniel Macuácua, porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique, em Sofala, descarta a hipótese e conta que o modo como o ataque ocorreu é uma forma de actuar da Renamo. “Se  recordam, homens armados da Renamo, interpelaram uma viatura pertencente ao Instituto Nacional de Segurança Social, em Nangwe”.



INFROMOZ

As mentiras da guerra







Sabemos que numa guerra a primeira vitima é a verdade !
Em Caia, 2 cidadãos que escaparam a um ataque inucialmente  atribuído à Renamo acusam a forças de defesa e segurança de serem as autoras do ataque  em que morreram carbonizados varios cidadaos!

Património da Mafalala é memorizado num livro

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A Associação IVERCA e o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, vão lançar no próximo dia 21 de Agosto corrente, o livro Mafalala: Memórias e Espaços de um Lugar.
O lançamento irá acontecer no final da tarde no bairro da Mafalala, na cidade de Maputo. Trata-se da primeira obra moçambicana que se foca no património existente na periferia e explica as componentes urbana, social e cultural. Por outro lado, a acção contempla uma das fases do processo de documentação e inventariação do património cultural do bairro da Mafalala, desencadeada pela IVERCA.
A obra foi escrita e organizada por uma equipa mista de investigadores portugueses e moçambicanos que, em conjunto, sentiram a necessidade de trabalhar e registar um assunto que, ambas as partes, de diferentes formas tinham estudado e conheciam.
O livro conjuga o projecto da Associação IVERCA - Mafalala Turística com a iniciativa académica Patrimónios de Influência Portuguesa coordenado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que se dedica ao estudo e interpretação proactiva das heranças das culturas que se exprimem em língua portuguesa.


IDOLO

Saturday, 13 August 2016

DIÁLOGO PARA A PAZ NO PAÍS: MEDIADORES VÃO À GORONGOSA

OS mediadores do diálogo para a paz deverão seguir, nos próximos dias, para Gorongosa, em Sofala, para se encontrar com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, no âmbito da discussão do ponto sobre a cessação de hostilidades, iniciada ontem em sede da comissão mista.
A comissão mista vai ainda encarregar-se de estudar os mecanismos necessários para que a deslocação dos mediadores à Gorongosa decorra com segurança e tranquilidade. Dados em poder do Notícias indicam que o Governo predispôs-se a criar um corredor de segurança para que os mediadores possam chegar livremente ao local onde se supõe esteja o líder da Renamo, podendo estes, querendo, fazer-se acompanhar de jornalistas.
Falando à comunicação social na qualidade de porta-voz da sessão de ontem da comissão mista, o deputado José Manteigas, chefe da delegação da Renamo, disse não haver ainda uma abordagem substancial do ponto sobre a cessação de hostilidades, o segundo da agenda acordada pelas partes.
A comissão concluiu, ainda ontem, a discussão do ponto sobre a exigência da Renamo de governar as seis províncias onde alega ter ganho nas eleições gerais de 2014, que constituía o primeiro ponto da agenda, tendo assumido a tarefa de elaborar uma proposta que verse sobre descentralização e que deverá ser submetida à apreciação da Assembleia da República, segundo deu a conhecer José Manteigas.
As decisões saídas da sessão foram tomadas depois que os mediadores e as delegações do Governo e da Renamo na comissão mista partilharam os posicionamentos e fundamentos de cada uma das partes relativamente à governação das seis províncias.
O próximo encontro da comissão mista deverá ter lugar na segunda-feira, altura em que será discutido o documento contendo as propostas vertidas nas duas decisões saídas da sessão de ontem.



Notícias

Friday, 12 August 2016

Carros de jornalistas que acompanham PR moçambicano atingidos a tiro no centro do país

Dois carros que transportavam um grupo de jornalistas, destacados para cobrir a visita do Presidente moçambicano à província de Manica, foram hoje atingidos a tiro num dos troços sujeitos a escoltas militares no centro de Moçambique.
Os jornalistas relataram à Lusa que as viaturas das estatais Rádio Moçambique (RM) e Televisão de Moçambique (TVM), em que viajavam oito profissionais, incluindo de outros órgãos privados, foram atingidas por balas cerca das 10:00 locais, quando passavam por Chiuala (distrito de Báruè), na estrada N7, uma zona de frequentes confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e homens armados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).
O ataque não provocou feridos e o Presidente da República, Filipe Nyusi, não circulava naquela coluna, tendo viajado mais cedo por meio aéreo para o distrito de Mossurize, onde hoje era esperado para o início da sua visita à província de Manica.
As viaturas seguiam na escolta obrigatória das Forças de Defesa e Segurança, ativada no início de junho naquele troço da N7, para minimizar os ataques e incêndios de viaturas entre Vanduzi (província de Manica) e Changara (Tete), que as autoridades atribuem à Renamo.
Durante a perseguição aos atacantes, contou à Lusa um jornalista que seguia na coluna, as Forças de Defesa de Segurança apreenderam uma arma de fogo de fabrico caseiro.
Filipe Nyusi começou hoje uma visita à província de Manica, iniciada no distrito de Mossurize, uma zona de tensão política, com focos de confrontos militares e onde 315 famílias deslocadas devido às hostilidades foram agrupadas num campo, testemunharam os jornalistas no local.
A segurança foi reforçada nesta visita presidencial e as deslocações por terra da comitiva de Nyusi são escoltadas por viaturas militares.
Os jornalistas que foram hoje atacados dirigiam-se para o distrito de Macossa, onde Nyusi cumpre no sábado o segundo dia da sua visita presidencial.
A região centro de Moçambique tem sido a mais atingida por episódios de confrontos entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, além de denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.
As autoridades atribuem à Renamo ataques a localidades e unidades de saúde nas últimas semanas e emboscadas nas principais estradas do centro do país, onde foram montadas escoltas militares obrigatórias em três troços de duas vias.
Apesar da frequência de casos de violência política, as duas partes voltaram ao diálogo em Maputo, na presença de mediadores internacionais, mas não são conhecidos avanços.