Saturday, 22 August 2015

RENAMO garante a paz mas alerta para focos de violência

Afonso Dhlakama mostra arrependimento por ter assinado o tratado de paz, em 1992, por considerar que a FRELIMO "o enganou", disse esta tarde (20.08), numa concentração de ex-guerrilheiros da RENAMO, em Quelimane.

O líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Afonso Dhlakama, diz ter “sido enganado” pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) partido que está atualmente no poder.
A conferência nacional dos desmobilizados de guerra da RENAMO, que está a ter lugar hoje e amanhã (21.08) na cidade de Quelimane, na Zambézia, conta com a participação de 206 membros do maior partido de oposição em Moçambique.

Dhlakama começou o seu discurso a pedir desculpa por ter assinado o Acordo Geral de Paz, em Roma, que pôs fim a 16 anos de guerra civil. O líder da RENAMO "pensava que a FRELIMO estava convencida em aceitar a democracia” e nesse sentido “fizemos o acordo e assinamos”, declara Dhlakama fazendo referência ao Acordo de Paz em 1992.
Concentração de militantes da RENAMO em Quelimane (11.03.2015)
Muitas conversações que antecederam os ataques em Satungira, na província de Sofala, foram realizadas, mas nenhuma delas produziu resultados concretos, disse Dhlakama ao afirmar que "não está interessado em dialogar com Filipe Nyusi", o atual Presidente da República.


"Não haverá guerra armada"


Na conferência dos desmobilizados de guerra, que termina na sexta-feira (21.08), o tema principal é o mecanismo de governação pela RENAMO. Afonso Dlakama sublinha que “não haverá guerra armada” em Moçambique, mas possíveis “atos de violência poderão ocorrer caso a FRELIMO resista no que se refere à criação das regiões autónomas” cuja proposta foi chumbada na Assembleia da República pela bancada parlamentar e maioritária, da FRELIMO.
A decisão sobre o destino do partido de Afonso Dhlakama e a Nação moçambicana está agora entregue aos guerrilheiros da RENAMO, que prometem a todo custo derrubar a governação da FRELIMO.



DW

Friday, 21 August 2015

Estado moçambicano prepara-se para vender mais de metade das suas empresas

 O Instituto de Gestão das Participações do Estado de Moçambique (IGEPE), que gere as ações do Estado no setor empresarial, anunciou a venda ou liquidação de 70 das 113 empresas públicas por falta de sustentabilidade.
O IGEPE afirmou que pretende alienar as firmas que se têm mostrado economicamente inviáveis durante o Conselho Consultivo da instituição, que se realizou hoje em Maputo.
"Decorre a finalização do processo de alienação ou liquidação de 70 das 113 empresas participadas pelo Estado, uma vez que apenas 47 são sustentáveis ou apresentam melhorias no seu desempenho", disse o presidente do IGEPE, Apolinário Panguene.
O presidente do IGEPE adiantou que várias empresas detidas pelo Estado moçambicano entraram agora num ciclo de crescimento, esperando-se que comecem a gerar dividendos nos próximos anos.
"Com a recuperação dos ganhos, as empresas que estavam a passar por uma conjuntura menos boa, já começam a ficar em condições de honrar os seus compromissos, pagando dividendos ao Estado", assinalou Apolinário Panguene.
O presidente do IGEPE apontou a queda de preços de alguns produtos no mercado internacional como um dos factores que contribuíram para que algumas empresas detidas pelo Estado moçambicano não tivessem registado lucros nos últimos anos.
Apolinário Panguene adiantou que para a promoção da transparência na gestão das empresas do Estado, o IGEPE está a preparar um modelo de monitoria estruturado, que vai permitir o acesso atempado à situação financeira de cada uma das companhias.
Por seu turno, o ministro da Economia e Finanças de Moçambique, que tutela o setor empresarial público, Adriano Maleiane, exortou as empresas do Estado a serem um modelo de gestão e transparência para cumprirem o seu papel no desenvolvimento da economia moçambicana.




Thursday, 20 August 2015

O mecanismo prático de combate à censura



Foi refrescante ouvir do Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, tal como foi citado pela imprensa, que no seu trabalho, os órgãos públicos de comunicação social obedecem única e exclusivamente os seus protocolos editoriais, livres de qualquer tipo de interferência da parte do poder político.
Claro que o Primeiro-Ministro deve ter estado a tentar dizer aquilo que é o ideal, e não necessariamente o que a realidade nos impõe.
Mas mesmo que esse seja o caso, o importante é que estas declarações tenham vindo a partir desse nível, espelhando um posicionamento formal de que o governo opõe-se à censura, e que à luz da Constituição e da lei de imprensa, apoiará a tomada de medidas contra qualquer tentativa para a imposição da censura.
Isto nunca antes havia sido articulado de forma tão categórica e sem qualquer espécie de ambiguidade por parte de um alto dirigente do Estado, o que é um sinal claro de um esforço para se distanciar de uma prática exercida até muito recentemente com algum excesso de zelo, e que havia tomado os órgãos de comunicação social do sector público reféns de interesses privados, sem qualquer ligação com a agenda de desenvolvimento do país.
Mas à medida que o Primeiro-Ministro vai procurando inteirar-se do estado em que se encontram os órgãos de comunicação social de serviço público, gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para lhe lembrar das responsabilidades que o Estado tem para com este sector importante na nossa sociedade.
O termo ‘público’ provém do facto de estes órgãos, contrariamente aos seus pares do sector privado, prosseguirem fins públicos, sem qualquer necessidade de se preocuparem com questões comerciais no sentido empresarial do termo, que é a prossecução do lucro.
Pela natureza da sua missão, os órgãos de comunicação social do sector público devem gozar de um estatuto diferente das demais empresas públicas, cuja finalidade é contribuir para melhorar as receitas do Estado.
Deve ser por isso desencorajada a actual situação em que, na ausência de uma regulamentação apropriada, a comunicação social pública entra numa concorrência desleal com o sector privado para a captação de publicidade comercial como forma de garantir a sua sustentabilidade. Um sector público de comunicação social dependente de interesses comerciais para a sua sobrevivência pode desaguar numa situação em que ele se torna subserviente a interesses comerciais que inevitavelmente o podem desviar da sua responsabilidade de prestação de serviço para todas as camadas da sociedade, independentemente do seu estatuto social.
Em termos práticos, o sector público da comunicação social deve ser devidamente financiado pelo Estado, com o seu orçamento a ser directamente votado pela Assembleia da República. Este sector não pode continuar a ser o parente pobre do Estado, como é a situação actualmente.
Por outro lado, o modelo de gestão destes órgãos públicos deve obedecer a critérios que os tornem protegidos de tentativas de control por parte de interesses que tenham o potencial de os desviar da sua missão de serviço público e interferir desnecessariamente na sua actuação, sejam tais interesses políticos ou comerciais. Muitas vezes, entendemos a censura como sendo invariavelmente exercida por políticos para atingir objectivos políticos, mas na realidade a manipulação comercial pode acabar por ser a pior forma de censura.
Na verdade, a liberdade de gestão de que estes órgãos devem gozar
deve passar necessariamente pela segurança de mandato dos seus gestores, de modo a que estes não tenham de recear que ao contrariar os interesses pessoais da entidade que os nomeia estejam a pôr em risco a manutenção dos seus postos de trabalho e o bem-estar sustentável das suas famílias.
Estes são os mecanismos práticos e eficazes para o combate à censura, seja esta imposta de fora ou assumida pelos gestores como a melhor forma para a sobrevivência. De outro modo, qualquer declaração oficial contra a censura não passará de boas intenções.



Editorial,  Savana 14-08-2015

Wednesday, 19 August 2015

Ala militar da Renamo reúne-se quinta-feira em conferência nacional no centro de Moçambique


O braço armado da Renamo, maior partido da oposição moçambicana, inicia quinta-feira uma reunião de dois dias no centro do país para traçar estratégias de segurança nas províncias autónomas, que insiste em criar, anunciou o seu líder, Afonso Dhlakama.
O líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) disse que na reunião, a ala militar do partido, que inclui os desmobilizados de guerra civil, deverá avaliar a atual situação "das provocações" do exército moçambicano, que tem causado confrontos entre as partes beligerantes.
"Vamos reunir dois dias, quinta e sexta-feira em conferência nacional com desmobilizados da luta pela democracia, os comandos e generais da Renamo e destacamento feminino em Quelimane", na província da Zambézia, disse Afonso Dhlakama.
O dirigente reforçou a sua segurança na semana passada, após anunciar na Beira, Sofala, onde fixou residência, que iria começar a governação das autarquias provinciais em Tete, onde igualmente seria construído o quartel-general do movimento.
A escolta policial atribuída a Afonso Dhlakama abandonou o líder em um distrito do interior de Tete. O porta-voz do comando geral da Polícia, Pedro Cossa, justificou esta terça-feira que a ação se deveu a falta de meios e recursos humanos.
A Renamo não reconhece os resultados das últimas eleições gerais e exige a criação de autarquias províncias em todo o país e gerir de forma imediata as seis regiões onde reclama vitória eleitoral, sob ameaça de tomar o poder à força.




Dhlakama já não quer ser protegido pelas forças do Estado

Segurança

O líder da Renamo decidiu, esta segunda-feira, abdicar da segurança policial que o Estado vinha lhe proporcionando, em reacção ao alegado abandono de que foi vítima durante a sua passagem pela vila de Mualazi, distrito de Chifundi, província de Tete, onde realizou, semana finda, um comício popular.
“Não preciso mais. Nyusi (Presidente da República) que fique com a polícia dele, com FADM dele”, disse Dhlakama, falando esta segunda a jornalistas na cidade de Chimoio.
Desta feita, Dhlakama diz que a sua segurança passará a ser exclusivamente feita pela sua guarda pessoal. “Eu tenho os meus homens. Mais fortes de Moçambique”, sentenciou.
Refira-se que, na qualidade de líder do segundo partido mais votado nas eleições passadas, Afonso Dhlakama tem direito à protecção e à segurança salvaguardadas pelo Estatuto do Líder da Oposição, em vigor desde Dezembro do ano passado.



AR decide gastar balúrdios para reforçar motos da escolta presidencial

Numa altura em que o país desenrasca para pagar salários da função pública
 

Numa altura em que os cofres das contas públicas estão quase “zerados”, obrigando os gestores das mesmas a ginásticas tremendas para se conseguir pagar salários aos funcionários públicos, a nomenklatura política nacional continua a levar avante, diga-se desnecessariamente, a sua política despesista.
Por exemplo, este mês, a Assembleia da República (AR) lançou um concurso público para a aquisição de motos para o reforço da escola da Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo Ndlovu.
“Fornecimento de motos para reforçar os serviços de escolta do presidente da Assembleia da República”- assim refere o objecto do concurso, com o número 10/UGEA/SGAR/15.da República, os interessados ao concurso devem submeter as propostas.
De acordo com o anúncio público lançado pela Assembleia  até quando forem dez horas do dia 22 de Setembro próximo. As propostas serão abertas no mesmo dia, quando forem 10 horas e 30 minutos.
Actualmente, a escolta da presidente da Assembleia da República é composta por três carros e três motos, não se sabendo exactamente se a ideia é aumentar o número de motos da escola ou simplesmente substituir as que actualmente cumprem a missão de garantir a segurança, rapidez, comodidade e rapidez de deslocação da pre-sidente da AR.
Esta realidade acontece numa altura em que o governo procura fechar os buracos abertos nas contas públicas pelos chamados “créditos guebuzianos”.
Uma das estratégias actualmente em uso é assegurar a colecta de tudo quanto seja possível colectar em matéria de impostos e obrigações aduaneiras. A Autoridade Tributária de Moçambique, por exemplo, recebeu a missão e, ao que tudo indica, está a tentar cumprir à risca.
É este cumprimento à rigor que faz com que muitos pedidos de isenções no pagamento obrigações aduaneiras não estejam a ser aceites, havendo resposta do tipo “sim, mas não agora”.
Além da aquisição de novas motos, o Secretariado da Assembleia da República lançou um concurso público para o fornecimento e montage de um elevador no edifício principal da AR, uma infra-estrutura de apenas dois andares.
Enquanto se avança já com concursos públicos para a montagem de elevadores e compra de novas motos para a escolta da presidente, as instalações do maior órgão legislativo ainda não conseguiram providenciar rampa para deficientes físicos.
Nisto, o deputado da Renamo e vice-presidente do parlamento, Yonusse Amade, continua a passar por momentos difíceis, pelo facto de as instalações da Assembleia da República não estarem adaptadas para deficientes.

mediaFAX, 19.08.2015

Moçambique – enxertar uma crosta saudável não cura a ferida



Nem “Jogos Escolares” nem Visitas de Estado curam as feridas.



O PR, Filipe Jacinto Nyusi, inaugurou os Jogos Desportivos Escolares, cujo lema é sobejamente conhecido em Moçambique.
De unidade propalada a unidade vivida, os moçambicanos estão ainda esperando.
Deslocações de Estado ao estrangeiro têm sido várias, mas isso não traz dividendos, se considerarmos que perdões de dívida diminutos e promessas de investimento que não se concretizam não é o que o país quer ou deseja neste momento.
Ao mesmo tempo que o PR faz o seu trabalho segundo uma agenda aconselhada e decidida nos altos círculos do seu partido e assessoria, o líder da Renamo faz as suas visitas internas na região centro-norte do país e transmite as suas mensagens com teor cada vez mais bombástico e mediático.
São duas forças remando em direcção diferente, e isso obviamente que não é bom para o país e os moçambicanos.
O PR avança com mensagens de conteúdo misto, ora dizendoque é pela inclusão, ora dizendo que autonomia ou autarquias provinciais são contra a unidade nacional, e que só irá fazer aquilo a CRM prescreve.
Afonso Dhlakama afina e refina o seu discurso numa clara perspectiva de agradar ao seu eleitorado e ganhar capital político. As últimas novidades referem-se à construção de quartéis provinciais, e isto, em si, não é novidade, porque num passado recente já havia falado de reorganização das suas estruturas de comando ao nível do país. O que é novidade e uma preocupante realidade é que as hostilidades estão regressando de forma concreta e já ceifando vidas, conforme tem sido noticiado ou revelado principalmente nas redes sociais.
Há uma manifesta teimosia mútua e uma incapacidade de enxergar o que interessa realmente ao país e aos moçambicanos.
Será mediocridade na análise?
Será um “forcing” para empurrar o “inimigo” para fora do barco? Será ingenuidade ultrapassando o senso comum?
Quando se assiste ao que as diferentes estações televisivas apresentam, um desconhecedor pode pensar que em Moçambique está tudo normal e que o país respira saúde. Anormalidade e normalidade são situações visíveis sem necessidade de artifícios de defesa.
Quando se reproduz a inauguração dos Jogos Escolares com enfoque na participação do PR e se apresenta este relaxado jogando futebol, difícil será pensar que há confrontações militares ceifando vidas em Tete.
Logo em seguida, o PR desloca-se a Gaborone para uma cimeira ordinária da SADC, e mais uma barragem de artilharia mediática privilegia o assunto nos noticiários, mas obviamente não se refere que AMMD visita Tete e as suas novas ideias ou decisões de natureza militar.
As linhas de passe para os estrategas das partes estão-se afastando ou revelando-se…
O cenário é medonho, mas há quem teime e diga que tudo está normal.
Estamos com estratégias apontando directamente para a confrontação e um processo negocial insípido e inodoro.
Estamos face a adversários que dão a entender que são inimigos, quando na verdade não são nada disso.
É a defesa do que tenho contra quem quer alterar o estado de coisas em seu benefício.
No lugar de observarmos inteligência política, diligência e capacidade de construção, vemos as partes endurecendo posições, esperando que a cedência seja unilateral.
Os moderadores dos debates televisionados fazem as perguntas circunstanciais com pendor paliativo e evitam entrar naquilo que alguns chamam “questões estruturantes”.
E mais uma vez se evidenciam os esforços de alguns comunicadores sociais e fazedores de opinião em abraçar a tese dos “factos consumados”, como se essa fosse a tábua de salvação política de Moçambique.
Moçambique está doente, e não há análise honesta que não o descubra.
Quando a razoabilidade e responsabilidade patriótica fogem da mesa, abrem-se caminhos para a confrontação bélica e a violência gratuita.
Existem temores fundamentados de que a IV República será regada de sangue, porque os seus mentores jogam na perspectiva de que “agora é a sua vez”. Foi-lhes entregue a rédea do país e a responsabilidade política de não alterar os termos e regras de engajamento.
Ter-lhes-á sido dito que, independentemente do teor das reivindicações políticas dos opositores, a linha a não ser atravessada é aquela que coloca em risco as vantagens patrimoniais dos elementos que alavancavam a II e III Repúblicas.
A ferida nacional que muitos se negam a reconhecer e aceitar a “falta de inclusão política e económica”. Paliativos e manobras cosméticas podem parecer úteis para travar ímpetos temporários, mas, em última análise, não são a terapia recomendável para levar o país a bom porto.
Qualquer estratégia eleita que não tenha como objectivo a busca de uma solução duradoura sólida é um contra-senso, porque não passa de algo que adia por algum tempo a crise aberta.
Enquanto se ignora que os factores de rotura existem e crescem, enquanto não se dá espaço para um diálogo genuinamente aberto e patriótico, visando abarcar os interesses mais alargados dos moçambicanos, fomentam-se os factores de clivagem.
Se um diz que está criando quartéis provinciais, e se o outro já os possui e desdobra militares no terreno, para onde leva esse caminho?
Se outro, antes de dizer, também revitalizava as suas forças em espaços concretos a coberto de actividades políticas ou outras, para onde aponta isso? Este estado de prontidão combativa e de existência concreta de dois exércitos é uma ave de mau agoiro para as aspirações de paz e segurança no país.
Se o que faz diferença e constitui o cerne de um Estado é o Exército e a Polícia actuando num território concreto, crescem os sinais de que estamos em rota de colisão e, porque não?, de secessão.
Parece que cada uma das partes joga com “cartas na manga” que se tornam claras a cada dia que passa.
Sem querer adiantar cenários, parece por demais evidente que para o Governo da Frelimo a posição é a recusa permanente das autarquias provinciais ou qualquer fórmula que ponha em perigo os interesses de um determinado grupo de moçambicanos. Nesse sentido, a preparação objectiva de condições para a eclosão das hostilidades está explicada. Para a Renamo, o desejado é uma situação que signifique uma saída airosa,  com o seu capital político intacto e as suas aspirações políticas cimentadas e fortalecidas. Uma guerra seria um factor desestruturando estratégias e promovendo pontos de vista secessionistas.
O que realmente querem os políticos e quais são as suas reais intenções?
Quando se está em presença de políticos reactivos, que se apressam a assinar consensos que realmente não são, isso é perigoso e revelador da qualidade do debate político existente em Moçambique.
O momento não clama por políticas de “encosto à posição ou à oposição”.
As consequências de qualquer derrapagem são demasiado reais e tenebrosas.
Há que chamar à razão os políticos para que, de maneira realista, se coloquem em defesa da agenda de paz e da moçambicanidade real e concreta.
Os espectáculos mediáticos não trarão a paz, e urge estruturar um diálogo político cada vez mais alargado e aberto, de modo a que todos os sectores políticos e sociais se revejam nos seus resultados e conclusões.
Basta de lavagens e de malabarismos aparentemente intitulados “política”.

Haja coerência e responsabilidade, que o “caldo nacional” não se entorne. 



(Noé Nhantumbo)


CANALMOZ,  18 de Agosto de 2015

Tuesday, 18 August 2015

Presidente Nyusi faz traficância política na media


Alain WOODROW (1996:14) já dizia que por dinheiro, os profissionais de comunicação são objectos de solicitações. Eles, “menos escrupulosos fazem pagar a sua influência, aceitam presentes e acabam por trair a sua missão”, de informar. “Em vez de informar honestamente o público que lhes paga, preferem servir os interesses do establishment, que os remunera a segunda vez", ignoram a comunicação desinteressada e incómoda e enveredam pela informação cómoda e previamente peneirada segundo os critérios de actores políticos.
Este intróito surge na sequência de o Presidente da República, Filipe Nyusi, ter conferido posse, na semana passada, a jornalistas de órgãos públicos, nomeadamente Sacour Latipo, Suzana Espada e Pedro Nacúo, como parte dos novos membros do Conselho Superior de Comunicação Social (CSCS). Mesmo se tivessem sido indicados profissionais de um dos ditos órgãos independentes/privados a coisa só mudava de figura em termos da proveniência, mas, na realidade, uma vez lá dentro, o espaço de manobra seria bastante exíguo e seriam todos reduzidos a jornalistas ao serviço do poder político.
O contexto que ditou a indicação de Sacour Latipo, Suzana Espada e Pedro Nacúo não só é suspeito dada a relação umbilical e uma certa promiscuidade que há 40 anos caracterizam a "cooperação" entre a Televisão Moçambique, a Rádio Moçambique, o Notícias e o Governo, como, também, esclarece muitas coisas em torno do facto de o jornalista da imprensa pública ser ou não um legítimo intermediário entre o Executivo e a sociedade. Será este um sinal de que "ser jornalista é pertencer um uma máfia controlada pelo poder político"?
Nunca houve dúvidas de que as traficâncias políticas do partido de Filipe Nyusi imperam em todos os meios de comunicação cujo funcionamento dependem dos nossos impostos. O que ainda não estava devidamente esclarecido, é que o regime tem uma tamanha apetência em controlar, a todo o custo, as mentes de jornalistas e as suas instituições para melhor poder manipular e os jornalistas deixam-se levar... Há todo um interesse de se transformar jornalistas, quanto maior for o número para melhor, em máquinas activas de combate político?
Entre serem membros do CSCS e agir em prol dos órgãos de comunicação social e da salvaguarda dos seus interesses, Sacour Latipo, Suzana Espada e Pedro Nacúo já são, obviamente, moleques e serviçais do regime, em particular de Filipe Nyusi, enquanto este continuar no poder. Como dizia um cantor angolano, "a máscara caiu e vê-se o podre" e a sugeria por detrás de todo o esforço feito pelos ilustres colegas durante a última campanha eleitoral. Isso é, realmente, sinal de que a política compensa, pese embora seja um jogo sujo. Nota-se, infelizmente, que alguns elementos da comunicação social não mais conseguem despir-se das suas cores e paixões partidárias.
O abuso do poder político na imprensa não é de ontem. Aqueles que alegam que para a indicação dos visados para o CSCS houve um processo de escolha, que fique claro que tudo não passou de um teatro. A serventia ao regime compensa nem que para tal as fronteiras entre o jornalismo e a política sejam fracas ou praticamente inexistentes. E, desta forma, a pressão governamental e partidária diminuem substancialmente a autonomia dos órgãos de informação pública.
Aliás, escrever uma biografia sobre um Chefe de Estado como Filipe Nyusi também compensa. Pedro Nacúo que o diga.
Assim, o povo que não conte mais com esses jornalistas, até porque eles nunca estiveram comprometidos em ser intermediários entre o Governo e a Sociedade. Tudo o que buscaram lograr ao longo das suas carreiras são mordomias às custas da política, diante da qual o povo “é tratado como se fosse uma coisa, é ludibriado, iludido, induzido em erro, crê no que é falso" (Philippe Breton, 1997:29).

Editorial, A Verdade

Monday, 17 August 2015

DIÁLOGO POLÍTICO/ MEDIADORES ESGOTAM ARGUMENTOS PARA QUESTÕES MILITARES

 Os mediadores do diálogo político entre o Governo e a Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, defendem que as duas delegações, que discutem há mais de dois anos, aparentam uma incapacidade para alcançar consensos no ponto referente às Questões Militares.
É nossa percepção que na mesa do diálogo não vai sair nenhuma solução e, nós próprios, já não conseguimos vislumbrar qualquer saída que possamos sugerir às duas delegações para que se resolva essa questão militar”, disse Lourenço de Rosário, falando em nome dos mediadores, no término da 114ª ronda do diálogo politico, acrescentado que “este assunto deveria ser retirado da mesa do diálogo”. 
As Questões Militares é o terceiro ponto da agenda e preconiza a desmilitarização dos homens armados da Renamo e seu enquadramento nas Forças de Defesa e Segurança (FDS) ou reintegração social nos casos de incapacidade física ou por velhice. 
Essas questões devem ser remetidas às instâncias superiores, pois são assuntos muito sensíveis e, realmente, eu não vejo solução, a não ser que haja mandatos muito claros de ambos os líderes, o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama”, disse Do Rosário, reconhecendo a incapacidade dos mediadores para resolver o diferendo. 
Sobre o quarto e último ponto da agenda do diálogo político, que finalmente começou a ser discutido esta segunda-feira, os mediadores, nas rondas anteriores, defendiam a necessidade de se incluir actores mais experientes de modo a permitir a realização de uma discussão mais consistente.
Finalmente, entraram no quarto ponto e a Renamo apresentou os seus pressupostos e as suas propostas. Portanto, consideramos que os pressupostos estão correctos porque fazem levantamento de todas as questões relativas a exclusão”, disse o porta-voz dos mediadores.
Ao longo da nossa história, pode-se observar que ao nível da académia, sociedade civil e etc., se tem discutido, de facto, que o nosso país não tem tido uma distribuição de riquezas da forma mais correcta”, acrescentou. 
Os mediadores advertem ainda que as Questões Económicas não deveriam ser debatidas exclusivamente pelo Governo e a Renamo devido ao seu caracter transversal, porque tratam-se de matérias de interesse público.
Toda a sociedade deve participar, não devemos, aqui, de forma nenhuma, tipificar quem é que deve pertencer. Por exemplo, num Conselho de Administração, quem é que deve ser nomeado por pertencer uma bancada da oposição. Portanto, se sair isso daqui, está errado”, disse o professor. 
Refira-se que os mediadores têm criticado severamente o facto de as duas delegações, por vezes, discutirem questões ultrapassadas e que não fazem parte da agenda do diálogo, comprometendo, desta feita, o seu curso, cujo fim não se vislumbra para breve.


(AIM)

DIÁLOGO POLÍTICO/ RENAMO APRESENTA PROPOSTA SOBRE QUESTÕES ECONÓMICAS

A delegação da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, colocou hoje na mesa do diálogo político com o governo a sua proposta para a discussão do quarto e último ponto da agenda referente as Questões Económicas.
Introduzimos, em pormenores, o quarto ponto da agenda que até aqui é o último acordado entre a Renamo e o Governo e, neste ponto, apresentamos vários aspectos que pretendemos defender, disse o chefe da delegação da Renamo, Saimone Macuiana, no término da 114ª ronda do diálogo, havida hoje em Maputo. 
A agenda do diálogo, que se arrasta há mais de dois anos, inclui o Pacote Eleitoral, a Despartidarização do Aparelho do Estado, Questões Militares e Questões Económicas. 
Entretanto, até então, apenas foi alcançado pleno consenso no primeiro ponto referente ao Pacote Eleitoral.
Na proposta, segundo Macuiana, a Renamo defende que não deve continuar a existir a partidarização do aparelho do Estado, pois todos os bens e recursos públicos devem ser partilhados de forma equitativa por todos moçambicanos. 
Não deve continuar o princípio segundo o qual só aquele que tem cartão vermelho do partido Frelimo, actual partido no poder, pode ter acesso aos recursos, disse o chefe da delegação da Renamo, acrescentando que a nossa proposta é que todos moçambicanos, em especial membros da Renamo, devem se beneficiar desses recursos. 
Entretanto, o chefe da delegação do Governo, José Pacheco, defende que o documento apresentado pela Renamo é redundante e mostra pretensões de partidarizar as discussões sobre as Questões Económicas.
O que este documento nos traz parece voltar a tocar os aspectos que já haviam sido ultrapassados. É um documento que mostra, claramente, uma vontade de partidarização no tratamento das Questões Económicas, disse Pacheco, que é igualmente Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar.
É uma espécie de partilha de posições e restrita aos partidos com assento na Assembleia da República, o parlamento moçambicano, excluindo outros compatriotas moçambicanos, acrescentou Pacheco.
Na ronda de hoje, as partes voltaram a discutir a implementação do Acordo de Cessação da Hostilidades Militares, assinado em Setembro último pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e pelo então Chefe do Estado, Armando Guebuza.
Ainda não temos como integrar os homens das forças residuais da Renamo na Polícia e no Exército, pois a Renamo insiste que há intervenções a volta das próprias forças, disse Pacheco, adiantando que alguns aspectos que a Renamo exige não fazem parte do acordo. 
Por seu turno, Macuana disse ainda não há consenso sobre esta matéria e nós insistimos que é importante para que haja confiança entre as duas partes.
As delegações continuam a divergir no procedimento a tomar com a declaração referente à Despartidarização do Aparelho do Estado. Isso deve-se ao facto de a Renamo insistir que o documento seja homologado pela Assembleia da República, algo que o governo rejeita. 
No término da ronda de hoje, os membros da delegação do partido de Afonso Dhlakama devolveram ao governo cinco viaturas que vinham usando para questões de trabalho referente ao diálogo político. 
Segundo Macuiana, o governo exigiu a devolução das referidas viaturas.





Mais um



É verdade, mais um assassinato se veio juntar à longa lista dos que dão tanto trabalho a investigar à nossa PRM. Daqueles que estão a ser investigados há anos e anos, sempre em segredo de justiça, e sem resultados esclarecedores.
Talvez para “comemorar” os 14 anos passados sobre o assassinato de Siba Siba Macuácua, mais uma pessoa incómoda para os poderosos deste país foi algemado, levado para uma vala de drenagem e morto com dois tiros na cabeça.
Chamava-se Ianlamo Ali Mussa e tinha feito carreira nos services secretos, de onde foi, entretanto, marginalizado.
Morto entre sexta-feira e sábado, a PRM, na segunda feira, disse a um jornal de Maputo que ainda não estava informada do acontecimento. Como é habitual vão seguir-se os pedidos das autoridades para que as deixem trabalhar, eventualmente uma notícia de que já têm pistas e depois, gradualmente, o mergulho no esquecimento.
Foi assim com Siba Siba, foi assim com Orlando José, foi assim com o juiz Silica, foi assim com Gilles Cistac, foi assim com a lista enorme de assassinatos ligados ao tráfico de drogas e vai ser assim agora com Ali Mussa. Fatal como o destino.
E parece não haver ninguém com vontade de alterar isto. Ou com força para o fazer. Mudam-se as caras, ao longo dos anos, mas não mudam os métodos, não muda a moral, ou a falta dela.
Ali Mussa sabia que o queriam matar e acusava uma alta patente policial de ser o mandante do seu assassinato. Já anteriormente tinha sido espancado violentamente e afirmava que tinha sido por polícias. Será essa mesma polícia que vai descobrir quem o assassinou? Seria um milagre e, desde criança, eu deixei de acreditar em milagres.
O Dr. Frangoulis, que foi afastado da direcção da Polícia de Investigação Criminal por estar a ser demasiado eficiente em casos em que essa eficiência era desaconselhada, pergunta onde terão os assassinos arranjado as algemas com que Ali Mussa estava preso quando o mataram. E já ele estava a fazer esta pergunta quando o porta-voz da PRM ainda dizia que só terça-feira estariam informados. Claramente duas velocidades diferentes...
E assim vamos andando, e continuaremos a andar, enquanto não se desfizer a rede de compadrio e cumplicidades que une os dirigentes de praticamente todas as instituições nacionais, à sombra de um mesmo cartão.
Inclusive as instituições que se encarregam de perpetuar o sistema.
 
Machado da Graça
 Savana, 14-08-2015,

Lamúrias ou acções?

 


   
Normal que desejemos ver corrigido aquilo que nos apoquenta

Existe a solução de agir com outros igualmente atingidos, ou a variante muito comum de nos cafés, bares e conversas com terceiros estarmos a lamentar e pararmos nisso, com se as queixinhas e lamentações servissem para algo na resolução. Por favor, se querem apenas lamúrias peregrinem até Jerusalém onde há um muro para desabafar lamentações, dizem que esse muro data dos tempos do Templo do Rei Salomão. Especializado ao longo de séculos para ouvir todo o tipo de desabafos.
Cá na terra, contudo, força e coragem para agirmos, manifestarmos, assinarmos petições, exigirmos aos deputados de todos os níveis e membros da governação do distrito aos órgãos centrais.
De algum modo todos estamos saturados das explicações muito pouco plausíveis sobre a EMATUM, sobretudo quando vemos as embarcações bem atracadas nas docas e apenas pescando lodo.
Barcos de pesca e patrulheiros trata-se de assuntos bem diferentes. Não se duvida que o país necessite de uns e outros.
Mas não se adquirem todos no mesmo sítio. Há estaleiros que fabricam barcos de pesca, cargueiros, super petroleiros, ROL ON ROL OFF, navios de patrulha, porta-aviões, couraçados, etc. Mas, cada macaco no seu galho, dizemos cá na terra, nenhum estaleiro produz todo o tipo de barcos.
Mais grave e segundo a comunicação social incluindo o quotidiano francês Le Monde, afirma-se que o intermediário da operação vem do Médio Oriente, que não possui nem produz em nenhum estaleiro, e pior, o mencionado está a contas com a justiça francesa e de outros países devido a burlas e falcatruas.
Verdade? Meia verdade ou mentira? O secretismo escancara as portas a todo o tipo de especulação.
Agora surge um novo escândalo, o de uma suposta empresa sediada num quartito em Bruxelas e que está encarregue de produzir os nossos BI e passaportes biométricos, os DIRE e sei lá mais o quê.
De novo, verdade, meia verdade ou mentira? Claro que precisamos de esclarecimentos claros, afinal cabe a cada um de nós pagar a conta e contas bem-feitas, fazem os bons amigos, dão credibilidade a quem nos governa.
Precisamos que o Gabinete de Luta contra a Corrupção e a Procuradoria investiguem e digam aos cidadãos os resultados verificados. Basta do eterno disse que disse e nunca se sabe quem disse.
Fala-se por um lado da carência escandalosa de carteiras nas escolas e até nas Faculdades. Por outro lado menciona-se a exportação legal ou clandestina das nossas madeiras em bruto. Menciona-se centenas de milhões de dólares nesse negócio.
Diz-se por cá: um leader uma floresta. Acreditava que isso significava uma floresta plantada, nunca imaginei que se tratasse de uma floresta devastada e transformada em carvão que se vende ao longo de quilómetros nas nossas estradas.
Um leader ou dirigente estatal que deixe destruir florestas no seu território sofre punições severas em todos os países vizinhos. Aqui? Leader fica leader, dirigente continua no posto haja o que houver. Todos intocáveis e acima do dever de cumprimento de obrigações elementares.
Na África do Sul já comprei e como outros, carvão vegetal feito de acácias moçambicanas! Ninguém me contou, comprei e isso estava lá bem chapado com todas as letras. Alguém replanta as acácias?
Porque não obrigar que só se exporte madeira processada e com gente que ao cortar também planta e controlar-se a reflorestação? O que fazia o IFLOMA em Manica que deixamos morrer?
Os pulmões verdes de Maputo nós vemos substituídos por pulmões de betão, já nas deram os JAT, ministérios, gabinetes, bancos e prometem-nos que onde ficava a FACIM veremos erguerem-se magníficos arranha-céus, para nossa alegria.
Um pneu meu sofreu um corte e não pode ser reparado, sequer recauchutado.
Corri vários vendedores que presumo sérios, nenhum me vendia pneus para a minha viatura vulgar de Lineu, na melhor das hipóteses esperar a importação daqui a dois meses ou comprar um desses que nos trazem da Nigéria ou algures, todos produtos contrafeitos e que não nos oferecem segurança.
Como não posso esperar meses sem um sobressalente, deverei recorrer ao país vizinho de que ficamos um mero bantustão.
Havíamos criado nos finais dos anos setenta a MABOR.
Os seus pneus ganharam vários prémios em exposições fora do país, incluindo nos Estados Unidos. Esses pneus serviam o país, até se exportavam. Mestre Malangatana fez uma bela e enorme escultura na entrada, pois bem, tudo o vento levou, Moçambique não merecia produzir os seus próprios pneus.
Claro que a MABOR morreu, valia mais importar os pneus da África do Sul! Assim ganhava mais o país segundo os sabe-tudo da chamada troika.
A presidência de Nyusi, o desempenho do Primeiro-Ministro e de vários dos membros do Governo estão a fazer raiar uma réstia de esperança.
Por favor, façam, ajudem à restauração do país e ao orgulho da nossa moçambicanidade tão maltratada por vigaristas e gananciosos que nos tempos recentes sugaram como carraças a nossa seiva.
Queremos voltar a ser um país de incorruptíveis, um país com indústrias que exportam produtos acabados e de qualidade.
Queremos que os nossos filhos e netos se orgulhem dos nossos legados e não esgotem as suas vidas a pagarem dívidas mal paradas e de origem duvidosa, mas que encheram os bolsos de uns tantos gatunos (as).
As redes celulares móveis caracterizam-se pela pouca fiabilidade.
Quem não ligou para a mãe ou esposa e não recebeu como resposta número desconhecido, ou ainda número inexistente? Estarmos a falar e cair a chamada, habitual. Eles cobram-nos as duas ou três chamadas, forçando-nos a pagar a ineficiência da rede. Já repararam que em vários locais existem duas ou três torres, cada uma servindo uma empresa?
Para além dos danos à estética, por que razão o Instituto Nacional das Comunicações não instala uma única torre para todos e cada um que ponha lá a sua antena?
Haverá um negócio à socapa para a venda e instalação das diferentes torres, que vamos finalmente pagar? Não se trata de material importado para a confecção das torres? Não se poupariam divisas ao Banco de Moçambique e à economia nacional? Não precisamos delas, sobretudo nos tempos em que diariamente o metical se deprecia, encarecendo brutalmente tudo que importamos?
Precisamos de acções da parte de quem as deve realizar. Para isso o meu abraço,
P.S. Um abraço à memória do poeta e patriota cabo-verdiano Corsino Fortes. Um abraço a Josefate Machel.
Uns idiotas pagando cerca de 50.000US$ mataram no Zimbabué um leão Cecil, conhecido como manso e simpático. Condenável sim! Mas quanto espaço reserva a comunicação social em Moçambique e no mundo à morte de crianças inocentes? Leão e crianças? Pela humanidade o meu abraço.
Sergio Vieira, O PAÍS – 11.08.2015

Saturday, 15 August 2015

Xiconhoquices da semana: Compra da casa de Aiuba Cuereneia sem concurso público; Saudação de Filipe Nyusi a ginastas; Causa da tragédia de Chitima ainda por apurar

Os nossos leitores elegeram a seguinte xiconhoquice na semana finda:

Compra da casa de Aiuba Cuereneia sem concurso publico

A senhora Procuradora-Geral da República (PGR), Beatriz Buchili, jogou, por instantes, a capa de guardiã da legalidade ao chão e envergou a da falta de vergonha. Sem concurso público, a Magistrada do Ministério Público, que achegou à casa que dirige pela mão do antecessor do Presidente Filipe Nyusi, ignorou os apelos para a observância das medidas de austeridade e comprou uma casa do antigo ministro de Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, a 23.532.000 meticais. Com este ajuste directo na aquisição da tal moradia, fora das normas previstas pelo Decreto 15/2010, de 24 de Maio, será que Beatriz quis garantir a reforma do ex-governante, uma vez que ficou de lado na composição do actual Governo? E qual foi a sua contraparte monetária, senhora Procuradora? Diante do facto de se ter infringido os princípios previstos no dispositivo em causa para efeitos de ajuste directo na aquisição de bens do Estado, podia explicar-nos, Beatriz, a que critérios recorreu para fechar tal negocio? Com estas xiconhoquices percebe-se que no Executivo há gente que está interessada em arruinar os cofres do erário. É bom que a senhora Beatriz saiba que os critérios de gestão dos impostos do povo é diferente dos que são aplicados na gerência de unhas e da cabeleireira de uma mulher? Respeite o nosso suor e daqueles que nos apoiam como nação!

Saudação de Filipe Nyusi a ginastas

Há boas intenções que quando não são manifestas no momento certo, a posterior não passam de uma grande hipocrisia. Não se sabe por que carga de água o Presidente da República, Filipe Nyusi, decidiu saudar a selecção nacional de salto à corda que se sagrou campeã do mundo na especialidade de “Double Dutch”, também conhecida por salto acrobático à corda, num certame que decorreu na França entre 21 e 26 de Julho passado. O Chefe de Estado e o Ministério da Juventude e Desporto, liderado pelo jovem Alberto Nkutumula, nem sequer lembravam de que em Moçambique existia uma equipa de ginastas ou uma modalidade de salto à corda, ora marginalizada como tantas outras. Porém, mal espalhou-se a informação de que os miúdos venceram a prova, as homenagens começaram a “cair” de forma imparável como uma chuvada de Verão. Após os rapazes serem campeões enquanto no momento da preparação não tiveram o apoio necessário, tudo que se possa fazer por eles é hipocrisia genuína. A par do que tem sido feito para os nossos Mambas e eternos perdedores, qual é a dificuldade que os gestores desportivos, sobretudo o Governo, têm de apostar nas modalidades que timidamente trazem galardões para o país?

Causa da tragédia de Chitima ainda por apurar

Meses depois da tragédia que matou 75 pessoas das 177 contaminadas por “phombe”, uma bebida alcoólicas de fabrico caseiro, em Chitima, sede do distrito de Cahora Bassa, na província de Tete, o Ministério da Saúde (MISAU) ainda não determinou quais foram as causas da desgraça que deixou várias crianças órfãs e algumas delas desamparadas. A instituição do Estado remete-nos a um tempo indeterminado para esclarecer o que se passou. Em 40 anos de independência nacional ninguém deve ficar surpreso com tamanha letargia e incompetência das autoridades de saúde, em particular, e de todo o Governo, em geral. Na verdade, o que não se quer assumir é que o inquérito com vista a apurar as causas da desgraça já foi engavetado e alguém só se lembra do mesmo quando a Imprensa faz pressão, pois o povo tem o direito de saber o que realmente aconteceu naquele dia. Só uma máquina administrativa que se move a passo de camaleão é que pode se refugiar no “brevemente” para esclarecer o problema. Isto, disto por um director nacional de Saúde Pública, Francisco Mbofana, soa a comédia que já não faz rir a ninguém e, principalmente, a uma história para o boi dormir. Que jogo baixo é esse, senhores?



Thursday, 13 August 2015

“Ciclo vicioso” em defesa do “status”

Quem cedo e rápido se esquece do passado está condenado a repetir erros.


As voltas que os políticos moçambicanos não se cansam de dar denotam uma rígida fórmula de pensamento e de acção.
Não importa o que se diga e o que digam os outros. A decisão e posição são manter tudo na mesma.
Outra faceta dos politicos moçambicanos é a sua arreigada teimosia em aceitar mesmo aquilo que obviamente deveriam evitar a todo o custo.
Há que reconhecer que mais ou menos duas décadas de “lavagem cerebral” e condicionamento do pensamento politico tiverem consequências que se reflectem na forma  como as pessoas se posicionam  e agem no dia-a-dia.
O Departamento de Informação e Propaganda e o Comissariado Politico da Frelimo, embora defuntos, deixaram sementes que germinam todos os dias.
De outro modo é difícil entender como e porquê gente com informação e educação teima em defender comportamentos e procedimentos claramente distantes dos interesses nacionais.
No que se configura uma estratégia  delineada com antecedência e executada ao pormenor por um Executivo subordinado a uma Comissão Política forte  e determinada a contornar qualquer oposição, o PM tomou conta dos “dossiers” técnicos e o PR passeia a sua classe “vendendo um peixe” bem diferente dos discursos de inclusão e de paz dos primeiros dias.
Só pode ser alguma leviandade e falta de tacto políticoprivilegiar acções político-diplomáticos deixando de lado os contactos com segmentos políticos nacionais que podem levar ao alcance daquela estabilidade que se sente que falta.
O  exercício de poder aparece e parece forçado numa situação nebulosa em que para muitos cidadãos se vive a usurpação poder e portanto uma ilegitimidade.
E com este ambiente turvo e complexo não se vislumbra uma liderança que traga os moçambicanos para a mesa do diálogo consequente.
De maneira semi-aberta, pois foi-se vendo meios bélicos chegando
ao país e negócios milionários para armar o país, num esforço de quem diz que quer a paz, mas se prepara a todo o vapor para a guerra, temos um Moçambique sentado num “barril de pólvora”.
Ontem, por alguma razão deflagrou uma guerra que durou dezasseis anos, e hoje acumulam-se razões para uma nova confrontação de duração imprevisível.
Quando a espiral de violência começar, já não terá valor  saber “de quem é a culpa”.
Os “golpes de rins verbais” concentrados em defender uma suposta constitucionalidade das suas  posições escondem “vermes e  lagartos” de manipulação e envenenamento do ambiente politico.
As falanges de apoio a uma são todas as partes de um segmento de
cidadãos “domesticados” e “instrumentalizados”. Há como que uma “milícia urbana” de prevenção para empunhar armas e lutar pela defesa do regime. Aqueles que faziam parte das “brigadas de choque” durante as campanhas eleitorais podem a qualquer momento ser accionados para engrossar as fileiras dos combatentes em defesa do partido no poder. Afinal é preciso não esquecer que  foi alguém sob instruções que violentou e inviabilizou as campanhas eleitorais dos opositores da Frelimo em Gaza. Foi alguém que assegurou a estrondosa vitória da Frelimo em Gaza e Inhambane.
E nesse cenário foi alguém que “fechou os olhos” e não viu a PRM
 transformar-se num braço do partido Frelimo em todo o país durante as eleições de Outubro de 2014.
O aparelho ou sistema judicial actuaram a contento em todo o processo que levou à explosão da crise pós-eleitoral. Nada foi julgado e nenhuma decisão foi tomada  contra pessoas identificadas
que praticaram ilícitos eleitorais.
Agora, com a tomada de posse do Governo e dos deputados da Assembleia da República, respira-se um ar de satisfação por parte daqueles que se mantém no poder. Alcançado o reconhecimento, julgava- se que havia “pernas para andar”,  mas isso tarda em acontecer.  O OGE, embora aprovado, ainda  carece dos fundos prometidos pelos doadores e parceiros externos. Passados mais de seis meses o Governo está mergulhado numa crise de falta de recursos financeiros para executar o seu programa.
Vive-se uma anormalidade anormal onde de um lado se recorre à bandeira do triunfalismo e do outro encontra-se e existe uma Renamo disposta a não dar o seu braço a torcer. Verifica-se um endurecimento dos discursos que podem alimentar a eclosão da
guerra agora localizada algures em Tete, conforme relatos nas redes
sociais e em alguma imprensa. Do Malawi, surgem notícias de Tsangano/Moatize.
A guerra das vantagens ou pela manutenção das vantagens constitui um factor de peso para o actual estado de coisas.
É caricato que algumas figuras de proa digam que “não apanham sono ou que têm pesadelos”,  quando essas mesmas pessoas sabem o que traria solução permanente para a verdadeira crise nacional que se vive, mas se recusam a abrir mão das suas posições. Uma coisa é negociar com vigor no sentido de vencer, mas outra é agir inflexivelmente, utilizando argumentos ou artifícios que consubstanciam irredutibilidade.
Os rumores de guerra ou de possibilidade da sua eclosão parece  não colherem atenção por parte dos detentores do poder.
A memória de algumas pessoas  é demasiado curta.
Alguém se lembra que as forças  militares governamentais eram bem mais robustas e organizadas que as actuais FADM?
Alguém se recorda que as teias do Estado policial eram bem mais fortes que nos dias de hoje?
A amnésia é um grande perigo para uma sociedade, pois leva a que os seus integrantes acabem por cometer erros de avaliação já cometidos no passado.
Poderemos estar à beira de um conflito que poderia ser perfeitamente evitável se os políticos tivessem a lucidez de entender que há coisas que não se devem repetir.
Há quem tarde ou se recuse a aprender que exércitos bem equipados  e numerosos não resolvem problemas políticos. As vitórias militares não são definitivas, e o que pode parecer preponderância é fugaz e normalmente insustentável.
Onde deveríamos ver contenção e realismo, encontramos manifestações de arrogância e inflexibilidade, que podem levar tudo a perder.
O apelo só poder de engajamento genuíno e rápido de todos os moçambicanos para a defesa daquilo que é o seu interesse superior: Paz, Concordia, Progresso e Desenvolvimento.
Afigura-se uma falsa discussão ou incompleta tratar da desmilitarização da Renamo enquanto o outro se mantém intacto com seu Exército e Polícia. Mente e estará mentindo quem disser e defender que as FADM e a PRM são apartidárias, como todos os moçambicanos bem sabem. Se essa tentative não se concretizou no passado, agora, depois de tanta desonestidade negocial, muito mais difícil sera que seja aceite pela outra parte.
De gurus da diplomacia e da condução de assuntos governamentais os moçambicanos esperam outra postura.
Aqui, jamais se tratou de vencer através das armas. Aqui, o que deve ser definido e concretizado é um modelo de governação que veja os poderes democráticos separados e um aparato de defesa e segurança que não sirva os interesses privados de um grupo de cidadãos “especiais”.
A República de Moçambique só assim será viável, e não uma panela de pressão prestes a explodir. 

(Noé Nhantumbo)


Canalmoz, 
13 de Agosto de 2015

A Paz

 

Nunca como nos últimos tempos ouvi falar tanto em Paz. Não há moçambicano que não afirme que quer a Paz, não há confissão religiosa que não afirme que quer a Paz, não há partido político que não tenha a Paz como seu objective.
Multiplicam-se iniciativas a favor da Paz. Uns aconselham que se diga “Olá Paz”. Outros acham que nos devemos virar uns para os outros e desejar Paz. E por aí adiante.
Só que, quanto a mim, todas essas iniciativas, por simpáticas que sejam, não têm nenhum resultado em conseguir a Paz, em evitar uma guerra no país. E sinto que, na realidade, nada de concreto está a ser feito para termos Paz.
Disse alguém, há muitos anos, que a guerra é a continuação da política por outros meios. E o que se passa entre nós não é diferente.
Com a assinatura do acordo de cessar-fogo, o ano passado, parecia estar aberto o caminho para uma Paz permanente, para a integração dos homens da Renamo em Forças de Defesa e Segurança.
Tudo isto desapareceu com a fraude eleitoral de Outubro que destruiu o espírito de entendimento que parecia estar a surgir. A partir de aí o processo todo descarrilou e os sucessivos boicotes do partido Frelimo a todas as propostas de formas de tentar remediar a situação só nos tem aproximado, cada dia mais, do confronto armado.
O diálogo (outra palavra muito na moda) só funciona numa base de “toma lá, dá cá”. Se um dos lados se recusa a fazer qualquer tipo de cedência, os tiros não estão longe. E temos o exemplo da própria Frelimo que tentou conquistar a independência de Moçambique através do diálogo com Portugal. Quando viu que o governo fascista português não cedia em absolutamente nada, a Frelimo pegou em armas e conquistou, através da violência, o que não conseguiu pelo diálogo.
Mas parece que as pessoas se esquecem dos próprios exemplos em que participaram...

 
Machado da Graça, Savana de 07-08-2015